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terça-feira, 31 de julho de 2012

A IMPORTÂNCIA DO REGISTRO

"De que adiantas tu ter vivenciado grandes experiências sem registrá-las?
De que vales tu escrever sobre plagas distantes, esquecendo-se da tua aldeia?"


Júlio Lang

segunda-feira, 30 de julho de 2012

DINHEIRO


"Não gaste o teu precioso dinheiro, ganho através de bastante sacrifício, com supérfluos."

Annilda Strate Lang (24/09/1927 - 27/06/2007)
Agricultora e descendente dos empreendedores da Colônia Teutônia/RS

Crédito da imagem: http://www.blogodorium.com.br/simpatias-para-ganhar-muito-dinheiro/






HONESTIDADE




"A mão do correto e do justo perpassa a Terra."

Lotário Lang (19/04/1927 - 24/11/1990)
Agricultor e descendente dos empreendedores da Colônia Teutônia/RS


Crédito da imagem: http://www.imotion.com.br/imagens/details.php?image_id=5272
A QUALIDADE DE UM LIVRO

"Um livro para ser bom tem de ser útil as pessoas."


Lotário Lang (19/04/1927 - 24/11/1990)
Agricultor e descendente dos empreendedores da Colônia Teutônia/RS

Crédito da imagem: http://www.clipartsdahora.com.br/cliparts_path/3537/livro_aberto_03/
O DOM DA VIDA


"Além da sorte de ater-se, desde tempos primordiais, a uma linha evolucionária privilegiada, você foi extremamente – ou melhor, milagrosamente – afortunado em sua ancestralidade pessoal. Considere o fato de que, por 3,8 bilhões de anos, um período maior que a idade das montanhas, rios e oceanos da Terra, cada um dos seus ancestrais por parte de pai e mãe foi suficientemente atraente para encontrar um parceiro, suficientemente saudável para se reproduzir e suficientemente abençoado pelo destino e pelas circunstâncias para viver o tempo necessário para isso. Nenhum de seus ancestrais foi esmagado, devorado, afogado, morto de fome, encalhado, aprisionado, ferido ou desviado de qualquer outra maneira da missão de fornecer uma carga minúscula de material genético ao parceiro certo, no momento certo, a fim de perpetuar a única sequência possível de combinações hereditárias capaz de resultar – enfim, espantosamente e por um breve tempo – em você."

Bill Bryson


Crédito da imagem: http://dinamicaterrestre12h.blogspot.com.br/2011_03_01_archive.html

"A Pérola das Colônias Alemãs"


O período da colonização alemã, entre 1846-1870, viveu um momento de expansão acentuada, que relacionou-se à criação de inúmeras colônias particulares. Uns especuladores imobiliários procuraram ganhar vultosas somas, quando adquiriram terras devolutas para torná-las áreas colonizáveis. Os negociantes, no máximo, organizaram algumas trilhas de mato, empreendiam mediações aproximadas e iniciaram a comercialização dos lotes. Os colonos, na medida da necessidade de terras aráveis, afluíram, quando precisavam lançar a infraestrutura básica para assegurar o desenvolvimento econômico-social. A Colônia Teutônia incluiu-se nesta negociata particular, quando Carlos Schilling, acrescido de alguns sócios e idealizadores do projeto, lançou as bases do empreendimento teutoniense.
Os empreendimentos de colonização particular tornaram-se uma realidade comum, quando criou-se colônias como Bom Princípio, Forromeco, Escadinhas, Caí, Montenegro, Pareci, Santa Maria da Soledade, Maratá, Brochier, Conventos, Estrela, Mariante, Conventos Vermelhos, Venâncio Aires, Teutônia, etc. Todas as iniciativas depararam-se com sérias carências e dificuldades de moradores, que costumeiramente defrontam-se com o abandono, distância, doenças, feras, selvagens... Os colonos germânicos precisaram derrubar árvores centenárias, extinguir répteis, improvisar estradas, manter a sobrevivência... Várias colônias levaram anos ou decênios, quando passaram a ostentar alguma dignidade de vida e produzir os primeiros excedentes agrícolas. Inúmeras áreas pouquíssimo contribuíram para o pleno êxito do empreendimento agrícola, porque o solo, predominantemente arenoso ou terra roxa, cedo perdeu a camada de húmus. Os colonizadores, após a derrubada da vegetação original, fizeram massivas coivaras ou queimadas, que consumiu, em boa dose, o húmus da decomposição da matéria orgânica e prejudicou sensivelmente os micro-organismos do solo. Os cuidados de conservação, através de curvas de nível ou culturas permanentes, pareciam ignorados em solos temperados, quando a água encarregou-se de levar o limo. Contribui-se, desta forma, para destruir a maior riqueza dos colonos, que é a própria fertilidade do solo.
Os teutonienses procederam de modo semelhante no trato da terra. Encontraram, em muitas áreas, uma realidade diferente, que relacionou-se à existência de uma ampla camada argilosa, que, noutras colônias constituía-se muito frágil e susceptível à destruição. Esta fertilidade estendeu-se sobretudo ao longo do Arroio Boa Vista. Este possui um vale fértil, que aproveitou-se intensamente para explorar a agricultura minifundiária de subsistência. Cultivou, durante decênios, a terra preta, que não parecia ceder ao esgotamento. As lavouras multiplicaram-se com cereais, pastagens e tubérculos, que possibilitou alimentar animais domésticos e moradores. As carências cedo cederam espaço a fartura.
A Colônia Teutônia tornou-se celeiro de produção alimentar, quando comercializara e desperdiçara (com a carência de mercado) ampla quantidade de banha, carnes, cereais, frutas, nata, ovos... As mercadorias comercializáveis seguiam, através de carretas, carroças e montarias, em direção aos portos fluviais de Bom Retiro do Sul, Estrela e Taquari. O governo provincial colhia vultuosos frutos com a colonização teutoniense, quando não tinha despendido maiores recursos em investimentos. Teutônia, em decorrência, passara a ser um modelo de iniciativa privada de colonização, no qual os moradores tiveram a capacidade e ousadia de encontrar alternativas e soluções para as suas dificuldades e obstáculos.
Os moradores procuraram assegurar a manutenção de estradas, criaram escolas comunitárias, edificaram comunidades religiosas, estabeleceram cemitérios, organizaram sociedades de canto... A população atingira um desenvolvimento cultural e econômico, que tornara-se um protótipo de organização comunitária. O êxito e progresso alcançado deu margem a um majestoso título, que divulgou-se na linguagem administrativa. Esta denominação consistiu na "Pérola das Colônias Alemãs" da província, porque era uma comunidade, de estilo de vida europeu, em meio aos trópicos, quando convivia-se numa prática com tamanho analfabetismo, carências, desleixos, concentração de renda...
Teutônia, na atualidade como no passado, segue sua caminhada histórica, no qual procura as alternativas e soluções em meio a sua organização comunal e laboriosa. Segue rumo, com auxílio da autonomia político-administrativa, ao melhoramento contínuo da dignidade e qualidade de vida. O município continua como uma pérola no contexto das municipalidades, quando ostenta moradores inovadores. Sabe trilhar os caminhos da autonomia e prosperidade em meio a dura realidade nacional, na qual a burocracia, muitas vezes, mais atrapalha do que acrescenta, e auxilia para edificação da liberdade e melhorias.

