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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Os recantos frescos


     As famílias coloniais, no contexto da ocupação dos lotes, trataram de descobrir água.  Alguma nascente com vista de abastecer a principiante propriedade. A carência obrigava a redimensionar o local da instalação. Famílias e criações exigiam abundância do líquido da vida.
    A canalização da água das fontes, nos primeiros anos de instalação, criou um bálsamo/maravilha no ambiente dos pátios coloniais. Diversas famílias canalizaram os poços na direção destes.  A água, de uma forma abundante e constante, escorria pelo cenário.  Animais e humanos abasteciam-se e se refrescavam na maior fartura. O barulho do líquido, armazenado em tanques (geralmente edificados com pedras), davam ares da graça. Os ambientes viam-se umedecidos com a contínua presença do líquido. Ares de semelhança com cursos fluviais tomaram vulto. Chamarisco para uma gama de espécies da fauna silvestre.
   A existência da água, com a presença de algum capão de mato ou construção própria, criou os recantos frescos. Algum lugarzinho específico para assentar-se às conversas (no sabor do pique do verão). O líquido deixava o ambiente fresco e umedecido. A respiração tornava-se mais própria nos instantes da baixa umidade relativa do ar. Os familiares e vizinhos, nos momentos de maior inclemência solar, tratavam de refugiar-se no ambiente (para animadas conversações). Podia-se conversar e debater os assuntos e temas mais diversificados. Os acontecimentos comunitários sempre ganhavam uma atenção excepcional.
     Poucos pátios, na atualidade, preservaram esses refúgios artificiais, que, na prática, “externam facetas do paraíso”. A água escorre como fosse uma fonte permanente, que tenta cumprir sua sina de abastecer/saciar animais e plantas.  Ave, cães e gatos são os primeiros a acorrer ao lugar para satisfazerem sua sede. Humanos, na primeira necessidade, tratam de lavar-se e limpar utensílios. Qualquer necessidade d’água vê-se extraído no reservatório próprio, que, de forma contínua/permanente, enche e escorre a céu aberto. As fontes, nas suas dádivas constantes, “tratam de fazer o bem sem olhar a ninguém”.
   Singelas bênçãos, da realidade colonial, tornam esse cenário exclusivo e ímpar. O morador, a seu belo prazer, precisa implantar maravilhas, que fazem-no sentir-se bem e feliz naquele recanto. Quaisquer pátios, no contexto das colônias, são um retrato do estado de espírito dos ocupantes. Os espaços necessitam ser humanizados às melhores dignidades e qualidades  de vida dos seus habitantes.

Guido Lang
Livro "Histórias das Colônias"
(Literatura Colonial Teuto-brasileira)

Crédito da imagem: http://olhares.uol.com.br/agua-corrente-ou-nao-foto3282000.html 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A habilidade dos especialistas

    

     Um certo morador, depois de uma década de suado trabalho, pode finalmente construir a sua casa.  Procurou, nesses anos todos, fazer reservas monetárias, que lhe pudesse permitir comprar os materiais à vista. Um bom desconto, nestas horas de aperto financeiro, representa um especial alívio, no que pode fazer mais com menos. 
   Achegou-se a época de iniciar os trabalhos, quando já tinha ganho uma área dos pais. Desconhecia maiores habilidades de construção assim como nem tinha mão de obra para isso. A solução foi informar-se da eficiência alheia, no que, no engenheiro, comprou a planta e, no pedreiro, a execução. Ele nas férias e finais de semana, foi o próprio ajudante, porque, como adepto dum princípio achava-se ‘‘que a mão de obra do dono abençoa o trabalho, como o esterco angaria as bênçãos divinas’’.
   As semanas transcorreram e o vulto tomava forma. A companheira, como auxiliar, ocupava-se com o fogão e tarefas leves. O essencial, no sonho familiar, consistiu do casal falar-se às alegrias e dificuldades, assim como conhecer o valor do empreendimento. Quem o edifica com as próprias mãos curte mais os prazeres assim, na manutenção, não deixa o desleixo tomar conta (no futuro).
  O exemplo aplica-se a qualquer contexto duma obra excepcional. Valer-se do especialista, de confiança, na proporção de inexistir habilidades para determinadas tarefas. Converse e pesquise profissionais; ouça ideias antecipadas e daí, decidido, parte para a execução. O desconhecimento não é motivo de vergonha porém ignorância consiste em deixar de se informar e tratar. A casa, na vida de inúmeras pessoas, consiste na obra ímpar da existência, quando o cidadão não pode dar-se ao luxo de equivocar-se e desperdiçar. Qualquer edificação encontra impregnada, no interior da aparência e peças, as concepções dos seus construtores.
   O esperto cerca-se do entendido, enquanto o preguiçoso faz de quaisquer maneiras! Os atropelos e encargos, no contexto de uma construção, conhece-se somente na proporção de ter construído nalgum momento. O vergonhoso não está no desconhecer porém no fato de não querer saber!
Guido Lang
Livro ‘’História das Colônias’’
(Literatura Colonial Teuto-brasileira)

