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sábado, 6 de outubro de 2012

"A planta dos deuses"

    

    Uma cultura excepcional, no contexto das plantações maiores (milho, mandioca, soja) ganhou importância no meio colonial. Esta mantinha-se para o uso privado em função dos poderes medicinais; conheciam-a como uma dádiva divina. Qualquer colonial, junto a horta ou roça, procurava cultivar exemplares porque significa a farmácia caseira familiar.
   O alho-poró/porro (Alium porrum) mantinha larga emprego, quando havia casos de diabetes, diarréias, mal estar, gripes... constituía se na expressão popular um "flagelo aos demônios" (bruxas, na proporção do empego especial nos adoentados e alimentação geral). Quaisquer carnes e feijoadas conheciam o seu acréscimo, quando davam um gosto excepcional ao paladar. Os casos específicos de patologias conheciam o consumo em jejum, no que junto ao limão, ostentava-se o remédio mais efetivo. Estes, numa casualidade, careciam de resolver os abalos da saúde, quando recurso consistia em procurar auxílios médicos.
   A planta, introduzida na América provinda da  Europa, assumiu ares de silvestre, quando, uma vez cultivado, mantinha reservas de sementes no ambiente. Esta, no contexto do inverno, trata de brotar no meio do inço e pasto para produzir na primavera. Adaptou-se deveras bem no contexto das baixadas e encostas do clima subtropical, que com sua coloração verde-clara salientava-se no conjunto da vegetação. As flores aromáticas e brancas parecem enfeitar os espaços da sua presença, no que o cheiro forte, impróprio aos "bicharedos peçonhentos", afugenta sua presença em quaisquer ambientes.
    Colonos, em labuta em banhados, brejos e matos, tratavam de esfregar-se com o cheiro forte e gosto picante com vistas de safar-se de picadas de aranhas, cobras, mosquitos... Revelou-se um repelente natural diante da ausência de produtos industriais. Criou-se daí a crendice do bálsamo natural diante da inconveniência dos seres maléficos, que por ventura fossem habitar as cercanias residenciais e pátios coloniais. Estes, com o paralelo do esterco abençoar o solo com as graças divinas, abençoa os ambientes familiares com a saúde generalizada na proporção do emprego rotineiro nos cardápios diários. A salmoura  confeccionada com alho e sal, não pode faltar em carnes, quando charques "de porco" mantinham-se alimentação comum nas mesas dos criadores. Uma maneira efetiva de preservar carnes nos rotineiros abates/carneação, diante da ausência dos artefatos de refrigeração.
    Indivíduos, numa existência inteira até a velhice acentuada, valeram-se do alho como remédio efetivo. Quem vale-se da planta causa excepcional prejuízo aos laboratórios e médicos em função de evitar a frequência rotineira as farmácias e consultórios.
Guido Lang
Livro "Histórias das Colônias"
(Literatura Colonial Teuto-Brasileira)

Crédito da imagem: http://2.bp.blogspot.com/_CDohqq_XG4g/S5eLFMs8EsI/AAAAAAAAGkQ/pxsG0HgU0bk/s400/spring-garlic.jpg

Provérbios coloniais teuto-brasileiros

 01. Nem tudo que resplandece é ouro.
 02. O mais esperto cede diante da tolice.
 03. O dinheiro governa o mundo.
 04. O colono mais ingênuo colhe as maiores batatas.
 05. Quem quer aprender logo encontra um professor.
 06. O trabalho enobrece o espírito.
 07. A tua casa é o espelho da tua vida.
 08. Raposas velhas dificilmente caem nas armadilhas.
 09. A falta de resposta também é uma resposta.
 10. Cada dono com suas ferramentas (próprias).
 11. Deus ajuda quem se ajuda.
 12. Que faz bem ao bolso, reforça a saúde do coração.
 13. A mão do patrão abençoa o trabalho.
 14. Filhos pequenos, singelas aflições; maiores, enormes preocupações.
 15. Se queres confiar em alguém, confia em ti mesmo.
 16. Com toucinho, como isca, apanha-se os ratos.
 17. Os cachorros costumam ser os retratos do dono.
 18. O bicharedo quer o trato e não pergunta a hora.
 19. Aonde cada um labuta um pouco ninguém trabalha demais.
 20. Quem quer fazer tudo, acaba fazendo nada.
 21. Nada engana mais que os próprios semelhantes.
 22. Que não envolve maior dinheiro, pouca diferença faz.
 23. O progresso econônico próprio incomoda o vizinho.
 24. O porco inibido dificilmente acaba gordo.
 25. O indivíduo, na proporção de ser jovem, tudo parece-lhe fácil.
 26. Precisa haver espertos e ingênuos para as coisas funcionarem.
 27. O descanso advém por si só com a idade.
 28. O dono cobre uma despesa e já vislumbra outro encargo.
 29. Cada clã, no seu seio, tem um excepcional vagabundo.
 30. O colono gosta da chuva, porém a prolongada desgosta.
 31. Todas as coisas boas costumam ser em número de três.
 32. A bonança advêm depois de cada temporal.
 33. O mais esperto cede diante da tolice.
 34. O caçador esporadicamente acerta dois alvos com um tiro.
 35. Com certos amigos nem se precisa de inimigos.
 36. Que adiante frequentar a igreja e viver hipócrita.
 37. Quem estudou ganha o dinheiro mais fácil.
 38. O pão velho, em algumas situações, precisa ser degustado antes do novo.
 39. Uns parentes relacionam-se, outros intrigam-se.
 40. Quem quer trabalhar sempre encontra algum serviço.

(Organizado, a partir do dialeto do Hunsrück, por Guido Lang)