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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Um conselho paterno


Um certo camarada, como estudante, passou vinte três anos nos bancos escolares. Escutou, nestes longos anos de formação e instrução, “umas e outras muito boas e interessantes”. Inúmeros professores deram-lhe uma gama de conhecimentos, conselhos e conteúdos  Pouco desse muito, na vida real, conseguiu colocar em prática. Este, com relação as dezenas de profissionais da educação, descobriu cedo uma realidade. Os discursos e teorias pouco fechavam com as práticas. Os professores, como quaisquer outros humanos, gostavam e interessavam-se demais pelo dinheiro.
O trabalho, como profissional da educação, levou outros vinte e cinco anos. Algumas centenas de alunos passaram-lhe pelas mãos. Precisou, para manter-se no posto, acompanhar e obedecer os inúmeros modismos educacionais e resoluções. Sai administração e entra governo: alternância de resoluções e mudanças de rotas. Muito discurso e propaganda em quaisquer gestões. Índices incoerentes com a eficiência e qualidade educacional. Os alunos, para quem quer, tem todos as chances e oportunidades de aprimorar e desenvolver os dons e habilidades. Obrigou-se, como qualquer assalariado da educação, a vender o serviço do conhecimento (na sua área e disciplina de formação). Uma lição assimilada nos anos: muita compreensão e paciência com os filhos alheios. Priorizar e procurar a amizade  e o diálogo na convivência educacional. Os conselhos consistem em falar com amor. A prática cotidiana particular necessita fechar com o ensino das teorias. Os atos e gestos do educador refletem-se na credibilidade dos conteúdos. O profissional, no sim ou no não, tem a necessidade de detalhar e exemplificar as respostas.
O cidadão, como pai de família, obrigou-se a dar conselhos aos filhos. Eles, como recomendação, deveriam continuar a formação familiar e priorizar os estudos. O conhecimento e o trabalho realizam maravilhas, portanto, a necessidade de desenvolver o amor e a paixão por estes. A necessidade de conciliar o gosto e a vocação profissional com razão de ganhar o “pão de cada dia” (com a maior facilidade). A recomendação de não insistir em empreendimentos do seu desinteresse. Ouvir para assimilar o básico nisso. Procurar  em seguir a “própria estrela/norte” em vez de querer imitar outros. Aproveitar as chances e oportunidades, pois “o cavalo encilhado nem sempre passa pela vida”. Viajar muito para aprimorar a escola prática, pois é sempre melhor ver do que meramente ouvir. Aprender a conviver com todo tipo de gente, do cidadão mais humilde ao mais graduado, com razão de extrair lições da sua experiência e verdade. Confiar, desconfiando das pessoas e apreciar as entre-linhas das conversações/o dito e o não dito das conversas.
O pai-professor, aos rebentos, externou: “- Peguem os conteúdos interessantes e válidos. Esqueçam de perder espaço e tempo com o inútil. Dos professores, observam bem as  práticas e pouco ouvidos deem aos discursos. Estes, como a maioria dos próximos, sofrem dos idênticos problemas: carência monetária. O maior segredo, de toda essa história, consiste em bem gerenciar e multiplicar os recursos. Eles movem toda a engrenagem e, a maioria, falha neste item. As mãos milagrosas multiplicam os dividendos, enquanto as imprudentes desperdiçam o angariado. Gastem o necessário no bem estar, porém jamais desperdicem. O desperdício aumenta nossas necessidades de trabalho. As pessoas, entre elas, tem uma única diferença: ter ou não ter o monetário. Todas, com nenhuma exceção, adoram um bom cardápio e dinheiro fácil. A vida é nossa única real propriedade, portanto valorizam-a como pérola divina. Abstenham-se dos vícios, pois eles nos escravizam e matam. Sejamos senhores do próprio corpo e Deus tem propósitos maiores com nossa passagem terrena. Jamais lamentem acontecimentos! Estes também tem uma razão de nos conduzir e orientar”.
Os filhos ouviram e refletiram sobre os conselhos duma existência. O seguir ou não o receituário cabe a cada qual. Uns aceitam e outros rejeitam o proposto, porém cada qual tinha a chance de encurtar caminhos e experiências. Uma boa conversa e bom conselho é uma dádiva divina. Poucos encorajam-se a dizer a realidade dos fatos. Filhos, para uma boa criação, precisam ser bons amigos e parceiros. Nada de submissão e temores paternos. Os exemplos, na família, norteiam os seus passos da existência.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem: conscienciadeviver.blogspot.com

