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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Os abençoados raios


Uma singela semente, posterior planta, conheceu o inusitado. A carência extrema levou ao aproveitamento e valorização de quaisquer ocasionais filetes de claridade!
O grão, trazido por alguma ave silvestre, caiu no interior do assombrado pátio. Os imensos muros, obra do gênio e mãos humanas, atrapalharam-lhe deveras a existência!
Os obstáculos, com a germinação, advieram de forma contínua e sofrida. Os arranha-céus, aqueles monstros empedrados, impossibilitaram as chances da achegada do Sol!
Os abençoados raios, sob nenhum quadrante, advinham às folhas e tronco. Alguma iluminação sucedia-se unicamente do esporádico reflexo duma eventual vidraça!
A planta, como modesto jerivá, nunca sentiu o calor e prazer dos raios. O vegetal, deste a germinação, precisou desenvolver-se meramente com a esparsa claridade!
O coqueiro, aos abençoados normais, incompreendia o ímpar privilégio e sorte. Uns tinham a extrema abundância, enquanto outros a máxima escassez!
Os privilegiados, de forma ingrata, viviam a queixar e reclamar. Os carentes, nem com o básico, tentavam manter-se felizes e vivos. A solução consistia em viver nas limitações!
O valor das dádivas conhece-se na proporção das carências. O Criador, na imensa sabedoria, fez cada qual um pouco diverso aos demais! O objetivo de agradar a todos revela-se uma impossibilidade e inviabilidade!

                                                                                  Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem:http://www.wallstreetfitness.com.br

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