Guido Lang
Histórias Coloniais - Parte    10
O Jornal  O Informativo de Teutônia, p. 04
12 de julho de 1995



EDUCAÇÃO

"Se a educação sozinha não pode mudar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda."

Paulo Freire

domingo, 29 de julho de 2012

ESPIRITUALIDADE


"Quanto mais nos elevamos, mais pequenos parecemos a aqueles que não sabem voar."


Nietzsche

Pensamentos

"Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males."

Voltaire
O ATAQUE DOS GAFANHOTOS


A memória comunitária mantém viva os acontecimentos ligados ao ataque de gafanhotos que, em forma de nuvens, atacaram o Sul do Brasil. A voracidade do inseto de imediato salientava-se e os vegetais acabavam devorados num ritmo assustador. O avanço do ortóptero constituía-se numa realidade comum até a década de 40 do século XX e, aos olhos da atualidade, descrevia uma cena inimaginável. Teutônia não se viu privada de insetos saltadores que, como consequência, descreviam um quadro de devastação e fome. Animais e homens, após a partida, deparavam-se com a "terra arrasada".
A colônia de Teutônia, nos anos de 1906 e 1948, viveu uma tragédia incomum que ligou-se ao ataque do gafanhoto-de-praga (Schistocerca paranaensis). A agricultura e pastoreio viu-se devastada, quando os potreiros acabavam digeridos pela praga. O avanço dos insetos descrevia uma cena ímpar, quando o céu escurecia e o sol desaparecia em função da quantidade de invasores. O sunido, em meio à invasão, parecia ensurdecedor, quando afluíam nuvens da praga. Os seres vivos maiores, nestes instantes, procuravam refugiar-se nos seus esconderijos porque temiam as pernas ásperas (responsáveis por sensações repugnantes na pele). Os caminhantes descuidosos, apanhados de surpresa numa nuvem de gafanhotos, necessitaram deslocar-se de ré com vistas de não serem atingidos e feridos na sua visão. 
O gafanhoto constituía-se, nas suas características, num inseto de antenas curtas, mantinha órgãos auditivos situados lateralmente na base do abdômen, possuía tarsos triarticulados, revelava-se ovapositor curto... O tamanho, no período adulto, podia medir até 6,5 centímetros de comprimento. A coloração apresentava-se num castanho-avermelhado. O par de pernas posterior apresentava-se muito forte, longo e provido de farpas. Os indivíduos adultos chegavam a voar e deslocavam-se em grandes grupos. As nuvens, numa situação catastrófica, chegavam a depredar plantações inteiras. O número de espécies são variáveis e continuam a habitar diversos climas e continentes. O gafanhoto-de-praga, no Brasil Meridional, era o mais comum quando, com alguma frequência, atacava a região.
Os comentários populares, através de conversas informais, mantém viva as histórias das catástrofes que abateram-se nas zonas agrícolas. A fome do inseto parecia insaciável, porque desde o amanhecer até o anoitecer, viviam comendo. Parava unicamente na medida da ausência da alimentação. As folhagens, de um modo especial, pareciam "uma sobremesa predileta", na qual comiam até os talos. O solo, após o ataque, revelava-se uma terra destruída no qual carecia-se de qualquer verde. A cena apresentava-se como o de um desastre ecológico, no qual sobrou muitíssimo pouco para contar a história. A voracidade tamanha, sobretudo as cítricas (bergamoteiras e limoeiro) chegava a digerir as cascas das árvores. Os animais, principalmente cavalos e gado, ficavam sem opção de alimentação, pois consumiu-se as gramíneas. Algum cereal armazenado ou feno estocado poderia, neste dias dramáticos, revelar-se salvação contra a completa ausência de víveres.
A colonada, dentro das acentuadas limitações, procurava oferecer algum combate, que surtia escassos efeitos. As alternativas principais constituíam-se nas queimadas de vegetais que reduziam a quantidade de indivíduos e a fumaça que espantava centenas de milhares de invasores. O volume de insetos porém, parecia infindável, no qual fazia pouca diferença a eliminação de uma boa parte deles. O emprego de lança-chamas e construção de fossas-armadilhas (para os insetos jovens) eram outras tentativas de combate. A guerra parecia sempre perdida, quando nem adiantava com lona de pano, proteger quaisquer culturas. O bicharedo entrava em qualquer buraquinho. Entrava e comia a totalidade das plantas. A chuvas, de maneria geral, inibiam o avanço da praga quando os desastres se acentuavam. A colocação de ovos tornava-se uma realidade quando, em alguns dias, advinha a proliferação da espécie. 
Os ventos levavam e traziam a praga para os diversos rincões, quando então os morros sumiam da vista panorâmica. Os órgãos públicos, através da municipalidade estrelense, procuravam auxiliar no combate que, até o advento da pulverização química, parecia desperdício de recursos e tempo. Alguns esporádicos agricultores, corajosos na iniciativa, procuravam fabricar venenos caseiros à base de folhas de cinamomo. Combatiam os insetos com panos amarrados em ripas, que batiam rente ao solo. A maioria da colonada unicamente tivera o desgosto de apreciar o flagelo, que acentuava as preocupações com a subsistência familiar. As opções viáveis após o desastre, consistiam em replantar algumas culturais anuais, no qual o feijão e o milho assumiam o cerne das preocupações.
As invasões de gafanhotos extinguiram-se com as pulverizações áreas, que minaram a área de proliferação acentuada no deserto da Patagônia/Argentina. Encerrou-se, desta forma, um capítulo desastroso que tamanhos prejuízos causou durante décadas no meio rural.
As jovens gerações não conseguem fazer a mínima ideia daqueles desastres, que eram um terror no meio colonial. Os relatos, no entanto, continuam vivos na memória comunitária, quando os moradores viram-se repentinamente com a destruição e miséria. Os gafanhotos foram uma problemática num determinado contexto sócio-econômico, quando "os ventos da inovação científico-tecnológica" ceifaram aqueles dias tenebrosos. A sociedade, na atualidade, possui outros dilemas que nalgum dia a semelhança dos insetos serão mera história. Estes, entre outros muitos, relacionam-se a massiva produção de lixo, poluição acentuada do arroio Boa Vista, diminuição da fertilidade dos solos... Precisa-se encontrar alternativas às problemáticas que, como outra praga, custam a chegar em determinados momentos e situações.

Guido Lang
Histórias Coloniais - Parte 42
O Jornal Informativo de Teutônia, p. 04
14 de fevereiro de 1996

Crédito da imagem: http://blogdovulmarleite.blogspot.com.br/2008_12_01_archive.html 
TENTE!

"É impossível vencer uma corrida, a menos que se aventure a correr; é impossível conseguir a vitória, a menos que se ouse trabalhar. Nenhuma vida é mais trágica do que a do indivíduo que acalenta um sonho, uma ambição, sempre desejando e esperando, mas nunca dando uma chance a si mesmo".

