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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sabedoria (às avessas) Colonial


    1. Quem precisa dar o exemplo geralmente serve como péssima amostra.
    2. Alemoa, sem flores pela casa/pátio, assemelha-se a mulher sem marido.
    3. Algum barro, ocasionalmente acrescido nalguma comida, acaba gerando toucinho.
    4. Para quê todo o sacrifício com vista de unicamente levar alguma pá de terra?
    5. O diabo, nas loterias e sorteios, joga o dinheiro no monte onde menos precisa.
    6. O cidadão, caminhando para exercitar-se, carece na real dum bom trabalho.
    7. A visita advém de surpresa e a família carece de carne, algum galo paga a vida.
    8. De grão em grão a galinha enche o papo e, em época de crise, dificilmente enche.
    9. Melhor defecar nas calças, para quem não tem dinheiro, do que comprar carro.
   10. Mostra-se melhor acreditar nalguma crença do que ostentar-se cético.
   11. Se o traseiro funciona a contento, o corpo no resto segue a receita.
   12. A galinha velha fica mais caseira até ficar choca.
   13. Os animais obesos costumeiramente são péssimos reprodutores.
   14. Os parentes, como visita, costumam servir para colocar defeito e fazer olho grande.
   15. Os coloniais, agindo bem ou mal os indivíduos, falam de deus e de todo mundo.
   16. O homem, apaixonado pela sua mulher, poupa-lhe as tarefas onerosas e pesadas.
   17. Cachorro que abandona o dono e o pátio não merece o trato.
   18. Os casais, nos ares da primavera, compreendem e entendem-se melhor.
   19. O colonial, com mulher trabalhadeira, pode passar mais tempo na venda.
   20. Quem tem cabelo comprido não pode reclamar do alheio (no seu prato).
   21. Qualquer bichinho, por menor que seja, tem sua brincadeira e sexualidade.
   22. A mulher esperta trata bem seu cachorro com razão deste não sair pedindo comida no pátio alheio.
   23. Nada melhor que casa de alemão, comida de italiano e vida de brasileiro.
   24. A qualidade dos frutos define a importância da árvore.
   25. Certas pessoas só tem terra debaixo das unhas.

(Reunidos, a partir da tradição oral e vivência colonial, por Guido Lang)

Crédito da imagem: http://bufunfagora.blogspot.com.br/

domingo, 4 de novembro de 2012

Expressões sobre fiado



Um breve levantamento das frases afixados nos comércio em geral:
01. Se vendo fiado, perco dinheiro; se não vendo, perco o amigo.
02. Fiado, somente no momento em que o Brasil pagar todas as dívidas.
03. Comprando fiado, acabei sendo cunhado do dono do armazém.
04. Não peça fiado, pois lhe responderei e sairás envergonhado.
05. Por causa de alguém, não vendo fiado pra ninguém.
06. Fiado é que nem droga: vicia; fiado é que nem droga: contagia.
07. Fiado é brinquedo do diabo e aqui não há inferno.
08. Meia sola, salto ou sola inteira. Fiado, nem por brincadeira.
09 De tanto vender fiado acabei ficando pelado.
10. Fiado somente quando a galinha criar dentes.
11. Fiado somente no dia trinta de fevereiro.
12. Fiado é que nem barba: se não corta, cresce.
13. Fiado é que nem jogo do bicho: só dá zebra.
14. Vendo fiado somente para quem morreu atropelado.
15. Não sinta inveja de mim, porque não sou rico, não vendo fiado e apenas trabalho.
16. Fiado somente depois de amanhã ou acima de noventa anos acompanhado dos pais.
17. Vender fiado me dá pena; da pena tenho cuidado; por causa da pena, não posso vender  fiado.
18. Vendo fiado para quem provar que o PC (Paulo Farias) foi inocente.
19. Freguês educado não pede fiado e fiado nem para o meu cunhado.
19. Nota de Falecimento: vítima de colapso financeiro, faleceu hoje neste estabelecimento, o ilustre Dr. Fiado, deixando viúva, dona Conta e os seguintes filhos: Cano, Pendura e Depois Eu Pago. A família inconsolável pede encarecidamente que não mandem flores e sim, o dinheiro.

(Fonte: afixados do comércio em geral e reunidos por Guido Lang)

Crédito da imagem: http://fmanha.com.br/blogs/bethlandim/2011/11/12/roubaram-o-ouro-agora-o-petroleo/

Olha o contorno!

