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domingo, 10 de fevereiro de 2013

O pedido amoroso

Singelas experiências e vivências ocorrem no cotidiano das localidades e propriedades. Os acontecimentos e fatos, por faltas de registros, sucedem-se como nunca tivessem transcorridos. Os autores, como tradição oral, guardam-os na memória e, com seus perecimentos, enterrem-os nas tumbas (juntos aos cemitérios). Cada vida, na prática, descreve algum excepcional livro. O curioso: pouquíssimos se dão a tarefa de redigir suas histórias e memórias (como legado à descendência).
Um certo menino, na idade escolar/pré-adolescência, enamorou-se por certa colega/vizinha. Esta, determinada e esperta nas resoluções, salientava-se no conjunto das meninas. O guri, numa certa ocasião (no recreio), externou sua admiração e desejo de futuro namoro. Aquele despertar sucessivo dos instintos másculos na direção, de nalgum dia, constituir descendência e família. A fala, a grosso modo, consistiu: “- Oh bonita e elegante amiga e colega! Quero, nalgum dia, casar e viver contigo! Constituir uma família!”
A menina estática e surpresa, repleta de fantasias e sonhos, externou os sinceros desejos do coração (diante do inesperado pedido fantasiado de brincadeira). Esta,  de modo curto e grosso, respondeu seus reais sentimentos: “- Caso com qualquer outro e menos contigo! O teu tipo não faz meu gênero! Pode tirar o cavalinho da chuva!” O enamorado, nos anos subsequentes e com outras iniciativas, sofreu muito diante da negativa e rejeição. Outro moço, bem falante e galanteador, caiu nas suas graças e conduziu-a ao altar. As dificuldades econômicas-financeiras do casal, ao longo dos anos, abateram-se na família.
O camarada pedinte, diante da dura realidade do desprezo, concentrou os conhecimentos e energias. Este angariou o firme propósito de vencer na vida. Os esforços foram direcionados ao estudo e trabalho. A esperteza maior revelou-se na administração financeira e eficiência nos negócios. O tino econômico mantinha um dom. A adversidade e negação contribuiu para o aprimorar das vocações. O rapaz, tendo nesta altura sua família, tornou-se abonado e conceituado.
A menina,  agora  mãe e vizinha,  deparava-se continuamente com as carências e os percalços. Via porém a cada dia o progresso e sucesso alheio (do ex-pretendente). A escolha, na parceria, fizera fundamental diferença na dignidade e qualidade de vida. Esta, em muitos momentos, imaginou-se naquela abastança e bonança,  porém preferiu viver nas dificuldades e problemas (do que conviver com alguém sem amor). O indivíduo, antes de quaisquer intimidades, precisa se agradar e gostar da parceria, caso contrário, quaisquer relacionamentos encontram-se fadados ao insucesso.
Certas decisões e escolhas, em meio as muitas resoluções da vida, fazem excepcionais diferenças. Uns, “mesmo podendo estar  pintados de ouro”, não são da nossa afinidade e agrado. O casamento, para tomar vulto, precisa do consentimento de ambas as partes. O indivíduo, ao meio aos muitos afazeres e passatempos, não pode ser bom em tudo (salienta-se nuns e desleixa noutros). O dinheiro compra as necessidades materiais, porém as imateriais encontram-se inseridas no coração.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: http://casamento.vocedeolhoemtudo.com.br/acessorios/aliancas-de-casamento-em-ouro/

