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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Os Colonizadores da Colônia Teutônia - I Parte


Procurou-se, a partir do Livro Colônia Teutônia (1868 – 1878) da “Empresa Colonizadora Carlos Schilling, Lothar de la Rue, Jacob Rech, Guilherme Kopp & Companhia’’, fazer um levantamento da relação dos pioneiros. Estes, entre 1862 a 1876, afluíram aos atuais municípios de Imigrante, Teutônia  e Westfália/RS. Inúmeras famílias poderão encontrar referências a seus antepassados. Estes dados relacionam-se a data de instalação, despesas com a companhia colonizadora, lote e área adquirida, custeio da passagem a Teutônia... As informações ajudam a ampliar os conhecimentos da microistória e genealogia assim como enobrecem as histórias municipais. A relação dos nomes, na grafia original (do alemão), segue a seqüência da fonte e serão apresentados numa série de artigos (de um a quatorze).
A relação consiste: viúva Carolina Hauenstein adquiriu as terras em 01/05/1868 pela quantia de 1.177$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 23/11/1873.  Jacob Feldens comprou as terras em 01/07/1868  pelo valor de 600$000 réis, concluiu o pagamento com juros em 11/05/1872, adquiriu o quinhão em Glück-auf (Canabarro) junto ao lote de Heinrich Ritter e que foi registrado em 19/09/1876. Adam Lambert comprou a colônia n° 11 de Glück-auf com 100.000 braças quadradas (b2) em 01/01/1867 pela quantia de 300$000 réis e concluiu o pagamento sem juros em 18/09/1867. Joseph Hagemann adquiriu o lote n° 6 da Boa Vista com 83.370 b2 em 11/08/1866 no valor de 667$000 réis e concluiu o pagamento com juros de 8% num total de 720$000 réis em 12/11/1869. Johannes Lambert comprou em 01/01/1867 terras num valor de 608$000 réis e pagou-as sem juros em 18/09/1868. August Flesch comprou a colônia n° 7 da Picada Herrmann (Germana) com 100.000 b2 em 01/11/1863 pela quantia de 800$000. Carl Dietze comprou a colônia n° 8 da Picada Herrmann com 100.000 b2 em 01/04/1865 num capital (valor) de 800$000 réis e concluiu os escargos com juros de 8% em 01/07/1874. Jacob Michels comprou o prazo n° 8 da Picada Hermann, junto com a Carl Dietze, em 28/01/1872 pela quantia de 800$000 e foi pago no ato. Friedrich Dickel comprou o lote n° 16 Glück-auf com 100.000 e meia colônia (n°15) de Glück-auf com 50.000 b2 num valor de 1.200$000 réis em 01/03/1866 e continuou pagamento até 01/07/1875. Johannes Dreier adquiriu a colônia n° 19 de Glück-auf com 100.00 b2 pelo valor de 600$000 réis em 01/11/1867 e concluiu o pagamento em 18/04/1868 num total de 608$000 réis. Heinrich Henchen comprou em 01/03/1868 a colônia n° 20 de Glück-auf  com 100.000 b2 num valor de 750$000 réis e concluiu o pagamento em 18.09.1969. Heinrich Dickel comprou em 01/09/1866 a colônia n° 8 de Glück-auf com 100.000 b2 num total de 1.000$000 réis e a colônia n° 8 de Glück-auf em 31/12/1872 num total de 346$000 réis e concluiu  o pagamento em  01/07/1873. August Böhm comprou a meia colônia n° 1 de Glück-auf em 01/04/1867 num total de 43.630 b2 no valor de 350$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 25/05/1874. José Anesette comprou a colônia n° 4 de Nove Colônias em 90.000 b2 em 01/02/1867 no valor de 800$000 réis e pagos no ato. Johannes Born adquiriu a colônia n° 4 da Boa Vista e não aparece o valor da compra.  Friedrich Brandt adquiriu a colônia n° 9 da Picada Herrmann em 01/04/1868 com 100.000 b2 no valor de 800$000 réis e concluiu pagamento com juros em 01/07/1873. Jacob Weber comprou a colônia n° 11 e 12 da Picada Herrmann com 200.000 b2 em 16/08/1868 no valor de 1.457$940 réis e concluiu o pagamento com juros em 03/09/1868 e vendeu a colônia n° 12 e meia colônia de n° 11 a Heinrich Hörlle em 08/01/1879 no valor de 428$000 réis. Jacob Gurlarf comprou a colônia n° 11 (direita) da Picada Germana em 03/09/1872 e não aparece a quantia. Carl Böhm adquiriu para Wilhelm Friedrich Ninow a meia colônia n° 15 em 01/11/1867 com 50.000 b2 no valor de 304$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 05/06/1873. Friedrich Müller comprou terras em 02/07/1866 no valor de 752$000 réis e concluiu pagamento com juros em 21/08/1868, não aparece o n° do lote colonial e o local da compra. Ernst Güntzel adquiriu a colônia n° 4 da Boa Vista em 27/08/1868 com 74.200 b2 no valor de 523$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 30/04/1873, este lote foi vendido posteriormente (em 06/05/1873) a Gustav Albert Kutscher e posteriormente a Johann Hüther em 22/07/1875. Heinrich Höfler adquiriu as colônias n° 9 e 10 da Boa Vista com 125.650 b2 em 01/10/1868 no valor de 1.005$200 réis e concluiu  o pagamento com juros em 01/07/1875. Wilhelm Hasenkamp comprou a colônia n° 1 da Picada Neuhaus (atual Teutônia Várzea) com 122.815 b2 em 01/10/1868 no  valor de 982$520 réis e concluiu o pagamento com juros  em 11/11/1874. Friedrich Neuhaus adquiriu a colônia n° 2 de Neuhaus com 100.000 b2 em 01/10/1868 no valor de 800$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 29/05/1875. Wilhelm Decker comprou a colônia n° 3 de Neuhaus com 100.000 b2 em 01/10/1868 com valor de 800$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 01/05/1873. Friedrich Knebelkamp comprou a colônia n° 22 de Glück-auf com  100.000 b2 em 01/10/1868 no valor de 800$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 11/03/1875. Hermann Pohlmann comprou a meia colônia n° 10 da Picada Hermann com 50.000 b2 em 01/10/1868 no valor de 400$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1873. Heinrich Eggers comprou as colônias n°13 e 14 da Picada Herrmann com 150.000 b2 em 01/10/1868 e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1875; Carl Fett comprou as colônias n° 27  e 26 (metade) com 150.000 b2 no valor de 1.200$000 réis  em 10/12/1868 e concluiu o pagamento  com juros em 26/05/1873. Friedrich Roloff a meia colônia n° 1 da Picada Hermann com 39.290 réis e concluiu o pagamento com juros em 14/02/1869. Johann Krüger comprou a meia colônia  n° 2 com área de 40.250 b2 em 01/03/1869 no valor  de 322$000 réis e concluiu o pagamento com juros em 24/05/1871. Carl Sippel adquiriu a meia colônia n° 2 (lado esquerdo) da Picada Herrmann com 39.750 b2 em 02/03/1869 no valor de 318$00 réis e concluiu o pagamento com juros em 01/07/1875...

