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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Os Colonizadores da Colônia Teutônia - I Parte


Procurou-se, a partir do Livro Colônia Teutônia (1868 – 1878) da “Empresa Colonizadora Carlos Schilling, Lothar de la Rue, Jacob Rech, Guilherme Kopp & Companhia’’, fazer um levantamento da relação dos pioneiros. Estes, entre 1862 a 1876, afluíram aos atuais municípios de Imigrante, Teutônia  e Westfália/RS. Inúmeras famílias poderão encontrar referências a seus antepassados. Estes dados relacionam-se a data de instalação, despesas com a companhia colonizadora, lote e área adquirida, custeio da passagem a Teutônia... As informações ajudam a ampliar os conhecimentos da microistória e genealogia assim como enobrecem as histórias municipais. A relação dos nomes, na grafia original (do alemão), segue a seqüência da fonte e serão apresentados numa série de artigos (de um a quatorze).
A relação consiste: viúva Carolina Hauenstein adquiriu as terras em 01/05/1868 pela quantia de 1.177$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 23/11/1873.  Jacob Feldens comprou as terras em 01/07/1868  pelo valor de 600$000 réis, concluiu o pagamento com juros em 11/05/1872, adquiriu o quinhão em Glück-auf (Canabarro) junto ao lote de Heinrich Ritter e que foi registrado em 19/09/1876. Adam Lambert comprou a colônia n° 11 de Glück-auf com 100.000 braças quadradas (b2) em 01/01/1867 pela quantia de 300$000 réis e concluiu o pagamento sem juros em 18/09/1867. Joseph Hagemann adquiriu o lote n° 6 da Boa Vista com 83.370 b2 em 11/08/1866 no valor de 667$000 réis e concluiu o pagamento com juros de 8% num total de 720$000 réis em 12/11/1869. Johannes Lambert comprou em 01/01/1867 terras num valor de 608$000 réis e pagou-as sem juros em 18/09/1868. August Flesch comprou a colônia n° 7 da Picada Herrmann (Germana) com 100.000 b2 em 01/11/1863 pela quantia de 800$000. Carl Dietze comprou a colônia n° 8 da Picada Herrmann com 100.000 b2 em 01/04/1865 num capital (valor) de 800$000 réis e concluiu os escargos com juros de 8% em 01/07/1874. Jacob Michels comprou o prazo n° 8 da Picada Hermann, junto com a Carl Dietze, em 28/01/1872 pela quantia de 800$000 e foi pago no ato. Friedrich Dickel comprou o lote n° 16 Glück-auf com 100.000 e meia colônia (n°15) de Glück-auf com 50.000 b2 num valor de 1.200$000 réis em 01/03/1866 e continuou pagamento até 01/07/1875. Johannes Dreier adquiriu a colônia n° 19 de Glück-auf com 100.00 b2 pelo valor de 600$000 réis em 01/11/1867 e concluiu o pagamento em 18/04/1868 num total de 608$000 réis. Heinrich Henchen comprou em 01/03/1868 a colônia n° 20 de Glück-auf  com 100.000 b2 num valor de 750$000 réis e concluiu o pagamento em 18.09.1969. Heinrich Dickel comprou em 01/09/1866 a colônia n° 8 de Glück-auf com 100.000 b2 num total de 1.000$000 réis e a colônia n° 8 de Glück-auf em 31/12/1872 num total de 346$000 réis e concluiu  o pagamento em  01/07/1873. August Böhm comprou a meia colônia n° 1 de Glück-auf em 01/04/1867 num total de 43.630 b2 no valor de 350$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 25/05/1874. José Anesette comprou a colônia n° 4 de Nove Colônias em 90.000 b2 em 01/02/1867 no valor de 800$000 réis e pagos no ato. Johannes Born adquiriu a colônia n° 4 da Boa Vista e não aparece o valor da compra.  Friedrich Brandt adquiriu a colônia n° 9 da Picada Herrmann em 01/04/1868 com 100.000 b2 no valor de 800$000 réis e concluiu pagamento com juros em 01/07/1873. Jacob Weber comprou a colônia n° 11 e 12 da Picada Herrmann com 200.000 b2 em 16/08/1868 no valor de 1.457$940 réis e concluiu o pagamento com juros em 03/09/1868 e vendeu a colônia n° 12 e meia colônia de n° 11 a Heinrich Hörlle em 08/01/1879 no valor de 428$000 réis. Jacob Gurlarf comprou a colônia n° 11 (direita) da Picada Germana em 03/09/1872 e não aparece a quantia. Carl Böhm adquiriu para Wilhelm Friedrich Ninow a meia colônia n° 15 em 01/11/1867 com 50.000 b2 no valor de 304$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 05/06/1873. Friedrich Müller comprou terras em 02/07/1866 no valor de 752$000 réis e concluiu pagamento com juros em 21/08/1868, não aparece o n° do lote colonial e o local da compra. Ernst Güntzel adquiriu a colônia n° 4 da Boa Vista em 27/08/1868 com 74.200 b2 no valor de 523$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 30/04/1873, este lote foi vendido posteriormente (em 06/05/1873) a Gustav Albert Kutscher e posteriormente a Johann Hüther em 22/07/1875. Heinrich Höfler adquiriu as colônias n° 9 e 10 da Boa Vista com 125.650 b2 em 01/10/1868 no valor de 1.005$200 réis e concluiu  o pagamento com juros em 01/07/1875. Wilhelm Hasenkamp comprou a colônia n° 1 da Picada Neuhaus (atual Teutônia Várzea) com 122.815 b2 em 01/10/1868 no  valor de 982$520 réis e concluiu o pagamento com juros  em 11/11/1874. Friedrich Neuhaus adquiriu a colônia n° 2 de Neuhaus com 100.000 b2 em 01/10/1868 no valor de 800$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 29/05/1875. Wilhelm Decker comprou a colônia n° 3 de Neuhaus com 100.000 b2 em 01/10/1868 com valor de 800$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 01/05/1873. Friedrich Knebelkamp comprou a colônia n° 22 de Glück-auf com  100.000 b2 em 01/10/1868 no valor de 800$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 11/03/1875. Hermann Pohlmann comprou a meia colônia n° 10 da Picada Hermann com 50.000 b2 em 01/10/1868 no valor de 400$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1873. Heinrich Eggers comprou as colônias n°13 e 14 da Picada Herrmann com 150.000 b2 em 01/10/1868 e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1875; Carl Fett comprou as colônias n° 27  e 26 (metade) com 150.000 b2 no valor de 1.200$000 réis  em 10/12/1868 e concluiu o pagamento  com juros em 26/05/1873. Friedrich Roloff a meia colônia n° 1 da Picada Hermann com 39.290 réis e concluiu o pagamento com juros em 14/02/1869. Johann Krüger comprou a meia colônia  n° 2 com área de 40.250 b2 em 01/03/1869 no valor  de 322$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 24/05/1871. Carl Sippel adquiriu a meia colônia n° 2 (lado esquerdo) da Picada Herrmann com 39.750 b2 em 02/03/1869 no valor de 318$00 réis e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1875...