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A manha suína


Um morador, como colonial, era tradicional produtor de suínos. Ele, dentro da agricultura familiar diversificada de subsistência, cultivara ainda diversos víveres. O objetivo, como forma de angariar algum dinheiro, consistia  em engordar  chiqueiradas de porcos. Ele, para fechar o ciclo da atividade, escolhia as matrizes e machos (para gerar os próprios leitões).
O indivíduo, em três oportunidades diárias, obrigara-se a tratar os animais. A sua mera presença nas instalações, em quaisquer momentos, resultara num berreiro ímpar dos animais. A vizinhança, a longas distâncias, escutava a gritaria infernal. Os cuidados, para o bom andamento e êxito do empreendimento, ostentava-se contínuo. Uma necessidade e obrigação comum a todo criador,  caso contrário, nem adiantaria começar a empleitada.
Uma situação excepcional ocorria nos dias de cozidos/lavagens. Estes, no dia anterior, viam-se confeccionados num enorme panelão. O preparado, com ingredientes variados, ganhava os recursos da propriedade. Exemplos: abóboras, aipins, batatas, chuchus, sojas... Os  restos e sobras, como exemplo de carneadas e da cozinha, viam-se misturados e cozidos. O bicharedo, de manhã, ganhava o dito ensopado. O cozido, com o cheiro de miúdos, deixava adoidados e incontrolável os animais. Estes, com a algazarra de esfomeados, queriam danificar e pular as instalações afora. A dificuldade, em meio a afobação e confusão, consistia  até em administrar o cardápio.
Alguns animais, numa chiqueirada de vinte a trinta membros, mantinham-se deveras famintos. Uns simplesmente almejavam comer tudo sozinhos. Outros avançavam de forma agressiva nos cochos. Alguns mordiam os mais fracos...  Os gulosos consistiam nos mais esbeltos e gordos. Os primeiros, pelos humanos, vislumbrados no ambiente da criação. Eles, com o espírito de esfomeados, desconheciam um singelo detalhe da existência.
A gula, em função do detrimento dos irmãos, levava a antecipação da sua sentença de morte. O dono, na proporção do crescimento e desenvolvimento  ia abatendo ou comercializando os mais gordos. A limitação do espaço e o consumo alimentar exigia o procedimento. O peso, de cem a cento e vinte quilos, encaminhava os fofos ao abate. Os modestos, com dificuldades de acumular peso, obtinham alguma sobrevida. Outros, com modos sutis de boas fêmeas ou machos, viam-se selecionados/poupados, como reprodutores.
A escola da vida ensina: os exageros e ganâncias levam a desgraça. Os humanos arrogam-se direitos e domínios sobre os ditos espíritos menos evoluídos (até onde vai esse direito?). Certos desígnios, dentro da diabólica engrenagem econômica, ostentam-se difícil de mudar e reverter. A vida tem propósitos maiores à evolução espiritual e os bons sensos nem sempre são seguidos a contento.

                                  Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

                                                            Crédito da  imagem:  www.proparnaiba.com

O cavalinho



"Certa tarde o paizão saiu para um passeio com as duas filhas, uma de oito e a outra de quatro anos. Em determinado momento da caminhada, Helena, a filha mais nova, pediu ao pai que a carregasse, pois estava muito cansada para continuar andando. 
O pai respondeu que estava também muito fatigado, e diante da resposta a garotinha começou a choramingar e fazer "corpo mole". Sem dizer uma só palavra, o pai cortou um pequeno galho de árvore e o entregou a Helena dizendo: 
- Olhe aqui um cavalinho para você montar, filha!
Ele irá ajudá-la a seguir em frente. A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o galho verde tão rápido, que chegou em casa antes dos outros. Ficou tão encantada com seu cavalo de pau, que foi difícil fazê-la parar de galopar.
A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e perguntou ao pai como entender a atitude de Helena. O pai sorriu e respondeu dizendo: 
- Assim é a vida, minha filha. Às vezes a gente está física e mentalmente cansado, certo de que é impossível continuar. Mas encontramos então um "cavalinho" qualquer que nos dá animo outra vez. Esse cavalinho pode ser um bom livro, um amigo, uma canção... assim, quando você se sentir cansada ou desanimada, lembre-se de que sempre haverá um cavalinho para cada momento, e nunca se deixe levar pela preguiça ou o desânimo".

Obs.: Se algum leitor do blog souber o autor do texto favor informar ao autor do blog, para que os devidos créditos possam ser dados. 