Crédito da imagem: http://novafriburgo.olx.com.br/escritorio-de-advocacia-em-nova-friburgo-e-no-rio-de-janeiro-iid-81068974 

Mantras do Nepal

   
 1. Não acredite em tudo o que ouve e não gaste tudo o que tem.
 2. Lembre-se que grandes amores e grandes conquistas envolvem grandes riscos.
 3. Quando perder, aprenda a lição. Quando cometer um erro, corrija-o.
 4. Dê às pessoas mais do que elas esperam.
 5. Abra os braços para as mudanças, mas não a mão de seus valores.
 6. Lembre-se que às vezes o silêncio é a melhor resposta.
 7. Leia sempre o que está nas entrelinhas.
 8. Reze. Há um poder imensurável na oração.
 9. Julgue seu sucesso pelas coisas a que teve que renunciar para atingi-lo.
10.   Reparta o seu conhecimento. É a forma de alcançar a imortalidade.
11. Usufrua o amor e a culinárias com entrega total.
12. Confie em Deus, mas tranque sua casa e seu carro.

Obs.: Mantra significa pensamento em sânscrito no Budismo e Hinduísmo.
(Fonte: Almanaque Iza, Ano 2001, págs 15)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Aristóteles Onassis


 Talvez eu venha a envelhecer rápido demais. Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.
 Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer de minha vida. Mas farei que elas percam a importância diante dos gestos de amor que encontrei.
 Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais. Mas jamais irei me considerar um derrotado.
 Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda. Mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.
 Talvez um dia o sol deixe de brilhar. Mas então irei me banhar na chuva.
 Talvez um dia eu sofra alguma injustiça. Mas jamais irei assumir o papel de vítima.
 Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos. Mas terei humildade para aceitar as mãos que se estenderão em minha direção.
 Talvez numa dessas noites frias, eu derrame muitas lágrimas. Mas não terei vergonha por esse gesto.
 Talvez eu seja enganado inúmeras vezes. Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha confiança.
 Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros. Mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.
 Talvez com o decorrer dos anos eu perca grandes amizades. Mas irei aprender que aqueles que realmente são meus verdadeiros amigos nunca estarão perdidos.
 Talvez algumas pessoas queiram o meu mal. Mas irei continuar plantando a semente da fraternidade por onde passar.
 Talvez eu fique triste ao concluir que não consigo seguir o ritmo da música. Mas então, farei que a música siga o compasso dos meus passos.
 Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris. Mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.
 Talvez hoje eu me sinta fraco. Mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.
 Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias. Mas terei a consciência que os verdadeiros ensinamentos já estão gravados em minha alma.
 Talvez eu me deprima por não ser capaz de saber a letra daquela música. Mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.
 Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações. Mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas.
 Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se a minha companheira. Mas ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo.
 Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser. Mas passarei a admirar quem sou. Porque no final saberei que, mesmo com incontáveis dúvidas, eu sou capaz de construir uma vida melhor.
 E se ainda não me convenci disso, é porque como diz aquele ditado: “ainda não chegou o fim”. Porque no final não haverá nenhum “talvez” e sim a certeza de que a minha vida valeu a pena e eu fiz o melhor que podia.

