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sábado, 9 de março de 2013

Os Colonizadores de Teutônia - X Parte


    Joseph Tischer II comprou a colônia nº da Picada Catharina com 75.000 réis em 19.08.1873 e outra parte do mesmo lote com 25.500 b2 em 09.11.1873 por 255$000 réis – a companhia colonizadora emprestou-lhe 22$300 réis, em 08.08.1873, para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia - assumiu uma dívida total de 1.027$300 réis, que continuou pagando, com juros, em 30.06.1875. Wilhelm Shaurig comprou a colônia nº 4 da Picada Catharina com 27.000 b2 por 270$000 réis em 09.11.1873 e outra parte do dito prazo colonial com 75.000 b2 por 750$000 réis em 17.11.1873 –  a companhia cedeu-lhe , em forma de empréstimo,  33$460 réis para custear, em 08.08.1873, para o transporte de Porto Alegre a Teutônia - assumiu uma dívida total de 1.053$460 réis, que continuou pagando em 30.06.1875 com juros de 8% ao ano. Philipp Fritscher assumiu uma dívida de 560$000 réis em 09.08.1873, que continuou pagando, com juros, em 30.06.1875 – não aparece o número do lote adquirido; Frederica Brune emprestou 22$190 réis, em agosto de 1870, para custear o transporte de Rio Grande a Teutônia – pagou a dívida a companhia, com juros,  em 09.08.1873. Friedrich Landmeier adquiriu a colônia nº 1 da Picada Moltke (posterior Marechal Mallet) com 92.500 b2 por 925$000 réis em 01.11.1876, que pagou a vista – comprou também o prazo colonial nº 18 b da Picada Schmitt por 600$000 réis em 30.05.1874 – este tinha adquirido, em 14.02.1872, os lotes nº 17 e 18 da Schmitt (também escreve-se Schmidt) com 151.200 b2 e 158.850 b2 por um total de 2.480$400 réis. Wilhelm Begelmeier (ou talvez Regelmeier) adquiriu a colônia nº 4 (esquerda) da Picada Clara com 100.000 b2 por 850$000 réis em 05.09.1873, que pagou, com juros, em 01.03.1874 – comprou também o prazo colonial nº 12 da Picada Bismarck (posterior Olavo Bilac) com 79.500 b2 por 795$000 réis em 01.11.1874, que pagou, sem juros, em 01.07.1875; um tal de Berger (não aparece registrado o primeiro nome) emprestou 38$920 réis, em 01.10.1873, para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia - não  tinha paga a conta com companhia, com juros, em 30. 06.1875. Mikael Behrs adquiriu a colônia nº 13 b da Picada Catharina com 75.000 b2 por 750$000 réis em  29.12.1873 – emprestou 37$000 réis da companhia para custear o trasporte de Porto Alegre a Teutônia em 27.01.1874 – assumiu uma dívida total de 787$000 réis, que continuou pagando, com juros, em 30.06.1875. Ernst Wilhelm Schöer ficou com uma dívida de 313$600 réis em 01.01.1874, que continuou pagando, com juros, em 01.07.1874 – não aparece, no registro, o número do lote comprado e nem a área. Wilhelm Gibmeier comprou a colônia nº 13 a da Picada Clara com 52.000 b2 por 520$000 réis em 03.01.1874 – a companhia emprestou-lhe 25$300 réis para custear, em 14.03.1874, o transporte de Porto Alegre a Teutônia - assumiu uma dívida total de 545$300 réis, que continuou pagando, com juros, em 01.0701874. Johann Bothmann comprou a colônia nº 14 a da Picada Catharina com 75.000 b2 por 750$000 réis em  20.01.1874 – a companhia cedeu-lhe, em forma de empréstimo,  em 30.01.1874, 62$300 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia – assumiu uma dívida total  de 812$300 réis, que continuou pagando, com juros, em 01.07.1874. Friedrich Welp tinha adquirido a colônia nº 2 da Picada Welp com 100.000 b2 por 800$000 réis em 15.09.1869 – aparece novamente como devedor de uma dívida de 522$000 réis, que continuou pagando, com juros, em 01.07.1875. Wilhelm Wallschor comprou a colônia nº 1 (esquerda) da Picada Clara com 100.000 b2 por 800$000 réis em 20.02.1874 – a companhia emprestou-lhe 16$000 reis, em 30.01.1874, para custear o transporte de Taquari a Teutônia – assumiu uma dívida total de 816$000 réis, que continuou pagando, com juros, em 01.07.1874. Christine Marie Schöem emprestou da companhia 42$000 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia em 12.02.1874 – continuou pagando a dívida, com juros, em 01.07.1875. Herrmann Hilgemann emprestou da companhia 8$800 réis, em 12.02.1874. para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia – assumiu uma dívida de 366$400 réis, em 25.05.1874, à companhia referente a compra de terras, que não aparece registrado o lote (talvez tinham sido as terras de Rudolph Tirp) – a sua dívida total foi de 375$200 réis, que continuou pagando, com juros, em 01.07.1874. Frederrica Tiemann emprestou da companhia 8$800 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia em 12.02.1874 – continuou pagando a dívida, com juros, em 01.07.1875. Phillip Dhein comprou a colônia nº 19 (esquerda) da Picada Schmitt com 161.550 b2 por 1.292$400 réis em 16.02.1874 - continuou pagando a dívida, com juros, em 01.07.1875. Wilhelm Plantholt comprou a colônia nº 4 (esquerda) da Picada Clara  com 50.000 b2 por 425.000 réis em 01.03.1874 – a companhia emprestou-lhe 9$880 réis, em 14.03.1874, para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia – parece também que adquiriu o prazo colonial nº 18 a da Schmitt, em 31.05.1874, de Friedrich Landmeier por 600$000  réis – assumiu uma dívida total de 1.034$880 réis, que continuou pagando, com juros, em 01.07.1875. Heinrich Platholt comprou a colônia nº 4 c (esquerda) da Picada Clara com 50.000 b2 por 425$000 em 01.03.1874 – a companhia emprestou-lhe, em 14.03.1874, 9$880 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia – parece também que adquiriu o lote colonial nº 18 a da Schmitt de Friedrich Landmeier por 289$080 réis – assumiu um dívida total de 723$960 réis, que continuou pagando, com juros, em 01.07.1875...

