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sexta-feira, 8 de março de 2013

Os Colonizadores de Teutônia - IX Parte


          Nicolaus Kraus comprou a colônia n° 13 b da Picada Clara com 52.000 b2 por 520$000 réis em 01.02.1873 – pagou a dívida, sem juros, em 26.05.1875. Cornelius Kamphorst adquiriu a colônia n° 13 a  da Picada Clara com 52.000 b2 por 520$000 réis em 01.02.1873 – pagou a dívida, sem juros, em 01.07.1873. Heinrich Wessel  comprou o lote colonial n° 16 (esquerda) da Picada Schmitt com 142.050 b2 por um total de 1.136$400 réis em 20.08.1870 – pagou a dívida, com juros, em 06.06.1875. Rudolph Krabbe adquiriu a colônia n° 15 (esquerda) da Picada Schmitt com 129.850 b2 por 1.038$800 réis em 20.08.1870 – a companhia colonizadora  cedeu-lhe, como empréstimo, 101$850 réis para pagar o transporte de Rio Grande a Teutônia em junho de 1870 – assumiu uma dívida total de  1.140$650 réis, que foi paga, com juros, em 06.06.1875. Peter Heinrich Matzenbacher  comprou o prazo colonial n° 33 (esquerda) da Picada Hermann com 36.000 b2 por 435$600 réis em 09.02.1873 – concluiu o pagamento da dívida, com juros, em 30.06.1875. Friedrich August Wehrmann adquiriu as colônias n° 24 (direita) e 20 (esquerda) da Picada Schmitt com 200.000 b2 por 1.600$000 réis em 18.04.1873 – continuou pagando a dívida, com juros, em 05.07.1875. Johann Engelke comprou a colônia n° 13 a da Picada Catharina com 75.000 b2 por 750$000 réis em 20.04.1873 – concluiu o pagamento, com juros, em 01.07.1875. Heinrich Hatje adquiriu o lote colonial n° 12 b da Picada Catharina com 75.000 b2 da Picada Catharina com 75.000 b2 por 750$000 réis em 20.04.1873 – concluiu o pagamento da dívida, com juros, em 01.07.1875. Wilhelm Jung comprou a colônia n° 10 da Picada Catharina com 150.000 b2 por 1.500$000 réis em 12.11.1872 – deu como entrada no pagamento da dívida a colônia n° 4 da Picada Clara estimada em 50$000 réis, que tinha adquirido em 14.03.1872 – concluiu o pagamento, com juros, em 01.07.1875. Anton Tholbe não adquiriu terras – a companhia emprestou-lhe, em 01.02.1873, 18$450 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Taquari – concluiu o pagamento da dívida, com juros, em 01.07.1875. Wilhelmine Trennepohl não adquiriu terras – a companhai colonizadora emprestou-lhe, em 05.10.1872, 8$670 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia – concluiu o pagamento da dívida, com juros, em 01.07.1875. Ludwig Koefender comprou a colônia n° 35 (esquerda) da Picada Franck com 100.000 b2 por 800$000 réis em 18.10.1870 e concluiu o pagamento, com juros, em 28.05.1873 – adquiriu também a colônia n° 35 (direita) da Picada Franck com 60.000 b2 por 480$000 réis em 18.10.1870 – concluiu o pagamento desta área, com juros, em 30.06.1874. Joaquim Alves Cardoso comprou a colônia n° 33 (esquerda) da Picada Boa Vista com 126.000 b2 por 1.500$000 réis em 18.06.1873 – concluiu o pagamento, com juros, em 14.06.1874. Jacob Collett comprou a colônia n° 10 b da Picada Welp com 46.200 b2 por 739$200 réis em 22.10.1872 – concluiu o pagamento, com juros, em 01.07.1874. Herrmann Heinemann comprou a colônia n° 32 (esquerda) da Picada Hermann com 76.000 b2 por 902$000 réis em 01.07.1872 – deu como entrada no pagamento, em 01.07.1872, a colônia n° 2 b da Picada Hermann no valor de 500$000 réis – ficou devendo a de 437$000 réis, que concluiu o pagamento, com juros, em 01.07.1875. Carl Dietze emprestou da companhia, em Porto Alegre, o valor de 12$800 réis em 01.03.1865 e depois mais 30$100 réis em 11.06.1866 – assumiu uma dívida total de 42$900 réis, que foi concluído, com juros, em 01.07.1875. Phillipp Schnee emprestou, em 01.02.1871, 38$000 réis, que pagou, com juros, em 01.07.1875. Phillipp Michel Schwengel emprestou da companhia, em 11.07.1873, 15$000 réis, que foi paga, sem juros, em 01.09.1873. Gustav Schubert emprestou, em 05.08.1873, 12$460 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia e concluiu o pagamento, com juros, em 01.07.1875. Christian Schönberg emprestou, em 05.08.1873, 12$460 réis para custear o transporte de Porto Alegre até Teutônia – pagou a dívida, com juros, em 01.07.1875 – não aparece aquisição de terras. Johann Schönberg emprestou, em 05.08.1873, 43$600 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia – pagou a dívida, com juros, em 01.07.1875 – não aparece aquisição de terras. Jacob Schwammbach comprou a colônia n° 7 b da Picada Schmitt com 40.000 b2 por 320$000 réis em 06.08.1873 – concluiu o pagamento, com juros, em 11.06.1874 – parece que este lote inicialmente pertencia a Heinrich Schröer: Friedrich Haubert adquiriu o lote colonial n° 7 a da Picada Schmitt com 40.000 b2 por 320$000 réis em 06.08.1873 – concluiu o pagamento de uma dívida total de 960$000 réis em 30.06.1875 – parece que este lote inicialmente também pertencia a Heinrich Schröer e Wilhelm Kriebe, a quem Haubert devia 640$000 réis em 31.05.1874. Heinrich Dickel  comprou a colônia n° 15 (esquerda) da Picada Franck com 11.534 b2 por 242$220 réis em 22.04.1875, que continuou pagando, com juros, em 22.04.1875 – parece que também adquiriu a colônia 8 b com 48.435 b2, que está ligada junto às terras de Wilhelm Endress em 22.04.1875. Franz Gebert comprou as colônias n° 21 e 28 da Picada Schmitt com 200.000 b2 por 1.600$000 réis em 08.08.1873 – pagou a dívida, com juros, em 31.12.1874 – parece que devolveu 110.500 b2 no valor de 884$000 réis para pagar a dívida. Wenzel Reckziegel comprou a colônia n° 1 da Picada Catharina com 90.000 b2 por 900$000 réis em 17.08.1873 – a companhia, em 08.08.1873, emprestou-lhe 72$520 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia – assumiu uma dívida total de 972$520 réis, que continuou sendo paga, com juros, em 26.06.1875. Joseph Tischer I adquiriu a colônia n° 2 da Picada Catharina com 90.000 b2 por 900$000 réis em 17.08.1873 – a companhia emprestou-lhe, em 08.08.1873, 39$140 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia – comprou também, em 09.11.1873, uma sobra de terras da colônia n° 2 com 9.000 b2 por 90$000 réis da Picada Catharina – assumiu uma dívida total de 1.029$140 réis, que continuou pagando, com juros, em 01.07.1875.