Richard Devos
Empreendedor

sábado, 28 de julho de 2012

OS JUROS

"Os juros nunca dormem nem ficam doentes ou morrem; nunca vão para o hospital; trabalham durante domingos e feriados; nunca saem de férias; nuca fazem visitas ou viajam; não tiram tempo para lazer; nunca ficam sem trabalho nem ficam desempregados. Uma vez em débito, os juros são seus companheiros a cada minuto do dia ou da noite; não há como evitá-los nem deles fugir; não se pode ignorá-los e sempre que com eles falhar em atender as suas exigências, eles o esmagarão."

J. Reuben Clark Jr.
Educador
A HISTÓRIA E OS MISTÉRIOS DA CEGONHA


A procedência dos nenês era envolvida num quadro de mistério, quando os avôs e pais não nos contaram da sua origem a partir de um ato de amor. Os familiares, até a década de 60 do século XX, reafirmavam a velha história de que as cegonhas eram as responsáveis de trazer os maninhos. A criançada, em momentos, chegavam a sonhar com as aves, que, numas oportunidades, seriam vistas trazendo uma encomenda. A elucidação da lenda adveio com a liberalidade sexual, quando os meios de comunicação, trouxeram cenas de sexo explícitas. As famílias tradicionais, até então, procuravam abafar a curiosidade sexual da criançada, que aceitava, a semelhança do Coelhinho e Papai Noel, histórias do gênero.
A criançada, dentro da curiosidade natural, fazia interrogações referentes a origem dos maninhos. Os genitores, nestes instantes, deparavam-se com enormes dificuldades de apresentar uma resposta convincente, pois não se queria contar o fato da necessidade do ato sexual. Este daria margem a novas interrogações que pudessem acentuar as dúvidas do mito sexual. A história da cegonha, como responsável de atender encomendas, ganhava sua função social.
As comunidades germânicas, de maneira geral bastante conservadoras e discretas em questões ligadas ao sexo, tratavam de narrar a história. A tradição oral, de longa data, vinha atribuindo as aves a sublime tarefa de trazer os nenês. Estas, depois de uma encomenda, tinham a necessidade de providenciar o pedido; o atendimento do solicitado fazia-se, no máximo, num período de sete a nove meses. A encomenda de maninhos poderia ser efetuado unicamente pela mamãe e o papai, nalguma  aurora ou calada da noite, no qual os filhos tivessem dormindo. Estes rebentos, no máximo, poderiam solicitar um maninho (irmão) aos pais, mas jamais teriam acesso a cegonha; as suas encomendas poderiam-se concretizar unicamente na fase adulta, quando a ave daria-se o trabalho de escutá-los no solicitado.
As genitoras procuravam, em meio a graça da encomenda, esconder ao máximo o volume da barriga. Os filhos maiores, na sua santa ingenuidade, inúmeras vezes nem desconfiavam das alterações maternas, que advinham com a gravidez. Estes encontravam-se fixados naquela explicação ou ideia da cegonha, que traria os novos seres. As mães, no dia derradeiro da encomenda, procuravam ausentar-se da residência familiar, quando, no hospital ou parteira, iriam apanhar a almejada encomenda. Os filhos, diante da visita do médico ou parteira, recebiam a tarefa de dar uma passeada na moradia dos avôs e das dindas, enquanto, no intervalo de tempo, alguma ave misteriosa satisfazia a tão almejada encomenda.
Algum maninho gordo era uma encomenda pesada, que não poderia ser efetuada a qualquer ave do bando. Este pedido necessitaria ser efetuado a uma cegonha experiente e grande, que tivesse tido bastante prática na arte de concretizar pedidos. A dificuldade maior, em meio a acentuadas e pesadas tarefas dos trabalhos rurais, era conseguir escolher um nenê gordo e grande, pois os pais deparavam-se com dificuldades de contatar com alguma afamada. Esta, na maioria dos casos, vivia atarefada, quando, em maio a realidade colonial e desconhecimento da televisão, não "brincava em serviço". As famílias, a semelhança dos degraus de uma escada, viviam fazendo pedidos de encomenda, até a década de quarenta, fazia-se, numa média, a cada dois ou três anos. Os lares, em diversos exemplos, tinham tido de dez a quinze encomendas, que era um "trabalho para não colocar defeito".
As cegonhas traziam os nenês nus, que unicamente vinham enrolados numa tira de pano ao redor da barriga. O sexo, de imediato, salientava-se, pois numa sociedade machista e patriarcal, adorava-se encomendas masculinas. O sobrenome familiar necessitaria ser preservado, porque era algo de herança e orgulho de gerações familiares. As encomendas eram buscadas nos confins da terra, no qual praticamente o acesso humano seria impossível e inviável. A espécie de aves somente dominava o mistério da "matriz da fábrica", que era uma obra divina. Estas, no entanto, ignoravam também os enigmas da fabricação, que era uma tarefa afinada com os segredos da vida.
As aves, no entanto, recebiam séria advertência, quando apanhassem a mercadoria. A encomenda necessitaria apresentar semelhança com a aparência dos encomendadores, que, desta forma, evitariam posteriores aborrecimentos, conversas e discórdias. Os familiares e vizinhança, em meio a alemoada generalizada, iriam estranhar uma encomenda de uma criança de etnia diversa; alguma cor amarelada, morena ou vermelha, seria um falatório, que estenderia-se durante décadas e gerações. A confusão estaria criada, porque "os comentários correriam o mundo". O equívoco poderia gerar controvérsias e infelicidades, que acabariam destruindo a "harmonia familiar e o orgulho do sobrenome". Os cuidados familiares, em decorrência, eram criteriosos nos momentos da encomenda; acentuava-se, em relação a esposas e filhos, na medida da presença de peões e vizinhança, que tinham a fama de garanhões. Os equívocos, em casos esporádicos, poderiam-se revelar em anos posteriores, quando a encomenda tinha sido recebida a longa data. Os traços fisionômicos do maninho (irmão) ou rebento assumiam semelhança com algum conhecido e, portanto, distancia-se do pai criador. Uma boataria, confusão e mistério tinha-se criado, que seria uma amálgama familiar.
As cegonhas, em função da sua árdua e sublime tarefa, recebiam uma admiração especial no meio rural. As crianças tinham o cuidado de não afugentá-las ou caçá-las em meio as suas necessidades de procurar alimentação. Elas tinham plena liberdade de ciscar nos arroios e banhados, com vistas de assegurar sua sobrevivência. O seu ato de voar era motivo de beleza e elegância, que causava um espetáculo aos olhos do apreciador. Esta majestude constituía-se num dom e graça divina, que lhes auxiliou a receber a incumbência de trazer os nenês. A exuberância da sua plumagem igualmente inspirava grandeza e magnitude. O tamanho do bico salientava a função de assegurar a encomenda, que jamais poderia escapolir das alturas.

