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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Dicas de saúde


 

1. Procure um médico periodicamente. Faça uma verificação do seu estado de saúde, não importando a sua idade;
2. Não abusar do Sol, sobretudo em horários após às 10 horas da manhã e até às 15 horas;
3. Não seguir orientações de dietas “mágicas” de amigos, colegas e vizinhos, e de qualquer pessoa que não o seu médico ou nutricionista;
4. Procurar manter uma atividade física diária mínima. Sugestão: uma caminhada de meia hora à uma hora, todos os dias;
5. Evitar o uso de bebidas alcoólicas;
6. Evitar o fumo, sob todas as formas;
7. Procure sempre ingerir uma alimentação variada, moderando e até evitando gorduras e doces, preferindo frutas, legumes e verduras;

Extraído de “Guia de Saúde Sanifer 2002”

Crédito da imagem: http://servicebuffet.blogspot.com.br/2010/10/mesa-de-frutas.html

Mandamentos de Jefferson


File:Thomas Jefferson by Rembrandt Peale, 1800.jpg

1. Não deixes para amanhã o que puderes fazer hoje.
2. Não peças auxílio de outrem no que puderes fazer só.
3. Não compres objetos inúteis sob o pretexto de que são baratos.
4. Não sejas vaidoso nem orgulhoso, pois o orgulho e a vaidade custam mais do que a fome e a sede.
5. Nunca te arrependas de ter comido pouco.
6. Não despendas o teu dinheiro antes de o teres ganho.
7. Pratica de boa vontade todos os atos e nunca te cansarás.
8. Não tenhas apreensão, pois não sabemos o que o futuro nos reserva.
9. Considera todas as coisas sob um ponto de vista favorável.
10. Quando estiveres contrariado, conta até dez, antes de proferir qualquer palavra; contarás até cem, se estiveres encolerizado.

Thomas Jefferson (1743-1826) foi o presidente dos EUA de 1801 até 1809.

A velha guabiroba



     Centenária árvore perdida entre matos e potreiros tu ostentas uma formosura ímpar! Mostra-te uma relíquia em meio à localidade, que nos abunda de plantas. Abrigo seguro de inúmeras aves e parasitas, quando folhas, galhos e ramos oferecem um esconderijo excepcional. Assemelha-se a sentinela do espaço, quando, nas décadas de colonização, visualizaste acontecimentos ímpares.
     Guabiroba centenária! Vistes antes de 1868 os índios guaianazes/caingangues abrigarem-se em tuas sombras. Apreciaste as feras do mato no contexto da várzea. Homens e estranhos, da distante Europa Central e velhas colônias de São Leopoldo, incursionaram pelo teu refúgio milenar da Floresta Subtropical Pluvial. Enxergaste estes abrindo picadas e medindo lotes; achegaram-se famílias e ceifaram tuas co-irmãs. Viste-te, pela sorte da ocasionalidade e graças divinas, poupada do extermínio, quando a floresta cedeu espaço a potreiros e roças. Os currais de gado e porcos, bichos estranhos na América, ocuparam o ambiente, quando das tuas frutas saborearam um gosto agradável. Pedreiras, nas tuas cercanias, foram exploradas, no que cercados (muros de pedra), como estranhas “lombrigas”, cortaram e delimitaram o cenário. A colonização avançou, o progresso chegou e advieram desentendimentos.
     Os maragatos (adeptos do federalismo), entre 1893 e 1895, procuraram tuas sombras, quando, “frutos da rapinagem” (roubos) abateram animais nas tuas proximidades. Colonos e pica-paus (adeptos do republicanismo) enxotaram-nos e a aparente normalidade retornou as paragens. O gado, por decênios, pastou tranquilo, todavia adveio a derrocada do minifúndio diversificado de subsistência. O comércio de madeira e indústria de carvão veio trazer a ganância monetária, quando madeira de lei, nas cercanias, viu-se extraída. Os temores do corte sucederam-se, mas “um anjo protetor” novamente salvou-te do infortúnio. Um novo dono comprou a área e a edificação de açudes sucedeu-se; eucaliptos introduzidos como cultura reflorestada rivalizaram com a tua opulência. Estes parecem esconder parte do teu esplendor, que, no entanto, não abafa os nobres dons.
     Continua esbelta e protegida! Seguirás reinando por anos como exemplar ímpar da espécie e fornecendo milagrosas sementes à preservação da espécie. Os novos donos admiram-te e respeitam tua exuberância. Rogo ao piedoso Deus que continua como símbolo do patrimônio ambiental-florestal!

