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segunda-feira, 4 de março de 2013

Os colonizadores da Colônia Teutônia - V parte

Heinrich Thepe comprou a colônia n° 36 (lado esquerdo) da Picada Franck com 95.000 b2 por 860$000 réis em 18/10/1870 – emprestou 75$8000 réis da companhia colonizadora para custear a passagem, em setembro de 1870, de Rio Grande a Teutônia - assumiu a dívida total com a companhia, de 835$000 réis, que continuou pagando com juros em 22/08/1974. Heinrich Haslage adquiriu o lote colonial n° 37 (esquerda) da Franck com 90.000 b2 por 720$000 réis em 18/10/1870 e continuou pagando a dívida com juros em 04/05/1873. Franz Staggemeier iria comprar o prazo n° 38  (direita) da Franck com 90.000 b2 por 720$000 réis em 18/10/1870 e acabou adquirindo o meio lote colonial n° 17 b da Boa Vista com a área de 60.000 b2 por 600$000 réis em 12/11/1870 - a companhia emprestou-lhe 104$200 réis para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia em setembro de 1870 - assumiu a dívida total de 704$230 réis, que continuou pagando com juros em 19/06/1875. Wilhelm Brackmann comprou o prazo colonial n° 38 (esquerda) da Franck com 90.000 b2 por 720$000 réis em 18/10/1870 - a companhia emprestou-lhe 75$800 réis para custear, em setembro de 1870, o transporte de Rio Grande a Teutônia- assumiu uma dívida total de 795$000 réis, que continuou sendo paga com juros em 21/06/1875. Georg Carl Dreher comprou a colônia n° 10 (direita) da Picada Herrmann com 74.500 b2 por 745$000 réis em 22/11/1870, que continuou sendo paga com juros em 07/02/1875. Heinrich Lautert comprou o lote colonial n° 8 (direita) da Picada Herrmann com 80.500 b2 por 644$000 réis em 26/11/1869 e pagou a dívida sem juros em 02/05/1871 - este lote seria inicialmente destinado para Jacob Lautert ou confundiram-lhe o nome. Heinrich Lammes adquiriu a colônia n° 14 (esquerda) da Picada Schmidt com 115.575 b2 por 924$000 réis em 17/07/1870 e pagou a dívida com juros em 30/06/1874 - iria adquirir inicialmente o lote n° 12 (direita) da Schmidt com 105.025 b2 por 840$000 réis em 02/01/1870, que acabou comprado por Christian Ahlert. Friedrich Lautert adquriu o prazo colonial n° 7 (direita) da Picada Herrmann com 82.360 b2 por 658$000 réis em 26/12/1869 e pagou a propriedade sem juros em 02/05/1871. Carlos Etzberger adquiriu a colônia n° 16 da Boa Vista com 60.000 b2 por 600$000 réis em 28/08/1870 - adquiriu em 16/04/1875 parte da colônia n° 15 da Boa Vista com 4.266 b2 por 89$580 réis - concluiu o pagamento de uma dívida total de 691$580 réis com juros, em 16/04/1875. Conrad Fleck comprou dois prazos coloniais n° 11 e 12 (direita) da Picada Herrmann com 147.000 b2 por 147$000 réis em 29/12/1870 e pagou a dívida com juros em 14/03/1872. Wilhelm Rahmeier comprou a colônia n° 19 (direita) da Picada Schmidt com 90.000 b2 por 900$000 réis em 19/03/1871 e concluiu o pagamento com juros em 30/06/1874 - este já tinha adquirido as colônias n° 16 com 120.000 b2 e n° 17 com 95.800 b2 (direita) da Picada Schmidt em 26/11/1869. Wilhelm Vollmer comprou a meia colônia n° 26 (esquerda) da Picada Glück-auf com 50.000 b2 por 800$000 réis e o prazo n° 36 (direita) da Picada Franck com 99.000 b2 por 792$000 réis em 20/03/1871 - assumiu uma dívida total de 159$000 réis, que continuou sendo paga com juros em 01/07/1875. Ferdinand Schneider iria adqurir a colônia n° 31 da Picada Herrmann com 76.000 b2 por 760$000 réis não aparecem as causas de não concretização do negócio. Ernst Hachmann II comprou a colônia n° 18 (direita) da Schmidt com 94.975 b2 por 949$750 réis em 16/04/1871 - a companhia emprestou-lhe 18$950 réis e 85$250 réis para custear o transporte de Rio Grande a Teutônia em setembro de 1870 – assumiu uma dívida total de 1053$980 réis, que continuaram sendo pagas com juros em 01/07/1875. August Wessel adquiriu a colônia n° 19 (esquerda) da Boa Vista com 72.000 b2 por 720$000 réis em 29/05/1871 - concluiu o pagamento com juros em 29/09/1871 - este já tinha adquirido a meia colônia n° 14 da Boa Vista com 50.000 b2 por 450$000 réis em 22/11/1869. Leonhard Fucks comprou o prazo colonial n° 18 da Boa Vista com 120.000 b2 por 1200$000 réis em 06/06/1871 - continuou pagando a dívida com juros em 01/07/1875. Wilhelm Lautert comprou a colônia n° 20 (direita) da Boa Vista com 72.000 b2 por 720$000 réis em 20/02/1871 e concluiu o pagamento sem juros em 19/05/1871. Heinrich Hachmann adquiriu o lote colonial n° 20 (esquerda) da Boa Vista com 77.000 b2 por 720$000 réis em 02/07/1871 - a companhia emprestou-lhe os valores de 22$560 réis e 9$700 réis, em 05/10/1872, para custear o transporte de Porto Alegre a Taquari - assumiu uma dívida total de 802$260 réis, que continuou sendo paga com juros em 25/12/1874 - comprou em 25/12/1874 a colônia n° 14 da Picada Bismarck (denominação mudada em 15/11/1919 para Olavo Bilac) com 26.000 b2 por 260$000 réis - os prazos n° 2 e 3 da Picada Moltke (denominação igualmente mudada em 1919 para Marechal Mallet) com 169.500 b2 por 1695$000 réis em 05/06/1875 e assumiu com estas compras uma dívida total de 2955$000 réis, que continuou pagando com juros em 01/07/1875. Heinrich Dickel adquiriu o prazo colonial n° 27 (direita) e n° 20 (esquerda) da Schmidt com 200.000 b2 por 1600$000 réis em 23/07/1871 - não aparecem as condições de pagamento e permanecem dúvidas sobre a concretização do negócio. Jaco Elicker - permanecem dúvidas sobre a aquisição das colônias n° 28 (direita) e n° 2 (esquerda) da Schmidt com 200.000 b2 por 1600$000 réis em 23/07/1871 - este tinha adquirido a meia colônia n° 7 a da Picada Neuhaus (atual Teutônia Várzea) com 50.000 b2 por 400$000 réis em 22/08/1869. Friedrich Dickel I - permanecem dúvidas sobre a aquisição das colônias n° 29 (direita) e n° 22 (esquerda) da Schmidt com 200.000 b2 por 1600$000 réis em 23/07/1871. Abrahann Bohneberger Júnior adquiriu a colônia n° 19 (esquerda) da Boa Vista com 71.500 por 700$000 réis em 14/08/1871 - pagou as dívidas com juros em 03/11/1871 - este lote inicialmente seria destinado a Carl Schmidt. Christian Fett comprou as colônias n° 4 e 5 (direita) da Schmidt com 180.000 b2 por 1980$000 réis em 01/08/1871 e concluiu o pagamento sem juros em 16/01/1872.
          Autor: Guido Lang. O Informativo de Teutônia n°113, dia 18/09/1991, pág. 02.


