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sábado, 9 de fevereiro de 2013

O cavalinho



"Certa tarde o paizão saiu para um passeio com as duas filhas, uma de oito e a outra de quatro anos. Em determinado momento da caminhada, Helena, a filha mais nova, pediu ao pai que a carregasse, pois estava muito cansada para continuar andando. 
O pai respondeu que estava também muito fatigado, e diante da resposta a garotinha começou a choramingar e fazer "corpo mole". Sem dizer uma só palavra, o pai cortou um pequeno galho de árvore e o entregou a Helena dizendo: 
- Olhe aqui um cavalinho para você montar, filha!
Ele irá ajudá-la a seguir em frente. A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o galho verde tão rápido, que chegou em casa antes dos outros. Ficou tão encantada com seu cavalo de pau, que foi difícil fazê-la parar de galopar.
A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e perguntou ao pai como entender a atitude de Helena. O pai sorriu e respondeu dizendo: 
- Assim é a vida, minha filha. Às vezes a gente está física e mentalmente cansado, certo de que é impossível continuar. Mas encontramos então um "cavalinho" qualquer que nos dá animo outra vez. Esse cavalinho pode ser um bom livro, um amigo, uma canção... assim, quando você se sentir cansada ou desanimada, lembre-se de que sempre haverá um cavalinho para cada momento, e nunca se deixe levar pela preguiça ou o desânimo".

Obs.: Se algum leitor do blog souber o autor do texto favor informar ao autor do blog, para que os devidos créditos possam ser dados. 

Crédito da imagem: animal10.wordpress.com

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Pequeno Princípe

  1. “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”
  2. “Será como a flor. Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas.”
  3. “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”
  4. “Se tu choras por ter perdido o sol, as lágrimas te impedirão de ver as estrelas.”
  5. “O amor verdadeiro não se consome, quanto mais dás, mais te ficas.”
  6. “Disse a flor para o pequeno príncipe: é preciso que eu suporte duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas.”
  7. “Só os caminhos invisíveis do amor libertam os homens.”
  8. “A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar…”
  9. “Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.”
  10. “O Amor é a única coisa que cresce à medida que se reparte”.
  11. “O amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim em olhar juntos para a mesma direção.”
  12. “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla.”
  13. “Para enxergar claro, bastar mudar a direção do olhar.”
  14. “Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa.”
  15. “Não lhe direi as razões que tens para me amar, pois elas não existem. A razão do amor é o amor.”
  16. “O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.”
  17. “São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar.”
  18. “E eu compreendi que não podia suportar a ideia de nunca mais escutar esse riso. Ele era para mim como uma fonte no deserto…”
  19. “Tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas.”
  20. “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso.”
Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944)

O estudo


Os filhos crescem e começam a conhecer as realidades e situações. Os pais obrigam-se a ensinar certos ensinamentos e valores. Cada dúvida e pergunta merece a devida explicação e exemplificação. O não ou o sim necessitam conhecer sua razão de ser.
Os anos transcorrem e o estudo torna-se uma obrigação. Os filhos precisam conviver nos bancos escolares. O governo, sob o signo das oportunidades, administra “a domesticação ao sistema”. Este obriga assimilar os conhecimentos básicos universais, conviver com colegas (da mesma faixa etária), criar suas relações sociais, inteirar-se do espírito consumista... As opiniões e sugestões, dos genitores, passam a valer cada vez menos com a idade. Uns, numa astúcia ímpar, cedo querem mandar nos próprios genitores. Eles, inteirados do mundo da mídia e relacionamentos sociais (redes sociais), acham-se altamente espertos e inteligentes.
Os forasteiros, no seio familiar, cedo passam achegar-se e conviver. Os direitos dos intrusos, em relação à legislação vigente, cedo avolumam-se (na proporção dos meses de convivência). Os casamentos, “com aquela história dos namoridos” tomam vulto com as primeiras intimidades. Inúmeros, nos lares das parcerias, aconchegam-se com as mãos abanando e, lá adiante, almejam sair carregados como formigas (na proporção duma eventual separação). O possuir/ter tornou-se causa maior das brigas e desentendimentos nas famílias.
Um pai, tachado como franco e grosso, cedo foi determinando e falando conselhos. Este, em relação aos seus rebentos, disse: “- Filhos! Preocupam-se em estudar! Acumular os conhecimentos universais à vida. Uma formação fora do alcance da bandidagem e da roubalheira. As oportunidades, de uma boa escola, são para todos. Aproveitem as chances para instruir-se. Quem desperdiçar não sabe se recebe outra. ‘Jamais deixem passar o cavalo encilhado’. A situação é pegar ou largar. O patrimônio familiar não contém com este. O provável é não sobrar nada no desfecho (da existência dos pais). Quem quer ostentar e viver precisa do próprio trabalho para ganhar os dividendos. Nada de querer apropriar-se do suor alheio. O estudo, nesta casa, é a maior herança familiar. A sabedoria consiste em aprender o máximo  de informações úteis”.
Uma realidade social comum tornou-se dos forasteiros apropriar-se do patrimônio familiar alheio. O pai ou a mãe, um dos dois falece, começa a briga pelo inventário/posses. Algum intruso, na primeira ideia, “vislumbra oportunidade ímpar de forrar o poncho”. Este, como marido ou mulher, pensa em apropria-se dos bens alheios. Poucos pensam em batalhar para merecer os bens necessários à vida. Quem avoluma/ganha de graças os artigos cedo costuma passá-los no troco (ou pouco valoriza os bens auferidos).
O indivíduo, com o coração dolorido, precisa conversar certas realidades adversas aos familiares. Os males, dentro das possibilidades, convêm nem deixar criar ou cortar pela raiz. Os forasteiros/intrusos, na proporção das convivências e uniões, costumam ser as causas maiores dos desentendimentos entre as famílias.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem:  www.concursospublicos.pro.br