Autor: Guido Lang. O Informativo de Teutônia n° 109, dia 21/08/1991, pág. 02.

Crédito da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teut%C3%B4nia

O mimo comunitário


       Uma centenária comunidade possuía problemas de frequência na sua assembleia anual. Esta, numa exclusiva oportunidade, sucedia-se no centro comunitário. Os membros, nalgumas centenas, careciam de comparecer. O evento da prestação de contas e acerto de resoluções pouca atenção e interesse despertavam.
Os membros com aquelas desculpas e indiferenças para fazerem-se presentes. Uns poucos nem queriam ouvir falar do assunto (sob o temor de ganhar algum cargo na diretoria). Outros, por tradição, ainda pertenciam como membros (em função da necessidade de bom senso em estar associado nalguma entidade). As assembleias, a cada ano, ajuntavam menos gente. Os participantes resumiam-se a menos de duas dezenas. Estes, “gatos pingados”, costumeiramente ligaram-se a familiares de integrantes das diretorias.
A resolução, numa altura, consistiu numa mudança de rota. Ouviu-se conselho aqui e sugestão acolá! Nada de maiores geniais ideias e de audaciosas inovações. Uns, a título de exemplo, falaram em sorteio de brindes. Algum mais no convite pessoal por famílias. Outro, como sugestão milagrosa, falou no oferecimento dum almoço cortesia. A comunidade, no dia da assembleia geral, custearia os encargos da refeição. Os beneficiados seriam todos os membros em dia com a tesouraria. Uma gratificação por ter honrado os compromissos das mensalidades assim como fazer-se presente ao encontro.
A receita, em forma de decisão de assembleia, foi colocada em prática. Adveio a surpresa. Aquela choça/morna reunião, de escassos membros, ganhou consideração,  entusiasmo e frequência. Inúmeras famílias, na totalidade dos integrantes, “afluíram como formigas em romaria”. Aquela data, num domingo de manhã pré-determinado, ganhou importância e interesse especial. As senhoras ganharam folga dos fogões na cozinha. Os maridos alívio momentâneo das churrasqueiras. Famílias deixaram de gastar em quiosques e restaurantes. Algum pão duro viu o momento próprio de diluir dispêndios com mensalidades...
O curioso e interessante sucedia-se com a real prestação de contas. Muitos, das centenas de participantes, pouco compreendiam ou interrogavam sobre os números expostos. Outros deram a mínima as conversas e polêmicas comunitárias. Alguns, num claro descaso, achegaram após a realização da assembleia. Todos, sem nenhuma exceção, ganharam o mimo. A preocupação era não criar comentários e descontentamentos.
A entidade, com o sucesso da empleitada, instituiu a experiência como norma. Aquela data, na agenda, ganhava reserva à frequência. O interesse, de integrar/participar duma diretoria/gestão, manteve-se naquele empurra-empurra e marasmo. Poucos, como obrigação e vocação, unicamente fizeram a gentileza de abraçar a causa. Estes, como doação de tempo e trabalho, deram sua contribuição.
O espírito humano ostenta-se deveras interesseiro. Este, sem maior gratificação ou recompensa, carece de interessar-se pela coisa comunitária.  Muitos aquela briga para pagar e outros anos sucessivos na inadimplência. Alguns mais simplesmente evadiram da entidade em função de precisar “abrir a mão”. O dinheiro havia para outras diversas necessidades, porém nada de maiores dispêndios com entidades. As cobranças compulsórias ocorriam unicamente nos encargos das coisas públicas. As autoridades, sob o signo duma legislação criada pelas instâncias políticas, instituíram dispêndios e estes eram cobrados/embutidos nos produtos e serviços.
O indivíduo interpreta o gênero humano a partir das necessidades básicas. Os animais matam-se por comida e os homens trucidam-se por dinheiro. Os cara de pau, no contexto das cortesias e mimos, chegam as raias dos abusos e ridículos. Os encargos espantam os indivíduos na proporção dos chamariscos aproximarem os homens.        
Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem: http://visitepetropolis.com

