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terça-feira, 20 de outubro de 2015

O desleixo das precauções


As intensas chuvas, no fluxo das estações (inverno-primavera), advieram no avanço das frentes. As elevadas precipitações, no parco tempo, encheram córregos e rios. Os cursos fluviais, no leito maior, alagaram no percurso usual. O volume, em cheias, delineia o problema social. Casas e ruas, nas baixadas e vales, completaram atingidas e submergidas. A defesa civil, nos muitos chamados, sobreveio na ajuda e socorro. A realidade, no banal dos dilúvios, delineia ocorrência. Os residentes, na alegação da falta financeira, alegam inviabilidade das providências. As edificações, no altivo de pavimentos, advêm no desapego do acúmulo e prevenção. Os escassos ganhos, nas distrações de consumo, acertam no amplo investimento (conduções, festanças, jogos...). A circunstância, no ditado popular, descreve: “Os crentes, na dimensão das chuvas, relâmpagos e trovejos, recordam-se da Santa Bárbara”. A pessoa, na severidade da pobreza, obriga-se a direcionar capitalizações e sobejos.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

Crédito da imagem: http://noticias.r7.com/

Grafen e Beckmann - Pseudopastores na Colônia Teutônia


Teutônia, localizada a 120 km de Porto Alegre/RS, foi fundada, numa iniciativa particular, pelo comerciante atacadista Carlos Schilling. O empreendedor, em 1858, adquiriu quatro léguas quadradas de terras devolutas, quando, em 1861, constituiu a “Empresa Colonizadora Carlos Schilling, Lothar de la Rue, Jacob Rech e Guilherme Kopp e Companhia” (responsável pela colonização). A ocupação, em 1862, prosperou com a afluência de povoadores protestantes (luteranos), que vieram, sobretudo da "Colônia Alemã de São Leopoldo" e regiões do Hunsrück, Pomerânia e Wesfália (atual Alemanha). Os colonos, após instalados nos lotes, buscavam conservar estradas/picadas de entrada, constituir campos-santos, edificar escolas/igrejas, formar associações de canto...
O acolhimento pastoral, em 1866, iniciou com Johann Wilhelm Kleingünther. O religioso, a partir de Porto Alegre e em duas ocasiões anuais, fazia "atendimento espiritual". O professor Ernst Janfrüchte, de 1869 à 1873, substituía-o nas ausências. O mestre escola tornou-se o primeiro professor da Colônia (em "Glück-auf" – atual Canabarro/Teutônia/RS), quando movimentou os residentes para edificar, ao lado de Karl Arnt, a escola-igreja. Ferdinand Häuser, em 1873, sucedeu Kleingünther no serviço pastoral. Wilhelm Hasenack (1890-1911) sobreveio depois de Häuser. O afluxo constante de famílias e a alta taxa de natalidade alargaram os imperativos de ministros formados, que eram “peças raras”. Os habitantes, ante às circunstâncias, apelaram aos educadores leigos Gustav Adolf von Grafen e Heinrich Beckmann. Os dois, no passar do tempo, acabaram destacados como "prelados ativos".
O místico Grafen, conforme o "Livro de Batismos e Casamentos" (1873-1907), atuou em diversas picadas. As linhas, entre outras, eram as da "Boa Vista, Katharina (Catarina), Schmidt, Arroio da Seca, Berlim, Bismarck, Novo Paraíso, Estrela, Conventos (Lajeado) e Colônias de Brochier e Maratá". Este, no total, realizou 148 consórcios e 2.500 batizados; os dados, de funerais, foram extraviados.