Guido Lang
Histórias Coloniais - Parte 42
Jornal O Informativo de Teutônia, p.04
06 de março de 1996

Crédito da imagem: http://www.brasilescola.com/curiosidades/origem-da-lenda-da-cegonha.htm

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O ADVENTO DA TELEVISÃO


Pude, na minha infância, apreciar o advento dos primeiros programas de televisão, que eram a grande sensação no meio rural. As pessoas afluíam de quilômetros para assistir os programas, que rompiam a rotina do cotidiano rural.
Presenciei a introdução na Boa Vista Fundos/Teutônia/RS, quando mudou-se a rotina colonial. O primeiro aparelho foi adquirido geralmente pelos comerciantes (coloniais) e colonos melhor situados. Os "vendeiros" viram uma possibilidade econômica, porque os colonos vinham para casa de negócios com vistas de assistir as programações. O aparelho televiso, fascínio científico-tecnológico, era instalado num lugar espaçoso, no qual os moradores assistiam aos principais programas. Estes relacionavam-se sobretudo aos jogos da Copa do Mundo (1970), quando o Brasil possuía o "super-timão". O número de espectadores ampliara-se a cada partida na medida que a seleção nacional assumia a liderança e obtinha magníficas vitórias. Os telespectadores assistiam as transmissões e consumiam, paralelo a empolgação, bebes e comes, que eram comercializados pela casa. As lutas livres, aos sábados a noite, igualmente juntavam magnífico público, que vibrava a cada emoção. As torcidas sucediam-se a cada combate, no qual defrontavam-se "mocinhos" contra os "transgressores das normas esportivas". A programação, dos sábados a noite, rompeu com a rotina rural, no qual os moradores cedo tratavam os animais para, em seguida, afluírem em direção a casa comercial.
O tempo passou e a televisão tornou-se uma realidade comum, que acabou instalada em praticamente todas as residências coloniais. Perdeu-se a "magia", no qual o aparelho era a principal atração. Todos os moradores procuraram adquiri-lo na medida das suas condições econômicas e popularização do bem. A aquisição iniciou pelos mais afortunados e concluiu-se pelos menos: passou-se, numa etapa seguinte, para o aparelho em cores, que veio a substituir o televisor preto e branco. Veio, nos últimos anos, o vídeo e a antena parabólica, que, no momento, ganha maior espaço. Inúmeras residências rurais ainda não adquiriram a "maravilha tecnológica", que, no entanto, soma-se na proporção da elevação do nível econômico e popularização dos aparelhos. Outras novidades advirão e assim continuarão as mudanças, que trouxeram "uma verdadeira revolução de costumes, hábitos e valores".
O impacto da televisão, nos valores comunitários, carece de estudos. Posso, no entanto, adiantar que introduziu toda uma prática de consumismo. Procurou-se imitar e viver "modelos citadinos", que nada ou pouco condizem com a realidade local. "Modelos de hábitos e moda" acabaram introduzidos, que até chocaram-se com as experiências e vivências regionais. Os assuntos televisivos acabaram muito mais comentados, que acontecimentos locais, introduziu-se uma ideia da ampla criminalidade, egoísmo, individualismo, insegurança, poluição, roubos nos centros urbanos. Os moradores no entanto possuem oportunidade ímpar de inteirar-se nesta "situação do mundo", no qual comenta-se os conflitos e progressos.
A introdução da televisão gerou polêmicas. Os jovens ambicionaram continuamente adquirir o aparelho, enquanto seus anciões resistiram. Estes últimos alegaram a "televisão como desgraça familiar", no qual organizariam-se horários de trabalho em função de programas. A juventude, os filhos dos colonos, viveriam antenados no aparelho, quando deixariam de cumprir as tarefas agrícolas. O barulho e a claridade da televisão, para os velhos, atrapalharia o sono, porque os jovens ficariam assistindo até "altas horas da noite" (encontrariam-se cansados noutro dia e menos ativos na dura luta braçal da agricultura minifundiária de subsistência). A influência excessiva da televisão causaria uma insatisfação com a rotina colonial, no qual o resultado seria a migração (em direção ao "eldorado dos centros urbanos", no qual haveria muito conforto e trabalho).
O certo é que a "revolução televisiva" sucedeu-se, pois trouxe o "mundo dentro dos lares". Estes ingressaram-se ao consumismo e domínio cultural dos detentores dos canais televisivos. Valores comunitários acabaram relegados a plano secundário e "vive-se mais de acordo as maravilhas televisivas". O progresso, no entanto, ninguém pode estancar; necessita-se adaptá-lo a realidade da vida local, que, inúmeras vezes, rompe com os padrões normais de convivência. Ela precisa vir de encontro a nossa qualidade de vida, quando pode introduzir uma elevação do nível cultural. A televisão possui seus inconvenientes e vantagens e os moradores precisam aprender a extrair os benefícios. Tornou-se, na atualidade, uma realidade comum, no qual satura-se com excesso de transmissão, que pouquíssimo acrescentam aos indivíduos (em função do massivo tempo para assisti-los embora constitui-se num ótimo lazer depois das rotinas estafantes).

Guido Lang
Histórias coloniais - Parte 2
Jornal O Informativo de Teutônia, p. 04
17 de maio de 1995

Crédito da imagem: http://juntoutudojunto.blogspot.com.br/2012/06/televisao.html 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

PENSAMENTO

                                                              

"Queres ser imortal então escreva sobre a tua aldeia".