Crédito da imagem: animal10.wordpress.com

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Pequeno Princípe

  1. “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”
  2. “Será como a flor. Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas.”
  3. “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”
  4. “Se tu choras por ter perdido o sol, as lágrimas te impedirão de ver as estrelas.”
  5. “O amor verdadeiro não se consome, quanto mais dás, mais te ficas.”
  6. “Disse a flor para o pequeno príncipe: é preciso que eu suporte duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas.”
  7. “Só os caminhos invisíveis do amor libertam os homens.”
  8. “A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar…”
  9. “Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.”
  10. “O Amor é a única coisa que cresce à medida que se reparte”.
  11. “O amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim em olhar juntos para a mesma direção.”
  12. “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla.”
  13. “Para enxergar claro, bastar mudar a direção do olhar.”
  14. “Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa.”
  15. “Não lhe direi as razões que tens para me amar, pois elas não existem. A razão do amor é o amor.”
  16. “O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.”
  17. “São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar.”
  18. “E eu compreendi que não podia suportar a ideia de nunca mais escutar esse riso. Ele era para mim como uma fonte no deserto…”
  19. “Tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas.”
  20. “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso.”
Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944)

O estudo


Os filhos crescem e começam a conhecer as realidades e situações. Os pais obrigam-se a ensinar certos ensinamentos e valores. Cada dúvida e pergunta merece a devida explicação e exemplificação. O não ou o sim necessitam conhecer sua razão de ser.
Os anos transcorrem e o estudo torna-se uma obrigação. Os filhos precisam conviver nos bancos escolares. O governo, sob o signo das oportunidades, administra “a domesticação ao sistema”. Este obriga assimilar os conhecimentos básicos universais, conviver com colegas (da mesma faixa etária), criar suas relações sociais, inteirar-se do espírito consumista... As opiniões e sugestões, dos genitores, passam a valer cada vez menos com a idade. Uns, numa astúcia ímpar, cedo querem mandar nos próprios genitores. Eles, inteirados do mundo da mídia e relacionamentos sociais (redes sociais), acham-se altamente espertos e inteligentes.
Os forasteiros, no seio familiar, cedo passam achegar-se e conviver. Os direitos dos intrusos, em relação à legislação vigente, cedo avolumam-se (na proporção dos meses de convivência). Os casamentos, “com aquela história dos namoridos” tomam vulto com as primeiras intimidades. Inúmeros, nos lares das parcerias, aconchegam-se com as mãos abanando e, lá adiante, almejam sair carregados como formigas (na proporção duma eventual separação). O possuir/ter tornou-se causa maior das brigas e desentendimentos nas famílias.
Um pai, tachado como franco e grosso, cedo foi determinando e falando conselhos. Este, em relação aos seus rebentos, disse: “- Filhos! Preocupam-se em estudar! Acumular os conhecimentos universais à vida. Uma formação fora do alcance da bandidagem e da roubalheira. As oportunidades, de uma boa escola, são para todos. Aproveitem as chances para instruir-se. Quem desperdiçar não sabe se recebe outra. ‘Jamais deixem passar o cavalo encilhado’. A situação é pegar ou largar. O patrimônio familiar não contém com este. O provável é não sobrar nada no desfecho (da existência dos pais). Quem quer ostentar e viver precisa do próprio trabalho para ganhar os dividendos. Nada de querer apropriar-se do suor alheio. O estudo, nesta casa, é a maior herança familiar. A sabedoria consiste em aprender o máximo  de informações úteis”.
Uma realidade social comum tornou-se dos forasteiros apropriar-se do patrimônio familiar alheio. O pai ou a mãe, um dos dois falece, começa a briga pelo inventário/posses. Algum intruso, na primeira ideia, “vislumbra oportunidade ímpar de forrar o poncho”. Este, como marido ou mulher, pensa em apropria-se dos bens alheios. Poucos pensam em batalhar para merecer os bens necessários à vida. Quem avoluma/ganha de graças os artigos cedo costuma passá-los no troco (ou pouco valoriza os bens auferidos).
O indivíduo, com o coração dolorido, precisa conversar certas realidades adversas aos familiares. Os males, dentro das possibilidades, convêm nem deixar criar ou cortar pela raiz. Os forasteiros/intrusos, na proporção das convivências e uniões, costumam ser as causas maiores dos desentendimentos entre as famílias.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem:  www.concursospublicos.pro.br

