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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"Os alemão batata"


A tradição oral, com relação a alcunha de teuto-brasileiros de “alemão Kathofler”, registra a seguinte história. As fomes, até as grandes navegações, eram comuns na Europa Central. Uma região super-povoada via-se esfomeada, até o advento da introdução da batata (Solanum tuberosun). Esta, sob várias variedades nos altiplanos da Cordilheira dos Andes no Peru, cedo despertou a curiosidade e o interesse dos primeiros exploradores espanhóis, com Francisco Pizarro (1475 – 1541), foram conquistar o Império Inca. A batata americana, de fácil adaptação e de inestimável valor alimentício, logo chegou aos Estados Alemães, quando difundiu-se nas propriedades e tornou-se de amplo cultivo.
Os agricultores, muitos semi-servos da gleba ou de propriedades diminutas, plantaram-a nos pequenos lotes, quando dava uma elevada produção. Esta, em meio à carência de outros produtos agrícolas, via-se consumida amplamente, porque, com o seu peso, “enchia a barriga”. O preparo, numa infinidade de pratos, tornou-se uma realidade, quando as corriqueiras fomes viram-se freadas. A alemoada, nas diversas refeições, apreciava-a, quando adveio a expressão “alemão comedor de batata”. O gosto e o termo, pela batata, veio trazido pelos imigrantes, quando tornou-se uma alcunha do conjunto de alemães e teuto-brasileiros.
O indivíduo e a família, ser dos “alemão batata”, tornou-se sinônimo de orgulho, porque a cultura germânica transparece na realização do gênero humano. A descendência, nos cantos e recantos do mundo e nas infinidades de afazeres do trabalho, tem-se a presença de alguma descendência dos “alemães–batata”. Estes cedo salientam-se pelo capricho, dedicação, persistência, poupança, teimosia, trabalho... A descendência, apesar da mudança de hábitos alimentares, continua “adorando uma boa batatada”, que, com frequência, não falta às mesas e na lavoura ganha seu plantio anual. Alguém portanto chamar-lhe de “alemão Kathofler” é motivo de elogio e satisfação, porque enobrece a grandeza do espírito germânico e insere-o na vasta comunidade teuto-brasileira.

Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”

Crédito da imagem: http://v1.portalhoje.com/tag/futebol/page/3

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