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A vida tem valor



Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes, não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas do hoje, porque o terreno do amanhã é por demais incerto para os planos e o futuro tem costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não importam ... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais ...
Descobre que leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas num instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
Aprende que não precisamos mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a ultima vez que a vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para tornar a pessoa que se quer e que o tempo é curto ...
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, porém se você não sabe para onde está indo, qualquer ligar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão e que ser flexível não significa ser fraco ou não Ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que a pessoa que você espera que o chute quando você cai, pode ser a única que o ajude a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que aprendeu com elas, do que quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais de sues pais em você do que supunha ...
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

William Shakespeare (1564-1616)

Crédito da imagem: mensagensdeus.blogspot.com

As excepcionais carnes


Um churrasco, no passado, era sempre um acontecimento especial. Os moradores, nos eventos comunitários, afluíam dos cantos e recantos da localidade (com razão de degustar  boa carne). Inúmeros já faziam caso duma excelente galinhada e imagina então duma churrasqueada. Esta, regada a bebidas e saladas, costumeiramente era de origem bovina ou suína. Os assados, na atualidade, tornaram-se uma prática domingueira (nos seios familiares). Assar alguma carne ostenta-se um alívio às senhoras na cozinha e a incumbência dos maridos em fazê-lo nas churrasqueiras.
Um certo cidadão, nas colônias, começou a namorar determinada moça. Os apaixonados, de famílias tradicionais, conheciam-se desde a infância. O namoro, nas idas e vindas, tinha tido a duração de algumas poucas semanas. Os pais, da moça, primeiro necessitaram dar o aval do relacionamento. O jovem, dali em diante, pôde passar a frequentar a casa. Este, a cada final de semana, encontrava-se no lar da enamorada. A família, do genro em potencial, pode conhecer facetas das manhas e virtudes. O rapaz, entre as várias vocações, salientava-se na habilidade de exímio caçador.
Um certo dia, depois duma boa convivência,  adveio o convite de degustar um churrasco (na casa do rapaz). Os pais da moça, em alta consideração e estima, procuraram dedicar um momento especial à visita. As duas famílias reforçariam vínculos com a excepcional refeição. O prato, num domingo, não poderia ser outro: o tradicional churrasco. As residências, em quaisquer moradias, improvisam ou possuem um lugar próprio aos assados. Aquele lar, com churrasqueira ou forninho, não podia ser diverso. A preocupação, com a visita inicial, estaria numa boa convivência e conversação. O aperitivo, no ínterim do preparo do assado, atiçava o estômago ao apetite.
O rapaz, como não poderia deixar de ser, procurou caprichar nas carnes e temperos. Uma abundância e diversidade para o escasso número de pessoas. Algum carvão especial, a base da acácia ou angico, constituiu boa brasa. Alguma caipira, com cachaça de alambique e limão taiti, para agradar convidados. As brincadeiras e conversas, com camaradagem e gargalhadas, rolavam soltas. Os homens, no ínterim, assentaram-se na beira da churrasqueira. O objetivo consistia em fazer assar as carnes. As mulheres, no interior da cozinha, tinham preparado as saladas e sobremesas. Afinal, numa visita dessas,  nada poderia faltar! A animação, acrescida da fofoquinha, piada e risada, rompia a rotina da calma e silêncio (tão comum nos dias da semana). Os espetos, estendidas sobre as brasas e repletos de cheirosas carnes, “traziam o aroma ao nariz e convite ao paladar”.
O cheiro exalava pela propriedade e vizinhanças. A cachorrada, lá adiante, prescindia a oportunidade de degustar alguns bons ossos. Os gatos, comis diversos cheiros, mantinham-se abusados e irrequietos. Alguns restos, nalguns pratos, certamente sobrariam. A dificuldade, com tamanha fome, era aguardar o momento oportuno. Alguma gordura respingada ou migalha descartada via-se cheirada e lambida. Alguma ousada galinha (caipira) achegava-se para querer tirar algum naco. Esta atiçava seus instintos carnívoros dos outrora dinossauros.
O tempo transcorreu e adveio o aviso. A carne pronta e adveio o assento a mesa posta.  A ceia, precedida de alguma oração rápida de agradecimento, levou o pessoal avançar sobre o cardápio. Um alimento dos deuses! Uma ceia de Kerb! Os elogios, do sabor das diversas carnes, não faltaram por parte dos hóspedes. O desafio era experimentar um naco de cada parte. Todos, em meia hora, viram-se fartados e satisfeitos. Uns tiveram a inconveniência de exagerar nas quantidades. Ceia concluída, adveio o momento da caminhada e posterior cesta. Uma forma complementar a digestão e revigorar os ânimos.
O visitante, neste passeio, interroga sobre a gama de carnes. O agrado, como curiosidade, merecia uma boa referência. Este pediu o nome daquele e desse pedaço. O provável genro, de bom grado, disse-lhe: “ - Aquela branca era de rã; outra mais avermelhada de tatu; alguma mais mole de rabo de lagarto; estas de aves incluía araquã, pombo, saracura... Uma diversidade exótica, típica da fauna regional, para reforçar o vigor dos instintos. O pessoal fala muito dessa variedade de carnes deixar o camarada ativo às intimidades sexuais”. O sogrão, diante do exótico, “deixou cair o queixo”. Este almejaria ter vomitado aquele cardápio. Algo impensável, para sua compreensão dos padrões coloniais, “ degustar bicharedo peçonhento”.
O indivíduo, que espera o excepcional, acaba surpreendido pelo esdrúxulo. Elogios antecipados incorrem em equívocos posteriores. O deleitoso da gente não é necessariamente o saboroso do alheio. Certas realidades, uma vez concretizadas, inconvém comentar.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: paranaagronegocio.blogspot.com