Aristóteles Onassis (1906 – 1975)

Crédito da imagem: http://rumos.org/?p=121

A vaca atolada

    A tradição oral narra a história de um desleixo familiar! Uma tragédia momentânea abateu-se no ambiente da criação. A correria e piedade não faltaram diante do imprevisto.
  Um determinado lugar, no interior do potreiro, ostentava um poço. Uma família, nos primórdios da colonização, abrira uma fonte. O buraco, cercado com tijolos no seu interior (com razão da terra não desmoronar), viu-se descoberto com o tradicional tampão. A falta da água, em função da estiagem, fez o bicharedo procurar pelo valioso líquido. Os animais, com os instintos apurados, a boas distâncias sentem sua presença.
   O idêntico certamente aconteceu com a vaca Mimosa. Ela, por algum descuido, foi-se buraco adentro na proporção da procura. Esta, com a proximidade da ordenha, viu-se ausente e iniciou-se a correria por ela. O dono logo pensou: -“Não deu outra! Caiu num buraco!” Averiguou os fatos e confirmou o sucedido. Cedo pediu por auxílio nalguma vizinhança. O barulho, das conversações, cedo atraíram mais e mais gente. Os curiosos, num momento impróprio desses, nunca faltaram. Iniciaram os inúmeros comentários e sugestões sobre procedimentos. Quê fazer? Matar o bicho? Fechar o buraco? Alguém logo saiu dizendo: “- Encontra-se certamente de pescoço quebrado! Estando velha pouco prejuízo financeiro dá!”.
   O proprietário pensou e repensou a situação. As retrós, nos idos da colonização, nem se fazia ideia. A solução, com a assistência dos inúmeros ditos ajudantes/prestativos, foram de enterrar o animal. Colocar terra para preencher o espaço. Diversos auxiliares improvisados, com enxadas, pás e picaretas, iniciaram os trabalhos. Porções de terras, no estreito e profundo buraco, foram sendo inseridos. O animal, pela surpresa generalizada e astúcia de vida, ia subindo na proporção do aterro. O fato surpreendeu a todos; acelerou os trabalhos da realização da tarefa e, depois de umas boas horas de labuta noite adentro, salvou o bicho. Acabou, graças a inteligência e o instinto de sobrevivência, poupada do infortúnio do sacrifício.
   Criou-se, a partir do sucedido, o tradicional dito comunitário e muitíssimo conhecido (entre os dialetos germânicos do Hunsrüch, sapato de pau/westfaliano e pomerano): “A pessoa pode estar idosa a semelhança de uma vaca velha, porém continua sempre aprendendo um algo a mais”. Os ditos populares, advindos da convivência cotidiana, costumam ostentar uma excepcional e variada sabedoria.
Guido Lang
Livro ‘’História das Colônias’’
(Literatura Colonial Teuto-brasileira)

Crédito da imagem: http://www.baixaki.com.br/papel-de-parede/18367-vaca.htm

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Hoje eu acordei para vencer

  1. Pensando positivo, você reunirá forças para vencer obstáculos;
  2. Envolva-se pela música;
  3. Comece a sorrir mais cedo;
  4. Ao invés de reclamar quando o relógio despertar, agradeça a Deus pela oportunidade de acordar mais um dia;
  5. Fale de coisas boas, de saúde, de sonhos, com quem você encontrar;
  6. Não se lamente, ajude as outras pessoas a perceber o que há de bom dentro de si;
  7. Não viva emoções mornas ou vazias;
  8. Cultive seu interior, extraia o máximo de pequenas coisas;
  9. Seja transparente e deixe que as pessoas saibam que você as estima e precisa delas;
  10. Repense seus valores e dê a si mesmo a oportunidade de crescer e ser mais feliz;
  11. Tudo o que merece ser feito, merece ser bem feito;
  12. Não trabalhe só por dinheiro e sim pela satisfação da “missão cumprida”;
  13. Lembre-se, nem todos têm a mesma oportunidade;
  14. Seja criativo, buscando alternativas e apresentando soluções ao invés de problemas;
  15. Veja o lado positivo das coisas;
  16. Não inveje, admire;
  17. Seja entusiasta com o sucesso alheio como seria com o seu próprio;
  18. Ocupe o seu tempo crescendo, desenvolvendo sua habilidade e seu talento;
  19. Não acumule fracassos e sim experiência;
  20. Dimensione seus problemas e não se deixe abater por eles;
  21. Tenha fé e energia, acredite;
  22. Você pode tudo o que quiser;
  23. Não viva só para o seu trabalho, tenha outras atividades paralelas;
  24. O trabalho é uma das contribuições que damos para a vida, mas não se deve jogar nele todas as nossas expectativas e realizações;
  25. Finalmente ria das coisas em sua volta, ria de seus problemas, de seus erros, ria da vida.
Aristóteles Onassis (1906-1975)