A sua biografia registra: nasceu em 09/10/1836 em Halle/Saale, como filho de Theodor e Maria Henriette von Salden; imigrou aos Estados Unidos da América, lutou na Guerra da Secessão (1860-1865) e chegou ao posto de oficial. Transferiu-se por volta de 1868 ao Brasil. Instalou-se inicialmente em Lomba Grande/Colônia Alemã de São Leopoldo. Casou em 11/11/1872 com Catharina Dickel. Migrou em 1870 para a Colônia Teutônia. Iniciou em 12/08/1873 no pastorado com o batizado do próprio filho Adolf Gustav. Faleceu em 28/09/1908 em Teutônia/Estrela/RS. Foi sepultado no Cemitério da Picada Neuhaus/Teutônia Várzea e depois transferido ao cemitério da Picada Welp.
Heinrich Beckmann, conforme os "livros de batismos, casamentos e óbitos das Comunidades Evangélicas Bethânia/Boa Vista e Sião/Frank", iniciou no pastorado no batismo de Heinrich Friedrich Wessel. Exercia primeiramente o ofício de agricultor, professor e regente (de coro).
A deficiência de pastores formados, na demasia de afazeres de Kleingünther e Häuser, levou a substituí-los. Beckmann trabalhou nos locais: "Colônia Teutônia, Santos Pinto, Santa Manuela, São Pedro de Maratá, Poço das Antas e sedes de Estrela e Taquari". O profissional, entre 1884 e 1911, atingiu um total de 402 enterros, 422 casamentos e 3.074 batizados. As citações biográficas narram nascimento em 12/12/1852 em Gaste/Osnabrück/Hannover (Alemanha), filho de Kaspar Heinrich Beckmann e Dorothea Juliane Johanne Surkamp. Imigrou em 1871 no Brasil com a família. Casou em 10/02/1880 com Catharina Wilhelmine Wiebusch. Instalou-se como povoador na Boa Vista. Tornou-se professor da Escola Comunitária da Boa Vista (atual "Escola Municipal Bento Gonçalves") e regente do "Coral Frohsinn" (da Boa Vista). Faleceu em 04/07/1911 e descansa (sem maiores menções ao serviço) no Cemitério Evangélico da Boa Vista. Beckmann, como curiosidade histórica, tornou-se avô de Ernesto Geisel (Ex-Presidente da República). A filha Lydia casou-se com Augusto Geisel (pai do mandatário).
Os pastores Grafen e Beckmann careceram de achar "barreiras geográficas" no Vale do Taquari. Deslocavam-se, em lombo de cavalo e em meio aos atoleiros das estradas/trilhas de mato (picadas), na razão de "objetivar atendimento, consolo espiritual e satisfazer bradado do Senhor". O trabalho pastoral tornou-se auxílio imprescindível aos precursores.
Os pioneiros viviam isolados na selva. Confrontavam-se com achaques, feras, insetos, répteis... Os ministros foram ferramentas da “Palavra do Senhor”, lançando os alicerces, a partir da Colônia Teutônia, de diversas comunidades livres (no exemplo da "Boa Vista, Franck, Arroio da Seca, Novo Paraíso, Estrela, Brochier, Maratá"...). As respectivas comunidades ligaram-se ao Sínodo Riograndense e, na união dos quatro sínodos, tornaram-se partes da IECLB.
Grafen e Beckmann, como pacatos colonos-professores, foram destacadas lideranças, que, "por meio do Espírito Santo", serviram como "guias e portadores divinos". Eles souberam cumprir com zelo "a árdua tarefa de difundir a mensagem cristã e espalhar as 'sementes' de várias entidades evangélico-luteranas".

