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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Mensagem para as gerações vindouras



"Os livros, sem sombra de dúvida, são mensagens deixadas para as gerações futuras. Tornam-se,  após o perpassar dos séculos, contribuições de homens do passado, que já viraram pó há tempo, para o engrandecimento do gênero humano".

Guido Lang

Crédito da imagem: http://cores-e-nomes.blogspot.com.br/2011/04/pra-voce.html

Sabedoria Financeira Colonial



Externar, em forma de adágios, ditos e provérbios, a sabedoria financeira colonial consiste numa realidade ímpar. Os muitos conhecimentos mostram a cultura imaterial destes moradores, que, da propriedade minifundiária de subsistência, fazem sua empresa familiar. Produtores não podem impôr preços, quando, pelos intermediários, tem-os fixados no contexto das oscilações econômicas. Procurou-se, em anos de convivência e conversas informais, anotar umas pérolas, que ostenta a riqueza de conhecimentos e gestão administrativa. Exemplos da galeria do acervo:
01.  O dinheiro não traz felicidade, porém deixa tranquilo o sistema nervoso.
02.  Quem compra supérfluos, venderá o necessário.
03.  Dinheiro não é o problema, ostenta-se a solução dos problemas.
04.  Dinheiro demais, amor de menos.
05.  Cuidar do pouco para fazer maior o muito.
06.  Não faça perguntas a quem paga bem!
07.  Só devemos ter aquilo que conseguimos pagar!
08.  Proposta de preço não é ofensa!
09.  Sem dinheiro e documentos é ilusão pegar a estrada.
10.  Governos não dão nem um tostão que não tiram de outros!
11.  Dinheiro mau ganho, dinheiro mau gasto.
12.  Um real aqui, dois acolá, três para o beltrano, no final um punhado!
13.  Quando mais fala-se em poupar, maior a vontade de gastar.
14.  Muito patrimônio onera o indivíduo.
15.  Jogo, sexo e vício leva qualquer um à falência.
16.  O dinheiro governa o mundo! Todo gira ao redor dele!
17.  Quem não valoriza o pouco, não merece o muito.
18.  Trabalhar sem lucro inviabiliza qualquer negócio!
19.  Compra-se unicamente o essencial na falta de dinheiro.
20.  Quem não sabe manejar o dinheiro, condena-se a pobreza!
21.  Pessoas, por dinheiro, desconhecem maior compaixão!
22.  Qualquer iniciativa que se faça precisa de dinheiro!
23.  Quando se tem dinheiro, os amigos são até em demasia.
24.  Que adianta poupar se não pode levar para o céu!
25.  O dinheiro não traz felicidade, porém a falta leva a brigas!
26.  Que faz bem ao bolso, faz bem ao coração!
27.  Com dinheiro para comprar a vista, compra-se melhor!
28.  Economize! Sem poupança ninguém constrói nada!
29.  Quando todos pagam, ninguém paga demais!
30.  Quem trabalha sempre ganha algum dinheiro!
31.  O imprestável costuma estar disponível a venda.
32.  Quem não tem dinheiro obriga-se a pensar pequeno.
33.  Primeiro produzir e depois consumir: o princípio básico de qualquer economia.
34.  Uns, sem nada no traseiro, arriscam-se a dar formidáveis conselhos financeiros.
35.  Quem tem dinheiro administra bem suas economias.
36.  Homem que se preza não se rebaixa por centavos.
37.  Cada centavo conta e um monte de centavos também é dinheiro.
38.  Cada qual que dobra um dedo quer dinheiro.
39.  O prudente gasta o dinheiro aonde ele produz frutos.
40.  Cada qual espreguiça-se até aonde o bolso alcança.

Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”


