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domingo, 3 de março de 2013

Os colonizadores da Colônia Teutônia - IV parte


Ernst Hachmann II iria comprar a colônia n° 17 com 157.000 b2 e n° 18 com 158.850 b2 na Picada Schmidt por 2480$400 réis  em 20/09/1870 - terras estas vendidas a Friedrich Landmeier em 14/02/1872 pelo mencionado valor  e pagas com juros em 21/05/1872 - o lote n° 17 b acabou pertencendo posteriormente a Friedrich Landmeier Júnior, o n° 18 a - passou para Heinrich Plantholt e o n° 18 b a Wilhelm Plantholt. Heinrich Decker adquiriu o lote colonial n° 23 (lado direito) da Picada Franck com 60.000 b2 por 480$000 réis em 18/10/1870 - a companhia emprestou-lhe, em julho de 1870, o valor de 30$000 réis para custar a passagem de Hamburgo a Rio Grande e de 18$600 réis para pagar a passagem de Rio Grande a Teutônia - assumiu uma dívida total de 528$000 réis, que foi paga com juros em 25/01/1874. Wilhelm Krützmann comprou a colônia n° 24 (direita) da Franck com 60.000 b2 por 480$000 réis em 18/10/1870 - a companhia cedeu-lhe os 76$420 réis para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia em agosto  de 1870 - assumiu a dívida total, com a companhia colonizadora, de 556$420 réis, que foram pagas com juros em 01/07/1874. Wilhelm Schilieck adquiriu o prazo colonial n° 25 (direita) da Franck com 60.000 b2 por 480$000 réis em 18/10/1870 - emprestou em 01/08/1870 o valor de 54$230 réis para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia - assumiu com a companhia a dívida total de 534$230 réis, que continuaram sendo pagos com juros em 01/07/1874. Wilhelm Brönstrupp comprou a colônia n° 28 (direita) da Franck com 60.000 b2 por 480$000 réis em 18/10/1870 - a companhia emprestou-lhe o valor de 98$160 réis para custear, em 01/08/1870, a passagem de Rio Grande a Teutônia - assumiu uma dívida total de 578$160 réis, que foi paga com juros em 07/02/1875. Gustav Weier comprou o prazo colonial n° 27 (direita) da Franck com 60.000 b2 por 480$000 réis em 18/10/1870 - a companhia custeou-lhe a passagem (em forma de empréstimo) de Rio Grande a Teutônia no valor de 22$190 réis em agosto de 1870 - assumiu uma dívida total de 502$190 réis. Esta foi paga com juros em 29/11/1874. Heinrich Sommer comprou a colônia n° 28 (direita) da Franck com 60.000 b2 por 480$000 réis em 18/10/1870 - a companhia custeou-lhe temporariamente a passagem de Rio Grande a Teutônia no valor de 22$190 réis em agosto de 1870 - assumiu uma dívida total de 520$190 réis e continuou pagando com juros as despesas em 11/08/1875. Heinrich Brönstrup comprou o prazo colonial n° 29 (direita) da Franck com 60 b2 por 480$000 réis em 18/10/1870 - a companhia emprestou-lhe os 56$850 réis para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia em setembro de 1870 - assumiu a dívida total de 536$850 réis, que continuou custeando com juros em 07/]07/1874.  Friedrich Jasper adquiriu as colônias n° 30 e 31 (direita) da Franck com 120.000 b2 por 960$000 réis em 18/10/1870 – a companhia emprestou-lhe os recursos para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia nos valores de 85$280 réis  e 18$950 réis em setembro de 1870 - assumiu uma dívida total de 1064$230 réis e continuou pagando a despesa com juros em 13/04/1875. Heinrich Osterkamp adquiriu  as colônias n° 32 e 33 (direita) da Franck com 120.000 b2 por 960$000 réis em 18/10/1870 - a companhia emprestou- lhe os recursos de 88$250 réis para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia em setembro de 1870 - assumiu uma dívida total de 1044$280 réis, que continuou pagando com juros em 01/07/1874. Friedrich Osterkamp adquiriu a colônia n° 34 (direita) da Franck com 60.000 b2 por 480$000 réis em 18/10/1870 - a sociedade colonizadora esmprestou-lhe os recursos de 88$250 réis para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia em setembro de 1870 - assumiu um dívida total de 1044$280 réis, que continuou pagando com juros em 01/07/1874. Wilhelm Driemeier iria adquirir a colônia n° 35 (direita) da Franck com 60.000 b2 em 18/10/1870 por 480$000 réis – acabou, no entanto, comprando o prazo n° 1 a - da Picada Clara com 47$000 réis em 30/09/1872 – a sociedade emprestou-lhe 90$000 réis para custear a passagem, em setembro de 1870, de Hamburgo a Rio Grande e de 56$850 de Rio Grande a Teutônia – deve uma dívida total de 621$850 réis, que continuou sendo paga com juros em 01/07/1875. Heinrich Lagemann comprou o prazo colonial n° 32 (esquerda) da Picada Franck com 100.000 b2 por 800$000 réis em 18/10/1870 – o pagamento foi à vista. Hermann Loose adquiriu o lote colonial n°9 da Picada Clara por 800$000 réis em 18/04/1875 e continuou pagando a dívida com juros em 01/07/1875 – não aparece a área do prazo. Friedrich Lagemann comprou o prazo colonial n° 33 (esquerda) da Franck com 100.000 b2 por 800$000 réis em 18/10/1870 - a companhia emprestou-se o valor de 37$800 réis para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia em setembro de 1870 - assumiu uma dívida total de 837$800 réis, que continuou sendo paga com juros depois em 01/07/1875. Hermann Cord adquiriu a colônia n° 3 (esquerda) da Franck com 100.000 b2 por 800$000 réis em 18/10/1870 - a companhia emprestou-lhe 37$900 réis para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia em setembro de 1870 - assumiu uma dívida total de 837$900 réis, que continuou pagando com juros depois de 01/07/1875. Friedrich Roloff comprou o prazo colonial n° 34 (da esquerda) da Franck com 100.000 b2 por 800$000 réis em 18/10/1870 - emprestou 37$900 réis da companhia para custear a passagem de Rio Grande a Teutônia em setembro de 1870 - assumiu a dívida total de 837$900 réis, que continuou sendo paga com juros depois de 01/12/1875. Wilhelm Altmann adquiriu a colônia n° 35 (esquerda) da Franck com 100.000 b2 por 800$000 réis em 18/10/1870 - a companhia emprestou-lhe os 18$950 réis para custear, em setembro de 1870, a passagem de Rio Grande a Teutônia – assumiu a dívida total de 818$950 réis, que foi paga com juros em 04/05/1873 - assumiu a dívida de 935$600 réis em 31/01/1874 para adquirir a colônia n° 7 da Picada Clara com 116.950 b2 de Wilhelm Sostmeier e pagou a dívida com juros em 30/06/1874.