Guido Lang. O Informativo de Teutônia n° 118, dia 23/11/2012, pág. 02.

Crédito da imagem: http://espiadanovale.blogspot.com.br

Os temores dos investidores


Os proprietários de terras, durante anos, deixaram crescer a macega e o mato. O eucalipto criou belos e volumosos troncos. A produção de lenha mantinha-se massiva e grandes são as estimativas em metros. Os cortadores precisam cortar, pontar, empilhar, carregar e transportar toda essa matéria-prima. O trabalho, de maneira geral, mantém-se braçal e primitivo. Cada pedaço, até chegar nos fornos de carvão ou nas caldeiras das empresas, perpassa várias mãos. O processo de produção absorve enormes custos e esforços.
Os plantadores, diante da carência da mecanização agrícola (nas encostas e morros), obrigaram-se a investir em silvicultura. As promessas de dinheiro fácil e volumoso eram grandes com a acácia e o eucalipto. Os proprietários, nos anos subsequentes, pensaram ganhar umas boas somas (“deitando na cama e deixando o pau crescer”). As lavouras, junto as culturas de milho, foram enchidas com o encalipto. A planta aproveitou a adubação do cereal (como possibilidade de desenvolvimento). As árvores, num ano, cresciam vários metros de altura (algo digno de excepcional admiração). Um desenvolvimento ímpar comparado aos brejos e matos (nativos). Estes, no máximo, davam algum capim ou macega (no tempo dum ano) na área da antiga lavoura de subsistência familiar.
Os investidores agrícolas, durante uma aproximada década, deixaram a terra imóvel/parada. Os dividendos abstiveram-se de ser angariados A necessidade de tempo, para deixar crescer as espécies (acácia e eucalipto), foi necessária até render madeira. Os encargos, como manutenção e taxas, continuaram recaindo sobre as propriedades. Os donos, como micro-empresários, não puderam descuidar dos direitos. A necessidade foi extrair dividendos doutras atividades (com razão de financiar a cultura de árvores). Algum desbaste e seleção foi próprio no intervalo do tempo. Dez aproximados longos anos, num compasso de espera entre o plantio até o corte/colheita, foram exigidos.
A época dos cortes achegaram-se numa determinada ocasião. Os proprietários não teriam a mão de obra disponível/própria. Estes precisaram apelar aos cortadores de mato (muito escassos). Os leigos, como profissionais, aconchegaram-se com as meras motosserras em punho (acrescido de litros de combustíveis) para tarefa/trabalho. Estes, sem nada arriscarem nos custos/investimentos e esperar em tempos, reivindicam a metade da produção. Os serradores, trabalham de segundas/terças até sextas, no corte. Eles daí “querem ver o dinheiro cair na mão”. Os donos obrigam-se mais uma vez financiarem as empleitadas. Os proprietários recolocam dinheiro limpo no negócio. A madeira cortada, avolumada e empilhada, faz surgir a romaria para arrumar mercado da matéria-prima. Os eventuais compradores, feito as vendas, obrigam-se a atrasos ou calotes nos pagamentos.
O resultado: inúmeros proprietários encontram a terra imobilizada com a história da silvicultura. Outros derrubam o mato e nem querem ouvir falar em replantar. Alguns ganharam dinheiro, porém poderiam ter ganhado bem mais nas culturas anuais. Os investidores, na compreensão de muitos assalariados/diaristas, são encarados cedo como aproveitadores e exploradores. Os donos, no ínterim dos cortes, rezam aos céus para pedir proteção contra eventuais imprevistos ou infortúnios. Os atropelos colocam em risco a totalidade dos patrimônios (em função de indenizações previdenciárias e salários no Ministério do Trabalho) por esparsos dividendos. As nuvens negras, sobre eventuais percalços, pairam sobre a cabeça dos investidores.
Alguns investimentos perpassam a ideia de ser uma espécie de loteria. Os investidores, na proporção de ganhar algum dinheiro, cedo vêem crescer o olho alheio. Quem pouco tem, pouco teme perder em reparos (“onde nada tem, não tem como subtrair dividendos”). O país, nestes termos das cobranças e direitos, vai carecer de empregos e investidores. A legislação criou uma sensação: aquela ideia do sistema favorecer os desprotegidos e desvalidos e punir os ousados e investidores.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: http://hugomaioconsultoriaambiental.com