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sexta-feira, 1 de março de 2013

Os Colonizadores da Colônia Teutônia - II Parte


Herrmann Heinemann comprou meia colônia n° 2 (lado esquerdo) da Picada Herrmann (atual  Linha Germana) com a área de 40.700 braças quadradas (b2), em 02/03/1869 e concluiu o pagamento da dívida da compra com a companhia colonizadora em 30/06/1872, não aparece o valor da aquisição que provavelmente foi à vista – Hermann comprou também o lote n° 32 da Picada Herrmann com 160.000 b2 em 01/07/1872 pelo valor de 912$000 réis e concluiu o pagamento com juros de 85% em 30/06/1873. Daniel Gref adquiriu as meias colônias n°14 e 15 da Picada Herrmann com 10.000 b2 em 15/03/1869 pelo capital (valor) de 800$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 05/041875. Franz Götz comprou a colônia n° 28 da Picada Glück-auf (atual Canabarro) com 100.000 b2 pela quantia de 800$000 réis em 18/07/1869, concluiu o pagamento em 01/07/1873 – comprou também a colônia n° 16 da Picada Clara com 98.500 b2 em 29/03/1874. Jacob Elicker comprou meia colônia n° 7 da Picada Neuhaus (atual Teutônia Várzea) com 50.000 b2 pela quantia de 400$00 réis em 22/08/1869  e concluiu o pagamento da dívida em 07/04/1874 com juros. Friedrich Feldmeier adquiriu duas colônias ( n° 24 e 25) da Picada Glück-auf com área de 200.000 b2 pelo valor de 1.600$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1874. Friedrich Landmeier comprou as duas colônias n° 3 e 4  da Picada Franck com 200.000 b2 pela quantia de 1.600$000 réis em 15/09/1869 e concluiu o negócio em 04/12/1869 – comercializou posteriormente o prazo colonial de n° 4 com Heinrich Götterl em 27/05/1872. Heinrich Schermer comprou a colônia n° 5 da Franck com 100.000 b2 pelo valor de 800$000 réis em  15/09/1969 e concluiu o pagamento com juros em 30/06/1873 – comercializou com Wilhelm Brune  e área de 48.570 b2 , sob o n° 5 B, em 15/09/1872 no valor de 388$560 réis. Wilhelm Blömker comprou a colônia n° 6 da Franck com 100.000 b2 pela quantia de 800$000 réis em 15/09/1869 e concluiu o pagamento com juros em 06/07/1874. Friedrich Welp comprou o prazo n° 3 da Picada Welp com 100.000 b2 em 15/09/1869 pela quantia de 800$000 réis e concluiu o negócio com juros em 15/01/1874. Ernst Bolgert comprou o prazo n° 3 da Picada Welp com 100.000 b2 pela quantia de 800$000 réis em 15/09/1869 e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1875. Hermann Schlieck comprou a colônia n° 5 da Picada Welp  com 100.000 b2 pelo valor de 800$000 réis em 15/09/1969 e concluiu o pagamento sem juros em 17/09/1871. Carl Lagemann adquiriu a colônia n° 4 da Picada Welp com 100.000 b2 em 15/09/1869 pela quantia de 800$000 réis e continuou o pagamento em 25/05/1875. Carl Scheffer ou Schäfer comprou o prazo da colonia n° 7 da Franck com 1000.000b2 pela quantia de 800$000 réis em 09/09/1869 e concluiu o negócio sem juros em 05/09/1871. Wilhelm Hünemeier comprou a colônia n° 23 da Picada Glück-auf com 100.000 b2 pela quantia de 800$000 réis em 24/10/1868 e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1875. Friedrich Etgeton e Heinrich Etgeton compraram a colônia n° 6 da Picada Welp com 100.000 b2 pela quantia de 608$000 réis em 20/10/1869 e  concluiram o negócio em 23/05/1875. Ernst Osterkamp adquiriu o prazo colonial n° 8 da Franck com 100.000 b2 pela quantia de 800$000 réis em 06/11/1869 e concluiu o pagamento com juros em 27/03/1874.  