Observação: A planta situa-se no lote 28, margem esquerda, da Picada Boa Vista (atual Boa Vista Fundos/Teutônia/RS).
           

Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”

Crédito da imagem: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/gabiroba/gabiroba.php

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Assembleia na carpintaria



     Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembleia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar suas diferenças. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes notificaram-lhe que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava o tempo todo golpeando. O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque o parafuso concordou, mas por sua vez pediu a expulsão da lixa. A lixa acatou, com a condição de que expulsasse o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.
     Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel. Quando a carpintaria ficou novamente só na assembleia a discussão foi reativada. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse: “-Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos, e concentremo-nos em nossos pontos fortes”.
     A assembleia entendeu que o martelo era forte, e o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato.
     Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram alegria ao terem a oportunidade de poderem trabalhar juntos.
     Ocorre o mesmo com os seres humanos. Basta observar e comprovar. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas. É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidade, isto é para os sábios.

Extraído do site www.ibb.org.br

Crédito da imagem: http://aluguerfabrica.blogspot.com.br/

Os mananciais da terra


     O solo de Boa Vista Fundos (Teutônia/RS) coberto por uma exuberante vegetação mostrava sua riqueza ímpar, que cedo despertou a cobiça e instalação dos colonizadores (Jacob Lang, Jacob Dockhorn, Adolfo Eggers...). Estes, como o afluxo de outros pioneiros, averiguaram o subsolo, quando descobriram jazidas de pedra-grês, mananciais d’água, redutos de argila, reservas de saibro...
     Os desbravadores, após a conquista das primeiras roças, passaram a explorar o subsolo. A argila viu-se utilizada na confecção de rudimentares tijolos; areia extraída ao emprego nas construções; saibro utilizado nos aterros de estradas e pátios; solo avermelhado usado no combate a diarreias (suínas)...
     As pedras-grês aflorando ao solo deram origem a pedreiras, que forneceram a matéria-prima básica para a edificação dos alicerces dos chiqueiros, estábulos, moradias e paióis. As melhores pedras viram-se empregadas na construção das residências, que, na atualidade, ainda impressionam pela dureza e perfeição dos encaixes em inúmeras edificações. Os retalhos serviram para construir as tradicionais cercas de pedra, que, nas áreas determinadas aos pastoreios (potreiros) viram-se estendidas como imensas “cobras” (divisoras de lotes). Um espaço próprio, no momento atual, para refúgio de animais silvestres assim como resquícios de um trabalho incessante de uma civilização de outrora. Os resquícios das crateras, espalhadas em diversas propriedades, revelam os locais de extração, que, na época dos primórdios (1868 a 1920) absorveu uma labuta dantesca dos homens e animais (tração animal). Os colonos tornaram-se peritos na colocação destas rochas, quando o testemunho das pedras externa a grandeza do conhecimento, habilidades e façanha destes empreendimentos. A estirpe de corajosos descansa nas suas cinzas, porém vivem no espírito e nas histórias da descendência e do testemunho dos resquícios.
     Gerações advieram e deram o testemunho deste trabalho ímpar, que com instrumentos rudimentares criaram obras excepcionais. Os mananciais de pedra descrevem facetas da história dos primórdios, enquanto outras realizações, de cada período, revelam facetas de um trabalho incessante de moradores anônimos.
           
Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Companheiros até a morte



Era uma vez, em um reino distante, dois companheiros que nutriam uma amizade verdadeiramente inabalável. A força e a beleza desse sentimento eram conhecidas e admiradas por todos. Até que essa amizade um dia foi posta à prova. Contrariado com as constantes críticas de Pítias, o rei mandou chamá-lo, juntamente com seu amigo Damon.
Por defender seus princípios, Pítias foi acusado de traição e condenado à morte. Antes de ser preso, porém, solicitou a realização de um último desejo: que lhe permitissem despedir-se da família. O rei relutou, mas acabou sendo convencido por Damon, que, demonstrando total confiança em Pítias, ofereceu-se para morrer no lugar do amigo caso ele fugisse.
Dessa forma, conforme o combinado, Damon foi levado à prisão e Pítias foi ao encontro da família. À medida que os dias corriam, os guardas passavam a zombar do prisioneiro, dizendo que o “tão leal amigo” o havia abandonado.
Eis que chegou o dia da execução. A cidade toda se perguntava como um amigo tão fiel fora entregue à própria sorte. O rei mandou o prisioneiro ser trazido. Os guardas o posicionaram no meio da praça lotada. O silêncio imperava. E quando Damon já estava com a corda no pescoço, Pítias gritou, no meio da multidão:
-Eu voltei! Não o matem!
Estava esgotado, ferido, cambaleante. Ainda assim, arranjou forças para abraçar Damon e comemorar o fato de tê-lo encontrado com vida, apesar de seu atraso. Emocionado, explicou que seu navio naufragara durante uma tempestade, e que bandidos o haviam atacado na estrada. Apesar de todos os contratempos, jamais perdera a esperança de chegar a tempo de salvar o amigo da morte.
Ao presenciar aquela cena, o rei foi vencido pela beleza daquele momento. Declarou então revogada a sentença. Era a primeira vez que presenciava cenas de tão elevado grau de amizade, lealdade e fé. Assim, o rei concedeu-lhes a liberdade, solicitando em troca que os dois lhe ensinassem como construir tão sólida amizade.

Adaptado por um autor desconhecido do conto de William J. Bennett

Crédito da imagem: http://ludmilaalmeida.blogspot.com.br/2011/04/o-sapo-e-o-rei.html

"O ciclo do ouro branco"



     A Colônia Teutônia, nos anos de 1910 a 1950, mostrava-se uma grande produtora de banha. O produto via-se extraído dos suínos, que, em quaisquer propriedades, abundavam. A farta produção de cereais, sobretudo do milho, possibilitava criar os animais, que, como complemento alimentar, ganhavam tubérculos (batata e mandioca); acrescentava-se o trato de abóboras e pastos. Os cozidos, de lavagem com sobras diversas, mantinha-se uma prática corriqueira nos pátios coloniais. Os colonos, em uma ano, criavam chiqueiradas de animais, que viam-se continuamente abatidos para o próprio consumo e produção de banha.
     O produto, em função da inexistência dos azeites (vegetais), mantinha mercado garantido nas crescentes cidades (sobretudo nas emergentes vilas das periferias de Porto Alegra/RS). Teutônia, através dos distritos de Canabarro, Languiru e Teutônia, mantivera-se uma abastecedora das necessidades do mercado. Os colonos, através do abate caseiro, extraíam o produto, que era comercializado nas diversas vendas (espalhadas pelas localidades). Estas, através de intermediários, direcionavam a banha aos mercados urbanos. A ampla criação possibilitou sobras financeiras, que os colonos, nalgum momento, dirigiam as melhoras das propriedades. Inúmeros moradores puderam edificar sólidas moradias com os recursos auferidos. Uma curiosidade relacionava-se a habilidade dos rurais na carneação, que ocorriam praticamente a toda semana em quaisquer propriedades. As carnes e miúdos viam-se aproveitadas ao consumo familiar e trato aos próprios da espécie. A fartura teutoniense tornou-se amplamente conhecida no contexto da colonização, quando o lugar recebeu a alcunha de “Pérola das Colônias Alemãs”. O povoado, da atual Languiru – com um punhado de poucas dezenas de casas, recebeu numa época (entre os anos de 1920 e 1940) a denominação de “Ouro Branco”, uma referência à ampla produção da banha que rendia dividendos como fosse um metal precioso. O nome, em algumas esparsas referências, subsiste no meio comunitário a exemplo do Hospital Ouro Branco. Poucos, somente os mais idosos, relembram-se desta epopéia, que registramos a título de preservação de história comunitária.
     Outros ciclos econômicos, de acordo as exigências do mercado interno, procederam-se nos seio comunitário (leite, nata, soja, couros, madeira...). Estes, a cada época, surgem com vistas de acompanhar as oscilações econômicas, quando integram o contexto regional às exigências dos mercados maiores. A campanha do impróprio da banha à saúde foi uma das causas da decadência, quando pouquíssimo para o consumo familiar produz-se deste produto. Pode-se ver o poder do discurso, na mídia, para derrocada de algum produto, quando outros interesses econômico-financeiros fazem-se presentes.

Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”

Crédito da imagem: http://torneiradigital.blogspot.com.br/2009_09_01_archive.html