Tolstoi

A CAÇADA DO ÚLTIMO EXEMPLAR DE VEADO



Alguns colonos continuamente efetuaram uma intensa caçada, quando, com alguma fauna silvestre, completavam o prato familiar. A carência de carne, proveniente da criação, era motivo para empreender alguma caçada, quando alguma presa era abatida. A colonada, desta forma, durante aproximadas cinco décadas de colonização, sobrevivia com a mentalidade de vida, quando pouquíssimos moradores preocupavam-se com uma consciência preservacionista. Alguns pareciam achar inextinguível a abundância de fauna e flora, que mantinha condições de renovação.
Os animais, nos primeiros anos de colonização de Teutônia/Rio Grande do Sul/Brasil (1858 – 1880), existiam em abundância. Os exemplares, como antas, capivaras, cutias, preguiças e tamanduás, eram comuns, quando eram muitíssimo cobiçados pelos caçadores. Os carnívoros, como cachorros-do-mato, guarás, gatos-do-mato, jaguatiricas, onças e mão-pelados, eram abatidos como esporte, quando careciam de maior valor alimentício. As peles, na maioria das oportunidades, nem eram aproveitadas, quando convivia-se com o desperdício da fauna silvestre. As aves, como araras, ararapirangas, anambés, papagaios, pavões, tucanos, eram aprisionados com vistas de ornamentar alguns pátios coloniais. A variedade de cores e formas de aves da fauna brasileira, sempre exerceu fascínio sobre a colonada, que adoravam ter uma gaiola com aves.
As aves e os mamíferos, nos primeiros tempos, chegavam a frequentar os pátios dos colonizadores, quando as florestas mantinham-se próximas as moradias. Algumas espécies pareciam confundir-se com os animais de criação, quando também disputavam alguma sobra ou resto de alimento. Alguns moradores adoravam a companhia, quando não causavam maiores estragos ou prejuízos as plantações. O bicharedo, com as contínuas caçadas de alguns e devastação massiva da mata subtropical, tornou-se arredio. Algumas espécies esconderam-se nos confins da floresta, mas, mesmo assim, acabaram sendo perseguidas e mortas. Pouquíssimas espécies conseguiram sobreviver, quando eram extremamente xucros. Pode-se, entre outros, citar os cachorros-do-mato, jaguatiricas, mãos-peladas, tamanduás ou aves como periquitos, tucanos, anambés...
Outras espécies souberam adaptar-se ao novo hábitat, que praticamente acabou humanizado. Menciona-se exemplares como beija-flores, carruínas, joão-de-barros, quero-queros, tico-ticos ou ouriços, raposas, tatus... Estes conhecem uma acentuada renovação na medida da ampliação das áreas reflorestadas. Alguns ousados caçadores, viciados em caça, teimam em continuar o abate, quando atuam nas caladas da noite e nos finais-de-semana. Estes, em algumas áreas de mato, criaram trilhos, que revelam-se espaçosos caminhos. Algum remanescente, de espécie rara, costuma ser abatido, quando, na prática, deveria receber cuidado especial para sua multiplicação e preservação.
Os répteis, sobretudo cobras, sofreram um contínuo e incessante combate de extermínio, que jamais foi conseguido. Os temores foram muitos com relação as mordidas e picadas, que eram comuns nos primórdios da colonização. Diversas vidas humanas sucumbiram diante das picadas, quando careciam de maiores recursos medicinais; as distâncias a percorrer, numa emergência, praticamente reduziam as chances de uma salvação. As temidas cobras, como cobra coral, cruzeiro, jararaca, jibóia, eram abatidas continuamente com vistas de exterminá-las por completo. Estas, diante da mudança do hábitat, procuravam o refúgio dos brejos e das cercas de pedra, quando mantém-se como presença esporádica.
A Boa Vista Fundos, por volta de 1942, vivenciou um exemplo da voracidade dos caçadores, que, provenientes dos quatro cantos das localidades circunvizinhas, vieram com vistas de abater o último exemplar de uma espécie. Este tratou-se do último remanescente do veado-virá ou catingueiro (Mazana simplicicornis), que tinha migrado à localidade; encontrava-se há dias peregrinando pelas localidades próximas, quando vinha, com a cachorrada e turma de caçadores, sendo caçado. O animal, em meio ao desespero e instinto de sobrevivência, conseguia safar-se da morte, quando refugiava-se entre lavouras e matas. Alguns lavradores, em momentos, deixavam de denunciá-lo, quando desaprovavam a luta desigual; tinham-se encantado com a beleza da espécie de ungulados, que são bastante raros na fauna brasileira. O animal, no entanto, acabou dominado no cansaço, quando acabou abatido nas terras próximas ao Morro dos Staggemeier.
O autor do disparo fatal posteriormente vangloriou-se da façanha, quando teria colhido este precioso troféu de caça; uma obra rara para um caçador, quando havia inúmeros caçadores. Estes na sua reduzida concepção de mundo, jamais pensaram na conservação das espécies animais e vegetais, que seriam um patrimônio comunitário e universal. A consciência ecológica parecia ignorada, enquanto havia abundância de exemplares; adveio na medida da completa de valiosas espécies, que podem esconder uma imensa biodiversidade (para servir no combate a doenças e fonte de alimentos). O troféu de um momento histórico pode, no amanhã, ostentar-se como um absurdo ou exemplo de irracionalidade; a história da caçada do último protótipo de veado é um caso que demonstra-nos a relatividade das mentalidades e valores, assim como nossa crueldade com os seres vivos.

Guido Lang
Histórias Coloniais – Parte
Jornal O Informativo de Teutônia, p. 04
13 de novembro de 1996


Crédito da imagem: http://www.flickriver.com/photos/23630893@N08/4764848454/

O Supremo Imperador


GROSS FÓIRE

“Gross Fóire se destaca dentre todos os planetas da imensidão do espaço como um mundo grandioso, repleto de vida e mistérios, chamando a atenção por ser a terra de anões, armas com poderes especiais, basiliscos, bruxas, cavalos alados, civilizações extintas, construções esquecidas, deuses abandonados, elfos, espíritos antigos, dragões, gigantes, gnomos, goblins, lobisomens, magos, relíquias mágicas perdidas, seres ocultos, plantas carnívoras, serpentes gigantescas, trolls, vampiros, entre outros.
O solitário supercontinente de Hand se ergue em meio ao vasto e negro Oceano Trüb como uma mão aberta e enrugada, devido à curiosa semelhança do seu arranjo espacial com o formato desta parte do corpo.
Enquanto não for provada a famosa teoria da existência de continentes além do mar, pregada por alguns grandes geógrafos do passado, persiste a ideia de que Hand é um enorme continente de Gross Fóire sem irmãos.
A busca por novas terras, nos confins escuros de Trüb e em meio as suas águas agitadas e traiçoeiras, é desmotivada pelos fortes indícios de que criaturas perversas e estranhas habitam as profundezas do oceano intocadas pela luz solar e os mais distantes cantos do mundo.
Gross Fóire é, antes de mais nada, um mundo de poucas certezas e muitas dúvidas”.

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(Livro em fase de conclusão sendo redigido por Júlio César Lang).
A procura de editoras.


Crédito da imagem: http://www.oversodoinverso.com/

A OPORTUNIDADE

Autor Desconhecido

Certa vez, a água, o fogo e a oportunidade saíram em meio a uma floresta escura. Todos tinham medo de perderem-se em meio a densa vegetação.
Então, o fogo disse:
- Se eu me perder, procurem pela fumaça, pois aonde há fumaça existe fogo!
A água, ao escutar as palavras do fogo, também falou:
- Se eu me perder, procurem pela umidade, pois aonde há umidade existe água!
A oportunidade depois de ouvir o que os outros dois haviam dito, disse:
- Se eu me perder, não me procurem, porque a oportunidade perdida jamais volta!

MORAL DA HISTÓRIA: Não deixe as oportunidades passarem por você, corra atrás dos seus sonhos.   

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pensamento positivo


"Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas palavras. Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes. Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos. Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se valores. Mantenha seus valores positivos, pois seus valores... tornam-se seu destino". 


Mahatma Gandhi (1869 - 1948)

