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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Os prenúncios da mudança de tempo


Pôr-do-sol das nuvens Wallpaper

        Os rurais, absorvidos nas lidas da propriedade, dependem das condições meteorológicas, quando afinam as atividades ao próprio do dia. Observam, portanto, muito as condições chuvosas, bom e nublado do que depende sua produção primária. Uma série de sinais observados de forma cuidadosa, revelam as condições do tempo, quando encontram-se no quotidiano da vivência. Estes encontram-se lá e precisa-se somente de olhos para interpretá-los/lê-los no contexto da natureza. Salientam-se entre outros uns marcantes:
01.  Nascer ou pôr do Sol, como bola de fogo, chuva nas próximas horas;
02.  Cavalo rolando no potreiro – alternação do tempo no próximo dia;
03.  Nambu cantando no amanhecer – chuva no outro dia;
04.  Pedras com suadouro, chuvas nas próximas horas;
05.  Angolistas no telhado mudanças próximas no tempo;
06.  Galinhas irrequietas em árvores no contexto do dia sinais de “ar pesado” (alta umidade);
07.  Cachorro com o rabo levantado – sinal de tempo estável; deitado de barriga para cima – tempo instável;
08.  Aves estendendo asas ao sabor do Sol sinalizam chuvas próximas;
09.  Suadouro da canalização da água – chuva a vista nas horas subsequentes;
10.  Formiga correção, migrando terra abaixo, tempo bom; indo lugar acima – revela umidade/chuva;
11.  Água do poço fraquejando em forma de filete anúncio de precipitação nos dias próximos;
12.  Bem-te-vi anunciando “gib rêem!” - possibilidade de chuva nos próximos três dias;
13.  Araquã gritando em horário anormal do dia – chuva nos dias subsequentes;
14.  Saracura em alarido excepcional fora do horário tradicional da manhã assinalam chuvas;
15.  Fumaça em baixa/ar pesado – véspera de chuva; fumaça subindo/ar leve sinaliza tempo bom;
16.  Ossos fraturados, com sinais de dores as vítimas, marcam mudanças de tempo;
17.  Aves procurando sombra de manhã prenúncio de excepcional calor;
18.  A cigarra cantando - o calor alevanta, chuva distante;
19. Aves no avanço das nuvens de chuva recolhendo-se – assinala forte instabilidade;
20. Trovão oco significa chuvas intensas e prolongadas;
21. Minhocas entrando casa adentro no inverno marca de muita umidade e no verão seca;
22. Chuva em um dia, noutro dia geada, daí na certa nova chuva;
23. Urubu antecipando-se ao avanço das nuvens carregadas prenúncio de tempestades e ventanias;
24. Rabo de galo ou cavalo na aparência de nuvem no céu indica chuva nos próximos dias;
25. Chuvas caindo em respingos/bolhas significa continuação das intensas precipitações;
26. Épocas em que as formigas fazem ninhos em lugares mais elevados mostram-se sinônimo de muita umidade/chuva; ninhos aéreos, como formigas de chão em cipós em tronco, revela excessos na umidade/chuva;
27. Os bugios em alardes adoidados significa chuva em três dias, caso contrário, na ausência, excepcional seca;
28. O sabiá cantou, a Lua Nova em agosto passou, chuva adveio, início das plantações nas colônias;
As dificuldades em chover têm até enganado a sensibilidade do bicharedo, porém as possibilidades de acerto revelam-se muito grandes. Os presságios aplicam-se aos microclimas, no qual estes encontram-se inseridos no hábitat. O conhecimento, através do desenrolar da história, tem sido muitíssimo prático e útil para definir ocupações e plantações.

Guido Lang
Edição virtual
Livro “Histórias das Colônias”

Crédito da imagem: http://www.downloadswallpapers.com/download-pordosol-das-nuvens-12709.htm 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A consciência


"A boa consciência serve de boa almofada".

John Ray
Naturalista britânico

O sucesso


"O sucesso é concedido e conservado por todos aqueles que não deixam de tentar".

Autor desconhecido

A reputação



"A reputação é como o fogo: uma vez acesso conserva-se bem; mas caso se apaga, é difícil acendê-lo".

Plutarco

Crédito da imagem: http://www.agracadaquimica.com.br/index.php?acao=quimica/ms2&i=19&id=450

Negócios



"Vivam junto como irmãos e façam negócios como estranhos".

