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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A quem pertence?


Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar zen aos jovens.
Apesar de sua idade, conta a lenda que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali.
Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.
O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo.
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pretende o presente?
- A quem tentou entregá-lo. – Respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tiram a serenidade.
Só se você permitir. 
       
 Legrand (dados biográficos desconhecidos)

Crédito da imagem: http://alternativajr.blogspot.com.br

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A matemática do cotidiano



Um professor camarada, durante décadas e inúmeros anos letivos, administrou as artimanhas e segredos dos cálculos matemáticos. Ele, para algumas centenas de estudantes, ensinou as habilidades e raciocínio dos números. Somar, dividir, multiplicar e subtrair foram as noções básicas.  Este, em dezenas de noites, chegou a sonhar e ter pesadelos com a agitação e barulho do trabalho letivo. Uma gama de indivíduos ganhava noções básicas e treinava a habilidade das operações.
O cidadão, transcorridos uns bons anos, queria saber o resultado desde ensino/estudo. Inúmeros alunos ostentavam-se bons matemáticos (em função do raciocínio lógico desenvolvido). Outros mais, ligado ao conhecimento humanístico, davam menor importância ao conhecimento das exatas. O cidadão, na suas idas e vindas como aposentado, falava esporadicamente com uma porção de ex-alunos. Este, de forma sutil, interrogava sobre a aplicação e uso cotidiano dos conhecimentos dos números. O pessoal valia-se do uso ou indiferença do conjunto de cálculos (complexos ou simples) no dia a dia dos afazeres.
A surpresa mostrou-se grande com o desempenho humano. Muitos, como estudantes da periferia urbana, “nem estavam aí para coisa”. Vários elementos, “metidos com porcaria”, envolveram-se na ideia do dinheiro fácil e rápido. Estes esqueceram-se das dificuldades de batalhar e labutar para satisfazer as necessidades básicas. As conquistas grandiosas exigem dedicação, tempo e trabalho. Outros camaradas mantiveram a pacata vida de cidadão. Eles preocuparam-se de conseguir algum trabalho, constituir família, melhorar as condições econômicas...  A matemática restringia-se ao básico do uso diário. O primeiro cálculo, diante da necessidade, ganhava o auxílio duma calculadora.
Uns poucos, ambiciosos e ousados, queriam compreender e valer-se unicamente da matemática. Aquela financeira e prática: ligada ao conhecimento do mercado, interpretação dos dados estatísticos, conclusões sobre as oscilações da economia... Eles assimilaram a habilidade dos números, com razão de angariar dinheiro e beneficiar-se do “sangue do capitalismo”. Estes desconfiavam dos descontos e promoções anunciadas na mídia (pelos fáceis e muito serviços). Os espertos conheciam artimanhas dos ágios embutidos, dados estatísticos manipulados, juros simples e compostos... O resultado acabou em cidadões bem sucedidos e excepcionais empresários/investidores.
A matemática tinha extrema importância e valia. Ela era o esteio do sucesso ou insucesso financeiro. Eles, como princípio básico, não faziam nenhum negócio sem maiores cálculos e estimativas. A matemática financeira era a base do emprego, enquanto os cálculos, nas escolas, não passavam de meros treinos mentais. A regra de três, simples e composta, constituia-se comumente na conta mais empregada e útil.
A melhor escola da vida revela-se a prática. Os professores transmitem muitos dados e poucos aplicam as informações no seu exercício cotidiano. A credibilidade profissional encontra-se na coerência dos atos com a teoria. O educador, no contexto duma sala, ostenta uma diversidade de interesses e vocações. Os reais conteúdos assimilados são aqueles utilizados nos afazeres diários.
Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem: http://www.brasilescola.com

A descoberta


         
          O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Poderá redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou um papel e escreveu:
“Vende-se uma encantadora propriedade, onde os pássaros cantam ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e mareantes águas de um ribeiro. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda.”
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- Nem pense mais nisso. – Disse o homem. – Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha.
Às vezes, não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos atrás da miragem de falsos tesouros.
Valorize o que você tem, as pessoas, os momentos... Valorize a vida.

