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terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Maçonaria



       (Trecho extraído do livro “Colônia Teutônia: História e Crônica (1898-1908)” de Guido Lang - páginas 30 e 31).

A sociedade filantrópica secreta tornou-se, como em qualquer lugar de instalação da Loja, assunto de curiosidade geral. Os moradores teutonienses não fugiram à regra e criaram inúmeros comentários sobre o tema, que, através da tradição oral, continua despertando atenções.
Teutônia, de 1899 a 1922, abrigou a Loja Maçônica “Luz de Teutônia” que edificou sede em Glück-auf (Canabarro). A loja esteve filiada à Grande Loja Maçônica do Oriente do Brasil do Brasil, que seguiu a linha francesa do movimento. Os registros de atas e contribuições, assim como as reuniões, foram realizados em língua alemã, que era o idioma corrente na colônia. Os encontros poderiam ser semanais mensais, aos quais afluíam as lideranças das diversas picadas (localidades) interioranas. Os membros eram convidados a integrar a ordem (depois de ter manifestado interesse e terem pesquisada a transparência de sua conduta). A loja procurou arregimentar, pela relação de nomes, os indivíduos rurais que eram lideranças comunitárias na cultura, economia, política e sociedade. A famílias com maior número de membros engajados eram as dos clãs dos Lautert, Schäefer, Schneider, Schüller e Schwingel. Os membros maçons de maior graduação, dentro da escala de 1 a 33, foram Phillipp Geib (18), Heinrich Schüller (18), Wilhelm Musskoph (18), Peter Schmitt (30), Heinrich Hatje (14), Henrique Hepp (18), Jacob Hepp (18), Henrique Lautert Filho (14) e Gustavo Robinson (30).
A reunião de abertura ocorreu em 12 de setembro de 1899, quando fizeram-se presentes os membros Peter Schmitt, Eberhard Horst, Petro Schüller, Henrique Faller, Henrique Hepp e Henrique Lautert Filho. Outros membros foram: Wilhelm Hörlle, Mathias Dinstmann, Erns Windmöller, Carlos e Wilhelm Schneider, Heinrich Feine, Francisco Schäffer, Jacob Kettermann, Adolph Lautert, Oscar Hauenstein, Leopold Dahmer, Eberhard Horst, Ernst Brust, Ferdinand Markmann, Jacob Fristscher, João Bornholdt, Friedrich e Karl Eggers, Jacob Pedro Kilpp, Hermann Neuhaus, Friedrich Wilhelm Lang, Reinhold Antoni, Adolph Zimmermann, Wilhelm Sommer, Alexander Fensterseifer, Georg Krützmann, Henrique Beckmann, August Geisel (pai de Ernesto Geisel – ex-presidente da República), Jorge Arnt, Georg Wallauer e outros.
Os maçons ou pedreiros-livres certamente exerceram acentuada influência nas diversas comunidades, porque seus membros eram a “elite pensante das colônias”; exerciam, geralmente, as profissões de prósperos colonos, comerciantes e professores, assim como eram membros ativos das diversas diretorias das sociedades recreativo-culturais. Estes, provavelmente, difundiram os princípios, largamente presentes nas opiniões de inúmeros moradores, da abstenção de quaisquer fanatismos, da vida piedosa e virtuosa serem suficientes para cumprir os desígnios divinos, de Deus revelado pela natureza e presente em tudo, da igreja como instituição de comercialização da fé e outros.

Crédito da imagem: http://naosejaumalienado.blogspot.com.br/

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Adágios e provérbios de camioneiro


