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quarta-feira, 13 de março de 2013

Os Colonizadores de Teutônia - XIV Parte (Conclusão)


Franz Schulze adquiriu as colônias n° 4 da Picada Moltke com 78.000 b2 por 780$000 réis em 01/11/1874 e n° 15 a da Picada Hermann, de Daniel Gräf, por 400$000 réis em 15/03/1875 – assumiu uma dívida total de 1.180$000 réis, que continuou pagando, com juros, em 30/06/1875 – este iria inicialmente comprar as colônias n° 4 e 5 de Moltke com 131.000 b2 1.310$000 réis em 01/11/1874. Peter Wilhelm Heinrichser comprou as colônias n° 6 e 7 da Picada Moltke com 112.000 b2 por 1.120$000 réis em 01/11/1874, que pagou à vista. Heinrich Jasper comprou as colônias n° 51 e 52 (direita) da Picada Franck com 155.000 b2 por 1.550$000 réis em 01/01/1875, que pagou, com juros, em 01/07/1875. Stephar Reckziegel comprou a colônia n° 5 da Picada Moltke com 53.000 b2 por 530$000 réis em 01/11/1874, que pagou em 14/02/1875. Christian Horst emprestou da companhia colonizadora 6$230 réis para custear o transporte de Porto Alegre a Teutônia, que pagou, com juros, em 01/07/1875. Heinrich e Friedrich Wiebusch adquiriram terras de Heinrich Brönstrupp e Heinrich Plantholt no valor de 850$000 réis em 25/01/1875, que pagaram, com juros, em 25/01/1875. Wilhelm Brönstrupp Senior aparece novamente registrado com uma dívida de 578$160 réis em 02/02/1875 e adquiriu também terras de Heinrich Plantholt e Friedrich Brönstrupp. Friedrich Brönstrupp aparece registrado com uma dívida de 289$080 réis em 07/02/1875 e adquiriu terras de Wilhelm Brönstrupp – continuou pagando a dívida, com juros, em 01/07/1875. Maria Ahlert possui uma dívida de 135$270 réis em 01/03/1875 e comprou terras de Wilhelm Ahlert – continuou pagando a dívida, com juros, em 01/07/1875. Wilhelm Schumann aparece registrado com uma dívida total de 2.312$200 réis em 27/02/1875 – adquiriu a colônia n° 1 da Picada Moltke com 92.500 b2 por 925$000 réis em 01/11/1876, que comprou de Friedrich Landmeier. Phillip Schwammbach II ocupa a colônia n° 3 b da Picada Schmitt (esquerda) em 03/04/1880, que tinha pertencido inicialmente a Wilhelm Schumann. Jacob Kilpp Júnior compra a colônia n° 2 b (direita) da Picada Hermann com 40.700 b2 por 850$000 réis em 08/03/1875, que pagou, em 01/07/1875. Mathias Friedrich Neuls adquiriu a colônia 20 a da Picada Catharina com 25.000 b2 por 350$000 réis em 10/03/1875, que pertenceu a um tal de Birkheuer – pagou a dívida, com juros, em 01/07/1875. Christian Ahlert aparece com uma dívida de 1.285$400 réis em 18/04/1875, que continuou pagando, com juros, em 09/07/1875. Jacob Müller possui uma dívida de 546$000 réis em 06/04/1875, que continuou pagando, com juros, em 01/07/1875 – comprou terras de Gerhardt Wahlbring, que tinha comprado a colônia n° 10 (direita) da Picada Schmitt com 120.000 b2 por 960$000 réis (direita) em 15/11/1869. Ernst Friedrich Hunsche adquiriu, de Hermann Heinrich Rahmeier, a meia colônia n° 17 a da Schmitt com 47.900 b2 por 383$200 réis em 08/04/1875 – continuou pagando a dívida, com juros, em 01/07/1875. Friedrich Decker adquiriu, de Friedrich Neuhaus, a colônia n° 2 b de Glück-auf com 46.750 b2 por 350$000 réis em 19/04/1875 – continuou pagando a dívida, com juros, em 01/07/1875. Adam Leunhardt comprou, de Wilhelm Hermann, a colônia n° 14 b da Picada Schmitt com 60.000 b2 por 480$000 réis em 22/04/1875, que continuou pagando, com juros, em 01/07/1875. Heinrich Köfender comprou a colônia n° 4 (direita) da Picada Franck com 60.000 b2 por 600$000 réis, que pagou, com juros, em 01/07/1875. Carl Dickel adquiriu, de Friedrich Feldmeier, a meia colônia n° 24 a de Glück-auf por 200$000 réis, que pagou, com juros, em 01/07/1875. Carl Jonerich aparece registrado com uma dívida de 350$000 réis em 23/05/1875 – adquiriu as terras de Friedrich Neuhaus, que tinha comprado a colônia n° 2 da Picada Welp com 100.000 b2 por 800$000 réis em 15/09/1869 – continuou pagando a dívida, com juros, em 01/07/1875. Jacob Lorenz comprou terras no lote n° 15 da Boa Vista com 25.000 b2 por 525$000 réis em 23/05/1875 – continuou pagando a dívida, com juros, em 01/07/1875. Carl Eduard Schmitt comprou, de Nicolaus Kraus, meia colônia n° 13 b da Picada Clara com 52.000 b2 por 520$000 réis em 26/05/1875, que continuou pagando com juros em 01/07/1875. Wilhelm Brönstrupp I Júnior aparece registrado com uma dívida de 175$000 réis em 01/07/1875. Heinrich Wilsmann comprou, de Hermann Rahmeier, meia colônia n° 3 da Picada Bismarck com 46.500 b2 por 465$000 réis em 04/07/1875. Johann Cüppers comprou a meia colônia n° 10 da Picada Moltke com 56.000 b2 por 560$000 réis em 01/01/1876.
Concluímos, com este artigo, a relação de todos os pioneiros da Colônia Teutônia, que instalaram-se nos primeiros quatorze anos de colonização nas terras dos atuais municípios de Imigrante, Teutônia e Westfália. Procuramos contribuir com esta pesquisa a preencher a carência de fontes primárias, que acabaram destruídas durante o Período do Estado Novo.