Provérbio árabe

Crédito da imagem: http://fmanha.com.br/blogs/bethlandim/2011/11/12/roubaram-o-ouro-agora-o-petroleo/

A sociedade de leitura



            A tradição oral ainda faz esparsas referências a uma entidade informal que procurava sem fins lucrativos o enobrecimento da cultura colonial. Refiro-me a sociedade de leitura existente entre colonos adeptos das letras, para intercambiar/trocar livros, no qual os rurais de várias localidades tivessem acesso periódico a obras raras. As publicações, nos anos de 1930 até 1960, mantinham-se artefatos escassos e onerosos, quando alguns adeptos constituíram sociedade.
            A sociedade de leitura mantinha um acervo restrito de obras, que, depois de dias ou semanas, pré-combinados, viam-se periodicamente trocados entre os membros. Algum encarregado, como exemplo algum professor comunitário, enchia “o saco atravessado”, quando tomava o rumo da estrada geral e residências. Os leitores membros devolviam a obra cedida, quando, em seguida, poderiam escolher outra. Possuía-se um prazo determinado “à degustação das letras”, quando, em seguida, o volume retornava ao rodízio. O leitor sabia da necessidade de ter lido naquele prazo determinado, quando, no período chuvoso, finais de semana ou no contexto da lamparina da noite, divertia-se com as informações.
            Os principais adeptos/associados eram os comerciantes, religiosos, professores e colonos esclarecidos, que constituíam-se na elite intelectual das colônias (formavam a principal opinião comunitária). Os livros viam-se carimbados com a entidade, que, como exemplo, “Sociedade de Leitura Teutônia Sul” (sede na Linha Germano/Estrela/RS – anos 1950 a 1960). A sede mantinha-se nalgum sociedade escolar, recreativa ou de membro responsável. Podia-se nas entrelinhas conhecer a influência dos livres- pensadores (maçons), quando auxiliavam na doação de volumes para “difundir as luzes”. As parcas empresas poderiam fazer doações, quando bibliotecas públicas escolares era ”coisa de cidade grande e estabelecimentos tradicionais de ensino.”
            O conteúdo das publicações ostenta diversidade, porém mantinha-se a preferência por temas regionais. Cita-se, entre outras, polemicas dos Mückers, bugres, guerras mundiais, avanços científicos... Livros com larga procura, relaciona-se “As Vítimas do Bugre” do padre Gansweit, “Os Mückers” do padre Ambrósio Schupp S. J., “O Episódio do Ferrabraz (Os Mückers)” de Leopoldo Petry, almanaques do Correio do Povo, anuário evangélico... Curiosidade: a maioria da leitura mantinha-se em alemão, que era o idioma dominante.
            Os registros históricos como apontamentos das colônias desconhecem maiores estudos destas excepcionais entidades, que prestaram inestimáveis serviços de esclarecimento à evolução comunitária. As entidades de leitura foram outra organização social, no qual moradores tiveram encontrar uma solução para uma deficiência de recursos e ausência do poder público. Elas perderam expressão com a constituição de bibliotecas públicas e o perecimento de velhas estirpes, quando os novos tiveram outras opções de lazer e prioridades.

Guido Lang
Edição virtual
Livro “Histórias das Colônias”

Crédito da imagem: http://leituradeconjunturas.blogspot.com.br/2012/04/onde-estao.html  

"O baile da confusão"



A memória oral tem uma explicação para o estranho comportamento dos cachorros, que, sem senso de vergonha, tem o “impróprio hábito de cheirar na bunda alheia”. Alguns humanos, nalgum passado, quiseram acostumar modos a cachorrada, quando almejaram desacostumá-los do hábito. O esforço, em meio a muita insistência, foi em vão. Os caninos, incutido o hábito, não deram a mínima, quando a cada encontro e reencontro repetem o costume.
A tradição oral relata o início da prática, quando a cachorrada, numa certa ocasião, reuniu-se para uma assembleia geral. Estes queriam estabelecer certas combinações, que desfizessem as constantes agressões mútuas. Os bichos para festejar os primeiros entendimentos, estabeleceram um baile comunitário, quando os diversos puderam conhecer-se e confraternizar. A diretoria provisória, com a consciência geral, estabeleceu uma única regra, que relacionava-se aos participantes do evento. Estes, na entrada, deveriam pendurar a “bunda” com vistas de inibir inconvenientes comportamentos no salão. A cachorrada, na medida da chegada, pendurava as bundas numa sequência de cabides e pregos, quando mantinha-se algumas centenas. Uma bela e ímpar coleção, porque havia bundas das diversas proporções e variedades.
O baile, com o recinto cheio, iniciou com a maior alegria e camaradagem, quando música não faltava no ambiente. A diversão estendia-se um bom tempo, quando, numa altura, adveio um desentendimento. Este cedo acabou numa tremenda briga, quando diversos grupos envolveram-se no confronto. A confusão generalizada estabeleceu-se e muitos saíram correndo. Estes, em meio a situação, apanharam a primeira bunda, quando em decorrência, cheiram na alheia; pensam que a do vizinhos é a deles. Faça-se votos que o equívoco nalgum dia seja desfeito e o hábito abandonado.
A virtude de alguns parece defeito a outros. Cada espécie e indivíduo têm seu hábito e valores, que cabe respeitar.

Guido Lang
Edição virtual
Livro “Histórias das Colônias”

Crédito da imagem: http://www.grupoun.net/300-cachorros-sao-assassinados-todos-os-dias-no-brasil/