Friedrich Trennepohl comprou o prazo colonial n° 4 (lado direito) da Franck com 80.000 b2 pelo valor de 640$000 réis em 14/11/1869 e continuava o pagamento da dívida em 01/07/1875. Herrmann Bünecker comprou a colônia n°2 (lado direito) da Franck com  80.000  b2 pela quantia de 640$000 réis em 11/11/1869 e continuava pagando a dívida com juros em 30/06/1875. Wilhelm Kreimeier adquiriu a colônia n° 3 (lado direito) da Franck com 80.000 b2 pela quantia de 640$000 réis  em 11/11/1869 e continuou pagando a dívida com juros em 09/08/1875. Christ Appel comprou a colônia n° 5 (lado direito) da Franck com  80.000 b2 pela quantia de 640$000 réis em 14/11/1869 e continuava pagando sem juros a dívida em 30/07/1875. Rudolf Ehrenbring comprou o lote n° 12 da Franck com 100.000 b2 pela quantia de 640$000 réis em 11/11/1869 e concluiu o negócio em 11/07/1871 – comercializou o prazo com Wilhelm Wiebusch em 11/07/1871 pelos mesmos 640$000 réis. Wilhelm Frangmeier adquiriu a colônia n° 8 (lado direito) da Schmidt com 120.000 b2 pela quantia de 960$000 em 15/11/1869 e continuava o pagamento da dívida com juros em 30/06/1875. Johann Schröer adquiriu a colônia n° 1 da Schmidt com 80.000 b2 pela quantia de 640$000 réis em 15/11/1869 e continuava pagando da dívida com juros em 30/06/1875. Wilhelm Hollmann comprou a colônia n° 2 da Picada Schmidt com 100.000 b2 por 640$000 réis em 15/11/1868 e continuava o pagamento com juros em 01/07/1874. Heinrich Frangmeier adquiriu a colônia n° 9 (lado direito) da Schmidt com 120.000 b2 pela quantia de 960$000 réis em 15/11/1869 e continuava pagando da dívida com juros em 30/06/1875. Gerhardt Wahlbring comprou  a colônia n° 10 da Schmidt com 120.000 b2 por 960$000 réis  em 15/11/1869 e continuava pagando a despesa com juros em  01/07/1874. Friedrich Peter comprou a colônia n° 11 (lado direito) da Schmidt com 120.000 b2 por 960$000 réis em 15/11/1869 e continuava o pagamento da dívida com juros em 01/07/1875. Wilhelm Schumann adquiriu o lote colonial n° 3 (lado esquerdo) da Schmidt com 80.000 b2 pela quantia de 640$000 réis em 15/11/1869 e pagou a despesa com juros em 30/06/1874 – adquiriu também o prazo n° 16 da Picada Bismark (atual Olavo Bilac) com 26.000 b2 por 640$000 réis em 15/11/1869 e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1873 – adquiriu também a colônia n° 8 (lado esquerdo) da Schmidt com 80.000 b2 por 640$000 réis em  15/11/1869 e continuava pagando a dívida com juros em 11/05/1874, este inicialmente seria vendido pela companhia organizadora a Heinrich Korte...     
                                                        