Guido Lang. O Informativo de Teutônia n° 123, dia 27/11/1991, pág. 02.

Crédito da imagem: http://www.camaradeteutonia.com.br

Uma curiosa dúvida


Um pacato colono, como marca registrada, mantinha a acirrada curiosidade. Ele, como agricultor, adorava alguma conversação e novidade. Este, para tal finalidade, possuía um infindável tempo. O trabalho, na agricultura familiar de subsistência, poderia esperar (na proporção de haver oportunidades de boas e interessantes conversas e diálogos).
Os acontecimentos comunitários, como momentos de convivência, não deixavam de passar em branco. Estes, para não desperdiçar os rumos dos acontecimentos, ganhavam uma atenção e dedicação especial. A despreocupação, em termos gerais (com a propriedade), levaram-no a ser um modesto morador. Uma vida familiar singela e sem maiores luxos. O acúmulo de sobras foi inexpressivo (nas várias décadas de existência).
Um determinado encontro de cooperativados, na entidade comunitária local, ocorreu num certo dia. A conversa informal, antes e após a reunião, sucedeu-se entre os vários participantes. Os assuntos versados, de maneira geral, eram os mais diversificados. As criações e plantações, como produtores rurais, ganhavam a tônica das atenções e preferências. Os colonos-associados, aqui e acolá, relataram suas experiências e vivências.
O curioso, num determinado instante, conversou com o presidente da cooperativa. Este, como chefe maior e líder regional, era “aquele que fazia acontecer/chover”. O rural, como de práxis, queria satisfazer mais uma dessas suas ímpares curiosidades. Este, como velho amigo e conhecido, perguntou: “- Fulano de tal! Como se explica o fato? O teu irmão trabalha como produtor rural. Este, apesar da dedicação e trabalho, convive com as constantes dificuldades financeiras. O dinheiro auferido mal dá para viver! Ele, nesses anos todos, judiou-se e não acumulou nada de expressivo. A realidade econômica, como irmão/mano, contrasta com o senhor. As pessoas falam que você é um homem muito influente e rico!”
O camarada presidente, na sua maneira de ser curto e preciso (na tradicional franqueza), deu uma leve gargalhada e suspirou fundo. Este, sem floreios e rodeios, explicou: “- Esta situação é fácil de compreender e entender! O meu irmão, como homem da terra, costuma labutar com uma junta de animais. Eu, como administrador e contador, trabalho com mais de dois mil bois! A acentuada diferença nos números resulta no acúmulo do numerário financeiro!”
O ouvinte ficou assombrado e estarrecido. Ele, como os muitos moradores associados, faziam parte dessa boiada/manada. A acentuada diferença, no acúmulo de sobras entre as partes, era a comprovação dos fatos. A sabedoria consiste: quem trabalha, de forma animal e braçal, não tem maior tempo de pensar em ganhar dinheiro. O segredo monetário não está na produção dos artigos e sim na intermediação das mercadorias. As diferenças econômicas, entre governados e governantes, cedo salta aos olhos (como diferenças de classe/entre ter e não ter).
O excesso de curiosidade expõem os autores ao ridículo. As perguntas direcionadas aos espertos ainda não custam; as verdades (relativas) porém nem sempre são relatadas. Poucos são aqueles que conseguem conviver com as dúvidas. Umas boas respostas assumem valores de umas valiosas pérolas.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: http://agroinformacao.blogspot.com.br