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O naturalismo


O indivíduo, ao longo da existência, vai conhecendo certos fatos e realidades. Elas, através da convivência e observação, vão ensinando crenças e valores. Uns princípios parecem tão particulares e velados como se fossem irreais. Estes acabam explanados unicamente nas conversas privadas.
Uma senhora, com os seus oitenta anos, encontrou-se nos seus últimos dias (duma abençoada e longa jornada). Os netos, ainda muito ingênuos e curiosos, faziam-lhe determinadas perguntas. Algumas, pelo excesso de clareza e franqueza, causaram admiração e espanto. A alegria maior, no desfecho do livro da existência, consistiu ainda em conhecer e conviver uns poucos anos com estes descendentes. Ela, no apagar das luzes, ainda pode estabelecer vínculos de convivências e reminiscências.
Um filho, na surdina das conversações, pode escutar uma explanação dessas. A anciã, perguntada sobre a questão de morte, externou sua real crença e fé. Um neto interrogou: “- Quê acontece na proporção da pessoa falecer?” “- Onde ela vai?” Algo difícil, estando  na pele da idosa, de falar a realidade da dureza da vida.
Ela, de forma clara e objetiva, disse: “- A gente vai para terra! A pessoa volta de onde saiu! O retorno ao nada! Cinza a cinza, pó ao pó! A vida como nunca tivesse existido! A consciência fica com a sensação da missão cumprida. A morte de um é o alimento do outro!” O cidadão, como rebento, ficou estático e sem palavras. Quê dizer diante da dura realidade da transitoriedade da existência!
A crendice, no cotidiano da religiosidade, mostra-se suprimida pela influência do cristianismo. Os rurais, vendo e revendo as contínuas nascenças e perecimentos no dia a dia das atividades agrícolas, deixam-se contaminar pelos conhecimentos e observações empíricas. Os criadores e plantadores, no contexto das lidas diárias, continuamente veem a morte acontecendo e os nascimentos ocorrendo nos cenários coloniais. A natureza no seu constante ciclo das procriações e perecimentos. O objetivo maior parece inclinar-se numa direção da evolução espiritual.
O idêntico aplica-se à vida humana. Quê seria do planeta Terra em função da possibilidade da perenidade dos homens? A cobiça e ganância de uns teriam abocanhado todo o patrimônio. Os desperdícios e dispêndios de outros exauriam os recursos naturais. O apego e o controle ao poder causaria conflitos insolúveis. A renovação, através dos perecimentos, ostenta-se uma divina sabedoria.  A efemeridade da vida obriga a pensar e repensar conceitos e hábitos. A eternidade reside no legado da grandiosidade das ideias e postergação das gerações. A missão subsiste em ser elo entre as gerações (passadas com as futuras).
O indivíduo, cada qual, tem as suas crenças e superstições. Inúmeras doutrinas e filosofias não passam de meros conceitos e formulações de épocas e gerações.  O indivíduo, nalgum momento, precisa prestar contas das obras e realizações (à consciência e a Deus). O naturalismo e panteísmo encontram-se muito ativos e presentes no cotidiano das colônias.
                                                             
 Guido Lang
                                            “Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem: www.artesbr.com

Provérbio persa

      

"Houve um tempo em que era eu e ela, uma mulher. Mas, nosso amor cresceu, até não existir mais eu nem ela; lembro-me apenas, vagamente, que antes éramos dois e que o amor, intrometendo-se, tornou-nos um só".