Reunidos por Guido Lang

- A vida é de quem corre menos em busca do mais;
- Sê a vida fosse boa ninguém nasceria chorando;
- A vida é de quem se arrisca e corre menos;
- Sê o mundo fosse bom o dono viveria nele;
- Em um rio cheiro de piranha, boi bebe água de canudinho;
- O homem nasce sorrindo, vive mentindo e morre fingindo;
- A via é como um dado, tem os seus pontos marcados;
- Cada instante que passa é uma gota de vida, que nunca mais torna a cair;
- Na subida Deus me ajuda, na descida Deus me acuda;
- Dinheiro não tenho, mais paixão em demasia;
- Menino medonho não sai coisa boa;
- Não tenho todas as coisas que amo, mas amo todas as coisas que tenho;
- Quem fala de mim tem inveja ou paixão;
- A saudade é o motivo da minha pressa;
- O sonho nos dá o que a vida nos nega;
- A maior arma do boi é o desgosto do homem;
- Fracassar é triste, mais triste ainda é não tentar vencer;
- Quem corre cansa, quem anda alcança;
- Não aponte as falhas alheias com o dedo sujo;
- Artista é aquele que sofre sorrindo;
- Veja os teus erros, depois corrija os meus;
- Quando a galinha é boa, o pinto cresce;
- Ame a vida porque alguém te ama;
- Deus te abençoe e o Diabo que te carregue;
- Pinga é lubrificante de ajudante;
- Quando a coroa é boa o pião não piá;
- Segura na mão de Deus e vai;
- Moro na estrada e passeio em casa;
- Vivendo, aprendendo e ensinando;
- Não sou rei mais gosto de coroa;
- Quem ama rosas suporta espinhos;
- Um coração sem amor é um carro sem motor;
- Quem planta amor, colhe saudades;
- Sê eu fosse rico, comprava teu orgulho;
- A medicina não cura o mal da separação;
- A luz dos teus olhos ilumina o meu caminho;
- Um banquinho e seus carinhos e nada mais;
- Há distância nos separa, o pensamento nos une;
- Entre as mais lindas flores escolhi você;
- Sou de aquário, mas adoro virgem;
- O pouco que te vejo muito me ajuda a viver;
- Sou principiante, aceito qualquer uma;
- Não sou aquilo que sonhas, mas tenho o que você quer;
- Onde termina a minissaia, começa meu pensamento;
- Minissaia é igual a cerca de arame, cerca a propriedade mais não tira a visão;
- Mulher bonita e parafuso, comigo é arrocho;
- Mulher sem ciúmes é mulher sem perfumes;
- Mulher não pensa, quando pensa erra;
- Quando chover mulher quero ter uma goteira na casa;
- Caminhoneiro de mulher feia não pensa em feriado.

Os "arranca tocos"


Esta era a denominação dos quadros esportivos improvisados nas colônias, quando a paixão pelo futebol, nos idos de 1930 e 1950, chegou nas diversas paragens teutonienses (situadas no Rio Grande do Sul/Brasil). Diminutos espaços planos, nos pátios ou potreiros, viram-se transformados em quadras esportivas. As bolas, inúmeras vezes improvisadas com panos, tornavam-se disputadas numa desenfreada correria. Adultos, crianças e jovens, sem maiores aptidões e habilidades esportivas, treinavam chutes e dribles, que, com estranhas bolas, eram “tocados a base do bicudo (chute forte)”. Inúmeros cocurutos, pedras e tocos vinham juntos na direção das goleiras, quando os competidores, com “sola dura dos pés” com o desuso do calçado, faziam pouco caso de minúsculos obstáculos esportivos. Os jogadores, advindos das encostas e vales do interior das propriedades minifundiárias de subsistência, encontravam-se acostumados à vida rude.
Estes, de qualquer jeito, procuravam jogar bola, quando a brincadeira e passatempo tornou-se uma obsessão. Os dias chuvosos, feriados, horários livres e finais de semana eram esperados com ansiedade, porque, numa reunião de amigos, irmãos e vizinhos, combinava-se um joguinho nalguma cancha pré-estabelecida. Quaisquer quatro chinelos, estacas ou pedras (tiradas de cercas de pedra) dava para organizar um campo, escolher no par e ímpar os quadros equilibrados e daí correr atrás de uma bola. Os gritos, pedidos e risadas, num dialeto estranho (hunsrücker) na América Portuguesa, ouvia-se a boas distancias, quando os tradicionais baralhos, caçadas e visitas perderam importância.
Os treinos fortuito, com os dias e meses, criaram habilidade com a bola, quando “os arranca tocos” cederam espaço a jogadores. Estes, no decorrer dos anos, criaram os quadros esportivos, que pipocaram nas colônias Boa Vista, Canabarro, Catarina, Germana, Languiru, Pontes Filho, Schmidt, Teutônia... Os confrontos domingueiros dos inúmeros quadros, tornaram comuns, quando domingo sem confronto, parecia uma data desperdiçada.
Os primórdios do esporte amador veio redimensionar o lazer nas colônias, no que o encontro dos times, em partidas ou torneios, era o motivo do afluxo de moradores. Saudosos tempos estes, quando jogava-se sem maiores delongas; achava-se graça das jogadas esdrúxulas; torcia-se apaixonadamente pelo clube da localidade; desconhecia-se ingressos, juízes de ligas, campeonatos onerosos... A ingenuidade e inocência pareciam parte da alegria e felicidade colonial, quando a mentalidade e os princípios existenciais eram outros.
           