(Guido Lang, Anuário Evangélico - Ano 1995, pág.119 a 121).

Crédito da imagem: http://www.calendariobr.com.br/


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O segredo da fartura


O rural, no encravado do aclive e roça, externou ação e informação. O cultivo, no roçado, advém na fácil e farta produção. O aipim, no cardápio, cai no alicerce da nutrição. Animais e humanos, no baixo custo, subsistem nos cernes das localidades. A centena de mudas, na plantação da rama, institui abundância e reserva. O enigma, na vasta fabricação, calha no espaçamento. As mudas, no interno da lavoura, demandam circulação (ar) e insolação. A distância, no propício, ocorre no metro de largo e um e meio na extensão. A carpida, na mexida e remexida do chão, sobreviria em três modestos ensejos. A terra, no apinhado nas raízes, faria alegria e diferença nas unidades. O produto, em duas unidades, daria satisfatório ao consumo semanal (familiar). O acessório, no feijão, molho e saladas, ajustaria abastança alimentar. As compras, no encorpado dos comércios, cairiam no abjeto valor e volume. O barato, na autoprodução, inibe a engrenagem das tributações e trocas.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

Crédito da imagem: http://hortas.info/como-plantar-mandioca

domingo, 18 de outubro de 2015

A insensata afronta


O caboclo, no anexo do ambiente rural, idealizou artifício e tocaia. O cachorro, no famélico ser, invadia abrigos e domínios. A besta, na deglutição dos ovos (em ninhos das galinhas), ocorria na elementar distração. O vizinho, na laia de desleixado patrão, fraquejava no cuidado e trato. O cão, no interno do cubículo do galpão, acabou enfurnado e prendido. A surpresa, no medido em tempos, incidiu na aplicação e serventia. A lição, no amontoado de panos, foi atada no rabo. O fogo, no ensopado em inflamável, viu-se acendido. O bicho, na corrida e espanto (soltura), cortou pátio e potreiro. O asilo, na autoproteção, calhou no interior do taquaral. O quebra-vento, na adjacência dos abrigos, acabou ardido. A chama, no baque, alastrou-se no sítio. A correria, na peleja, tomou conta no azarão. A tarefa, no sufoco da tragédia, foi combater calamidade. A solução, no leva água, sucedeu no cansaço e correria. As indevidas brincadeiras, na afronta, caem nos azados achaques e contratempos.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

Crédito da imagem: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/

sábado, 17 de outubro de 2015

A proposital falta


As descendências, em prestigiadas ascendências, promovem os habituais encontros de família. Os lugares, na ativa instalação da sucessão, costumam ser indicados e realizados. Uma comissão, na fortuita eleição, assume encargo do festejo e reunião. O aparentado, no dia agendado, aflui à festa. O enxerido, na frequência em numerosos eventos, averiguou modo dos “medalhões”. As afamadas figuras, no cartaz do sobrenome, incidem na ausência e descaso. Os personagens, na alegação dos problemas profissionais, incidem na clássica falta. O receio, em custos e requeridos, sucede na desconfiança e suspeição. Uns, na dimensão do progresso e sucesso, rejeitam no oculto os humildes e pacatos. A pessoa, na divulgação de alongada antecedência, cai na dificuldade da justificação: falas advêm na esfarrapada desculpa. A pessoa, na variedade da estirpe, encontra os aforados, remediados e perdidos. O ser humano, na questão dinheiro e parente, vê-se melindroso e sensível.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

Crédito da imagem: http://pensandoemfamilia.com.br/

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A essência das inquietações



A esposa, no alojado do interior da residência, nutria constante necessidade e preocupação. Os sonhos de consumo, na ideia da dignidade e qualidade de vida, aconteciam na insatisfação do espírito. As conversas, no diálogo do casal e lar, incidiam na “deficiência disso e daquilo”. Os dispêndios, no vício do consumo, ocorriam nas demasias e desperdícios. O esposo, na classe de assalariado, sucedia nas jornadas e poupanças. Os juízos, no inicial dos projetos, sobrevinham no angariar do dinheiro. Quaisquer tarefas, na ânsia do salário, ocorriam nas atenções e ocupações. O fato descreve: “Quem prioriza os frutos, carece do tempo aos dispêndios”. A boa associação, na aliança, cai no recíproco domínio de gastos e sobras. A esperteza financeira, nas receitas, prioriza destreza e tempo. Os consumidos, no inferior, sobrepõem os lucros. O cônjuge, no intenso trabalho, carece de ajuntar na extensão da consorte (no sombrio) desperdiçar no domicílio.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

Crédito da imagem: http://www.ganhesempremais.com.br/

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A peculiar sabedoria


A idosa senhora, curtida na experiência do tempo, alimentava alienação e paixão. A atitude, na tenra idade, fora assimilada e repassada às gerações. O costume, na execução do cotidiano, assumia exercício e renovação das energias e forças. Os filhos e netos, no semelhante, acabaram instruídos e orientados na percepção. O fato, no banal, incorria em direcionar olhares. O horizonte, no longínquo, advinha na adivinhação e admiração. O afastado, em exemplos, consistia em admirar o nascer/pôr do sol, apreciar as águas/nuvens no oceano, vislumbrar altura/distância das elevações... A significação, no corriqueiro, havia em avigorar e restaurar o milagre da vida. O alento, na ampliação do número de dias, externava-se nos cuidados e vigores do bem-estar. A existência, nas concepções e planos, ganhava ares e presságios. As acanhadas expressões, na brevidade ou longevidade da passagem terrena, projetam aromas e sabores.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

 Crédito da imagem: https://srggomes.wordpress.com/sabedoria-popular/