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terça-feira, 5 de março de 2013

Os colonizadores da Colônia Teutônia - VI parte


Friedrich Bohneberger adquiriu as colônias n° 21, 22 e 23 (lado direito) da Boa Vista com 235.500 braças quadradas b2 por 2.355$000 réis em 03.09.1871 - estas terras foram pagas, sem juros, em 13/01/1872 - os lotes n° 22 e parte do n° 23 parecem que passaram posteriormente para Adam von Mühler - o n° 21 e a outra parte do n° 23 parecem que passaram posteriormente para um tal de Wellmeier ou Wellmeyer. Rudolph Wellmeier comprou o lote colonial n° 23 (parece aquela destinada inicialmente para Friedrich Bohneberger) da Picada Boa Vista com 87.500 b2 por 87$500 réis em 05/11/1871 - a companhia colonizadora cedeu-lhe o capital de 27$670 réis, em junho de 1871, para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia - assumiu uma dívida total de 902$670 réis, que continuou sendo paga, com juros, em 04/07/1875. Friedrich Hunsche comprou o prazo colonial n° 9 (direita) da Picada Welp com 98.860 b2 por 1.087$460 réis em 22/10/1871 - a dívida foi paga, com juros, em 01/07/1872. Adam Fensterseifer comprou a colônia n° 3 da Picada Franck com 100.000 b2 por 800$000 réis em 04/12/1871 e pagou a dívida, com juros, em 04/12/1871 - adquiriu também as colônias n° 30  e 31 (direita) da Picada Boa Vista com 171.000 b2 por 1.710$000 réis em 31/01/1872 e pagou estas, sem juros em 10/05/1872. Michel Kich Filho adquiriu o lote colonial n° 3 da Picada Clara com 104.000 b2 por 832$000 réis em 02/10/1871 - pagou a dívida, com juros, em 01/07/1874 - este deve ter feito posteriormente alguma transação comercial com Christian Appel em 01/11/1873. Friedrich Borgelt comprou a colônia n° 10 da Picada Clara com 104.000 b2 por 832$000 réis em 04/12/1871 e pagou a dívida, com juros em 06/06/1874 - aparece registrado posteriormente como comprador da colônia n° 10 (direita) da Picada Clara com 104.000 b2 por 832$000 réis em 10/12/1877 (obs. demonstra um equívoco pois registraram duas vezes o mesmo lote e  riscou-se este registro). Carl Surkamp adquiriu as colônias n° 4 e 5 da Picada Clara com 208.000 b2 por 1664$000 réis em 04/12/1871- a companhia custeou-lhe, como empréstimo, 116$530 réis para pagar o transporte de Rio Grande a Teutônia - assumiu uma dívida total de 1780$530 réis, que continuaram sendo pagas, com juros em 01/06/1871. Bernhard Köfenter comprou a colônia n° 2 da Picada Clara com 100.000 b2 por 800$000 réis em 07/12/1871- a companhia cedeu-lhe, como empréstimo 89$870 réis para custear o transporte de Rio Grande a Teutônia - assumiu uma dívida total de 889$870 réis, que foi paga, com juros em 22/04/1875. Wilhelm Zarth comprou a colônia n° 7 da Picada Clara com 104.000 b2 por 832$000 reis em 04/12/1871 - pagou a dívida, com juros, em 04/10/1874. Wilhelm Eissing adquiriu a colônia n° 8 (direita) da Picada Clara com 104.000 b2 por 832$000 réis em 04/12/1871 – comprou também em 18/05/1874 o prazo colonial n° 20 b da Picada Catarina com 75.000 b2 por 750$000 réis - assumiu uma dívida de 1.582$000 réis, que continuou sendo paga, com juros, até 11/10/1874.  Wilhelm Wiethölter comprou a colônia n° 4 (direita) da Picada Clara com 104.000 b2 por 832$000 réis em 04/12/1871 - pagou a dívida com juros, em 18/04/1875. Pedro Schneider comprou o lote colonial n° 22 (esquerda) da Picada Boa Vista com 82.000 b2 por 820$000 réis en 15/01/1872 - pagou a dívida, com juros, até 24/05/1873. Heinrich Cord adquiriu a colônia n° 3 (esquerda) da Picada Clara com 100.000 b2  por 800$000 réis  em 07/12/1872 - a companhia emprestou-lhe 33$900 réis para custear o transporte em 05/10/1872 (de Taquari a Teutônia) e 29$000 réis para pagar o transporte, em 17/10/1872, de Porto Alegre a Taquari - assumiu uma dívida total de 916$100 réis que continuou sendo paga, com juros, em 10/04/1875 - lote este destinado inicialmente para Hermann Kath. Heinrich Bonenschulte comprou a colônia n° 12 da Picada Clara com 104.000 b2 por 832$000 réis  em 11/12/1871 - pagou a dívida com juros até 01/07/1875. Wilhelmina Borgelt adquiriu a colônia n° 11 (direita) da Picada Clara com 104.000 b2 por 832$000 réis em 04/12/1871 e continuou pagando da dívida parceladamente, com juros,  em 01/07/1874. Carl Dietz comprou a colônia n° 27 da Picada Boa Vista com 102.000 b2 por 1.020$000 réis em 28/01/1872 - adquiriu também o prazo colonial n° 21 (esquerda) da Boa Vista com 79.000 b2 por 790$000 réis em 28/01/1872 - assumiu uma dívida total de 1.810$000 réis que foi paga à vista - pretendia também adquirir a colônia n° 28 (esquerda) da Boa Vista, que parece que trocou pelo prazo n° 21. Wilhelm Jung comprou a colônia n° 4 (esquerda) da Picada Clara com 100.000 b2 por 800$000 réis em 14/03/1872 - adquiriu também o lote colonial n° 10 da Picada Catarina com 150.000 b2 por 1.500$000 réis em 12/11/1872 - continuou pagando a dívida total de 2.300$000 réis, com juros, em 01/07/1874 - o lote n° 4 da Picada Clara seria inicialmente destinado a um tal de Lenzing; Friedrich Kich Filho comprou a colônia n° 6 (esquerda) da Picada Clara com 104.000 b2 por 832$000 réis e pagou a dívida, sem juros, em 10/01/1874. Chonrath Sostmeier adquiriu a colônia n° 16 (esquerda) da Picada Clara com 108.750 b2 por 870$000 réis em 31/01/1872 - continuou pagando a dívida, com juros, em 04/07/1875. Peter Bohneberger comprou a colônia n° 25 da Picada Boa Vista com 40.000 b2 por 400$000 réis em 17/02/1872 - pagou a dívida, sem juros, em 31/03/1872 - este lote estava destinado inicialmente para Johann Navinger. Heinrich Kilpp comprou as colônias n°s 26, 27 e 28 (direita) da Picada Boa Vista com 243.000 b2 a 10$ réis por um total de 2430$000 réis em 24/01/1872 - adquiriu também o prazo colonial n° 29 (direita) da Boa Vista com 85.000 b2 por 850$000 réis em 30/03/1872 - assumiu uma dívida total de 3280$000 réis, que continuou sendo paga, aos poucos e com juros, em 01/07/1874. Conrad Fleck comprou as colônias n° 24 (com 90.500 b2) e 25 (com 93.500 b2) no lado esquerdo da Boa Vista com um total de 184.000 b2 por um total de 1.840$000 réis em 01/01/1872 e pagou a dívida, sem juros, em 02/03/1872.