Guido Lang
Jornal O Eco do Tirol, p. 03, edição 49
26 de novembro de 2005

Crédito da imagem: http://eusabiaetusabias.blogspot.com.br/

domingo, 19 de agosto de 2012

A pobreza


"O dinheiro não traz a felicidade, mas a pobreza também não leva-me a lugar algum".

Provérbio popular


O especial pacote

                                                      
            Um comprador, morador das colônias, saiu da padaria com uma volumosa compra. Um vizinho, neste ínterim, entra no estabelecimento, quando, no encontro, cumprimentam-se e trocam rápidas palavras. O Fritz, com forte sotaque germânico, pergunta em português: “-Tudo bom!” O Fritz complementa: “-Fratz! Muita cuca e pouco pão para o Kerb (festa teuto-brasileira)”.
            Os dialetos teutos, com frequência, deixam sotaque nos usuários bilíngues. As histórias de alemão são rotineiras no contexto das piadas brasileiras.

Guido Lang
Jornal O Eco do Tirol, p. 03, edição 48
19 de novembro de 2005

sábado, 18 de agosto de 2012

A excepcional cuca


            Uma colonial, muito econômica por sinal, ganhou a visita das amigas. Esta, depois de muita conversa e fofoca, ofereceu uma apetitosa cuca, que, na metade da tarde, foi regada a mate. Os visitantes digeriram inúmeras fatias, quando sobraram elogios à comida.
            Uma companheira, depois de saciada, quisera saber o segredo do preparo da excepcional cuca. A dona, com sua franqueza e humildade rural, complementou: “- Aproveitei o leite colostro da vaca Mimosa, no que deu o saboroso e apetitoso prato”. As senhoras, nestas circunstâncias, arrependeram-se do consumo do cardápio, porque, nas colônias, o colostro é visto como indigesto.
            O indivíduo nunca sabe a real qualidade dos alimentos. Os elogios antes da externação exigem conhecimentos da causa.


Guido Lang
Jornal O Eco do Tirol, p. 03, edição 48
19 de novembro de 2005

O bichinho da Pantanal


            Um citadino, por um rural, foi passado numa caçada de tatu, quando o tatu deu origem a gargalhadas.
            O urbano, numa certa ocasião, apareceu com uma caixinha, que ostentava diversos furinhos nas paredes. Ele, pelos muitos curiosos, foi perguntado pelo conteúdo da “caixinha de mirim”, quando fez referência em abrigar uma espécie exótica e deveras arisca do Pantanal Matogrossense. O parceiro da caçada, com sua indescritível curiosidade, foi devagarzinho alevantando a tampa; expiou e viu-se refletido em meio aos espelhos. Outros gozadores, no centro comunitário, “viram-se como bela e rara espécie pantaneira”, quando cedo ignoravam as caçadas de tatu.
            Artimanhas e brincadeiras inteligentes fazem ciladas fáceis aos curiosos. Os contadores de história costumeiramente ignoram as suas trapaceadas
                                                                                                           
Guido Lang
Jornal O Eco do Tirol, p. 03, edição 48
19 de novembro de 2005