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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Os guardiões dos pátios


Quaisquer casas coloniais, a semelhança das plantas ornamentais, ostenta alguma cachorrada. Esta, em três turnos, zela pela vigilância. Denuncia a presença de forasteiros. Os tradicionais latidos assinalam alguma anormalidade. A inquietação obriga averiguar o comportamento. Os  animais, em boa dose, revelam-se o espelho dos donos.
As histórias de cachorradas costumam ser inúmeras (nos contextos familiares e comunitários). Alguns animais, em função da convivência e proximidade com os humanos, “faltariam somente falar”. As narrações, de excepcionais aventuras e caçadas, revelam-se realidades comuns. O exemplo dum cachorrinho, exímio caçador, conseguiu matar duas raposas (de forma paralela). Mordia uma e, em seguida outra, para nenhuma fugir. Certas odisseias, não  fossem vistas, seriam causa de lorotas. Outros guaipecas, num domingo de tarde, denunciaram sinistro. Estes, de forma desesperada, latiam para alertar os donos. Algum mais, em meio a romaria por fêmea, adveio castrado (resultado: deixou de ser caçador e assumiu ares de dorminhoco).
A cachorrada, em síntese, costuma ser o retrato do adestramento. Estes, bem cuidados e tratados, transparecem o capricho. A consideração como se fossem membros da família. Outros, amarrados em cada canto do espaço e em meios as necessidades, retratam o desleixo e espírito possessivo. Famílias, com animais agressivos (nos pátios), costumam revelar a escassa consideração por visitação. Outros, muito amigáveis, a alegria de relacionar-se e receber a presença da vizinhança. Alguns, muito apegados a caça, foram treinados para dar essa função. Acompanham, como maior alegria e satisfação, as idas e vindas dos donos pelos espaços. Costumam devassar o terreno (atrás de descuidadas presas).
A curiosidade relaciona-se aos nomes. Cada animal, de um a cinco nos pátios, recebe uma alcunha/denominação. Uns ligam-se as figuras folclóricas da história. Exemplos: Bin Laden, Nero, Napoleão... Alguns mais afetivos: Boby, Lesse, Xuxa... Outros gerais: Chiquinha, Faísca, Piloto... Denominações, de preferência, de fácil pronúncia. Outra realidade liga-se ao número de membros: famílias abonadas – poucos bichos; humildes – um bicharedo (espalhado pelos quadrantes). Parecem temer pela segurança assim como ver surrupiado o pouco patrimônio (acumulado com tamanhas dificuldades). A cachorrada zela pelo espaço familiar. Os pátios, sem a tradicional presença de caninos, significam a fácil invasão e petulância alheia. O bicharedo, da fauna silvestre, cedo ostenta-se abusada e ousada (na porporção de não sentir cheiros de cachorrada).
Quem não sabe especiais histórias de animais? Cães que fizeram fama pela ousadia e petulância? A cachorrada, enquanto ainda não conhece o valor do dinheiro, mantém-se como os mais fiéis amigos e parceiros dos homens. Eles, na prática, repassam o espírito dos seus donos.

Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”
(Literatura Colonial Teuto-brasileira)

Crédito da imagem: http://casa.hsw.uol.com.br/5-melhores-caes-de-caca.htm

Sabedoria oriental

  1. O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute.
  2. Deus mora onde o deixam entrar.
  3. O silêncio é de ouro e inúmeras vezes a resposta.
  4. Um cachorro vivo é melhor que um leão morto.
  5. Quem abre o coração à ambição, fecha-o à tranquilidade.
  6. Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem.
  7. Um coração alegre faz tanto bem quanto os remédios.
  8. Um homem feliz é como um barco que navega com vento favorável.
  9. Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.
  10. A gente tropeça nas pedras pequenas, pois as grandes costuma enxergar-se.
  11. Se quiser conhecer um cavalo, monte nele; se quiser conhecer uma pessoa, conviva com ela.
  12. As dificuldades são como as montanhas, aplainam na proporção de avançamos sobre elas.
  13. Deus deu ao homem dois ouvidos, dois olhos e uma boca para vermos e ouvimos duas vezes mais do que falamos.
Fontes: Livros e site da internet.