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Incidente Kiss


Uma hora e 45 minutos da madrugada.
Olho para o relógio.
O celular marca o dia 27 de fevereiro de 2013.
Então, tristemente, me vem à mente a lembrança de todos aqueles que se foram com a tragédia da Boate Kiss e hoje infelizmente não podem estar entre nós. Há um mês atrás, exatamente um mês, estes eram os últimos momentos de vida de 239 jovens, a maioria estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ao qual conviviam semanalmente comigo nos limites do campus. Às duas horas e 30 minutos (27 de janeiro), começaria o show de horrores.
Será uma lembrança que jamais se consumirá no pensamento de todos que estiveram próximos ao incidente e vislumbraram a profunda tristeza de centenas de pais chorando sobre os corpos dos seus jovens filhos. Nem mil páginas poderiam explicar a indescritível dor, a qual se via por toda a cidade santamariense, especialmente nas famílias e amigos das vítimas.
Não há nada que se possa fazer para trazê-los de volta. A única forma de recordá-los é pensando nas coisas boas que fizeram e nas inúmeras virtudes que levavam consigo para onde quer que fossem.
A saudade será eterna! Saber que eu poderia ter sido mais uma das vítimas, já que pretendia ir na referida festa naquela noite, é um fato de imensurável peso sentimental capaz de promover reflexões sobre os mais enraizados valores de vida.
Desejamos, agora, somente que a justiça seja feita! Que aqueles que foram responsáveis pelas mortes de tanta gente inocente paguem pelo que fizeram, mesmo que talvez não o tenham feito de forma intencional.
Aqui diante do Criador e das pessoas que por eventualidade venham a ler estas breves linhas juro que jamais esquecer-me-ei deste acontecimento que presenciei e que nortearei a minha vida ao rumo da solidariedade e compaixão ao ser humano, já que são nestas horas que vemos a nossa insignificância diante do universo e que nada levar-se-á desta vida.
Que Deus, o Senhor dos Propósitos, guarde as almas de todos aqueles que pereceram no incêndio da Boate Kiss! 
Que esta calamidade sirva de exemplo para que outras tantas sejam evitadas mundo afora!
Que Deus abençoe Santa Maria-RS!
Júlio César Lang
27 de fevereiro de 2013
Crédito da imagem: http://extra.globo.com 

Os comedores de terras


Os moradores, reunidos na tradicional conversa informal, explanaram umas e outras boas e interessantes histórias e relatos. A conversação, numa turma de dezenas de amigos e conhecidos, aborda os assuntos e temas mais profundos e variados. A essência dos diálogos relacionam-se as narrações de experiências e vivências.
O tema terra cedo entrou na pauta. Inúmeras famílias, numas reservas acumuladas por gerações, “viram as posses escorrer entre os dedos”. Uns poucos anos bastaram na sucessão de gerações e as sobras “foram-se ralo abaixo”. Jovens abraçaram a causa da administração e gerenciamento. As estirpes, no ínterim das vivências, partiram na direção dos ancionatos ou derradeiros repousos.
A economia austera e espírito poupador, comum entre as primeiras levas de pioneiros e descendentes, perderam-se como princípios familiares. A ânsia de consumo, em meio a desenfreada propaganda na mídia, tornou-se algo banal e vicioso. Os forasteiros, com as uniões matrimoniais, entraram nos seios das clãs. Estes, com cobranças e sugestões, redimensionaram doutrinas e valores. A importância das terras, no seios familiares, inclui-se nesta preocupação.
Inúmeros coloniais, migrantes do campo a cidade, cercaram-se de companhias das cidades. Estas, em função das experiências e vivências urbanas, nunca deram maior importância/valor às terras das colônias. Estas, cobertas de matos ou lavouras localizadas nas grotas, viram-se relegadas ao abandono ou descaso. A ideia original, de primeira oportunidade, consiste em “em passá-las no troco”. Inúmeros migrantes, no propósito de jamais reinstalar-se nas colônias, acataram a resolução.
As terras, vendidas a antiga vizinhança, angariaram expressivas somas. O dinheiro usufruído, de maneira geral, acabou canalizado às necessidades de consumo. As lojas, mercados e revendas aumentaram sua clientela e lucros. Os recursos, acumulados com tamanha economia, sacrifício e trabalho (de anos ou décadas), cedo “viraram pó”. As companhias, por completo, gastaram-nos nas atividades terciárias (boa parte em luxo). Adveio a expressão correspondente de “comedores de terra”. Os membros, no consumo diário, gastaram um dinheiro valioso e volumoso.
Os patrimônios familiares, fruto de heranças, viram-se consumidos por quem menos batalhou/contribuiu para acumular sobras. Os familiares/parcerias, uns casos as femininas e noutras as masculinas, tornaram-se os consumidores. A prática trouxe a troca de mãos de inúmeras e valiosas reservas. Diversas famílias, apegados a terra por gerações, abandonaram a atividade agrícola e enveredaram pelo caminho da urbanização.
As terras, com as exportações dos produtos do campo, assumiram valores exorbitantes. Os hectares mecanizáveis custam verdadeiras fortunas. Quem comprou, ganhou  dinheiro; quem vendeu, arrependeu-se de perdas. Outros poucos, em prédios e terrenos, reaplicaram os recursos nos ambientes urbanos.
Uma realidade colonial nova significa o aluguel de terras. Diversos colonos, com os potentes tratores, tratam de arrendar áreas/lavouras. O valor do aluguel, em média, dá um salário mínimo por hectare/ano.  A locação permite a extração de três safras anuais: duas de verão e uma de inverno. Os inquilinos  com a massiva adubação, procuram extrair os limites do máximo. As áreas cedidas precisam estar livres de obstáculos (pedras e tocos). A mecanização precisa ser fácil e o solo fértil. Um negócio compensador para quem aluga. Eventuais prejuízos, com estiagens e pragas, recaem sobre os arrendatários.
A terra, num contexto econômico inflacionário, nunca perde seu real valor. Os solos precisam ser trabalhados caso contrário tornam-se encargos. Os rurais, diante das realidades dos fatos e vivências, fazem abordagens e criam histórias.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem:http://www.spni.com.br 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A fábula das idades