Autor: Guido Lang. O Informativo de Teutônia n° 110, dia 29/09/1991, pág. 02.

Crédito da imagem: http://oscaminhosdosul.blogspot.com.br

Os talheres do religioso


         Algumas histórias, na memória comunitária, perpassam gerações em função do detalhe. As famosas pérolas perpetuadas nas conversas da tradição oral. Os autores da vivência levam-os junto a sepultura como fama.
Os religiosos, na atuação pastoral, mostram-se muito cobrados e observados na coerência. A prática e teoria precisam andar de mãos dadas no cotidiano dos afazeres. “As ovelhas espelham-se no condutor do rebanho”. “O faça o que eu digo, porém não faça o que eu faço” não funciona a contento.
Um certo religioso, numa localidade do interior das grotas, residia na tradicional casa pastoral. Ele, na sua companhia, mantinha uma modesta funcionária/empregada. Esta ocupava-se no atendimento das necessidades da residência. As faxinas, refeições e roupas recaiam-lhe como encargos e obrigações.
O padre/pastor, neste caso não interessa a confessionalidade, poderia fazer um melhor atendimento aos serviços comunitários. Os batizados, casamentos, enterros, sermões e visitas mantinham agenda cheia. O tempo, para os afazeres e obrigações particulares, ficaria complicado e difícil de atender e honrar.
A menina moça, advinda igualmente das colônias e de origem duma família honrada e pobre, precisou residir junto a residência. Ela, como mandava o bom senso, ganhou seu quarto próprio. Aquela história de residir com celibatário causava estranheza nos curiosos. As relações, com o tempo de convivência, levantaram suspeitas de maiores intimidades. Este, com idade para ser pai dela, não poderia ostentar tamanha proximidade daquela companhia feminina.
As suspeitas, com falatórios generalizados na comunidade, era dos dois dormirem juntos, porém não constituírem um casal. A parte masculina, de uma forma veemente, negava quaisquer relacionamentos íntimos. As acentuadas diferenças de idade somaram-se ao impecilho da constituição familiar.
Umas metidas senhoras, esposas de membros da diretoria, queriam tirar a limpo a história. Estas queriam desfazer suas dúvidas de, afinal, dormirem ou não juntos os dois. Os comentários e falatórios, numa pequena comunidade,  arrastava-se a uns bons meses. A dificuldade de esconder o relacionamento, numa época de negação desse tipo de comportamento social e ainda por parte do pároco, mostravam-se cada vez mais complicado e difícil.
Um trio de senhoras, numa certa ocasião, arrumou algum pretexto de visita a casa pastoral. Estas, de uma e outra maneira, fizeram artimanhas para ter acesso ao interior da moradia. Elas, como “boas amigas e velhas conhecidas”, tiveram os passos facilitados. As metidas/ousadas cidadãs, num cochilo e distração da menina moça, avançaram sobre algumas talheres a mão. Estes ganharam uma serventia e uso ímpar.
As peças, de forma ardilosa e discreta, foram colocadas/escondidas entre o colchão e o lençol na cama da empregada. Algumas colheres, facas e garfos, cobertas por alguma coberta, ostentavam-se bem abrigadas e escondidas. O achado destes, na proporção de dormir na cama, seria fácil e estranho. O primeiro uso do móvel revelaria o impróprio. Os artefatos, numas noites, ficaram indiferentes ao achado humano.
O religioso, nos comunicados do evento religioso dominical  fez referência sobre o sumiço da coleção de materiais. Este, em meio a igreja, falou: “– Gostaria de reaver as minhas peças de talheres. Estas, numa infelicidade, sumiram da casa pastoral. O ladrão, sem maiores represálias, poderia fazer o favor e a gentileza de devolvê-las. Agradece-se deste já pela cortesia!”
As mulheres, de forma discreta e com leve sorriso nos lábios, entre-olharem-se em meio ao comunicado. A funcionária, estando na casa em diversos noites, não tinha dormido na sua aparente e costumeira cama (caso contrário, de imediato, teria deparado com os talheres). A funcionária e o religioso “tinham mordido a isca” e dormido em companhia. As senhoras, de forma indireta, induziram a funcionária a descobrir as peças. As partes, na surdina, constituíam um casal (apesar do religioso continuar negando a suspeita). O desfecho da história, como relacionamento, desconhece-se pelo autor.
A história retrata a realidade comunitária. Os membros podem aparentar ingenuidade, porém possuem conhecimento dos fatos. As suspeitas, de maneira geral, costumam ter um fundo de verdade. As conversas e falatórias não surgem por mera casualidade. A incoerência  entre a prática e teoria, é difíceis de sustentar por tempo indefinido. As singelas atitudes e comportamentos, nas entrelinhas, denunciam a realidade das vivências.
O indivíduo nunca pode subestimar a astúcia e inteligência humana. A vizinhança, de forma indireta, acompanha a vida familiar próxima. Um cidadão, como líder comunitário, coloca sua vida particular na vitrine.

Observação: História contada por Romildo Spellmeier/Colinas/RS.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: http://momentosdacasa.blogspot.com.br