   
    Um certo casal, no seu veículo, adveio numa rótula! Encontra-se, a observar o trânsito, um guarda municipal. Preocupado, na certa, em cumprir sua função social e merecer o salário. O carro, dirigido pela parte masculina, vem acelerado. O fiscal do trânsito grita: “- Olha o contorno?” O motorista, num acostamento adiante, para e adveio na direção do cidadão uniformizado. Pergunta: “- Me chamou de quê senhor? Eu ouvi e minha senhora também! Chamou-me de corno?” “- Quê?” Respondeu o guardinha. “- Dê que lhe chamei?” Inicia-se uma acirrada discussão e o bate boca tomou conta. As partes, o dito contra não dito - palavra contra palavra, acabaram no fórum.
  A mulher, como testemunha, favorece o motorista/parceiro. Mostra-se igualmente irritada pela aparente afirmação do agente público. Colocou em jogo sua fidelidade e relacionamento. A solução foi acabar diante do juiz. Este procurou conciliar os elementos e, numa altura, interroga: “- Querem levar  adiante o caso ou chegar a um denominador comum?” O guarda diz: “- Para mim tanto faz!” O condutor: “- Creio não querer perder tempo! Vamos deixar nisso!”. O guarda descobre de o motorista ser agente da polícia (hierarquia maior na segurança pública). Pensa e repensa a situação!  “- O estado de irritação do fulano foi muito acentuado! Explodiu como uma bomba! Deve ter sido corno mesmo!”.
   Cada qual com suas conclusões. Poucas letras/sílabas, numa pronúncia, fazem muita diferença. Conflitos, no trânsito, tornaram-se uma rotina social. Certas afirmações/realidades convém ignorar. A indiferença pouco abala nosso espírito. Quem, nalgum momento, não se exalta e passa de ridículo?                                                             
                                                                                                             Guido Lang
                                                                               (Livro: Singelas Histórias do Cotidiano da Vida)

Crédito da imagem: http://www.blogdothame.blog.br/v1/tag/corno/

sábado, 3 de novembro de 2012

Uma localização imprópria


  

    Um certo colonial, ao longo da estreita e comprida propriedade, resolveu criar abelhas. Um passatempo, após anos de trabalho urbano (em ambientes de agitação, barulho e egoísmo).
   Procurou “semear o espaço com caixas iscas”. Apanhou diversos enxames e foi constituindo sua atividade econômica. As comunidades, em pouco tempo (em função da abundância de natureza), tornariam-se muitas e vigorosas. As abelhas, em função das proximidades das áreas de plantio, tornaram-se uma ameaça e inconveniência aos afazeres da vizinhança.
  Constatou-se, em poucos anos de manejo, uma singela diferença. Aquelas comunidades, instaladas no interior dos matos (lugares mais remotos), mantinham-se robustas e perenes. Difícil extinguir-se alguma! Aquelas caixas, localizadas próximas às divisas, viam-se adoentadas e ceifadas (com extrema facilidade). O manejo de venenos, em épocas de plantio, deixava num marasmo os insetos. A aplicação de herbicidas certamente fazia diferença. O uso de eventuais inseticidas terminava com as comunidades.
   Acreditou-se, na mera casualidade, com razão de não intrigar e desconfiar da vizinhança.  A solução, a partir daquela aprendizagem, consistiu em transferir as comunidades (sobreviventes) para o interior dos matos (ambientes naturais). Distantes das ameaças humanas e “prato cheio” às formigas.  Conclui-se que cada espécie tem um habitat próprio. O domesticador, de quaisquer empreendimentos agrícolas, precisa adequar-se ao contexto (com vistas de ampliar as chances de sucesso).         
   As diferenças e intrigas de uns, cedo ou tarde, respingam nos inocentes. Os próximos conhecem-se unicamente pela fronte e dificilmente pelo coração. O sucesso alheio pode incomodar a outros. O indivíduo, na proporção de conhecer o íntimo (de muitos racionais), cedo admira o comportamento dos ditos irracionais. Boa vizinhança, nos interiores, conquista-se sendo uma exemplar vizinhança.

Guido Lang
Livro "Histórias das Colônias"
(Literatura Colonial Teuto-brasileira)

Crédito da imagem: http://quadrinhosantigos.blogspot.com.br/2011/04/extincao-das-abelhas-e-o-fim-da.html