Autor: Guido Lang. O Informativo de Teutônia nº 114, dia 25/09/1991, pág. 02.


O excepcional osso



Um colonial, numa hora imprópria, achegou-se na casa do velho amigo e ferreiro. Este, próximo ao almoço, adveio para solicitar um serviço. O dono, em função de muitas negociatas e visitas, não poderia fazer a desfeita de deixá-lo de convidar para o almoço. O indivíduo, vindo de longe e duma grota,  certamente estaria esfomeado e sedento. As lancherias e restaurantes, naquele localidade do interior, inexistiam em vista de adquirir alguma merenda. A eventual possibilidade consistia em ir na venda e solicitar alguma bolacha, linguiça e refrigerante (um lanche típico nos armazéns de outrora).
A família, nas quartas-feiras, mantinha o hábito da degustação da tradicional sopa. Esta, a base de hortaliças e verduras (complementadas com cuca ou pão), mantinham-se de fácil digestão e seguiam alguns pratos quentes. O ingrediente básico do cozido era algum osso (de carne de gado) somado da tradicional massa caseira. Alguma carne, junto ao osso, mantinha-se muitíssimo apreciada. O visitante, como intruso ocasional, ganhou a cortesia de degustar a parte. Este, bastante esfomeado (da longa viagem de carroça puxada a boi), careceu de fazer maior charme. Ele tratou de extraí-lo do caldo e colocá-lo no seu prato. Procurou apreciar a esparsa carne, na companhia do proprietário, externou daí uma queixa/reclamo.
O cidadão, na sua santa burrice e ingenuidade (acrescido da cara de pau), exclamou em boa e viva voz: “- Este osso não tem maior carne!” O dono, sem maiores floreios e rodeios, não teve dúvida. Ele, num ato brusco e rápido, apanhou a peça no prato alheio. Ele, com a mão nua, jogou-o pela janela afora (na direção da cachorrada). Eles, em segundos, fizeram a maior algazarra e briguedo. As partes, convidado e proprietário, continuaram a refeição na aparente  e maior normalidade. A novela do reclamo, da gentileza alheia, tinha terminado a bom termo. Outros pratos, como complemento alimentar, viram-se acrescidos de reforço a refeição. A história do osso cedo espalhou-se no meio comunitário. O forasteiro, tão cedo, não fora mais convidado para alguma refeição familiar.
O hábito e princípio de não reclamar da bondade e gentileza alheia revela-se uma velada norma. A cara de pau de uns ofende o bom senso e a ética (perpassa aquela ideia da inconveniência). O convidado ocasional, de furão, não pode externar maiores comentários e reclamos sobre os sucedidos. “Cavalo dado de presente não se olha os dentes”.
Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano Colonial”

Crédito da imagem: http://kitsparecanto.com.br