Crédito da imagem: http://www.ciee.org/teach/

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Pinheirinho de Natal


         Rudolfo mostrou-se um pacato morador colonial, quando dedicou a vida para realizar o bem. As dificuldades econômicas mantiveram-se continuamente presentes, todavia não o impediam de realizar boas ações. Auxiliava onde podia e dava sua contribuição na impossibilidade.
Procurou na juventude, em uma determinada ocasião, cultivar diversas sementes de pinhão. Cultivou-as próximas ao pátio e numa divisa. A função era ceifá-las para pinheirinho de Natal. A magia cristã, da lenda do pinheiro natalino, fascinava-o e o maior sonho, nunca realizado, consistia em edificar uma igreja na sua localidade. Os moradores, tendo parte numa comunidade próxima em outra linha, “nunca mobilizaram-se e abriram mão de contribuir à edificação”.
Os anos transcorreram e os pinheiros cresceram. Árvores próprias com a altura para a nobre missão de transmitir a magia do Menino Deus.  Rudolfo, no contexto comunitário, prontificou-se a doação dos pinheirinhos de Natal à escola comunitária. Este, a cada final de ano, mantinha um próprio, quando a diretoria e professora sabiam a quem pedir. A alegria e satisfação mantinham-se a máxima, quando todos os moradores sabiam da nobre doação. A gratificação maior consistia em ver a árvore enfeitada, com luzes, crianças correndo ao redor, alunos apresentando peças teatrais natalinas, comunidade toda reunida... A comunidade escolar, como consideração a contribuição, dava-lhe um singelo pacote do Papai Noel, que era o real reconhecimento da sublime obra.
Os anos transcorreram; Rudolfo pereceu, porém as reminiscências passam gerações. Forasteiros e parentes, a cada Dia dos Finados, quando diante da sua tumba perpassam, dizem: “- Aqui jaz o doador dos pinheirinhos de Natal!” Outros, a cada ano, doam o pinheirinho, mas relembram-se das doações do Rudolfo.
As pessoas, diante de forma grandiosa ou modesta, escrevem sua odisseia terrena, quando deixam histórias e lembranças. Ações comunitárias enobrecem indivíduos e gerações. Os singelos atos, praticados de forma desinteressada, costumeiramente acabam sendo os mais relembrados, daqueles que continuam nas jornadas.
Guido Lang
Livro “História das Colônias”
(Literatura colonial teuto-brasileiro)


Crédito da imagem: http://fashiontagconsultoria.com/tag/significados/

Oração das Pétalas


Senhor, tantas vezes só pensei em mim,
E descobri que sozinha não sou ninguém.
Tenho um colorido cuja veste, dos homens
Jamais algum experimentou.
Mas, que seria de mim,
Se uma pétala só formasse a flor?
Agradeço, Senhor, a presença de minhas irmãs.
Sem elas, eu não seria parte desta flor,
Que os homens acham tão linda.
Obrigado pelo ramo que me sustenta.
Sem ele, nenhuma pétala teria lugar.
Senhor, obrigado pela essência que nos perfuma.
Obrigado porque não nasci só.
Não só eu, nem só ela, nem as outras pétalas, mas
Somos nós juntas que fazemos desabrochar a flor.
Precisamos abrir-nos juntos, unir-nos mais.
E viver juntas o amanhacer, o dia, com tudo o que é seu.
E a noite, como que anuncia outra aurora.
Sentimos falta, quando uma cai primeiro.
Sentimos falta, quando caímos todas.
Nascemos todas bonitas, para esconder
aquilo que é mais bonito que a flor: a semente.
Aquela que nos faz nascer de novo.
Senhor, obrigado pela missão de ser pétala.
Obrigado pelas outras pétalas.
Que me ajudam a ser mais com elas.
Obrigado pela flor que formamos unidos.
Obrigado pela vida que juntos podemos mostrar.