Breves regras de vida para os meus filhos após a minha morte


                    Amem a Deus acima de tudo e ao próximo como a vocês mesmos; este é o primeiro e maior de todos os mandamentos;
Guardem os dez mandamentos e recitem-nos pelo menos uma vez para lembrar deles;
Orem a Deus de manhã e à noite em função do que tem necessidade, e o receberão;
 Em toda desgraça e sofrimento, que por acaso os acometerem, confiem na providência; ela conduzirá tudo para o que for melhor para vocês, mesmo que não venham a reconhecê-lo de imediato;
Quando passarem bem, agradeçam, e acreditem que a sua felicidade não deve ser creditada apenas a vocês;
Tenham sempre Deus diante dos seus olhos; ele tudo vê; nada façam que os possa deixar encabulados na presença de outros;
Temam somente a Deus; vocês não precisam tremer diante das pessoas; elas são feitas da terra como vocês, elas tem carne e ossos como vocês; todos somos filhos do mesmo pai;
Mas se não devem temer as pessoas, vocês não devem ofendê-las e devem sempre tratá-las com amor e respeito; mesmo se elas os odeiem e persigam, não devem também odiá-las e ofendê-las; assim conquistarão o amor delas;
Se vocês tem razão, persistam; ninguém pode tirar isto de vocês; neste sentido não precisam temer nem mesmo os violentos e poderosos;
Sejam ativos e trabalhadores nas suas profissões, pois quem não trabalha, não deve comer; sem esforço e trabalho nada conseguirão; com poupança e dedicação irão obter posses, para poderem um dia sustentar a sua mãe e ir ao encontro de uma velhice tranquila;
Tenham um diário e escrevam nele cada dia algo de bom, mesmo que seja apenas uma única linha;
 Honre os seus benfeitores e considerem-nos como se fossem os pais;
Fujam das más companhias e evitem a conversa imoral;
Cuidem da saúde, mas não se mimem; o mimo e a moleza são a sepultura da saúde e a causa de muitas enfermidades;
Sejam moderados em tudo; não se embebedam, pois então o ser humano se torna inferior ao animal; a vaca não bebe além da sua sede;
Jamais esqueçam da sua mãe e dos seus irmãos; escrevam para a mãe pelo menos uma carta por mês;
Não subtraiam nada de ninguém, mesmo que seja algo de pequeno valor; todos os grandes ladrões começaram com pequenos furtos;
 Leiam semanalmente estas recomendações e sigam-nas, pois então a bênção de Deus estará com vocês, e a bênção do seu pai, como dizem as Sagradas Escrituras, edificará casas para vocês;
Por enquanto levem com vocês o consolo de que seu pai não foi nenhum criminoso;
Sejam, pois, felizes; o que aprenderem, aprendam bem; quem não se destaca em sua vida profissional, não pode esperar ser reconhecido;
Estas talvez sejam as minhas últimas palavras para vocês:
Lembrem sempre do seu pai que os ama para sempre. Friedrich Sauerbronn’’ (1787- 1864).

(Fonte: Armindo L. Müller, livro: O Começo do Protestantismo no Brasil)

Crédito da imagem: http://lannamjsmile.blogspot.com.br/

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A revelação das bananeiras

 

  Querer saber a antecipação de resultados, nas disputas acirradas, revela-se um desejo comum. As colônias, para tê-los, valem-se duma velha prática, que ostenta-se conhecida de quaisquer rurais.
  Ela pode decifrar o enigma das disputas comunitárias e políticas nas diretorias e municipalidades, consiste em cortar duas bananeiras. Elas, umas semanas antes, precisam ser cortadas com grossura e tamanho idênticas. O cortador, neste momento, precisa ser imparcial e dar as idênticas condições a ambos as plantas. Corta-se, numa altura, de uma a duas dezenas de centímetros, quando pouco importa a Lua. Define-se, na primeira e segunda, beltrano e sicrano. Algum acaba na saliência no comparativo, quando este acabará sendo o provável vitorioso na querela. A prática aplicasse costumeiramente num bananal próximo ao pátio.
  Os dias transcorridos vão revelando a saliência, no que um desenvolve-se mais e o outro menos. Os moradores, juntos aos familiares e vizinhos, comentam o desenvolvimento. O curioso, em diversos casos, várias famílias recorrem à prática, quando os resultados poucos divergem. O acerto, na maioria dos casos, ocorre de forma efetiva. Desconhece-se a autoria do inventor da adivinhação, porém adveio da adaptação teuta ao contexto americano. O frio, na Europa Central, não permite o cultivo da espécie assim como ostenta-se natural dos climas quentes e úmidos. 
  O comparativo de cepas das plantas revela-se mais uma dessas particularidades, que a literatura desconhece/ignora no processo de colonização. Ela consiste numa prática colonial dos pátios, que a realidade urbana desconhece. Poderia-se dizer: compete à prática com os indicadores das pesquisas eleitorais, que, em inúmeras realidades, acabam induzidas na direção do poder econômico. A gangorra, da balança, tem a forte tendência de pender na direção do maior poder monetário.
  As pessoas acreditam naquilo que convém e direciona. A adivinhação, ao longo da história, tem confirmado os resultados duvidosos com os acertos da prática.

Guido Lang
Livro "Histórias das Colônias"
(Literatura Colonial Teuto- brasileira)

Crédito da imagem: http://www.lurvely.com/photo/3125922662/Flor_de_bananeira_de_jardimHELICONIA_ROSTRATA/

A Carta do Cacique Seattle, em 1855


    

    "O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
    Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
     Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
    Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
    Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
     Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.
   Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."