Crédito da imagem:  http://www.galofrito.com.br/

As caçadas de Nhonhas


A colonada teuto-brasileira mantém uma tradição, que integra o folclore rural. Esta trata-se da "caçada das Nhonhas" (em alemão os famosos "Tilltapens"), que seria uma brincadeira de muita gozação e risadas. Uma prática esporádica no meio rural, que sucede-se unicamente, com muito espírito esportivo, com indivíduos ingênuos e visitantes.
A origem da brincadeira encontra-se ignorada. Ela provavelmente tenha sido trazida pelos imigrantes e amplamente difundida nas colônias germânicas brasileiras. A literatura, sobre o assunto, parece desconhecida. Inúmeras colonos narram estórias, quando turmas de amigos foram caçar Nhonhas. Estes necessitaram encontrar um camarada, que puder-se dar a paciência e tempo para manter aberto um saco. Alguns componentes, várias vezes acrescidos de uma cachorrada, "procuraria tocar as Nhonhas", que seriam pequenos animais. Estes, num primeiro momento, necessitariam ser descobertos nos seus esconderijos, que localizavam-se nos brejos e matos. Os animais, em meio ao desespero da caçada, passariam a correr entre picadas e trilhos de vegetação com vistas de refugiar-se nalgum esconderijo seguro. As Nhonhas, nesta caçada adoidada, adorariam refugiar-se nalgum saco, que estaria sendo aberto pela pessoa (e fechada na medida da entrada dos bichinhos).
Os animais, de tamanho variável conforme a imaginação de cada um, ficariam apavorados com as esporádicas caçadas. Estes parecem muito susceptíveis a caça, que podem "arruinar seu reino de fantasia". As caçadas depararam-se com um empecilho, pois continuamente carece-se de indivíduos dispostos a manter o saco aberto. As pessoas, de maneira geral, impacientam-se com a abertura dos sacos, quando os animais, de imediato, não são detectados. Os "tocadores de Nhonhas" igualmente cansam, quando abandonam a tarefa de achar os bichinhos. As gargalhadas e graças acabam revelando o segredo da brincadeira, quando também atrapalham os desejos de efetuar as caçadas. As recomendações são de grupos restritos, nos quais um a dois indivíduos abrem, nalgum ponto, os sacos e os outros quatro ou cinco tocam a bicharada. Os abridores necessitam ter cuidados, porque as excessivas mexidas nos sacos acabam afugentando a entrada dos animais. Estes precisam confundir os sacos com alguma toca, que encontra-se em meio a pedras e terrenos. A pressa e temores à vida, em meio a ação dos cachorros e homens, leva-os a "confundir as bolas".
As Nhonhas habitam em quaisquer matos. O seu alimento predileto é a burrice e ignorância humana, quando adora-se indivíduos com pouco "desconfiômetro". As histórias de suas caçadas costumam rolar de boca em boca, quando causam muita risada e vexame. A aplicação da peça resulta de amigos, que confundem-se com os inimigos.
Alguns esporádicos elementos caíram unicamente no "Conto das Nhonhas". A lenda das Nhonhas difunde-se, nalguma oportunidade, nas conversas comunitárias. Os ingênuos e trouxas parecem até "terem tomado alguma injeção" contra a malandragem com vistas de não incorrer no equívoco. Os visitantes, de plagas distantes, não costumam ser recepcionados com tamanha brincadeira, que é coisa de adolescente. Os jovens, antenados com a cultura exógena e os avanços tecnológicos, pouco conhecem ou ligam-se nos costumes e tradições passadas e rurais. Os anciões e genitores também não se dão o tempo de contar as histórias, que possam resgatar elementos das nossas origens. O resultado é a progressiva substituição, talvez desaparecimento, da memória histórica.
As caçadas de Nhonhas sucederam-se, no passado, como uma brincadeira rural, que visava romper com a monotonia comunitária. Os moradores deparavam-se com assuntos, que cedo tornavam-se do conhecimento comunitário. A história de algum indivíduo dar-se o tempo de manter-se parado com o saco aberto dava margem a diversas cenas, que, às vezes escondidas, eram apreciadas e reproduzidas nas conversas. O tempo de espera era outro aspecto observado, no qual testava-se o "desconfiômetro" e a paciência do camarada. Os tocadores dos animais também, em situações, apressaram-se em chegar nas suas casas, quando "cortaram caminho" com vistas de não "despertar suspeitas aos abridores de sacos". Sucediam-se situações em que ambas as partes, abridores de saco e tocadores, apressavam-se em chegar a algum ponto determinado, no qual desconhecia-se os maiores trouxas da brincadeira. Alguém, nesta hora, tinha "aberto a boca" sobre o tom ou sentido da caçada.
As caçadas de Nhonhas, portanto, integram o conjunto do folclore rural, no qual resultaram diversas histórias coloniais. Uma brincadeira semi-abandonada em meio ao "desabrochar do período das luzes", quando circula tamanho volume de ideias e informações. O desconhecimento e ingenuidade não se prestam mais a tamanha brincadeira que, no passado, deixou marcado inúmeros indivíduos. O registro, no entanto, faz-se necessário com vistas de não deixar cair no esquecimento, porque alguma coisa sempre temos de aprender com os conhecimentos e experiências do passado.

Guido Lang
Histórias Coloniais - Parte 38
Jornal O Informativo de Teutônia, p.04
24 de janeiro de 1996

Crédito da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Matagal 

terça-feira, 24 de julho de 2012


 AGRADECIMENTO ESPECIAL

Agradeço a todas as pessoas, dos mais distantes confins do mundo, que acessaram o meu blog desde o dia 08 de março de 2012 (dia em que ele foi criado)!

VISUALIZAÇÕES DE PÁGINA DO EXTERIOR

Rússia: 54
Estados Unidos: 50
Alemanha: 47
Coreia do Sul: 7
Panamá: 4
Portugal: 3
Suíça: 1
Índia: 1
Itália: 1
SABEDORIA POPULAR

Queremos continuar, como curiosidade, com a relação dos ditos e dizeres coletivos, que são gostosos de ouvir e transmitem todo um conhecimento e uma cultura popular. Encontramos, além dos adágios já publicados nesta coluna, a seguinte relação.
- Quero mentir então falo do tempo;
- Vento norte, chuva na porta;
- Todo homem tem seu preço;
- A vida é dura, para quem é mole;
- Um bom filho - Deus ajuda;
- Para morrer basta estar vivo;
- Alegria de pobre dura pouco;
- Criança arteira possui saúde;
- Curta a vida, porque ela é curta;
- Coração de mãe aceita tudo;
- A propaganda é a alma do negócio;
- Namorar nunca é ultrapassado;
- A sabedoria consiste em dar tempo ao tempo;
- Quem não lê, não tem muito a dizer;
- Não adianta desvestir um santo para vestir outro;
- A medicina é a ciência das verdades transitórias;
- A necessidade faz dos necessitados inventores;
- Toda experiência e derrota é uma aprendizagem;
- A gente é a soma das nossas decisões;
- A história é importante pelo que conta e oculta;
- Pensar é cansativo para quem não tem hábito;
- Quem muito fala pouco concretiza;
- Melhor um bêbado conhecido do que um alcoólatra anônimo;
- Ninguém chega mais perto de Deus sem mérito e trabalho;
- A melhor obra de uma vida consiste em servir a humanidade;
- Aquilo que é realizado com amor e carinho sai melhor;
- Mesmo nos piores momentos existe espaços à felicidade;
- Dificuldades existem em todos os empreendimentos;
- Para tudo existe solução com exceção a morte;
- Não há limites para a criatividade humana;
- Os verdadeiros amigos encontram-se nas dificuldades;
- Em tempo de guerra, mentira por mar e terra;
- Andejo vive separado da sua mulher;
- Na terra de cego, quem tem olho é rei;
- Em assunto de conselho todo mundo é mestre;
- Deus te abençoe e o Diabo que te carregue;
- Para um bom entendedor meia palavra basta;
- Quem trabalha sempre tem dinheiro;
- O que não se registra desaparece;
- Cada negócio e profissão possui seus segredos;
- Quando todos pagam ninguém é onerado excessivamente;
- Ninguém é profeta em sua própria terra;
- Conceitos baixos atrapalham os negócios;
- As ideias valem pela qualidade e não pela quantidade;
- Segredo que a memória guarda e a terra há de comer;
- Existem informações que é melhor desconhecer, pois só acrescentam aborrecimentos e preocupações;
- Por trás da excessiva bondade, escondem-se interesses escusos;
- O homem é insaciável em suas aspirações;
- Os filhos a gente gosta e não leva em conta;
- Não há dinheiro que pague o amor;
- O que não presta sempre está disponível.