Deus criou o burro e disse-lhe:
- Obedecerás ao homem, carregarás fardos pesados e viverás 30 anos. Serás o burro!
O burro se voltou para Deus e disse:
- Senhor, ser burro carregar peso e viver 30 anos? É muito: bastam-me 10.
Deus, então, criou o cachorro e disse:
- Comerás o osso que for jogado ao chão, cuidarás da casa do homem e viverás 20 anos. Serás o cachorro!
Por razões semelhantes, às do burro, o cão preferiu viver só 10 anos.
E Deus criou depois o macaco:
- Pularás de galho em galho, farás macaquices, viverás 20 anos. Serás o macaco!
E o macaco achou que seria cansativo viver tanto tempo. Pediu para viver o mesmo tempo de um cão.
Por fim, Deus criou o homem e disse:
- Serás o rei dos animais, dominarás o mundo, serás inteligente e viverás 30 anos.
O homem virou-se para Deus e disse:
- Dominar o mundo e viver apenas 30 anos? Dê-me, Senhor, os 20 que o burro não quis, os dez do cachorro e os dez do macaco!
E Deus atendeu o pedido...
Até os 30, o homem vive como homem, os 20 anos seguintes vive como burro (carregando os fardos da família e da vida), dos 50 aos 60 passa a tomar conta da casa como o cachorro), e a partir dos 60, assim como o macaco, vive de casa em casa, visita os filhos e faz gracinhas aos netos.

Crédito da imagem: http://fabio10i.blogspot.com.br

O vendedor de porongos

Tamanhos e formatos da cabaça

Um colonial, numa certa ocasião, dirigiu-se à cidade. Este procedeu uma visita aos parentes. Na oportunidade aproveitou para levar alguma encomenda de cuias. Este, pelos porongos escolhidos a dedo, ganhou boa soma. Ele, numa conversa informal, relatou o sucedido ao curioso e necessitado vizinho.
Este, com os tradicionais problemas financeiros, pensou numa forma de comercializar  sua relegada produção. Algumas mudas, numa casualidade, haviam nascido e crescido num amontoado de esterco curtido. Os singelos pés (plantas) produziram algumas centenas de frutos. O produtor, diante da fala, vislumbrou a oportunidade de comercializá-los na cidade. Ele, com a o auxílio dos familiares, colocou mãos a colheita.
O produtor, nos primórdios da colonização (por volta de 1875), encheu uma carroçada de frutos. Ele, num certo dia, partiu pela esburrada estrada geral. Os familiares, com as prováveis vendas, aproveitaram o momento para encomendar uma porção de compras. A família, como pedido, almejava uma porção de quinquilharias (com o dinheiro auferido na venda).
O vendedor de porongos, na estrada de ida, precisou pegar uma barca para atravessar o rio (Taquari). O curso fluvial, nos meses chuvosos do inverno, ostenta acentuados volumes de águas. O camarada, depois de um deslocamento de quilômetros, achegou-se às cidades (principiantes núcleos urbanos de Estrela e Lajeado/RS). Ele, aqui e acolá nas casas dos moradores, ofereceu seu produto colonial.
Os naturais, de maneira geral, mostraram descaso com a mercadoria. Um produto comum, de fácil produção, nas lavouras das colônias. Este, numa profunda decepção, não conseguiu efetuar maiores vendas. Os dispêndios, de manutenção e subsistência, mal viram-se cobertos com vendas. As necessidades levaram a dispender o escasso dinheiro. O desânimo, numa altura, levaram-o a retomar o caminho de casa.  
O cidadão, diante das carências e dificuldades, obrigou-se a poupar e sacrificar-se mais. Ele procurou diluir e diminuir o prejuízo. O raciocínio, em termos gerais, consistia: “- Já que não vendi, não tenho como contratar os serviços de retorna da barca (diante da inexistência de ponte). Procurarei algum passo (passagem rasa no rio). Os animais e carroça, a nado, podem atravessar pelas águas”. Ele, sem maiores floreios e rodeios, procedeu dessa forma.
A junta de bois, conduzido nas rédeas, incursionaram pela passagem. Os porongos, sendo leves, passaram a flutuar nas águas. As peças, com o afundamento da carroça, foram correnteza abaixo (na direção da confluência dos rios). O veículo, noutra margem, viu-se esvaziado e lavado.
O produtor, achegando-se à casa, causou admiração aos familiares. Os gritos dos filhos eram: “- O pai vendeu tudo! O pai comprou nossas encomendas!” A esposa reforçou o barulho com o interrogatório: “- Vendeu todos os porongos? Deu para ganhar o dinheiro?” O marido, não sabendo que dizer ou explicar diante do esdrúxulo resultado, respondeu: “- Procurei mandar tudo para Porto Alegre!” (através da direção dos rios Taquari, Jacuí e Guaíba). A dedicação e o trabalho tinham sido em vão. A penúria monetária manteve-se como sina familiar.
Os produtores continuamente defrontam-se com as carências de mercados. A viabilidade econômica duma propriedade minifundiária de subsistência familiar ostenta-se um tremendo desafio. Inúmeros empreendimentos e negócios exigem  labuta e sacrifício, porém os resultados mostram-se mediocres. Mercadorias de fácil produção costumam conviver com carências de aceitação no mercado.

Observação: História narrada por Romildo Spellmeier/Colinas/RS.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: http://www.viladoartesao.com.br

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A quem pertence?


Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar zen aos jovens.
Apesar de sua idade, conta a lenda que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali.
Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.
O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo.
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pretende o presente?
- A quem tentou entregá-lo. – Respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tiram a serenidade.
Só se você permitir. 
       