Legrand (dados biográficos desconhecidos)

Crédito da imagem: http://wwwmeublogmeu.blogspot.com.br

A lorota das melancias


Os colonos, como prática agrícola, tiveram o princípio da diversificação produtiva. Uma filosofia de não depender dum exclusivo e único produto. Alguma dezena de culturas, ao longo dos lotes, espalharam-se no contexto das lavouras. O fato incluía as tradicionais abóboras, melancias, melões... Elas visavam o auto-abastecimento e mimo familiar.
Um certo morador, próximo a estrada geral (duma vila), cultivara o tradicional aipim. Um produto, junto ao arroz, feijão e alguma carne, ostentava-se a alimentação básica dos cardápios familiares. Os agricultores, sem maiores exceções, trataram de plantá-lo nas localidades afora. Duas centenas de pés, numa família, davam produção suficiente para o consumo anual.
A mandioca, no interior da roça, ganharia a companhia dos “pés” (plantas) de melancia. Esta, com a sombra alheia, adorava a consorciação. As volumosas frutas, numa aparente brincadeira de esconde-esconde, puderam proteger-se da excessiva insolação. O plantador, em intervalos de tempo, percorria o interior da lavoura. Este dava-se a alegria e satisfação de apreciar as belas e excepcionais frutas.
O colonial, com a massiva adubação (do solo arenoso), viu a recompensa do esforço e trabalho. As plantas agradaram-se do mimo e correspondiam as expectativas. A vizinhança, como sua ousada gurizada, deparou-se com as intenções da cobiça e pilhagem. Os malandros, com o amadurecimento das frutas, planejaram incursões noturnas ao local. Estes, a semelhança do proprietário, almejaram degustar uma e outras boas melancias. As volumosas frutas constituiam-se num convite a transgressão.
O roubo de melancias, no círculo colonial, era uma brincadeira e prática costumeira. Os plantadores, na proporção de não danificar/estragar, davam a mínima (com o sumiço de algumas). A abundância e fartura, de maneira geral, nem denunciava a falta de umas e outras. Alguns apreciadores, de boas distâncias, advinham na surdina para incursionar nas lavouras alheias. A prática, no primeiro conchilo do plantadores, acontecia nas caladas do dia e, de preferência, nos finais de semana.
O proprietário, da beira da estrada geral, resolveu assustar e inovar na criatividade e proteção. Este, próximo ao amadurecimento das graúdas frutas, resolveu instalar uma placa. Esta, como aviso geral aos pedestres, continha/dizia: “- O local tem duas frutas envenadas!” Os larápios, em potencial, depararam-se surpresos com o inesperado alerta. Estes, num pré-combinado de semanas, viram-se afrontados e desafiados nas pretenções. A dúvida crucial: Quais seriam as envenadas? A desconfiança certamente recaia sobre as esbeltas e graúdas.
As dúvidas e opiniões, sobre o pré-estabelecido, mantinham-se acirradas e variadas. Um participante, numa altura, sugeriu dar a contrapartida. A turma, numa cortesia/gentileza inoportuna, confecionaram seu aviso. Esta continha o seguinte alerta: “- Agora tem seis envenadas!” O dono/plantador certamente assustou-se com a informação. Quais seriam essas? Algum produto impróprio injetado no interior das frutas.
Os dois avisos, como alerta geral, permaneceram afixadas umas boas semanas. As melancias, de dar água na boca (no sabor dos dias quentes de verão), eram um chamarisco ao apetite e consumo. O pessoal, de maneira geral, temeu a inconveniência. O tempo transcorreu no cenário de boa produção. As frutas, no entanto, apodreceram literalmente no local. Nenhum consumidor ousou arriscar a incorrer numa excepcional indisposição (estomagal e diarreia).
O curioso, no cruzamento posterior das informações, relacionou-se a realidade dos fatos. Os autores descobriram que nenhuma fruta tinha sido contaminada. As partes, numa ingenuidade mútua, ousaram pregar-se uma peça. Uma lástima, de dar dó, o desperdício daquela majestosa dádiva agrícola.
A ganância de uns atrapalha seu próprio bem estar. Quaisquer peças, cedo ou tarde, revertem em auto-prejuízos. As melancias, nas colônias, deram origem a inúmeras histórias e relatos pitorescos. Os doadores, para darem algum bem, devem fazê-lo com carinho e satisfação.
Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: http://ahortadocouto.blogspot.com.br