(Autor desconhecido)
Crédito da imagem: http://wwwbpoesias.blogspot.com.br/2012_09_01_archive.html

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Euforia econômica


A carne e o leite, por alguma oscilação econômica, encontram-se com preço convidativo (aos produtores). O capricho e a dedicação as aves, bovinos e porcos estendem-se pela propriedade. As esperanças, de desta vez “chover na horta do colono”, renovam-se. Os sonhos dos investimentos e reinvestimentos podem tomar vulto (no ambiente familiar e produtivo).
A empolgação cedo agita as colônias. Ousados, vendo  as possibilidade de ganhos, enveredam nos negócios. Reúnem a poupança  Apelam aos financiamentos. Procuram edificar especiais aviários, chiqueiros  e tambos. Adquirem matrizes (de raça). Os preços disparam no cenário colonial. A tradição agrícola, em diversos exemplos, precisa ser aprimorada. Aventureiros “pisam fundo no acelerador” dos negócios primários. Alimentam uma inabalável esperança: “dessa vez vai dar”, “vamos lavar a baia , “forrar a guaiaca”... Os preços elevados, da venda da produção, sustentam-se alguns meses. Uma realidade temporária e daí advém aquela decepção.
Os empreendedores torram suas economias pessoais. Outros complementaram dispêndios com empréstimos. Os preços declinaram com a super-oferta de produtos. Inúmeros produtores, com os preços em conta, aumentaram ou enveredaram nos negócios agrícolas. As ofertas multiplicaram-se. Os produtos, nos mercados, baixaram de preço. Investidores ganharam menos pelos artigos. Inicia a “chiadeira e choradeira” com a diminuição dos ganhos. Carne, carvão, leite, madeira e ovo caíram de cotação. Os encargos, como insumos em geral, mantiveram-se nos patamares. Advém o dilema: Como honrar/salvar as obrigações monetárias? Os juros multiplicaram-se e os preços um marasmo. Uns, antes do imaginado, colocam a venda os estabelecimentos. A precipitação levou ao desastre econômico-financeiro.
Os colonos, na histórica tradição agrícola, assimilaram um princípio básico. Este versa de paulatinamente enveredar em quaisquer negócios. Eles procuram ter distância da afobação e precipitação. Estes conhecem as oscilações entre oferta e procura. Os governos/diversas gestões, diante dos temores da inflação e impopularidade/protestos, não deixam inflacionar os gêneros alimentícios básicos. O poder de barganha, dos investidores rurais, ostentam-se restritos. Algumas necessidades maiores cedo recorrem-se as importações. O malabarismo da viabilidade financeira, duma propriedade de agricultura familiar de subsistência, revela-se uma gestão de eficientes administradores e economistas. “Calma, com algumas doses de galinha, nunca fez mal a ninguém”.
A história, através de amargas experiências, ensina certas realidades aos produtores rurais. A agricultura familiar exige muita contabilidade/ginástica administrativa, caso contrário, não subsiste em função das estreitas margens de lucro. Os coloniais, para manter a viabilidade financeira, pouco contabilizam sua mão de obra. Precaução também é sinônimo de sabedoria.

Guido Lang
Livro “História das Colônias”
(Literatura Colonial Teuto-brasileira)

Crédito da imagem:http://meioambiente.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/agricultura-organica-e-seguranca-alimentar/agricultura-organica-e-seguranca-alimentar-13.jpg 

Francis Bacon

  1. Dá a fé o que à fé pertence.
  2. Todas as cores combinam no escuro.
  3. A dúvida é a escola da verdade.
  4. O conhecimento é em si um poder.
  5. Evitar superstições é outra superstição.
  6. Escolher o seu tempo é ganhar tempo.
  7. A riqueza é para ser gasta.
  8. A dúvida é a escola da verdade.
  9. A vingança é uma espécie de justiça selvagem.
  10. Passar muito tempo a estudar é preguiça.
  11. O futuro do homem está oculto no seu saber.
  12. Uma pergunta prudente é metade da sabedoria.
  13. A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas.
  14. É um estranho desejo buscar o poder e perder a liberdade.
  15. Dinheiro é como adubo, só é bom quando se espalha.
  16. As condutas, assim como as doenças, são contagiosas.
  17. As obras e fundações mais nobres nasceram de homens sem filhos.
  18. Livros são navios que percorrem as vastos mares do tempo.
  19. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto.
  20. Se o dinheiro não for teu criado, ele será o teu mestre.
  21. Um homem sábio criará mais oportunidades do que ele acha.
  22. A verdade é filha do tempo, não da autoridade.
  23. Dança é passo medido, assim como verso é fala medida.
  24. A adversidade revela nossas virtudes. A prosperidade nossos vícios.
  25. O homem deve criar as oportunidade e não somente encontrá-las.
  26. Alguns desprezam a riqueza porque desprezam a ideia de enriquecer.
  27. A sabedoria dos crocodilos consiste em verter lágrimas quando querem devorar.
  28. O silêncio é a virtude dos loucos. O tempo é o maior inovador.
  29. A leitura traz ao homem plenitude, ao discurso segurança e a escrita exatidão.
  30. Na paz os filhos enterram seus pais, na guerra os pais enterram seu filhos.
  31. Não se aprende bem a não ser pela experiência.
  32. A natureza, para ser comandada, tem que ser obedecida.
  33. Para a alma humana, um corpo são é um hóspede e um corpo doente, um carcereiro.
  34. A natureza é frequentemente escondida, algumas vezes dominada, mas raramente extinta.
  35. Há maus descobridores que pensam que não há terra quando não conseguem ver nada senão o mar.
Fontes: Livros e sites da internet.