domingo, 17 de fevereiro de 2013

À Espera dos Bárbaros


           O que esperamos na ágora reunidos? É que os bárbaros chegam hoje. Por que tanta apatia no senado? Os senadores não legislam mais? É que os bárbaros chegam hoje. Que leis hão de fazer os senadores? Os bárbaros que chegam as farão. Por que o imperador se ergueu tão cedo e de coroa solene se assentou em seu trono, à porta magna da cidade? É que os bárbaros chegam hoje. O nosso imperador conta saudar o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe um pergaminho no qual estão escritos muitos nomes e títulos. Por que hoje os dois cônsules e os pretores usam togas de púrpura, bordadas, e pulseiras com grandes ametistas e anéis com tais brilhantes e esmeraldas? Por que hoje empunham bastões tão preciosos de ouro e prata finamente cravejados? É que os bárbaros chegam hoje, tais coisas os deslumbram. Por que não vêm os dignos oradores derramar o seu verbo como sempre?

Konstantinos Kaváfis (1863-1933)

Crédito da imagem: historiamundo.com

O apego a terra


Um ancião, com a vida dedicada a agricultura de subsistência, mantinha um profundo  amor a terra. A propriedade, num capricho e dedicação ímpar, fornecia os ganhos e o sustento familiar. Este, desde o momento de conceber-se como gente, assimilou o amor ao lugar e a tradição  do trabalho. O gosto e a vocação nunca permitiu desvencilhar-se do manejo da terra.
A propriedade, localizada numa encosta de morro, dificultava a locomoção e mecanização. O trabalho maior era a base da tração animal e braçal. O solo, de maneira geral, viam-se ocupado com uma diversidade de culturas. O agricultor, de várias plantas domesticadas, procurou cultivar  um pouco (com vistas ao auto-sustento). Exemplos, entre as várias culturas, foram o aipim, amendoim, arroz, feijão, frutífera, fumo, hortaliça, milho, verdura... As criações principais envolviam aves, gado (tambo), porcos...
Os anos e décadas transcorreram em meio as judiadas e penosas jornadas. A idade trouxe o peso dos anos/velhice. O trabalho braçal, nas encostas das elevações, tornou-se impróprio e  inviável. Algum rebento, sem maior interesse e vocação, precisou assumir a propriedade. A solução, em função do descaso, foi comercializar parte do lote e outra reservar a silvicultura. O ancião, na porporção dos anos, obrigou-se a morar na cidade. Algum filho assumiu a incumbência de ampará-lo (nos dias finais e penosos). A labuta tornou-se uma completa inviabilidade e sobraram lembranças dos tempos do vigor físico.
O cidadão, no desfecho da existência, efetuou um último pedido (num dia desses). Este, numa certa oportunidade, queria refazer a visita a velha propriedade. O desejo ardente de rever a antiga moradia e terras. O ancião, na proporção da presença, apreciou as lavouras de cereais, olhou as diversas frutíferas,  reparou matos (nativos e reflorestados), viu as colmeias encaixotadas... O desfecho, num último olhar, consistiu numa visão panorâmica sobre o lugarejo. A localidade, na amplidão e formossura, entendia como dádiva divina. Deus, Todo Poderoso, tinha-lhe sido generoso pela oportunidade de passar anos tão bons neste explêndido lugar foi seu comentário.
Um filho, num domingo ensolarado, tinha-lhe feito a gentileza do passeio colonial. O senhor comentou e narrou algumas reminiscências. Inúmeras experiências e histórias pitorescas do passado rural ainda foram narrados e relatados. Os familiares e moradores, em diversas momentos das conversas informais, tinham ouvido falar de acontecimentos e fatos. Uns  poucos dias transcorreram da visita. O filho das colônias baixou a sepultura para o seu repouso derradeiro. Este, sem antes rever sua antiga paragem (numa última ocasião), não pôde fechar os olhos e o livro da existência. O apego a terrinha, apesar das dificuldades de toda ordem foi necessária (com razão do descanso sereno e a paz de espírito).
O colono, em função das criações e plantações, mostra-se um cidadão aficcionado e apegado a terra. A propriedade, no item qualidade de solo e presença de fontes, revela seu maior patrimônio. Uns coloniais, no seio dos solares, tiveram o privilégio de nascer, crescer, viver e perecer no torrão familiar (na idêntica casa, pátio e propriedade). O cenário de moradia ostenta-se um reflexo do espírito dos seus ocupantes. A dignidade e qualidade de vida consiste em conciliar os confortos da cidade com a natureza das colônias.
Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem:   parasalvarvidas.blogspot.com