 Legrand (dados biográficos desconhecidos)

Crédito da imagem: http://alternativajr.blogspot.com.br

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A matemática do cotidiano



Um professor camarada, durante décadas e inúmeros anos letivos, administrou as artimanhas e segredos dos cálculos matemáticos. Ele, para algumas centenas de estudantes, ensinou as habilidades e raciocínio dos números. Somar, dividir, multiplicar e subtrair foram as noções básicas.  Este, em dezenas de noites, chegou a sonhar e ter pesadelos com a agitação e barulho do trabalho letivo. Uma gama de indivíduos ganhava noções básicas e treinava a habilidade das operações.
O cidadão, transcorridos uns bons anos, queria saber o resultado desde ensino/estudo. Inúmeros alunos ostentavam-se bons matemáticos (em função do raciocínio lógico desenvolvido). Outros mais, ligado ao conhecimento humanístico, davam menor importância ao conhecimento das exatas. O cidadão, na suas idas e vindas como aposentado, falava esporadicamente com uma porção de ex-alunos. Este, de forma sutil, interrogava sobre a aplicação e uso cotidiano dos conhecimentos dos números. O pessoal valia-se do uso ou indiferença do conjunto de cálculos (complexos ou simples) no dia a dia dos afazeres.
A surpresa mostrou-se grande com o desempenho humano. Muitos, como estudantes da periferia urbana, “nem estavam aí para coisa”. Vários elementos, “metidos com porcaria”, envolveram-se na ideia do dinheiro fácil e rápido. Estes esqueceram-se das dificuldades de batalhar e labutar para satisfazer as necessidades básicas. As conquistas grandiosas exigem dedicação, tempo e trabalho. Outros camaradas mantiveram a pacata vida de cidadão. Eles preocuparam-se de conseguir algum trabalho, constituir família, melhorar as condições econômicas...  A matemática restringia-se ao básico do uso diário. O primeiro cálculo, diante da necessidade, ganhava o auxílio duma calculadora.
Uns poucos, ambiciosos e ousados, queriam compreender e valer-se unicamente da matemática. Aquela financeira e prática: ligada ao conhecimento do mercado, interpretação dos dados estatísticos, conclusões sobre as oscilações da economia... Eles assimilaram a habilidade dos números, com razão de angariar dinheiro e beneficiar-se do “sangue do capitalismo”. Estes desconfiavam dos descontos e promoções anunciadas na mídia (pelos fáceis e muito serviços). Os espertos conheciam artimanhas dos ágios embutidos, dados estatísticos manipulados, juros simples e compostos... O resultado acabou em cidadões bem sucedidos e excepcionais empresários/investidores.
A matemática tinha extrema importância e valia. Ela era o esteio do sucesso ou insucesso financeiro. Eles, como princípio básico, não faziam nenhum negócio sem maiores cálculos e estimativas. A matemática financeira era a base do emprego, enquanto os cálculos, nas escolas, não passavam de meros treinos mentais. A regra de três, simples e composta, constituia-se comumente na conta mais empregada e útil.
A melhor escola da vida revela-se a prática. Os professores transmitem muitos dados e poucos aplicam as informações no seu exercício cotidiano. A credibilidade profissional encontra-se na coerência dos atos com a teoria. O educador, no contexto duma sala, ostenta uma diversidade de interesses e vocações. Os reais conteúdos assimilados são aqueles utilizados nos afazeres diários.
Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem: http://www.brasilescola.com

A descoberta


         
          O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Poderá redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou um papel e escreveu:
“Vende-se uma encantadora propriedade, onde os pássaros cantam ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e mareantes águas de um ribeiro. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda.”
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- Nem pense mais nisso. – Disse o homem. – Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha.
Às vezes, não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos atrás da miragem de falsos tesouros.
Valorize o que você tem, as pessoas, os momentos... Valorize a vida.

Legrand (dados biográficos desconhecidos)

Crédito da imagem: http://wwwmeublogmeu.blogspot.com.br

A lorota das melancias


Os colonos, como prática agrícola, tiveram o princípio da diversificação produtiva. Uma filosofia de não depender dum exclusivo e único produto. Alguma dezena de culturas, ao longo dos lotes, espalharam-se no contexto das lavouras. O fato incluía as tradicionais abóboras, melancias, melões... Elas visavam o auto-abastecimento e mimo familiar.
Um certo morador, próximo a estrada geral (duma vila), cultivara o tradicional aipim. Um produto, junto ao arroz, feijão e alguma carne, ostentava-se a alimentação básica dos cardápios familiares. Os agricultores, sem maiores exceções, trataram de plantá-lo nas localidades afora. Duas centenas de pés, numa família, davam produção suficiente para o consumo anual.
A mandioca, no interior da roça, ganharia a companhia dos “pés” (plantas) de melancia. Esta, com a sombra alheia, adorava a consorciação. As volumosas frutas, numa aparente brincadeira de esconde-esconde, puderam proteger-se da excessiva insolação. O plantador, em intervalos de tempo, percorria o interior da lavoura. Este dava-se a alegria e satisfação de apreciar as belas e excepcionais frutas.
O colonial, com a massiva adubação (do solo arenoso), viu a recompensa do esforço e trabalho. As plantas agradaram-se do mimo e correspondiam as expectativas. A vizinhança, como sua ousada gurizada, deparou-se com as intenções da cobiça e pilhagem. Os malandros, com o amadurecimento das frutas, planejaram incursões noturnas ao local. Estes, a semelhança do proprietário, almejaram degustar uma e outras boas melancias. As volumosas frutas constituiam-se num convite a transgressão.
O roubo de melancias, no círculo colonial, era uma brincadeira e prática costumeira. Os plantadores, na proporção de não danificar/estragar, davam a mínima (com o sumiço de algumas). A abundância e fartura, de maneira geral, nem denunciava a falta de umas e outras. Alguns apreciadores, de boas distâncias, advinham na surdina para incursionar nas lavouras alheias. A prática, no primeiro conchilo do plantadores, acontecia nas caladas do dia e, de preferência, nos finais de semana.
O proprietário, da beira da estrada geral, resolveu assustar e inovar na criatividade e proteção. Este, próximo ao amadurecimento das graúdas frutas, resolveu instalar uma placa. Esta, como aviso geral aos pedestres, continha/dizia: “- O local tem duas frutas envenadas!” Os larápios, em potencial, depararam-se surpresos com o inesperado alerta. Estes, num pré-combinado de semanas, viram-se afrontados e desafiados nas pretenções. A dúvida crucial: Quais seriam as envenadas? A desconfiança certamente recaia sobre as esbeltas e graúdas.
As dúvidas e opiniões, sobre o pré-estabelecido, mantinham-se acirradas e variadas. Um participante, numa altura, sugeriu dar a contrapartida. A turma, numa cortesia/gentileza inoportuna, confecionaram seu aviso. Esta continha o seguinte alerta: “- Agora tem seis envenadas!” O dono/plantador certamente assustou-se com a informação. Quais seriam essas? Algum produto impróprio injetado no interior das frutas.
Os dois avisos, como alerta geral, permaneceram afixadas umas boas semanas. As melancias, de dar água na boca (no sabor dos dias quentes de verão), eram um chamarisco ao apetite e consumo. O pessoal, de maneira geral, temeu a inconveniência. O tempo transcorreu no cenário de boa produção. As frutas, no entanto, apodreceram literalmente no local. Nenhum consumidor ousou arriscar a incorrer numa excepcional indisposição (estomagal e diarreia).
O curioso, no cruzamento posterior das informações, relacionou-se a realidade dos fatos. Os autores descobriram que nenhuma fruta tinha sido contaminada. As partes, numa ingenuidade mútua, ousaram pregar-se uma peça. Uma lástima, de dar dó, o desperdício daquela majestosa dádiva agrícola.
A ganância de uns atrapalha seu próprio bem estar. Quaisquer peças, cedo ou tarde, revertem em auto-prejuízos. As melancias, nas colônias, deram origem a inúmeras histórias e relatos pitorescos. Os doadores, para darem algum bem, devem fazê-lo com carinho e satisfação.
Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Um desleixo urbano