Francis Bacon (1561-1626), filósofo, estadista e ensaísta inglês.

Crédito da imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/Francis_Bacon

domingo, 23 de dezembro de 2012

O seguro


Um colono, com filhos menores, pensou e repensou a história da segurança familiar. Ele, como precaução, pensou em contratar os préstimos de um seguro de vida. Oferecer uma garantia maior aos rebentos. Que pai, na sua eventual ausência, não almeja resguardar os seus de maiores aborrecimentos, carências e dificuldades? O subconsciente, em inúmeros exemplos e momentos, parece predizer certos acontecimentos e fatos.
O morador, ao amigo íntimo/próximo, comentou a pretensão. Queria um conselho/opinião. Este parceiro, por esse mundo velho, “tinha andado e rodado muito”. Circulava com vista de conhecer lugares e querer entender melhor o gênero humano. Estudou muito e observou mais ainda! Nada de desvendar os enigmas das diferenças e diversidades humanas. Uma única razão, como conclusão  parecia mover esses seres. Dinheiro! Muita grana! Ele, como sangue do capitalismo, norteia as atividades e passos da humanidade.
O conselho, sobre o eventual seguro, foi nos seguintes termos: “- As pessoas costumam matar por dinheiro! Os exemplos, na história, foram inúmeros. Quem, numa eventualidade ganha valores do tal seguro, acaba fazendo festa em cima da desgraça alheia. Ensina os teus filhos, através do exemplo diário, a administrar/gerenciar bem o dinheiro assim como o valor da produção/trabalho. Eles, com essas duas virtudes, cedo atraem e avolumam a fortuna. Quem sabe ganhá-la no suor, costuma saber preservá-la no valor. O dinheiro fácil pouca sorte  oferece/traz. Os seguros, na hora de pagar/ressarcir os clientes, colocam empecilhos e querelas. Invista, como maior seguro/patrimônio, na boa formação dos filhos. O dinheiro, das mensalidades, taxas e tributação, destina para essa nobre missão. Em última alternativa, pensa num reforço em forma de poupança. Esta, numa extrema emergência, ostenta-se um excelente socorro/seguro. Disciplina e dedicação não podem faltar para colocar em prática a resolução”.
As empresas, de segurança e seguros, acabam consumindo os valores dos próprios bens assegurados. Estes, a cada ano, somam  dispêndios e o patrimônio deprecia-se. Outra: a insegurança reside na própria segurança. Os guardadores assimilam conhecimento da  rotina e, lá adiante, dão as dicas ou fazem o trabalho das falcatruas/roubos. A discrição e modéstia ostenta-se uma nobre segurança. O ter não pode ser um fim em si mesmo. A formação, com conhecimentos amplos e úteis, ostenta-se uma benção e fortaleza. Cada qual precisa estudar/pensar as situações. Aplicar que melhor convém. Quem muito investe em segurança/preservação acaba consumido/estagnado pelos dispêndios.                                            
O escritor, para ser eterno na literatura, precisa registra a saga humana. Pedir conselhos, para mais vividos, mostra-se sinônimo de sabedoria. Poucos tem a franqueza de externar a real compreensão dos fatos. A desconfiança, em meio a insegurança, mostra-se acirrada. Confiar, em meio as muitas barbaridades e histórias diárias,  em quem e no que nesta altura do campeonato!

Guido Lang
Livro “Singelas Histórias de Vida”

Crédito da imagem: http://yorrannaoliveira.blogspot.com.br/2012/07/pesquisa-cblsnelfipe-mostra-subsetor-de.html