Guido Lang
Jornal O Fato
Campo Bom, terça-feira, 16/08/1994, n°866.

O HARRY E O GUIDO LANG

Alceu Feijó

Harry Roth, possivelmente um nome esquecido por grande parte da população de Novo Hamburgo/Rio Grande do Sul/Brasil. Mas foi um cara que incentivou o prefeito Ritzel, o Eugênio Nelson, a criar uma biblioteca para a cidade. E foi ele quem realmente consolidou o empreendimento, aproveitando um casarão que existia bem na frente da antiga prefeitura, construída por outro prefeito esquecido, Plínio Moura. Voltando ao Harry, o prédio antigo, que foi construído antes da emancipação, estava destinado à demolição. Não foi demolido e o prefeito Ritzel restaurou e ali foi fundada a Biblioteca Municipal, administrada pelo autor da ideia, Harry Roth. Com seu falecimento, foi denominada Biblioteca Harry Roth, numa justa referência ao seu idealizador.
É possível que a minha memória não esteja relatando toda a origem dos fatos. Se me enganei, peço perdão antecipado, mas acho que estou certo. Hoje a biblioteca se chama Machado de Assis, que nunca esteve em Novo Hamburgo, nem sabia onde ficava a nossa cidadezinha no contexto mundial de sua enorme cultura e exemplos que ofereceu ao Brasil. O Harry Roth conhecia e vivia em Novo Hamburgo, mas seu nome foi postergado por uma entidade nacional.
Bem, além da Biblioteca Machado de Assis, Novo Hamburgo conta com outra pequena biblioteca, mas com grande manancial de consultas, instalada no terceiro andar do Centro de Cultura, sala 33. E quem dirige este pequeno repositório de informações inéditas é o escritor Guido Lang, semelhante ao Harry Roth, magrinho e também usa óculos. Falei escritor porque tem mais de dez livros publicados anonimamente. 
Conheci o Guido quando recentemente me solicitou para identificar personalidades em antigos álbuns de fotografia e o fiz com grande satisfação, pois além de estar ajudando ao local tão importante, revivi muitos momentos, vendo fotografias colhidas por mim, das quais nem me lembrava mais. Porém, durante minhas idas ao relicário do Guido, fiquei sabendo muito rapidamente que ali existiam exemplares encadernados da Folha da Tarde e do Correio do Povo. Com a ideia de Fátima Daudt, vice-presidente de Serviços da ACI, em homenagear os pioneiros calçadistas que foram em 1960 a Nova York. Solicitado a colaborar, fui ao Guido Lang para consultar a sua coletânea. Surpreso ao ver coleções encadernadas da Folha da Tarde desde os anos 50 até 80, fui informado de que o material tinha sido descartado pela Biblioteca Machado de Assis e já estava na carrocinha de um papeleiro. Guido não teve dúvida, pois sabia o valor do material e o resgatou pagando 800 reais. Vejam só o que ele fez: doou para o município o acervo gratuitamente. Foi neste momento que eu me lembrei de Harry Roth, que foi tão útil ao município e não tem nome de rua num bairro operário. Espero que o gesto de Guido Lang, que não está pedindo nada, um dia seja lembrado com uma plaquinha de bronze ou zinco na porta 33 da Semec.

Alceu Feijó é jornalista
Texto publicado no "Jornal NH", p. 18
Sexta-feira, 06 de janeiro de 2006


UMA BELA ÁRVORE

Professor Guido Lang

Um filho, em meio a convivência rural, perguntou a seu pai sobre o fenômeno da vida. Que seria a existência neste mundo agitado, competitivo e corrido?
O pai, na sua sabedoria acumulada por anos, fez um comparativo:
- "Querido filho! Você é a razão da minha existência. Faça da sua vida uma frondosa árvore, que embeleza e engrandece o meio natural. As raízes, afundadas e escondidas no solo, são a tua inteligência, que segura e protege contra os infortúnios. Os amigos, estudos, família, moradia e trabalho são a seiva, que sustenta toda a planta. O tronco, galhos e folhas retratam a tua grandeza de espírito, em que reina o amor, a amizade, a ética, a inteligência, a sabedoria... O sol, com os magníficos raios sustenta o verde, que é resultado da colheita. Os galhos e gravetos murchos ou secos, escondidos em meio a folhagem, são dificuldades, feridas e problemas, que relembram-nos da transitória condição humana. O conjunto das partes, na revelação das centelhas divinas, forma uma criação ímpar, que deve ser uma bênção para a família e a vida."
Alguns modestos comparativos excedem a mil palavras. A existência é um enigma que devemos colocar a disposição da multiplicação da vida.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

UMA PÉROLA PARA A VIDA

Então, o meu pai disse-me, dando-me uma das maiores lições da minha vida, a qual levarei até o fim de meus dias: "- Tu verás a todos os homens, desde o mais humilde até o mais nobre, pois cada indivíduo possui algo para ensiná-lo e todos os homens são iguais perante a Deus! Tu gostará da tua aldeia, no entanto, serás um cidadão do mundo! Terás momentos de alegria e tristeza, como todos os que andam sobre a Terra o têm, todavia, sobretudo, amarás a Humanidade porque dela tu faz parte!"

Júlio Lang


domingo, 22 de julho de 2012


ARTIMANHAS E BRINCADEIRAS COLONIAIS

Os roubos eram fatos raros nas comunidades rurais, quando, num dom de astúcia, permitia-se roubar unicamente galinhas e melancias. O proprietário das aves, com a razão de mostrar a esperteza e ousadia, era comumente convidado à ceia, quando noutro dia, unicamente notava a ausência das suas adoradas e preciosas poedeiras. Este, num primeiro instante, nem quisera acreditar nos fatos, quando “pregaram-lhe uma tremenda peça”.
A invasão da roça alheia, com a finalidade de obter algumas melancias, era uma brincadeira rotineira no meio colonial. A existência de uma abastada e bonita lavoura de frutos cedo espalhava-se aos quatro ventos, quando alguma turminha de malandros improvisava uma visitinha.
A invenção de histórias, aos fofoqueiros, consistia noutra artimanha, quando alguém, com vista de aplicar um bom trote ao “comentarista voluntário”, criava alguma mentira. Esta era narrada ao ouvinte, que, na primeira oportunidade, tratava de passar adiante a versão. Os fatos contados costumeiramente eram assuntos combinados com os atingidos, quando os comentários não passavam de um “baita invenção”.
O baralho era um passatempo rotineiro nas colônias, quando, em meio ao jogo, alguém prestava-se “a fazer mutretas”. Este não sabia perder, quando tratava-se de valer-se de artifícios. Estas, como, dar-se maior número de cartas ou esconder outras, era descoberto, quando o elemento desonesto era colocado “em banho-maria”. Ele era paulatinamente excluído das rodadas.         
A existência de tesouros, nos remotos interiores, fascinou a imaginação de aventureiros e caçadores de riquezas. As conversas comunitárias costumeiramente criavam histórias e lendas, quando surgiam recantos misteriosos. Estes, nos cemitérios, grutas, igrejas, matas e moradias, eram procurados, quando forasteiros, nas caladas da noite e no transcorrer de domingos, davam-se tempo de vasculhar lugares e trabalho de cavoucar buracos. A inutilidade da procura era causa de gargalhadas e os esporádicos sinais de riqueza motivo de mais peripécias.