Uma área, no lado duma empresa, cedo conheceu uma inconveniência. Aquele incômodo, comum nas periferias urbanas, da desova de lixo. Os moradores, na surdina, “tratavam de descarregar suas porcarias”. Um punhadinho no começo, em questão de semanas, tornou-se um amontoado/espalhado de imundícies. O proprietário, morador doutra cidade e num eventual cuidado, fazia descaso da situação da desova.
Uma empresa, como vizinhança, funcionava no lugar. O dono, diante do alheio, mantinha o desinteresse. A despreocupação era comum com o criatório de aranhas, moscas, roedores... O cheiro impróprio, nos dias de intenso calor, faziam-lhe indiferença no ambiente. Um conhecido, no seu entender inconveniente, até cobrou-lhe alguma providência (diante do descaso com o depósito clandestino). Ele, como contribuinte, pensou no município dar um jeito nesse material.  O pagador de impostos, nada baixos, mantinha desobrigação com relação a realidade imprópria.
Os dias quentes e secos achegaram-se no sabor do verão. Outro domingo ensolarado e tranquilo sucedeu-se em meio a sucessão de dias. A vontade familiar foi de “colocar os pés na estrada”. A preocupação foi de curtir a convivência e desligar-se das obrigações de rotina. Algum pedestre, neste ínterim, passou certamente pelo local do depósito. Este, com aquele cheiro e visual inoportuno, atirou (na discrição) algum  pitoco de cigarro. Este, como camarada inconsequente, “foi-se ao mundo”. A ação foi criando e espalhando fumaça negra. As labaredas, numa hora, tomaram vulto e o lixo ia sendo consumido.
Algum amigo, ao dono da empresa, cedo telefonou. Este relatou o fato e o perigo iminente. As ameaças eram veementes do fogo alastrar-se na direção do prédio da empresa. O proprietário, de longa distância, “adveio correndo a mil” para acompanhar o quadro. Os bombeiros foram acionados e debruçaram-se para evitar maiores consequências. Um incêndio generalizado poderia tomar vulto em função dum simples descaso. O lixo: todos produzem-o e ninguém deseja tê-lo próximo. O susto e o temor foram grandes com perdas maiores. A sorte ainda ajudou para evitar algum desastre maior.
Uns aprenderam a dura lição da destinação própria. Os donos não podem permitir macegas próximo as redondezas dos prédios. O patrimônio, angariado com tamanho suor e trabalho, poderia ter ido pelos ares num piscar de olhos. Um simples relapso poderia ter causado danos incontáveis. Qualquer morador, no lugar do seu habitat, é um dos responsáveis pelo espaço. O ente público não dá conta de abraçar todas as necessidades. Os terrenos desabitados, no contexto urbano, cedo tornam-se um “problemão” (como criatórios e depósitos clandestinos).
As pessoas criam-se problemas onde inúmeras vezes inexistem. Os lixos e plásticos, como problemática, acabarão suavizados na proporção do emprego exclusivo de materiais biodegradável. Os cuidados dados as imundícies, em quaisquer ambientes, retratam o real nível cultural dos ocupantes do espaço. O cidadão, em qualquer ambiente e contexto, precisa fazer sua parte (mesmo que os outros relegam sua porção). O ente público, diante das muitas e variadas necessidades e obrigações, carece de poder atender a gama de exigências.

Guido Lang
”Singelas Histórias do Cotidiano Urbano”

                                                    Crédito da imagem: http://tribunadonorte.com.br  

O caminho da vida



No caminho da vida, existem paisagens para serem apreciadas, horizontes para se medir a distância e curvas fechadas que podem nos precipitar nos abismos.
Devagar também se chega, com a vantagem de correr menos riscos, ferir-se menos e suportar as quedas com menos sofrimento.
Isso permite retornar a jornada com mais rapidez e aí consiste a eficácia da caminhada que certamente oferecerá um produto final com maior conteúdo de sabedoria.
Essa é a essência.
Uma vez completada a jornada, o fim perde em importância.
Ficam as lições da caminhada e elas precisam ser assimiladas.
Portanto, não tenha pressa, pois, quase sempre, indo devagar, chegaremos mais rápido.