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O naturalismo


O indivíduo, ao longo da existência, vai conhecendo certos fatos e realidades. Elas, através da convivência e observação, vão ensinando crenças e valores. Uns princípios parecem tão particulares e velados como se fossem irreais. Estes acabam explanados unicamente nas conversas privadas.
Uma senhora, com os seus oitenta anos, encontrou-se nos seus últimos dias (duma abençoada e longa jornada). Os netos, ainda muito ingênuos e curiosos, faziam-lhe determinadas perguntas. Algumas, pelo excesso de clareza e franqueza, causaram admiração e espanto. A alegria maior, no desfecho do livro da existência, consistiu ainda em conhecer e conviver uns poucos anos com estes descendentes. Ela, no apagar das luzes, ainda pode estabelecer vínculos de convivências e reminiscências.
Um filho, na surdina das conversações, pode escutar uma explanação dessas. A anciã, perguntada sobre a questão de morte, externou sua real crença e fé. Um neto interrogou: “- Quê acontece na proporção da pessoa falecer?” “- Onde ela vai?” Algo difícil, estando  na pele da idosa, de falar a realidade da dureza da vida.
Ela, de forma clara e objetiva, disse: “- A gente vai para terra! A pessoa volta de onde saiu! O retorno ao nada! Cinza a cinza, pó ao pó! A vida como nunca tivesse existido! A consciência fica com a sensação da missão cumprida. A morte de um é o alimento do outro!” O cidadão, como rebento, ficou estático e sem palavras. Quê dizer diante da dura realidade da transitoriedade da existência!
A crendice, no cotidiano da religiosidade, mostra-se suprimida pela influência do cristianismo. Os rurais, vendo e revendo as contínuas nascenças e perecimentos no dia a dia das atividades agrícolas, deixam-se contaminar pelos conhecimentos e observações empíricas. Os criadores e plantadores, no contexto das lidas diárias, continuamente veem a morte acontecendo e os nascimentos ocorrendo nos cenários coloniais. A natureza no seu constante ciclo das procriações e perecimentos. O objetivo maior parece inclinar-se numa direção da evolução espiritual.
O idêntico aplica-se à vida humana. Quê seria do planeta Terra em função da possibilidade da perenidade dos homens? A cobiça e ganância de uns teriam abocanhado todo o patrimônio. Os desperdícios e dispêndios de outros exauriam os recursos naturais. O apego e o controle ao poder causaria conflitos insolúveis. A renovação, através dos perecimentos, ostenta-se uma divina sabedoria.  A efemeridade da vida obriga a pensar e repensar conceitos e hábitos. A eternidade reside no legado da grandiosidade das ideias e postergação das gerações. A missão subsiste em ser elo entre as gerações (passadas com as futuras).
O indivíduo, cada qual, tem as suas crenças e superstições. Inúmeras doutrinas e filosofias não passam de meros conceitos e formulações de épocas e gerações.  O indivíduo, nalgum momento, precisa prestar contas das obras e realizações (à consciência e a Deus). O naturalismo e panteísmo encontram-se muito ativos e presentes no cotidiano das colônias.
                                                             
 Guido Lang
                                            “Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem: www.artesbr.com

Provérbio persa

      

"Houve um tempo em que era eu e ela, uma mulher. Mas, nosso amor cresceu, até não existir mais eu nem ela; lembro-me apenas, vagamente, que antes éramos dois e que o amor, intrometendo-se, tornou-nos um só".

Crédito da imagem: http://guiaavare.com