Guido Lang
Escritor, historiador e professor
Revista Vitrini, n°35, outubro de 1997, p.16.

sábado, 21 de julho de 2012

O VALE DA PROMISSÃO

O Vale dos Sinos/RS/Brasil, em 25/07/1824, começou a tornar-se a "terra prometida", para um conjunto de forasteiros europeus. Estes, em meio ao embalo das águas de um curso pluvial - com alguma semelhança com o tradicional Rio Reno, iam chegando nessas plagas. As canoas, caiques, lanchões foram sucessivamente trazendo uma massa de aventureiros, que foram abrindo picadas, derrubando matos, semeando sementes... nesta exuberante e promissora terra. Um insistente e permanente trabalho, sem trégua de sol a sol, possibilitou a produção de uma abundância de bens. O sucesso produtivo permitiu a introdução de um novo modelo de geração de riquezas. A agricultura minifundiária de subsistência, viu-se implantada em terras sulinas, quando a labuta braçal e familiar passou a ser encarada como uma questão de dignidade e orgulho. "O vale da fartura", deitado séculos em berços explêndidos, conheceu uma revolução, quando banhados, campos e matas viram-se tomados por lavouras, pomares e potreiros. As principiantes localidades tiveram uma sociedade colonial, no qual pipocavam cemitérios, escolas e igrejas. As chaminés, de toda ordem, não tardavam a pipocar nos diversos cantos e recantos, quando não faltavam atafonas, curtumes, ferrarias, moinhos, selarias, serrarias... Estas, em anos e gerações sucessivas de trabalho, lançaram os esteios para um grandioso parque industrial. Um monumento de labuta, belo e sólido, tornou-se um modelo para gerações, que perenemente processaram a continuidade na criatividade e inovação de uma gama de artigos-produtos. Cabe-nos, como herdeiros e sucessores dos pioneiros, continuar a grandiosa obra que manterá este solo continuamente abençoado.

Guido Lang
Escritor, historiador e professor
Revista Vitrini, n°32, julho de 1997, p.24


sexta-feira, 20 de julho de 2012

A MARAVILHA DO SER PROFESSOR


Descrever a tarefa de ser mestre é difícil, porque lecionar envolve todo o emaranhado da vivência humana. Trabalhar em educação significa confrontar-se com desafios, emoções, sentimentos, críticas, questionamentos...
Mestre transformado em operário da educação, representa defrontar-se com a diversidade dos tipos humanos. Professorar é atualizar-se, compreender, elogiar...; é apontar caminhos, despertar consciências, criar cidadãos...; é despertar para as artes, o conhecimento, a ciência, a evolução do espírito...; é acreditar nas inovações, potencialidades, transformações, criação de valores, edificação de sociedades...
Mestre entusiasma-se com o estudo, a pesquisa, o trabalho e o sucesso; chateia-se, frustra-se e importuna-se com o desinteresse, a inércia e a preguiça. Professor cria laços, cultiva amizades, vive problemas, encaminha propostas, desperta vocações, compreende dificuldades...
Ensinar é educar, instruir, estimular, colocar limites, despertar horizontes, preparar à vida... E não adestrar, castrar, dirigir, doutrinar...
O professor é aquele cidadão que é admirado, amado, desafiado, discutido, cobrado... Ser mestre é ser perito na sabedoria, equilibrado nas resoluções, rico de experiências, amplo nos conhecimentos, sábio de vivência...
O mestre imortaliza-se através da administração do conhecimento, sabedoria e na construção do bem comum: enche-se de esperanças com o amanhã, no qual predomina o amor, a concórdia, justiça...
Professorar significa semear as sementes do porvir, que germinarão no jardim da vida. O professor, no final da jornada, fica com a consciência serena de, no final da existência, ter cumprido, de uma ou outra forma, para o avanço da ciência, fraternidade e evolução do espírito humano.
                                                                                       

Guido Lang
Jornal O  Municipário
Informativo do Grêmio do Sindicato dos Funcionários de Novo Hamburgo
Setembro 1993,     p.04.



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Fragmentos da Sabedoria Colonial


Os colonos desenvolveram um amplo conhecimento e sabedoria, que liga-se aos diversos aspectos existenciais. A arte e o trabalho de edificar as residências coloniais não fugiu a regra, quando ganhou uma atenção e preocupação especial.
Estas foram preferencialmente instaladas nas encostas de algum cerro ou colina, no qual sucediam-se abundância de águas e radiação solar. Uma boa e fresca água corrente era uma necessidade básica ao consumo, no que dependia também o sucesso das criações. A insolação era compreendida como excelente meio terapêutico, quando inibia a ação de bactérias patológicas. Os animais domésticos, com abundante exposição solar, pareciam ostentar um maior e melhor desenvolvimento e vigor, quando tem um ciclo vital muitíssimo ajustado a rotação terrestre. Os humanos integrados ao ritmo da natureza, pareciam auferir de idênticos benefícios.
Uma moradia, incrustada nalguma elevação, oferecia a vantagem de apresentar amplo porão, no qual podia-se armazenar sementes, guardar ferramentas, ostentar espaços frescos (nos dias de excessivo calor)... A ventilação, nalguma utilidade, senão maior, quando a qualidade do ar seria melhor assim como as geadas seriam menos rigorosas. Eventuais modéstias igualmente poderiam ser facilmente evacuadas com as águas das chuvas, quando também não haveria os terrenos encharcados. Os animais e humanos, no período de precipitações, poderiam circular com maior facilidade pelos pátios. A visão panorâmica era outro ingrediente básico, quando poderia-se acompanhar e controlar a movimentação de cercanias. Um fácil e rápido acesso, a partir do caminho geral e das estradas de roça, igualmente mantinham-se noutra inquietação.
Os coloniais, dentro das condições da área, levaram em consideração o maior número de benefícios auferidos, quando constantemente, na vida, edificava-se uma única e exclusiva moradia. Um agradável e belo ambiente e cenário residencial, como na atualidade, era compreendido como bem estar social, felicidade existencial e sucesso profissional. A longevidade e tranquilidade de vida tinha seus enigmas e sabedorias, que, nas conversas informais, passavam através de gerações.

Guido Lang
Escritor, historiador e professor
Revista Vitrini, n°34, setembro 1997, p. 13.

Crédito da imagem: http://projetopatrimonio.arteblog.com.br/9732/Casa-Enxaimel-V/