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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A preguiça do gato


Um felino, na fome, procurou a caça como sina. O instinto, herdado dos ancestrais, insistia em comer carne crua e fresca. Algum adoentado ou desavisado deveria pagar a vida!
A alternativa consistiu em apanhar alguma pomba rola. As aves, na esperteza e vigilância, precaveram-se dos perigos. O movimento impulsionou o voo!
A chance ocorreu em entocar algum peixe. O cardume, na agitação e sombra, afundou nas profundezas da lagoa.  A precaução revelou-se sinônimo de inteligência!
A ideia recaiu sobre os ratos. As ninhadas, na presença do dono e gatos, mudaram-se da residência. A sorte convém jamais desafiar!
O estômago, na dor da fome, exigiu providências. O pedido, ao criador, consistiu da gentileza da ração. A doação, na compaixão, revelou-se artifício!
A dificuldade, na boa dose, persistiu na preguiça. A má vontade originou a gama de empecilhos. A moleza do gato revelou-se a sorte das eventuais presas!
O preguiçoso, na inércia, acha a porção de justificativas e respostas. A labuta ostenta-se filosofia de corajosos e privilegiados. Que seria do mundo sem as necessidades das bocas?
O consumismo, aos parasitas, cria fácil vida. A preguiça, o ócio como filosofia, reforça o poder e utilidade das máquinas!

Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: http://ultradownloads.com.br/listagem/gatos/13,313,2,,,2,2,2.html

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O especial poder


A família, perdida nas grotas, teve a ímpar gentileza. A alegria e satisfação, como filhos das colônias, foram honrosas. A ocasional visita verificou-se em rara oportunidade!
O forasteiro, como hóspede, foi tratado como autoridade. O objetivo, como principal sina, consistiu em conversar e ouvir o viajado religioso. Este, a velha Europa, afluía e conhecia!
O pastor, na amizade, tornou-se especial hóspede. As conversas, noite adentro, sucederam-se no seio familiar. Os assuntos, mais variados, foram debatidos e narrados!
A crucial pergunta, no contexto duma fala, consistiu: “- Afinal diga-me pastor! Existe algo maior à surdina do ofício religioso? O Divino esconde algum sobrenatural na profissão?”
A resposta, na prudência, foi o honesto e sonoro: não. O especial, como síntese, consiste em ser correto e justo. A consciência, limpa e serena, vê-se como brinde e prêmio!
A pessoa, como bom e efetivo cristão, precisa obedecer aos mandamentos. O especial, do amor ao próximo, resume: “Não faça aos outros, o impróprio que não queres para ti”!
O dinheiro, nos variados ofícios, revela-se razão do exercício. A verdade inspira consideração e respeito. O excepcional profissional concilia profissão e vocação!
O sobrenatural exerce fascínio na inteligência humana. As pessoas, a título de poderes e posses, criaram e instalaram as diferenças de classe!

Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: http://www.idagospel.com

Os reclamos femininos


A união matrimonial, por décadas, estendia-se no marasmo. Os reclamos femininos sucediam na diária forma. Os desejos instintivos avolumaram-se nos sonhos de liberdade!
O dedicado e judiado marido, como modesto assalariado, trazia o pão de cada dia. O interesse, no desfecho dos meses, havia na essência do salário! A paciência parecia ilimitada!
Os ganhos, no maior do filão, custeavam os encargos da sobrevivência. Os reclamos e xingamentos, em veladas ameaças de separação, sucediam-se nos cantos e tempo!
As palavras, na independência dos filhos, avolumaram-se nas doses. “Os ouvidos, em momentos, ostentavam-se cheios”. “A cabeça parecia explodir de aborrecimentos”!
O cidadão, na intensa reflexão, concordou na separação. As partes, marido e mulher, dividiram os patrimônios. A aposentadoria permitiu a pacata subsistência!
A residência foi dividida: cada qual residiu numas peças. As conversas e intimidades viram-se descartadas. As aventuras, em bailões e festas, foram liberadas a belo prazer!
O retorno, como pretensão, foi desejada numa altura pela ala feminina. A masculina careceu de ouvir falar ou pensar na ideia. O silêncio e sossego viram-se nobres pérolas!
Quem muito pede, nalgum momento, ganha o solicitado. “Melhor sozinho do que mal acompanhado”!

Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: http://www.papodebacom/

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Os falidos cidadãos


Empreendedores, no ciclo do calçado, aproveitaram para constituir incipientes empresas. Estes, nos favoráveis ventos da economia, arriscaram capital, suor e sangue!
Os microempresários, entre outros, constituíram atelieres de costura, barrancas de couro, depósitos de pele, empresas de curtume, firmas de forma, fábricas de calçado...
O negócio, por gerações, advinha de vento em pompa. O nível de vida, nos vales dos rios (Sinos, Caí, Paranhana, Taquari/RS), floria na fartura e prosperidade!
As dificuldades, no dinheiro fácil das exportações, pareciam impensáveis. Somas milionárias foram desperdiçadas. Carros, fazendas e mansões adquiriram pelos recantos!
A crise, na concorrência asiática (1992), instalou-se no cenário. Empresas, as centenas, fecharam portas. Massas falidas e prédios abandonados multiplicaram-se nos cantos!
Moradores decretaram falência pessoal. Dívidas, em bancos e financeiras, tornaram-se processos. Empregados e fiscos, nas falidas massas, requereram direitos e quinhões!
Várias famílias, outrora tradicionais coureiros-calçadistas, abstiveram-se de recuperar-se dos endividamentos. Elas, em muitos exemplos, defrontaram-se com o desânimo e pobreza!
A previdência, na velhice, ostenta-se os parcos rendimentos. Os patrimônios, das heranças, somaram-se “ao ralo”. As residências, nas carências, “caíram aos pedaços”!
Apostas equivocadas atrasam e penalizam a existência. A constituição de empresas, nas infindáveis exigências, igualam-se as apostas em jogos e loterias!

Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: http://www.amordoce.com/forum/t12512,1-rpg-mansao-vampiresca.htm

As finais despedidas


O adolescente enfiou-se na afamada família. O enamoramento, pela jovem moça, “levou a comer a fruta antes do tempo”. A precoce gravidez colocou-o “em saia justa”!
O casamento, na tradição familiar, revelou-se obrigação. O relacionamento, por décadas, funcionou “aos trancos e solavancos”. O trio de filhos nasceu como divina sina!
A amizade e estima, entre genro e sogro, pareciam pai e filho. As partes, nas bebedeiras e comilanças, alimentaram conversas. A companhia repetia-se constante!
O matrimônio, numa altura, fraquejou. O casal havia enjoado da mútua companhia. A separação tornou-se imprescindível. A bebida, da ala masculina, somou-se ao insucesso!
O sogro, num belo dia, pereceu de repentina forma. O ex-genro, pai de netos, somou-se as finais despedidas. A surpresa, como repreensão, mostrou-se dolorosa e inaceitável!
O ex-cunhado, na dor da cerimônia, explanou: “- Sicrano! Qual a razão da presença? A achegada revela-se equivocada? Estás há perder teu tempo?” A família havia-o descartado!
O jeito, “com o rabo entre as pernas”, consistiu em “ensacar a viola e tomar o rumo da estrada”. Os filhos, como netos, careceram da presença paterna nos difíceis momentos!
As separações, entre casais, costumam deixar mágoas. Os interesses e necessidades, antes do previsto, mudam de lado e situação!

Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: http://noliquidificador.wordpress.com/

domingo, 5 de janeiro de 2014

O campo fértil


O horário e trabalho, no grande centro urbano, obrigam a cear nos restaurantes. A agitação e correria, no intervalo, evitam quaisquer perspectivas de almoço familiar!
A solução, na gama de opções, consiste em procurar a variedade de estabelecimentos. Os ambientes e gostos mudam em função de preparos e temperos!
O pacato cidadão, como filho das colônias, adota estranha prática. Ele, nas idas e vindas, mistura-se a multidão. Cada refeição depara-se com diversas e variadas gentes!
A ideia consiste em almoçar entre a gama de indivíduos. O princípio, como curiosidade, consiste em conhecer hábitos, estabelecer relacionamentos, trocar ideias...
As falas e opiniões, a princípio, mudam ao gosto dos clientes. Elas refletem a diversidade. O objetivo, como procedimento, consiste em conhecer e estudar projetos de vida!
A pessoa, por mais pobre ou rica, tem a ensinar e falar. As oportunidades, ao estudioso, abrem portas as análises e pesquisas sociológicas. O plantio vê-se em campo fértil!
Aprender, em qualquer idade e situação, revela-se sinônimo de sabedoria. A sociedade ostenta-se campo próprio aos registros. A odisseia humana escreve histórias incríveis!
Os meios de sobrevivência definem modos e valores de vida. O cientista social interage e reflete atitudes e procedimentos dos indivíduos e populações!

Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: http://www.papeldeparede.etc.br/fotos/papel-de-parede_feliz-na-multidao/

A estranha pescaria

 

O colonial, em geral, adorava alfinetar amigos e conhecidos. A mania, como advertência e sabedoria, havia em externar indiretas. As brincadeiras e falas, para uns, viam-se veladas afrontas!
O piá, numa oportunidade, procurou retribuir a cortesia e gentileza. O cidadão, com educada e esbelta filha, despertava astúcia e interesse aos ”gaviões de prontidão”!
A alheia implicância, no sentido figurado, direcionou-se na pescaria da fulana. O afamado malandro iria fisgar no seio familiar. A ideia consistia “em apanhar o resguardado fruto”!
O paizão, desbocado e tarimbado, externou: “- Piruada! Podem testar a pescaria! Lembrem-se, no entanto, de usar especial isca e reforçado fio. O caniço ajudo a escolher a dedo!”
Os guris, no teor das colocações, arregalaram olhos e temeram palavras. Os pais, com amor e carinho, criam e investem na descendência. O malandro aventura-se em levar de lambuja!
A adolescência entende-se esperta e inteligente. A idade, nas experiências e vivências, ensinou punhados: “uns encontram-se no caminho do retorno na proporção de outros estarem indo”!
As afiadas e ousadas línguas, com pré-determinadas respostas, costumam aborrecer e intrigar os alheios espíritos. “Quem fala o que quer, ouve o que não quer”!

Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: http://www.pescanordeste.com.br