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Um desleixo urbano



Uma área, no lado duma empresa, cedo conheceu uma inconveniência. Aquele incômodo, comum nas periferias urbanas, da desova de lixo. Os moradores, na surdina, “tratavam de descarregar suas porcarias”. Um punhadinho no começo, em questão de semanas, tornou-se um amontoado/espalhado de imundícies. O proprietário, morador doutra cidade e num eventual cuidado, fazia descaso da situação da desova.
Uma empresa, como vizinhança, funcionava no lugar. O dono, diante do alheio, mantinha o desinteresse. A despreocupação era comum com o criatório de aranhas, moscas, roedores... O cheiro impróprio, nos dias de intenso calor, faziam-lhe indiferença no ambiente. Um conhecido, no seu entender inconveniente, até cobrou-lhe alguma providência (diante do descaso com o depósito clandestino). Ele, como contribuinte, pensou no município dar um jeito nesse material.  O pagador de impostos, nada baixos, mantinha desobrigação com relação a realidade imprópria.
Os dias quentes e secos achegaram-se no sabor do verão. Outro domingo ensolarado e tranquilo sucedeu-se em meio a sucessão de dias. A vontade familiar foi de “colocar os pés na estrada”. A preocupação foi de curtir a convivência e desligar-se das obrigações de rotina. Algum pedestre, neste ínterim, passou certamente pelo local do depósito. Este, com aquele cheiro e visual inoportuno, atirou (na discrição) algum  pitoco de cigarro. Este, como camarada inconsequente, “foi-se ao mundo”. A ação foi criando e espalhando fumaça negra. As labaredas, numa hora, tomaram vulto e o lixo ia sendo consumido.
Algum amigo, ao dono da empresa, cedo telefonou. Este relatou o fato e o perigo iminente. As ameaças eram veementes do fogo alastrar-se na direção do prédio da empresa. O proprietário, de longa distância, “adveio correndo a mil” para acompanhar o quadro. Os bombeiros foram acionados e debruçaram-se para evitar maiores consequências. Um incêndio generalizado poderia tomar vulto em função dum simples descaso. O lixo: todos produzem-o e ninguém deseja tê-lo próximo. O susto e o temor foram grandes com perdas maiores. A sorte ainda ajudou para evitar algum desastre maior.
Uns aprenderam a dura lição da destinação própria. Os donos não podem permitir macegas próximo as redondezas dos prédios. O patrimônio, angariado com tamanho suor e trabalho, poderia ter ido pelos ares num piscar de olhos. Um simples relapso poderia ter causado danos incontáveis. Qualquer morador, no lugar do seu habitat, é um dos responsáveis pelo espaço. O ente público não dá conta de abraçar todas as necessidades. Os terrenos desabitados, no contexto urbano, cedo tornam-se um “problemão” (como criatórios e depósitos clandestinos).
As pessoas criam-se problemas onde inúmeras vezes inexistem. Os lixos e plásticos, como problemática, acabarão suavizados na proporção do emprego exclusivo de materiais biodegradável. Os cuidados dados as imundícies, em quaisquer ambientes, retratam o real nível cultural dos ocupantes do espaço. O cidadão, em qualquer ambiente e contexto, precisa fazer sua parte (mesmo que os outros relegam sua porção). O ente público, diante das muitas e variadas necessidades e obrigações, carece de poder atender a gama de exigências.

Guido Lang
”Singelas Histórias do Cotidiano Urbano”

                                                    Crédito da imagem: http://tribunadonorte.com.br  

O caminho da vida



No caminho da vida, existem paisagens para serem apreciadas, horizontes para se medir a distância e curvas fechadas que podem nos precipitar nos abismos.
Devagar também se chega, com a vantagem de correr menos riscos, ferir-se menos e suportar as quedas com menos sofrimento.
Isso permite retornar a jornada com mais rapidez e aí consiste a eficácia da caminhada que certamente oferecerá um produto final com maior conteúdo de sabedoria.
Essa é a essência.
Uma vez completada a jornada, o fim perde em importância.
Ficam as lições da caminhada e elas precisam ser assimiladas.
Portanto, não tenha pressa, pois, quase sempre, indo devagar, chegaremos mais rápido.

Legrand (dados biográficos desconhecidos)

Crédito da imagem: http://caminhomesquita.wordpress.com

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Se nada der certo


Se nada der certo,minha esperança se renova no amanhã!
            Se alguma coisa deu errado, experimente fazer diferente da maioria das pessoas:
Comemore!
Se algo não dá certo, as pessoas se desesperam, entram em conflito interior, perdem o humor e ficam estressadas.
Não percebem que as experiências ruins forjam a sabedoria e nos dão o necessário conhecimento para crescermos na vida.
São como vacinas que vão imunizando o nosso espírito e a nossa mente, tornando-os resistentes a males semelhantes no futuro.
Quando nada acontece diante das nossas ações, só o futuro pode precisar se tomamos a decisão certa; mas, quando as coisas não dão certo, temos a vantagem de descobri-las no exato momento em que estão acontecendo.
Isso nos dá um grande trunfo e nos permite fazer opções.
Mudar o caminho, pensar em soluções, refazer os planos ou simplesmente saber que não deu certo.
Nesse caso, temos o conforto de saber que novas oportunidades vão surgir todos os dias em nossas vidas e é preciso estar atento para poder enxergá-las.
Com a esperança renovada por novos valores em substituição às perdas ocorridas, estaremos melhor preparados a cada revés e a cada frustração e saberemos , enfim, qual caminho evitar e qual caminho tomar para chegarmos aonde está o nosso coração.

Legrand (dados biográficos desconhecidos)

Crédito da imagem: http://odeincompletaepoetica.blogspot.com.br