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terça-feira, 23 de julho de 2013

O flagelo do retorno


Uma senhora, depois de certa idade, perdeu o marido. Os filhos cresceram e a casa grande ficou vazia. Ela, como única ocupante, sentiu-se tremendamente só!
A fulana, por anos, procura uma segunda companhia. Uma dificuldade colocar alguém dentro da residência (em termos de confiança). A solidão evita maiores confusões e riscos com relação aos direitos ao patrimônio!
Ela, para safar-se do isolamento, procura muito passear e sair. Algumas opções costumeiras são frequentar bailes, idas ao centro, viagens ocasionais, visitar amigas...
As lamúrias relacionam-se a tremenda solidão. Esta, na proporção da achegada a moradia, retoma a melancolia. Aquela sensação, na aparência, de sentir-se sozinha no mundo!
A fulana prescinde-se duma parceria. Aquela de compartilhar, conversar, dividir, recepcionar, reclamar, relatar, xingar... Os bichinhos, por completo, não preenchem o vazio!
O flagelo, em certos dias, assume ares de patologia. A solidão deixa-a desnorteada, estressada, nervosa... O estar só maior, na proporção dos demais estarem com suas famílias, verifica-se nos finais de semana.
A realidade denuncia outra problemática social dos centros urbanos! O indivíduo encontra-se cercado de gente e ao mesmo tempo sente-se abandonado e sozinho!
Os próximos evitam ou safam-se de maiores compromissos, diálogos e envolvimentos. Os rebentos possuem seus compromissos, interesses e programações!
A sabedoria popular versa: melhor sozinho do que mal acompanhado. Os problemas variam conforme as situações e realidades. O indivíduo resolve uma problemática, porém cedo cria outra!
                                                                                            
Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem:http://www.pequenopolisba.com.br

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A avaliação do apicultor


Um agricultor, num teste de eficiência, procurou avaliar o trabalho das abelhas. Este, num dia ensolarado e quente, espalhou algumas gramas de mel pelas cercanias do pátio.
O aroma adocicado, em minutos, fez aparecer às primeiras. Ele, como curiosidade, tentou afugentá-las! Outras, em instantes, somaram-se a conhecer o alimento!
O colonial, a contragosto, procurou retomar a prática de querer afastá-las. Elas, em agressivos sobrevôos e em maior número, passaram a oferecer forte e unida resistência!
O morador, num segundo momento, necessitou simplesmente correr da massiva invasão. Os insetos, numa acirrada romaria de mini-enxame, afluíram de inúmeras comunidades.
O propósito incessante foi de fazer seu trabalho. A missão de carregar e colher alimento. Os insetos, da função, não arrentaram o “pé” um centímetro sequer!
O idêntico aplica-se as inovadoras e progressistas cidades e países. Os lugares, a semelhança das abelhas, vêem-se invadidas pelos forasteiros. Estes, das paragens mais distantes e diversas, afluem aos milhares ou milhões.
O dinheiro, à semelhança do mel, atrai as levas humanas. A infraestrutura existente, com o inchamento, revela-se logo deficitária. Os cortiços e favelas, aqui e acolá, passam a pipocar nas periferias urbanas.
O comportamento social norteia-se pelas necessidades monetárias. Os homens, nalgumas barbaridades, superam a fúria irracional. As famílias direcionam-se na busca incessante pela dignidade e qualidade de vida!
                                                                                            
Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem:http://www.qualitaturismo.com.br

