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domingo, 30 de setembro de 2012

A artimanha do chupim


 

     Um ingênuo tico-tico, com todo carinho e dedicação, confeccionou seu ninho, quando cedo advieram os ovinhos. Este, junto com o companheiro, procurou um lugar discreto, no que, com muita dificuldade, alguém pudesse localizar seu esconderijo. Procurou, durante dias, chocar os seus ovinhos, quando nem se deu o tempo para averiguar o resultado do trabalho.
     O casal, depois de dias, viu o nascimento de umas lindas criaturas, que, como pais, pareciam “as mais bonitas do mundo”. A mãe, com o seu empenho, procurava insetos e larvas, que pudessem alimentar os rebentos. Os filhotes cresceram e aí as diferenças salientaram-se.
      Um chupim, com a maior astúcia e discrição, havia-lhe colocado um ovo, que gerou um esbelto pássaro. Ele nasceu e cresceu diante do suor alheio, quando, em meio ao desconhecimento e posterior consentimento, tornara-se sócio da ninhada.
      A vida econômica assemelha-se aos chupins, quando cedo temos sócios nos empreendimentos. O tempo revela o tamanho do parasitismo, que cresce e onera os encargos. Uma carga deveras onerosa, na sociedade organizada, recaí sobre os indivíduos quando muitos são os chupins.

Guido Lang
Livro “História das Colônias”
(Literatura Colonial Teuto-brasileira)

Crédito da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Chupim 

O compaço de espera


    Os meses passaram e nada de chuva! Colonos desesperados com a falta de água, quando aviários, chiqueiros e tambos mantiveram problemas de abastecimento. Máquinas, em diversas propriedades, “abriam açudes e iam furando a terra” na procura do precioso líquido. Os poucos reservatórios, como açudes e cacimbas, viam-se disputadas pelos seres sedentos. O eucalipto, em função da massiva folhagem, levava parte da culpa do desastre do secamento. Os prenúncios das chuvas mantinham-se presentes, porém nada de precipitações para acumular/repôr lençóis/mananciais.
    Um curioso morador, como existe curioso para tudo, preocupou-se com o comportamento dos sapos e pererecas. Pareciam completamente extintos nos pátios coloniais, no que acreditou terem migrado na direção dos poucos lugares úmidos. A tradicional cantoria, nas épocas próprias da reprodução, manteve-se abolida. Passou dia e mais dia e nada de maiores volumes da água. Achegou-se setembro e outubro, tradicionais meses da chuva no Brasil Meridional, com razão de desvendar o mistério. As precipitações, de forma serena e intensiva, advieram e revelaram a astúcia destes bichos peçonhentos. Estes, no contexto da maior descrição, saíram dos esconderijos tradicionais, quando refugiaram-se debaixo de pedras e no interior do solo. As dezenas mantinham-se presentes e “esperavam o momento próprio para darem as caras”. As condições do hábitat voltaram às próprias da espécie, quando retomaram o espaço original.
     Prevalece a lição de vida: a necessidade de esperar “mesmo numa aparente eternidade” as condições próprias, diante das adversidades! Possuímos a companhia de semelhantes mesmo na ilusão nossa da ausência! O refúgio no subsolo é a melhor condição diante do impróprio da superfície. A natureza resguarda meios para sobrevivência de quaisquer espécies, mesmo diante das maiores adversidades e hecatombes.
             
Guido Lang
Livro “História das Colônias”
(Literatura Colonial Teuto-Brasileira)

Abraham Lincoln


Discurso de Gettysburg

     "Há 87 anos, os nossos pais deram origem neste continente a uma nova nação, concebida na Liberdade e consagrada ao princípio de que todos os homens nascem iguais.
     Encontramo-nos atualmente empenhados numa grande guerra civil, pondo à prova se essa nação, ou qualquer outra nação assim concebida e consagrada, poderá perdurar. Eis-nos num grande campo de batalha dessa guerra. Eis-nos reunidos para dedicar uma parte desse campo ao derradeiro repouso daqueles que, aqui, deram a sua vida para que essa nação possa sobreviver. É perfeitamente conveniente e justo que o façamos.
    Mas, numa visão mais ampla, não podemos dedicar, não podemos consagrar, não podemos santificar este local. Os valentes homens, vivos e mortos, que aqui combateram já o consagraram, muito além do que nós jamais poderíamos acrescentar ou diminuir com os nossos fracos poderes.
     O mundo muito pouco atentará, e muito pouco recordará o que aqui dissermos, mas não poderá jamais esquecer o que eles aqui fizeram.
    Cumpre-nos, antes, a nós os vivos, dedicarmo-nos hoje à obra inacabada até este ponto tão insignemente adiantado pelos que aqui combateram. Antes, cumpre-nos a nós os presentes, dedicarmo-nos à importante tarefa que temos adiante – que estes mortos veneráveis nos inspirem maior devoção à causa pela qual deram a última medida transbordante de esforço – que todos nós aqui presentes solenemente admitamos que esses homens não morreram em vão. Que esta nação, com a graça de Deus, renasça na liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desapareça da face da Terra".