Crédito da imagem: http://guiaavare.com

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Fora de moda

Se não estivesse tão fora de moda... iria falar de Amor.  Daquele amor sincero, olhos nos olhos, frio no coração, aquela dorzinha gostosa de ter muito medo de perder tudo...
Daqueles momentos que só quem já amou um dia conhece bem...
Daquela vontade de repartir, de conquistar todas as coisas, mas não para retê-las no egoísmo material da posse, mas para doá-las no sentimento nobre de amar.
Se não estivesse tão fora de moda...
Eu iria falar de Sinceridade.
Sabe, aquele negócio antigo de Fidelidade... Respeito mútuo... e aquelas outras coisas que deixaram de ter valor?
Aquela sensação que embriaga mais que a bebida; que é ter, numa pessoa só, a soma de tudo que às vezes procuramos em muitas...
A admiração pelas virtudes e a aceitação dos defeitos, mas, sobretudo, o respeito pela individualidade, que até julgamos nos pertencer, mas que cada um tem o direito de possuir...
Se não estivesse tão fora de moda...
Eu iria falar em Amizade.
Na amizade que deve existir entre duas pessoas que se querem bem...
O apoio, o interesse, a solidariedade de um pelas coisas do outro e vice-versa. A união além dos sentimentos, a dedicação de compreender para depois gostar...
Se não estivesse tão fora de moda...
Eu iria falar em Família. Sim... Família!
Essa instituição que ultimamente vive a beira da falência, sofrendo contínuas e violentas agressões. Pai, Mãe, Irmãos, Irmãs, Filhos, Lar...
Aquele bem maior de ter uma comunidade unida, pelos laços sanguíneos e protegidas pelas bênçãos divinas. Um canto de paz no mundo, o aconchego da morada, a fonte de descanso e a renovação das energias...
E depois, eu iria até, quem sabe, falar sobre algo como... a Felicidade.
Mas é uma pena que a felicidade, como tudo mais, há muito tempo já esteja tão fora de moda e tenha dado seu lugar aos modismos da civilização...
Ainda assim, gostaria que a sua vida fosse repleta dessas questões tão fora de moda e que, sem dúvida, fazem a diferença!
Afinal, que mal faz ser um pouquinho "careta”...

Obs.: Se algum leitor do blog souber o autor do texto favor informar ao autor do blog, para que os devidos créditos possam ser dados.

Crédito da imagem: www.esotericavitoria.com.br

O descaso amoroso


Uma moça, muito bonita e elegante na flor da idade e centro das atenções da gurizada, fazia descaso de inúmeros pretendentes. Ela, sendo bajulada e cantada a toda hora, achava-se a “Rainha da Inglaterra”. A menina entendia-se a mais bonita do baile, rainha da escola, princesa primeira da cidade... Ela mantinha-se o centro dos comentários informais dos amigos e conhecidos. A foto destaque, das colunas sociais, recaia sobre a mesma. Uma referência de bom gosto no andar e vestir...
Um certo rapaz, muito humilde e retraído, encantara-se como enamorado e fã. Este mantinha-se cegamente apaixonado pela fulana. Ela, com as muitas opções, fazia o maior descaso dele. A condição econômica-social não permitia nenhuma chance de aproximação e muito menos possibilidades de namoro. O tempo, com o transcorrer dos meses, anos e décadas trouxe as agruras da existência e o peso da idade.
A moça, numa certa ocasião no ínterim do tempo, apaixonara-se por algum forasteiro. Os dois enamoram-se e depois, de certo espaço de namoro, constituíram família. Os filhos advieram e a obrigação de criá-los foi o centro das atenções e preocupações. As necessidades de subsistência obrigaram o duro trabalho. A beleza, tão efêmera e sútil, foi corroída pelo esforço e tempo. A fulana, com a idade, viu “a formosura do corpo evaporar-se nos ambientes”. Os traços, da outrora beleza, mantiveram-se unicamente presentes. O glamour ficou nas saudades e reminiscências.
As décadas, em meio aos muitos afazeres diários, transcorreram de forma rápida. Os filhos cresceram e constituíram suas famílias. A viuvez transformou-se numa triste sina. Os rebentos, nesta altura da existência, seguiram suas preocupações e trabalhos. A cidadã, agora senhora idosa, viu amigos e conhecidos partiram para o descanso.
Outros, ex-colegas, faziam indiferença com relação ao antigo relacionamento. Cada vez menos pessoal da sua época e gente. A solidão, com a aposentadoria e os bailes da terceira idade, tomou forma. Nenhuma parceria, nas caladas da noite, para conversar e trocar ideias; ausência de companheiro às rodadas de chimarrão e passeio; “falta de homem até para carregar peso e segurança”...
O antigo apaixonado, outrora desprezado e relegado, mantinha-se ativo e solto. Este inclusive mostrou-se disposto a recomeçar a vida. Possuía sua carência de companhia para os afazeres diários. Este, naquele momento, servia para compartilhar os dispêndios da idade. A solução consistiu em dar-lhe uma chance e “conviver como a muito próxima”. As partes, para os eventos sociais, constituíram uma companhia/casal para refazer a vida.
Os acontecimentos e fatos tinham redimensionado certos comportamentos e gostos. A escola da vida ensinara a dura lição! Qualquer semelhante, por mais humilde e pobre, ostenta-se um igual e próximo. Os ventos da existência podem mudar de forma ingrata e rápida. O impróprio de antes, agora tornara-se uma grande bênção e companhia!
O camarada, nesta rápida passagem terrena, nunca pode afirmar “dessa água eu não bebo”. O infortúnio, nalgum momento, reserva-nos surpresas inimagináveis. O descarte de hoje, amanhã poderá ter sua serventia. A satisfação e o prazer de cada dia é uma sabedoria.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Vida”

Crédito da imagem: http://quasesemquerer.wordpress.com