A difusão do inço

Ficheiro:Nutgrass Cyperus rotundus02.jpg

Os pioneiros, nos começos da colonização da Colônia Teutônia em 1868 (situada no Estado do Rio Grande do Sul/Brasil), encontraram-se a conhecer e introduzir espécies exóticas. As florestas cederam lugar aos campos e lavouras!
Um nativo das paragens do município de Taquari/RS falou duma excelente foragem. Esta, para cavalos e mulas, mantinha-se um apetitoso e delicioso “prato” (alimento)!
Os europeus, empenhados em conhecer as realidades do Novo Mundo, “embarcaram na conversação”. A foragem, nas terras arenosas e carentes de húmus, crescia de forma adoidada e esperta!
O colonizador, a título de cultura forrageira, levou algumas singelas mudas. Os exemplares, numa espécie de gramínea, viram-se cultivados numa área destinada ao pastoreio!
O tempo, em poucos dias e semanas, revelou a vigorosa daninha. A cultura constituía-se na dinâmica e exuberante cebolinha. A difusão, entre as fezes e patas dos animais, ampliou-se no espaço!
A tiririca (Cyperus rotundus), em anos nas lavouras e potreiros, tornou-se uma tradicional e tremenda praga! O inço, em quaisquer cantos e recantos, parecia ostentar sobrevida!
A planta, através dos animais e máquinas, espalhou-se e inçou lavouras e regiões inteiras. Uma dificuldade, mesmo com os mais potentes herbicidas, consiste seu combate!
O extermínio, por completo, revela-se uma impossibilidade! A cada safra amplia sua difusão com os maquinários. Alguns restritos espaços tornaram-se lugares de domínio específico! Ela, aos humanos, tornou-se exemplo de amor à vida!
A ingenuidade, nos espaços coloniais, introduziu inúmeras pragas. O Homem ostenta-se o maior modificador dos cenários geográficos. Algumas espécies exóticas, em função do vigor, identificam-se com aparência de nativas.

                                                                        Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Nutgrass_Cyperus_rotundus02.jpg

domingo, 21 de julho de 2013

O lustre dos sapatos


Um determinado evento, da entidade comunitária, encontra-se com data pré-agendada. As expectativas, do afluxo de grande público, mostravam-se certas à diretoria!
Um morador, a título de trabalho, precisou ausentar-se e viajar durante a semana. Ele, no sábado, encontra-se de retorno ao convívio familiar. O interesse consiste em participar do esperado e ímpar baile! 
O fulano, como sobreaviso à esposa, deixou uma modesta cobrança. O pedido, com razão de preparar o subconsciente, exigiu em deixar o sapato arrumado e lustrado. A roupa, escolhida e passada, estendida sobre a cama para uso!
A presença, salvo algum imprevisto maior, encontra-se confirmada e esperada. A oportunidade mostrar-se-ia ímpar para confraternizar, dançar, fazer amigos, rever conhecidos... Ocasião de encontrar reunido o conjunto da vizinhança!
O trabalhador, a título de descontrair e relaxar, almeja esquecer as cobranças e encargos da labuta semanal! Afinal, como afirma a sabedoria popular, “ninguém ostenta-se de ferro” ou “quem não é visto carece de ser lembrado!”
A realidade espelha o velho desejo do conjunto de naturais. Os locais, com razão de engrandecer e enobrecer as entidades da localidade, precisam prestigiar os eventos. O real espírito dos habitantes transparece nas manifestações culturais e obras de melhorias!
Os lugarejos, como referência comunitária, ostentam alguns tradicionais eventos. Uma boa diversão rejuvenesce a alma e renova as convivências. As festas, em função dos desejos de lucros e em grande número, fazem faltar datas às promoções!
                                                                                                 
Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem: http://www.bemcasada.com.br

A Lua Cheia de Julho


Um forasteiro, num belo dia, parou num posto de gasolina duma autoestrada. O objetivo consistia em abastecer e verificar a rotineira manutenção do veículo!
Este, no interior da condução, encontrava-o abarrotado de mudas. Uma gama de frutíferas, de inúmeras variedades, tinham a finalidade de serem transplantadas numa chácara. O transportador, lá adiante, visava o auto-abastecimento familiar!
Um natural, com fisionomia saliente dos naturais da terra, admirou-se pelo capricho e dedicação à natureza. Este, sem floreios e rodeios, achegou-se para transmitir uma sabedoria milenar. O exposto mostrou-se bem aceito e vindo ao viajante!
O nativo, em termos gerais, disse: “– Estranho! Eu não lhe conheço! Quero dizer uma lição dos antigos. Os meus avós, a partir dos ancestrais, diziam sempre. As geadas ocorrem na época da Lua cheia no final de julho. O plantador, depois disso, pode transplantar as mudas. Elas carecem de serem queimadas pelo frio!”
O cidadão agradeceu a nobre observação. Este, de forma atenta, passou a reparar os desígnios naturais. Os anos sucessivos confirmaram a lógica natural. O cidadão jamais teve outras mudas ceifadas pelo rigor dos invernos!
O fato liga-se às realidades das regiões subtropicais do Hemisfério sul. Cada ano, em décadas sucessivas, ostenta-se a idêntica história. O avanço de fortes massas de ar frio, com suas geadas brancas e negras, ocorrem no período desta lunação!
Sábio mostra-se aquele que aprende com o conhecimento e experiência alheia. A tradição oral encarrega-se de preservar velhas sabedorias. Felizes são aqueles que podem dar-se o luxo de externar belos e sábios conselhos!