Autor: Guido Lang. O Informativo de Teutônia n° 112, dia 11/09/1991, pág. 02.

Crédito da imagem: http://pt.wikipedia.org  


O último lampião


Um evento especial marcou determinado cenário colonial. A energia elétrica, na maioria das casas, tinha sido instalado a uma boas décadas. Alguns poucos moradores, retirados da estrada geral, careciam de ainda instalá-la. A administração, numa parceria entre os governo (das três instâncias), resolveram fazer um projeto de auxílio aos carentes. Estes, numa espécie de cortesia ou baixo custo, ganharam acesso ao bem da modernidade. Eles, como rurais, precisariam ter os idênticos direitos aos demais cidadões urbanos.
Determinada administração municipal, na visita do governador (de idênticos partidos), resolveu promover uma cerimônia ímpar. Esta consistiu em apagar o último lampião no município. O governador, em vésperas de reeleição, faria-se  presente como chefe (numa visita oficial transvestida de política). Uma residência, de fácil acesso e carente da energia (com moradores simpatizantes da corrente partidária), foi escolhida de forma proposital/a dedo. Uma data e horário foram marcados para o cerimonial momento. O entardecer, próximo ao escurecer, definiu-se para o evento de assopro da aposentadoria do lampião e da lamparina.
Uma circulação de veículos ímpar tomou conta das cercanias da residência e no interior da localidade. A imprensa, escrita e falada, fazia-se presente ao acontecimento para o registro. Os amontoados de cabos eleitorais e cargos de confiança, numa convocação extraordinária, fizeram-se presentes (para aplaudir e  dar público). Um espetáculo excepcional, digno dum “circo romano em dias festivos”, para divulgar e enaltecer as conquistas e louros das administrações. Abraços aqui e acolá, cumprimentos lá e cá, discursos daquele e desde, aplausos estridente e pausados, gritos de euforia e simpatia sucederam-se no ambiente.
Os gestores cedo fizeram referências aos polpudos investimentos e outras melhorias no bem comunitário. As empresas recém instaladas, como perspectivas de arrecadação e empregos, foram mencionadas. A questão trabalho, para filhos e netos, certamente não seria nenhuma dificuldade futura. As gestões públicas, na fala dos maiorais, constituíam se umas aparentes maravilhas. As carências e endividamentos, em nomes e números, foram “deixados nos gabinetes e varridos debaixo dos tapetes”. A certeza da reeleição, conforme as pesquisas preliminares, pareciam indicar vitória da situação. As coligações, numa espécie de frente para o grande pleito, continuaram sendo acertadas e discutidas com os caciques dos partidos.
O evento, de assopro das luminárias, numa altura tomou vulto na proporção da presenças das autoridades e correligionários. O espaço mostrava-se pequeno para tamanho número de pessoas. Uma anciã, assustada com toda essa movimentação e sentada quieta num canto da sala, externou curiosa pergunta num determinado momento. Ela, em meio aos muitas caras estranhas e novas, dirigiu-se a uns conhecidos para interrogar. A idosa, no seu dialeto germânico do Hunsrück, inquiriu: “- Aquele barbudo e grandão (o governador), todo engravatado  e centro das bajulações, é o Geisel?” (uma referência ao antigo Presidente da República Ernesto Geisel). Os políticos, em cerimônia e ladainha, eram justamente adversários ferrenhos/opositores da outrora ditadura militar. Uma filha logo fez sinal para silenciar!
O prefeito, para reforçar a média por verbas, falou em ser o último lampião. Uma grosseira falácia e disso sabia perfeitamente. Outras residências, no interior das grotas do município afora, continuaram a iluminar a escuridão com luz de lamparina. A aposentadoria não tinha sido dessa vez. A comunidade passou-se outra década até conseguir descartar os centenários lampiões e lamparinas.  Os resquícios do atraso, no primeiro fraquejo da tecnologia, ressurgem dos esconderijos e esquecimentos. As dispensas e porões, no interior das instalações, escondem relíquias (como peças de museu e precaução ao colapso do sistema elétrico).      
Uma realidade comum, na política, consiste em montar circos para enaltecer realizações dos gestores públicos. As reeleições,  por compras e não por obras, revela-se uma prática política corriqueira nas democracias. Políticos não fazem mais que suas obrigações, porém vendem imagem de generosidade e trabalho (com os recursos do erário). Inúmeros funcionários, em função dos polpudos salários, fazem papeis de mercenários e ridículos com razão de angariar os ganhos.
Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: http://class.posot.com.br