Crédito da imagem: http://pedrodaveiga.blogspot.com.br/2009/07/t-l-v-e-z.html

Os velhos trabucos


   
  Um hábito centenário consistia em carregar as carabinas. Elas, no interior de carretas e carroças, viam-se carregadas no assoalho dos veículos. Encontravam-se, na primeira emergência, ao alcance da mão.
   Os artefatos poderiam ser usados como defesa contra inimigos naturais. Exemplo: contra eventuais bichos peçonhentos. Alguma caça especial poderia ser abatida (oferecia, no seio familiar, um cardápio diverso e exótico). Outros instrumentos, como enxadas, facões e foices, serviam, numa emergência, como improvisadas armas. O instinto de caçador, a quaisquer momentos repentinos, mantinha-se “rejuvenescido do fundo d’alma”. Este, no contexto da aparente despreocupação, via-se desperto na proporção de vislumbrar presas.
 A cachorrada e as espingardas foram fatores essenciais à segurança familiar. Os colonos/pioneiros, jogados no interior dos matos (Floresta Pluvial Subtropical/Mata Atlântica), foram obrigados a defender-se ou perecer. Estes mantiveram longe os aborígenes/índios e as feras/felinos, que atacavam as criações e plantações. Os caninos, uma vez treinados às caçadas, perpassavam os diversos ambientes e espaços, no que procuraram rastros de vítimas. O bicharedo, uma vez entocado, levava os cães aos latidos.  Alguém das famílias, de imediato, averiguava a situação. O hábito consistia em salvaguardar-se dos perigos, no que carregava os artefatos/ferramentas como peças de armamento.
    Os bugres, alcunha atribuída aos nativos, mantinham apurado conhecimento dos ambientes naturais. Estes, no entanto, não poderiam fazer frente às armas de fogo, porém faziam ataques com razão de angariar artefatos de ferro. Os colonos, muitos exímios atiradores, usaram armas (diante da primeira suspeita da presença humana). Outros, como participantes das guerras (de unificação alemã) e com o faro apurado de descendentes dos outrora temidos combatentes bárbaros (no Império Romano), assimilaram as táticas de confrontos nos ambientes das florestas (a semelhança de franco-atiradores e guerrilheiros). Os índios, depois de resistências nas velhas colônias (Colônia Alemã de São Leopoldo) e experimentar caçadas implacáveis (movidos pelos brancos), foram obrigados a refugiarem-se na direção dos lugares inóspitos (dos morros e serras). O elemento teuto apossou-se das baixadas/margens dos rios, que eram/são os melhores solos ao cultivo e pastoreio.
    A prática da carabina, ao alcance da mão, mantém-se uma tradição no interior das casas (porém não mais como nas idas e vindas à roça). A legislação ambiental inibe as caçadas. O modesto colono, amante da paz, mostra-se corajoso na proporção de colocar em cheque a segurança e o patrimônio familiar. Este ostenta-se deveras possessivo com suas criações, plantações e terras. O forasteiro, portanto, precisa identificar-se na proporção de incursionar pelos interiores com razão de não conhecer surpresas indesejáveis.

Guido Lang
Livro ‘’ Histórias das Colônias’’
(Literatura Colonial Teuto- brasileira)

Crédito da imagem: http://espiritotaichi.blogspot.com.br/2009/11/carroca-e-o-eu.html