19 de novembro de 1863

Abraham Lincoln (1809-1865)

Crédito da imagem: http://twilightstarsong.blogspot.com.br/2012/07/for-weekend-spielbergs-abraham-lincoln.html

sábado, 29 de setembro de 2012

O segredo da eficiência

       
       Um sobrenome colonial, por décadas e gerações, manteve-se na atividade primária. Uma tradição trazida da velha Europa e continuada nas paragens da América Meridional. Terras, lavouras, casa e segredos agrícolas mantinham-se o maior patrimônio, quando foram paulatinamente acumulados e edificados ao longo da ascendência familiar.
       Moradores, como aparentados, amigos e vizinhos, intrigavam-se com os sucessos anuais desta família. Esta, a cada ano, colhia magníficas safras de milho, quando, “num tiro único e certeiro”, acertavam o período próprio da cultura do cereal. Este, havendo em abundância na propriedade, permitia a criação farta de aves, bovinos e suínos. Estes, em decorrência da fartura alimentar e a dedicação do trabalho, pareciam “desenvolver-se como inço”. O curioso relacionava-se a vizinhos, que ensaiavam a imitação nos períodos próprios do cultivo do grão.
      Conversa vai e conversa vem e num certo dia vazou o segredo deste sucesso, quando o plantio sucedia-se próprio ao período das chuvas. O milho, como originário do México/América Central, adora calor e umidade, quando mantinha-se estas condições com o cultivo na época própria. Um singelo segredo fazia a maior diferença, quando produzia dividendos vultosos. A família respeitava um atento observar sobre o comportamento dos quero-queros (Vanellus chilensis). Estes, em setembro e outubro, faziam seus ninhos nos potreiros e roças. A época dos ninhos, em lugares das baixadas e banhados, significa pouca chuva – plantio precoce. Períodos do ninho nos cumes e lavouras, representa muita precipitação – plantio tardio. As aves, com sua extrema sensibilidade, pressentem as condições meteorológicas, quando, a família, no comportamento, inspirava-se para efetuar os plantios.
     Qualquer empreendedor, de sucesso rotineiro, mantêm singelos segredos. Precisa-se de um norte para efetuar magníficas empleitadas. Os humanos, com a sensibilidade do mundo animal, têm muito ainda a aprender com estes.

Guido Lang
Livro “História das Colônias”
(Literatura Colonial Teuto-Brasileira)

Crédito da imagem: http://www.ribeiro.tc/2010/06/problemas-ecologicos-no-morumbi.html

O suplício da amoreira


 

     Uma singela semente caiu na beira da autoestrada, quando, em meio ao gramado, nasceu um arbusto. A planta, em função do descaso com a limpeza do lugar, pode desenvolver-se sem maiores empecilhos.
    Um grupo de trabalhadores, um belo dia, efetuou um roçado, quando a parte aérea viu-se ceifada do vegetal. As raízes mantiveram-se fortes para permitir a rebrotação, que criou folhas e galhos. A amoreira (Morus nigra), em poucas semanas, viu-se cortada e rebrotada, quando o fato sucedia-se de forma rotineira. O vegetal, apesar da amarga experiência do frequente corte, jamais desanimava da vida. As raízes ampliaram-se e engrossaram, no que mantiveram o contínuo desejo de sobreviver. As dificuldades almejavam suprimi-la deste mundo, todavia a vontade de permanecer existindo era mais forte.
    A existência de muitos indivíduos assemelha-se aos suplícios da árvore. Estes, em meio às carências e obstáculos, mantêm a alegria e satisfação de viver.

Guido Lang
Livro “História das Colônias”
(Literatura Colonial Teuto-Brasileira)

Crédito da imagemhttp://www.tudosobreplantas.com.br/blog/index.php/artigos/amora-preta-uma-fruta-antioxidante/

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Desiderata


     "Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa,  lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.
    Tanto quanto possível sem humilhar-se, mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.
     Fale a sua verdade, clara e mansamente.
     Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história.
     Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.
    Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você: isso o tornaria superficial e amargo.
     Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.
    Mantenha o interesse no seu trabalho, por mais humilde que seja,ele é um verdadeiro tesouro na continua mudança dos tempos.
     Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas.
     Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
     Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.
     Seja você mesmo.
     Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira, pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.
    Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
    Cultive a força do espírito e você estará preparado para enfrentar as surpresas da sorte adversa.
     Não se desespere com perigos imaginários: muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.
     Ao lado de uma sadia disciplina conserve, para consigo mesmo, uma imensa bondade.
    Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
     Procure, pois, estar em paz com Deus, seja qual for o nome que você lhe der.
    No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida, conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.
     Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano, o mundo ainda é bonito.
     Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz e partilhe com os outros a sua felicidade".

Por Max Ehrmann (1872-1946)

Crédito da imagem: http://gruporefugioeterno.blogspot.com.br/p/imagens-lindas-natureza.html

Deus

     

     Passei tanto tempo Te procurando
     Não sabia onde estavas, olhava para o infinito, não Te via
     E pensava comigo mesmo, será que Tu existes?
     Não me contentava na busca e prosseguia,
     Tentava Te encontrar nas religiões e nos templos
     Tu também não estavas.
     Te busquei através dos sacerdotes e pastores,
     Também não Te encontrei
     Senti-me só, vazio, desesperado e descri.
     E na desgraça Te ofendi,
     E na ofensa Te tropecei,
     E no tropeço caí,
     E na queda senti-me fraco
     Fraco procurei socorro
     No socorro encontrei amigos
     Nos amigos encontrei carinho
     No carinho eu vi nascer o amor
     Com amor eu vi um mundo novo.
     E no mundo novo resolvi viver
    O que recebi, resolvi doar
    Doando alguma coisa muito recebi
    E recebendo senti-me feliz
    E ao ser feliz, encontrei a paz
    E tendo paz foi que enxerguei
   Que dentro de mim é que Tu estavas
   E sem procurar-Te
   Foi que Te encontrei.

Autor Desconhecido
Poesia

Crédito da imagem: http://cadeaminhavida.blogspot.com.br/2012/04/sem-deus.html