Autor: Guido Lang. O Informativo de Teutônia n°117, dia 16/11/1991, pág. 2.

Crédito da imagem: http://www.tripadvisor.com.br

O segredo da verdade


A verdade anda a passos lentos e sua reputação nem sempre é das melhores. Uns falam dela  “andar a pé na proporção da mentira andar a cavalo”. Poucos alimentam-a em estima e consideração como princípio e valor. Muitos valem-se dela na proporção da vantagem e descartam-na na dimensão da desvantagem. Ela, aos desonestos e corruptos, aterroriza e contrasta com a mentira. Poucos, ao ouvi-la, agradecem pela sinceridade (apesar da mágoa momentânea).
A tradição oral, em forma de singela história, conta um segredo da existência. A verdade, numa imensa estrumeira, via-se desperdiçada e perdida como ímpar pérola. Esta, com discreto tamanho e volume,  mantinha-se enterrada em meio ao material. Os cheiros, da merda e urina da injustiça e imprudência, mantinham-a bem escondida e guardada. As quantidades de material, dum acumulado de décadas, pareciam jamais revelá-la. As pessoas, com raras exceções, imaginavam-a definitivamente morta e sepultada. Alguma tremenda casualidade, com excepcional sorte,  seria unicamente capaz de localizá-la e  utilizá-la.
As ingênuas galinhas, com sua ânsia e fome por vermes, ciscavam continuamente nas  imundícies. Elas, dia após dia, mexiam e remexiam nas outroras fezes. Uma aparente paixão e vocação inabalável de revolver. Elas, neste cisca aqui e acolá, acabaram revirando uma montanha de material. No joga prá cá e prá lá a terra sucedia-se durante semanas e meses. A surpresa, num momento inédito, adveio em forma dum achado. A pérola surgiu a luz do dia. A verdade, por um e outro momento totalmente esquecida e perdida, ressurgiu das cinzas e do pó para vida.
Alguém, aqui e acolá, lembra e relembra acontecimentos e histórias. Os equívocos e falcatruas, no sonho dos autores, pensam estar bem esquecidos e enterrados. Estes, nalgum momento menos esperado, surgem a luz dos comentários e falas. Alguém, há semelhança da pérola da verdade, guardou o enterrado e impróprio. Estes, podendo ter ocorrido a sete gerações, acabam desvendados e recordados. A verdade, mesmo escamoteada e frágil, nalgum momento dá a sua graça. O melhor, para evitar aborrecimentos e transtornos, consiste em andar no caminho da correção e retidão.
A memória comunitária, através da tradição oral, guarda e recorda as experiência e vivências. Certos equívocos dá para perdoar, porém não tem como esquecer e ignorar. O conselho consiste em fazer o bem sem jamais olhar a quem. O indivíduo não precisa muito para viver, portanto, nada de matar e roubar para sustentar-se. O dito popular afirma: “a verdade perpassa o mundo”.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem:  http://blog.groupon.com.br