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A mulher


É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, “gosta de futebol”, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranquila e saudável, é desencanada e adora dar risada.
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e dai?
Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução.
Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade!

Arnaldo Jabor (1940-___)

Crédito da imagem: www.drmarcelolips.com

A crença nos gatos


A presença de roedores, no cotidiano das propriedades, obriga os coloniais a adotarem gatos. Estes, junto a cachorrada, são uma presença nos seios familiares. Os felinos, de maneira geral, são os únicos animais domésticos com acesso ao interior das moradias. Eles, em função de hábitos e mimos, assemelham-se a membros familiares. Eles, nos horários determinados/próprios, querem a devida atenção, carinho e trato.
As moradias, na ausência de gatos, cedo vêem-se infestados de ratos. Estes, dos brejos, lavouras e matos, afluem em direção do interior das instalações. A proliferação ostenta-se geométrica/meteórica. Algumas ninhadas, em dias e semanas, infestam ambientes inteiros. Uns moradores insistem nas diversidades de venenos. Eles gastam fortunas e nada de extinguir a indecência/praga. Uns poucos roedores morrem e outros “tiram a lição da abstinência/perigo”.
A esperteza da espécie revela-se acentuada e há alguns membros parece faltar somente a fala. Os proprietários, nos lugares menos imaginados e próximos, encontram as ninhadas. Pode-se, em curtas palavras, dizer: “- debaixo dos próprios pés ou nariz”.
A solução, como economia e eficiência, consiste em adotar alguns poucos gatos. Estes, com sua mera presença, impõem o controle da população e ensinam o devido respeito aos ratos. O simples miar serve de pretexto para procurar outros ambientes e espaços. Os donos precisam optar entre a inconveniência dos ratos ou a ousadia dos gatos. Estes, em quaisquer espaços, costumam afiar as unhas e largar pêlos.
A espécie felina cedo multiplica-se em vários membros e os donos não conseguem criar todos os filhotes. As brigas dos machos, nas caladas das noites, tiram o sono de quaisquer viventes. Estes estabelecem brigas homéricas em função das fêmeas. Os proprietários resolvem-se um problema e cedo criaram outro (como mostra-se comum nos diversos afazeres em geral da vida).
Os felinos possuem uma astúcia e ousadia ímpar. Estes, como animais domésticos e pacíficos (na aparência), podem em segundos tornarem-se feras. Quaisquer ameaças e perigos transformam-nos em animais agressivos e violentos. Estes, em função de comida, tornaram-se adversários ferozes da cachorrada. As duas espécies, na convivência dos seios familiares, cedo entram em conflitos e desentendimentos. As espécies suportam-se, porém não se amam.
Uma crendice formou-se em relação aos criadores e gatos. As pessoas, de boa formação e índole, costumam adorar e mimar os felinos. As partes vivem numa afinidade espiritual muito grande. Os elementos, de espírito deturbado/impróprios, conforme a versão da experiência colonial, teriam extremas dificuldades de estabelecer bons relacionamentos e vivências. “Os falcatruas” testariam os animais (sobretudo no interior das moradias e pátios). A agilidade e astúcia felina incomodaria assim como os animais pressentiriam o mau gênio. A extrema sensibilidade animal detectaria os maus presságios.
Outra concepção colonial, na tradicional convivência, estaria ligada a sorte. Esta crença consiste: “Quem maltrata os gatos, pouca sorte ostentaria nos empreendimentos e negócios”. Um fato, “na observação dos bastidores das famílias”, repara-se nos inúmeros lares do meio colonial. Quaisquer animais domésticos, a grosso modo, são o perfeito retrato do espírito dos seus donos. As dificuldades e a pobreza, na tradição oral, costuma instalar-se em quem desgosta e maltrata os bichos. Estes, não por mera casualidade, foram considerados, numa época, como deuses no Antigo Egito.
O indivíduo, em harmonia com os espíritos menos evoluídos, ganha facilidades em sintonia com os mais instruídos. Gatos, para os aficionados criadores, inspiram lições de agilidade e esperteza. Os felinos, na proporção de habitarem certos ambientes, costumeiramente apegam-se as casas.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: noticias.r7.com