Uma artimanha colonial


Uns funcionários, achando-se muito espertos e metidos na função do cumprimento das leis de trânsito, admiraram-se da bondade e cortesia de determinado cidadão. Este, instalado numa modesta localidade, tornou-se produtor de víveres. A família, por gerações, mantinha um excepcional conhecimento e tradição no cultivo de frutas e verduras (sobretudo uvas próprias de mesa). A atividade econômica não proporcionava fortunas, porém permitia a dignidade e qualidade de vida.
O proprietário, conhecido pelo sorriso frouxo e extrema simpatia, deslocava-se semanalmente na direção do centro urbano (regional). Este, numa rede de supermercado, comercializava e entregava sua produção. O segredo, para manter a lucratividade do negócio, consistia em eliminar a intermediação dos atravessadores. Uma Kombi velha, como veículo, levava a produção e trazia as necessidades familiares. Este, nas muitas idas e vindas, tornou-se conhecido e faz uma enormidade de amigos e conhecidos. A pontualidade e trabalho eram marcas da sua conduta.
O cidadão, num determinado posto de controle rodoviário policial, fazia uma gentileza ímpar. O ato, para alegria e satisfação  geral da turma, consistia em descarregar alguns bons quilos de fruta. O pessoal, nas caladas da tarde e ínterim dos afazeres, apreciava uma saborosa uva. A fama, da bondade do doador, cedo avolumou amistosos comentários e revelou-se uma espécie de obrigação. Beltrano, fulano e sicrano, na hora do lanche, agradeciam pela dádiva e ficavam intrincados pelo interesse da caridosa alma. A pergunta frequente consistia: “ - O cidadão deixou fruta?”
A verdade, numa certa ocasião, adveio a tona (como surpresa). O camarada, de forma indiferente, passou pelo posto de controle. Aquela história, de parar para deixar frutas, absteve-se de acontecer. Ele, apressado e preocupado, dirigia-se na direção da cidade próxima. Um conhecido policial, numa oportunidade, interrogou-o sobre o sumiço e descaso com a outrora tradicional doação. O colonial, sem floreios e rodeios na língua, completou: “- O colono agora tem carteira de motorista! Este antes dirigia frio e temia ser parado numa blitz!” Os antigos beneficiados, cabisbaixos e sem palavras, deixaram cair o queixo (com a astúcia e malícia alheia).
As práticas revelam a real esperteza e inteligência. As doações e mimos, como dádivas, escondem segundas intenções. As cortesias costumam ser um comércio indireto de favores. Quem, de forma direta ou indireta, já não foi comprado ou deixou-se vender? Uma situação corriqueira, nas democracias, dos ditos países pobres e populistas!

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano Colonial”

Crédito da imagem:http://blogdoefacil.com.br