Autor: Guido Lang. O Informativo de Teutônia n° 109, dia 21/08/1991, pág. 02.

Crédito da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teut%C3%B4nia

O mimo comunitário


       Uma centenária comunidade possuía problemas de frequência na sua assembleia anual. Esta, numa exclusiva oportunidade, sucedia-se no centro comunitário. Os membros, nalgumas centenas, careciam de comparecer. O evento da prestação de contas e acerto de resoluções pouca atenção e interesse despertavam.
Os membros com aquelas desculpas e indiferenças para fazerem-se presentes. Uns poucos nem queriam ouvir falar do assunto (sob o temor de ganhar algum cargo na diretoria). Outros, por tradição, ainda pertenciam como membros (em função da necessidade de bom senso em estar associado nalguma entidade). As assembleias, a cada ano, ajuntavam menos gente. Os participantes resumiam-se a menos de duas dezenas. Estes, “gatos pingados”, costumeiramente ligaram-se a familiares de integrantes das diretorias.
A resolução, numa altura, consistiu numa mudança de rota. Ouviu-se conselho aqui e sugestão acolá! Nada de maiores geniais ideias e de audaciosas inovações. Uns, a título de exemplo, falaram em sorteio de brindes. Algum mais no convite pessoal por famílias. Outro, como sugestão milagrosa, falou no oferecimento dum almoço cortesia. A comunidade, no dia da assembleia geral, custearia os encargos da refeição. Os beneficiados seriam todos os membros em dia com a tesouraria. Uma gratificação por ter honrado os compromissos das mensalidades assim como fazer-se presente ao encontro.
A receita, em forma de decisão de assembleia, foi colocada em prática. Adveio a surpresa. Aquela choça/morna reunião, de escassos membros, ganhou consideração,  entusiasmo e frequência. Inúmeras famílias, na totalidade dos integrantes, “afluíram como formigas em romaria”. Aquela data, num domingo de manhã pré-determinado, ganhou importância e interesse especial. As senhoras ganharam folga dos fogões na cozinha. Os maridos alívio momentâneo das churrasqueiras. Famílias deixaram de gastar em quiosques e restaurantes. Algum pão duro viu o momento próprio de diluir dispêndios com mensalidades...
O curioso e interessante sucedia-se com a real prestação de contas. Muitos, das centenas de participantes, pouco compreendiam ou interrogavam sobre os números expostos. Outros deram a mínima as conversas e polêmicas comunitárias. Alguns, num claro descaso, achegaram após a realização da assembleia. Todos, sem nenhuma exceção, ganharam o mimo. A preocupação era não criar comentários e descontentamentos.
A entidade, com o sucesso da empleitada, instituiu a experiência como norma. Aquela data, na agenda, ganhava reserva à frequência. O interesse, de integrar/participar duma diretoria/gestão, manteve-se naquele empurra-empurra e marasmo. Poucos, como obrigação e vocação, unicamente fizeram a gentileza de abraçar a causa. Estes, como doação de tempo e trabalho, deram sua contribuição.
O espírito humano ostenta-se deveras interesseiro. Este, sem maior gratificação ou recompensa, carece de interessar-se pela coisa comunitária.  Muitos aquela briga para pagar e outros anos sucessivos na inadimplência. Alguns mais simplesmente evadiram da entidade em função de precisar “abrir a mão”. O dinheiro havia para outras diversas necessidades, porém nada de maiores dispêndios com entidades. As cobranças compulsórias ocorriam unicamente nos encargos das coisas públicas. As autoridades, sob o signo duma legislação criada pelas instâncias políticas, instituíram dispêndios e estes eram cobrados/embutidos nos produtos e serviços.
O indivíduo interpreta o gênero humano a partir das necessidades básicas. Os animais matam-se por comida e os homens trucidam-se por dinheiro. Os cara de pau, no contexto das cortesias e mimos, chegam as raias dos abusos e ridículos. Os encargos espantam os indivíduos na proporção dos chamariscos aproximarem os homens.        
Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem: http://visitepetropolis.com