Legrand (dados biográficos desconhecidos)

Crédito da imagem: http://caminhomesquita.wordpress.com

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Se nada der certo


Se nada der certo,minha esperança se renova no amanhã!
            Se alguma coisa deu errado, experimente fazer diferente da maioria das pessoas:
Comemore!
Se algo não dá certo, as pessoas se desesperam, entram em conflito interior, perdem o humor e ficam estressadas.
Não percebem que as experiências ruins forjam a sabedoria e nos dão o necessário conhecimento para crescermos na vida.
São como vacinas que vão imunizando o nosso espírito e a nossa mente, tornando-os resistentes a males semelhantes no futuro.
Quando nada acontece diante das nossas ações, só o futuro pode precisar se tomamos a decisão certa; mas, quando as coisas não dão certo, temos a vantagem de descobri-las no exato momento em que estão acontecendo.
Isso nos dá um grande trunfo e nos permite fazer opções.
Mudar o caminho, pensar em soluções, refazer os planos ou simplesmente saber que não deu certo.
Nesse caso, temos o conforto de saber que novas oportunidades vão surgir todos os dias em nossas vidas e é preciso estar atento para poder enxergá-las.
Com a esperança renovada por novos valores em substituição às perdas ocorridas, estaremos melhor preparados a cada revés e a cada frustração e saberemos , enfim, qual caminho evitar e qual caminho tomar para chegarmos aonde está o nosso coração.

Legrand (dados biográficos desconhecidos)

Crédito da imagem: http://odeincompletaepoetica.blogspot.com.br

A pilhagem alheia

Moedas de Ouro Wallpaper

         As agruras e carestias exigem precaução caso contrário a fome e o frio ceifam a vida. Inúmeras espécies, como ensinamento e sabedoria, seguem a sina de acumular. As abelhas ostentam-se um belo exemplo do estoque de reservas ao infortúnio. Os indivíduos, da astúcia dos insetos, podem extrair excepcionais lições de vida.
Uma comunidade de abelhas, no interior da colmeia, seguiu sua rotineira sina. Ela, na primavera-verão,  começou a precaver-se das dificuldades do inverno. A espécie, pelos milhões de anos de existência no planeta Terra, sabe da tradicional achegada, na época própria, da chuva e do frio. Os imprudentes, como comunidades singelas, perecem diante da falta de reservas alimentares. A inexistência de flores e descuidos de apicultores levam a tragédia de inúmeras comunidades.
Cada inverno, apesar do conhecimento generalizado sobre a situação do porvir, leva muitos ao perecimento. Uns sempre pensam: “- Isto não vai acontecer comigo e somente com os outros”. Estes, na proporção da achegada das desgraças, cedo recorrem a mendicância e a pobreza.
As colmeias, conhecedores da realidade própria do habitat, antecipam-se a desgraça. As comunidades, nas estações quentes, começam a avolumar mel. Um trabalho incessante, de vôos e sobrevoos de milhares de membros, dedicados a explorar as variadas florações. As caixas e sobrecaixas, em poucas semanas, precisam mostrar-se abarrotados de favos e mel. Um aroma ímpar, com o calor de verão, passam a exalar nas redondezas das instalações de comunidades carregadas. Inúmeras ostentavam-se serenas e tranquilas com a tarefa precocemente concluída do acúmulo das reservas.
Os perigos dos muitos aventureiros, com o aroma,  rondeavam os patrimônios apícolas. As abelhas, em meio as desconfianças dos inimigos, ostentavam-se deveras agressivas e precavidas. Um conjunto de oportunistas, em função do doce, ameaça as comunidades com a história do mel. O fatídico aconteceu com os esfomeados apicultores. Estes sentem os cheiros das reservas. Eles, na primeira oportunidade, avançam sobre os favos.
A agressividade e ferroadas, em meio a indumentária dos profissionais, surtem escassos efeitos. As pilhagens costumam atingir as sobrecaixas. As abelhas, para safar-se do infortúnio dos dias impróprios do inverno,  obrigam-se a retomar a onerosa labuta. O ódio e a raiva certamente não faltam por ter colocado a sobrevivência das muitas comunidade em perigo.
Inúmeras famílias, ao longo da existência, seguem uma assemelhada sina. Elas, com extremo espírito econômico e trabalho, acumularam reservas (durante décadas e gerações). O temor da miséria mostrara-se contínuo nos dias do vigor da vida. Poupanças, prédios e terras viram-se adquiridas e acumuladas para  gerar dividendos. Estas divisas, com os investimentos, multiplicaram-se na proporção da achegada da velhice. As ideias e os olhos alheios, na tradicional cobiça e inveja humana, cresceram com a existência dos patrimônios familiares.
Os anos transcorreram rápidos. Os filhos casaram e forasteiros aconchegaram-se nos seios familiares. Estes, como aventureiros/oportunistas de prontidão, cedo vislumbraram as possibilidades de ganhos fáceis. As   preocupações dos intrusos, com o perecimento de algum ancião, relacionara-se aos inventários. As perguntas básicas foram: Como serão divididos os espólios? Quais os direitos dos herdeiros? As  brigas e desavenças tomaram vulto entre os irmãos (“cada qual querendo puxar o assado para o seu lado”).
As heranças familiares, como os favos de mel, acabam esfacelados e nas mãos daqueles que menos labutaram. A pilhagem, infelizmente, toma sentido e o “cheiro da fartura incentiva a usufruir, como boas vidas, daquilo pelo qual não batalharam e trabalharam para angariar”. Conflitos homéricos esfaleceram antigas clãs e a desconfiança instalou-se pela vida afora entre manos.
Conflitos familiares, na hora das divisões dos espólios, tornaram-se uma sina comum na maioria das clãs. Certos indivíduos sentem-se grandes e poderosos com o suor alheio (o próprio, em geral, ostenta-se uma caricatura). As pessoas preocupam-se deveras com o ter em vez do ser. O dinheiro, no contexto da convivência, deixou de ser fator de facilidades de  troca e sim causa de acirradas disputas.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem: http://www.downloadswallpapers.com/papel-de-parede/moedas-de-ouro-18768.htm

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Não espere!