                                                                               Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem: http://ishtardivinopolis.blogspot.com.br/

sábado, 20 de julho de 2013

Um modesto cochilo


As eventuais presas, na cadeia alimentar, carecem de dormir e fraquejar. O primeiro equívoco representa o infortúnio. As precauções ostentam-se o prolongamento de dias!
Uma raposa, a título de exemplo, foi invadir o pomar. A extrema fome, num ato infletido, obrigou a enveredar pelas árvores. Os cheiros adocicados, de longas distâncias, mantinham-se o convite à ousadia e risco!
As plantas, localizadas próximo à moradia, mantinha o chamarisco das especiais bergamotas, laranjas e limas. O aroma, na proporção da proximidade, acirrava a imprudência!  
O bichinho, a partir do próprio cheiro, viu-se denunciado. Os cachorros, curtidos pelas caçadas, não tiveram dó e piedade. Estes, de forma aloprada e latidos ímpares, alardearam o ambiente!
O proprietário, na calada e a contragosto da noite, obrigou-se a conferir e intervir na peleia. Ele, de supetão numa bergamoteira, derrubou a indefesa e ingênua raposa!
O animal, em segundos, viu-se ceifado e esquartejado pelos acirrados caninos. Um exclusivo e ímpar cochilo, num momento impensado, bastou para pagar a burrice com a vida!
O idêntico, pelas estradas afora, sucede-se com inúmeros condutores. Estes, num momentâneo lapso, podem causar tragédias e pagar com a existência.
As falhas humanas, a cada prolongado feriadão, espalham dores e ocasionam tragédias! O cidadão, na correria desse global mundo, encontra-se na “chuva da diabólica sina”!
Certos chamariscos, a título de diversão inicial, enterram preciosas vidas. A calma e a prudência precisa ser uma companheira incessante nas vivências. Certos seres e situações não permitem quaisquer cochilos e fraquejos!

                                                                             Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem: http://zayandder.webnode.com.br

A momentânea pausa


O religioso, como de práxis, fazia a cerimônia fúnebre. Outro membro, chorado e lamentado pelos familiares, iria tomar o rumo do descanso derradeiro!
Amigos, conhecidos, parentes e vizinhos, de forma parcial, achegaram-se ao local das finais despedidas. O objetivo consistia em dar alento e solidariedade aos enlutados!
O pregador, como coordenador e realizador da cerimônia, ostenta a primazia das palavras. Este, como de hábito, rememora a contínua ladainha do sofrimento e ressurreição de Cristo.
A esperança e promessa derradeira em seguir o idêntico caminho da salvação repete-se! Alguns membros, em função dos muitos velórios, encontraram “carecas de saber” desse singelo conteúdo!
O momento mostra-se uma oportunidade ímpar de encontros e reencontros. Os participantes poderiam comentar fofocas, resolver negócios, rever velhos amigos... O pessoal, num descuido, exagerou nas conversações e ignorou a fala pastoral.
O religioso, num momento, para a pregação. Este, numa pausa repentina, espera o silêncio da plateia. Ela, num aparente susto, entreolha-se e silencia!
O religioso, depois da cerimônia, retoma a conversa. Ele, junto à diretoria, afirma: “Os moradores podem fazer a venda de animais e veículos noutro lugar e momento! Fora das cercanias da casa mortuária e cemitério comunitário!”
O pessoal, nos bastidores, comentou a severa repreensão. Inúmeros carecem ainda de conhecer a importância de silenciar e ouvir! Outros até piadas chegam a narrar em ambientes impróprios!
A visitação familiar, na convivência comunitária, tornou-se uma restrita prática. A credibilidade religiosa, na era da informação, carece de assumir a tradicional importância de outrora. A profissão religiosa, em função do disseminado número de congregações e igrejas, revela-se uma banal ocupação!

                                                                                              Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem:http://myvoiceonthewingsofchange.blogspot.com.br