Não espere um sorriso para ser gentil…
Não espere ser amado para amar…
Não espere ficar sozinho para reconhecer a dor da solidão.
Não espere ficar de luto para saber que alguém é importante em sua vida.
Não espere o melhor emprego para começar a trabalhar.
Não espere a queda para lembrar-se do conselho.
Não espere a enfermidade para perceber a fragilidade da vida.
Não espere a pessoa perfeita para, então, apaixonar-se.
Não espere a mágoa para pedir perdão…
Não espere a separação para buscar a reconciliação.
Não espere a dor para acreditar na oração.
Não espere elogios para acreditar em si mesmo.
Não espere ter tempo para servir.
Não espere que o outro tome a iniciativa se você foi o culpado.
Não espere ter dinheiro para então contribuir.
Não espere a indiferença para dizer, finalmente, que amava.
Não espere chegar à morte para, só então, perceber que sobreviveu sem desfrutar a sobrevivência.

Legrand (dados biográficos desconhecidos)

Crédito da imagem: oprevisor.blogspot.com


A improvisação caseira



       Uns moradores, das encostas dos morros na direção das baixadas, canalizaram fontes/nascentes. A água escorre, com a declividade, de forma automática e rápida na direção de caixas e reservatórios. Um líquido natural ímpar, dádiva divina, abastece animais e humanos. Um produto cristalino, nos períodos da ausência de chuvas e avermelhada na proporção das precipitações (muito recentes), revela-se uma água mineral.
          Alguma dificuldade sucede-se na proporção das trompas d’água. Elas, de soberbão  abatem-se esporadicamente sobre o cenário rural. A força/violência costuma aterrar e trazer terra. Esta, em situações, podem atrapalhar ou entupir canalizações. A vasão começa a ter problemas e daí a necessidade de percorrer o trajeto. Cada chuva ímpar e aquela inconveniência de canos entupidos e sem água no pátio! Um desperdício de tempo e trabalho percorrer todo o trajeto da canalização. A água torna-se necessária e daí a urgência de tomar  alguma providência.
          Algum esperto, diante do dilema, cedo inventou um atalho/paliativo. O pensamento direcionado a encontrar alguma solução fácil e rápida. Experiências aqui e acolá! Improvisações lá e cá! A estratégia, numa inovação, consiste de bombear de baixo para cima alguma água da rede comunitária. O proprietário emenda/liga os canos e verifica-se a possibilidade de desentupir  Outra forma ousada, de compressor, consiste em colocar ar dentro da canalização. Qualquer barro ou sujeira voa fora diante da violência. Isto se emendas não se romperem ao longo do percurso. O paliativo pode abreviar uma porção de caminhadas e percalços.
          Singelos problemas, a título de exemplo (como esse no cotidiano das propriedades), exigem esperteza às modestas soluções. A experiência, com o conhecimento empírico, vão aprimorando práticas e ensinando lições de vida. Alguém inventa alguma artimanha dessas e outros cedo valem-se da prática às suas necessidades. Resultado: cria-se, ao longo dos anos de colonização, todo um conhecimento e trabalho rural. Este, de maneira geral, encontra-se alheio a maiores registros literários e, através do exemplo prático e da tradição oral, vê-se postergado aos sucessores.
Os coloniais possuem um conhecimento privado as suas necessidades. Estes, nas suas lidas e tarefas, são extremamente astutos e inteligentes. Eles ostentam-se descobridores/inventores diante de seus dilemas e necessidades. Possuem, na prática cotidiana, dificuldades de conviver e raciocinar na  vida urbana. Esta, de maneira geral, pouco lhes interessa em função do impróprio da agitação, barulho, improvisação, mazelas...
Inúmeros citadinos criaram aquela falsa  imagem, de  burro e retrógrado, ao redor do homem das colônias. Este ostenta-se feliz e realizado na proporção das suas vivências rurais. A sabedoria aponta: cada elemento ostenta-se astuto e esperto no habitat próprio. O rural mostra-se um conhecedor extremo na seu ambiente e sina.
O problema com os seus artefatos específicos e soluções próprios. Inúmeros cidadões, como néscios, dão-se o direito de avaliar e julgar o desconhecido e ignorado. A conversa de uns nem sempre confere com a realidade dos fatos.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: www.avina.net

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Pensamentos políticos


1. “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”. 
Eça de Queiroz

2. “Errar é humano. Culpar outra pessoa é política”. 
Hubert H. Humphrey

3. “A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes”. 
Winston Churchill

4. “A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano”. 
Voltaire

5. “Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros”. 
Voltaire

6. “Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira”. 
Ronald Regan

7. “Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”. 
John Galbraith

“O Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo”. 
Elias Murad

8. “Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades”.
Charles Tocqueville

“Para a política o homem é um meio; para a moral é um fim. A revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política”. 
Ernest Renan

“A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros”. 
Henri Montherlant

9. “Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos”. 
Friedrich Nietzsche
   
          10. “A política é uma guerra sem derramamento de sangue, e a guerra uma política com derramamento de sangue”. 
Mao Tse-Tung

Crédito da imagem: http://camarapjq.wordpress.com