Crédito da imagem: http://obviousmag.org/archives/2007/12/o_dinheiro_e_um.html

As "pérolas" do cotidiano da vivência



     As pessoas, ao longo da sua sina, acumulam excepcionais sabedorias, que expressam-se em adágios, ditos e provérbios. Costumam, entre amigos, parentes e vizinhos, externá-los nas conversas informais, no qual fala-se muito em poucas palavras. Os colonos, como agricultores e moradores do meio rural, não fogem a regra, quando assimilaram especiais lições. Estas ouvidas no quotidiano das conversas, numa sabedoria ímpar, revelam o modo existencial. Compartilhemos, com seus autores, algumas frases significativas.
     01.  Quando o marido é muito bom, a mulher usa as botas (Edith Schonhorst Altmann).
   02.  O homem muito fofoqueiro e mentiroso ostentava-se costumeiramente falso (Elga Maria Steffler Lang).
   03.  Uma hora de visita mostra-se o suficiente; conversou-se o essencial e dali em diante começa as mentiras e vantagens (Lothário Lang).
    04.  Os filhos crescem e com isto vai à vida dos pais (Roberto Scheffler).
    05.  A vida é como a sombra, que aparece com o Sol e com ele some (Miro von Mühlen).
    06.  O indivíduo conhece o pensamento da pessoa pelos livros existentes na biblioteca (Júlio César Lang).
  07.  O relógio da vida, depois dos cinquenta anos de existência, passa a correr para trás (Flávio Fensterseifer).
   08.  Os homens, em função da ganância por dinheiro, vão destruindo a maravilha divina da natureza (Lira Hamester Lang).
  09.  O estômago, com os exageros e misturas das comidas, assemelha-se a um tanque de lavagem (Silvério Brackmann).
   10.  Mulher bonita custa muito dinheiro e não se consegue cuidar o suficiente (Maurício Tischer).
   11.  Mexer com a mulher alheia assemelha-se a mexer com um ninho de vespas (Valdoni Tischer).
   12.  Quem quer meter-se na política precisa agradar as pessoas (Mário Wink).
   13.  Bons amigos fazem negócios e negócios fazem bons amigos (Darci Dickel).
   14.  Uma boa horta costuma ser a metade da cozinha (Nilvo Ludwig).
   15.  Pode-se cuidar! Geada em cima de chão molhado é prenúncio de chuva (Dário Frederico Lang).
   16.  O frio, no corpo da pessoa, fica cada vez mais acirrado com a idade (Elmo Schäefer).
   17.  Qualquer estrada sempre tem sua utilidade assim como qualquer árvore tem sua importância (Rubem Stahlhöfer).
   18.  O amor é cego porém o vizinho não (Plínio Dickel).
   19.  O conhecimento assimilado, na prática da propriedade, é um; este, na cidade, não tem maior valor (Silvio Stahlhöfer).
   20.  O pobre, no período das férias, carrega pedras (Daniel Scarpi).
   21.  O colono costuma ser chamado de mula e denominá-lo desta forma é ofender a sabedoria do animal (Lírio Klein).
   22.  Difícil tirar dinheiro de quem gosta demais dele (Guido Lang).
   23.  O indivíduo, na terceira idade, só tem a tendência em ser rápido no cair e, no demais, mostra-se cada vez mais devagar (Lotário Dickel).
  24.  Qualquer conselho, dado por pessoa honesta, revela-se uma fortuna para quem a recebe (Werno Michel).
  25.  Sê queres saber, lá do fundo baú, os teus podres – precisa só ser candidato na política (Dirce Altmann).
   26.  O indivíduo para ser mau conceituado/falado, precisa só ter um pouco mais de patrimônio no contexto comunitário (Norberto Lang).
   27.  Toda planta serve como chá; precisa-se unicamente conhecer a sua utilidade (Melita Müller Dickel).
   28.  Que evolução é essa que considera o capricho, organização e trabalho ultrapassado? Isto não existe! (Gilberto Kreimeier).
   29.  A gente sempre deve ser humilde e ostentar menos que se tem (Romildo Spellmeier).
   30.  Alegro-me muito com o sucesso alheio! Se os outros vão bem eu também vou! (Danilo Markmann).

Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”


Crédito da imagem: http://dicasemmoda.com.br/perolas-2/ 



domingo, 12 de agosto de 2012

Honestidade


"Seja honesto e justo e não terás problema em nenhum canto do mundo".

Guido Lang

O significado dos coqueiros




Os tradicionais coqueiros/jerivás (Syagrus romanzoffiana) foram os poucos vegetais poupados no interior das roças no contexto da saga colonizadora. Outras espécies para dar espaço a agricultura de cereais e tubérculos conheceram a devastação com vistas de possibilitar a chegada dos raios solares. O tapete, da Floresta Tropical Subtropical (Mata Atlântica), sofreu alternância para um colorido na cor dos cereais e gramíneas. A planta, pelo significado da perenidade das palmas, ganhava utilização colonial, quando embelezava eventos matrimoniais. Lia-se nas entrelinhas identidade perenidade na união familiar como a eficiente preservação das folhas da palmeira. As palmas no rigor do extremo do inverno ofereciam um complemento de matéria verde junto aos fenos e palhas queimadas do inverno. Os coqueiros como sementes, ostentavam-se um excepcional alimento a diversas espécies da fauna...
Umas famílias germânicas como estirpes recém introduzidas na América Meridional inspiravam-se na planta como modelo de vida. O coquerinho crescia como vegetal miúdo no contexto dos gigantes da selva, porém desenvolvia-se paulatinamente na direção do maioral. Erguia-se sufocado e reprimido, todavia protegido do rigor do Sol e do frio. Transcorreram décadas, num desenvolvimento contínuo, para tornar-se uma saliência no ambiente da floresta. Famílias européias, “com uma mão na frente e outra atrás”, começaram tímidas, mas ousadas e trabalhadoras no contexto das matas virgens; transcorreram-se décadas e gerações para ostentarem-se magníficas estirpes, “como coqueirais” no contexto das organizações humanas.
Os colonos nos dias ventosos conheceram outra nobre função das palmas: direção dos ventos e consequentes condições de tempo. Estes no ínterim das jornadas apreciavam o balançar das palmas, que debatiam-se com o deslocamento das correntes de ar. Cada direção, para as atividades primárias, revela o comportamento meteorológico das próximas horas, dias ou semanas. O vento sul/minuano prenúncio de chuva e friagem; vento oeste, do centro do continente, assinalava provável calor e seca; vento leste marcava intensas chuvas, temporais e calor abafante; vento norte, como expresso o dito popular “chuva na porta depois de três dias”. Cada direção salva a alternância de cada estação.
Poucos, com o advento da aparelhagem tecnológica, valem-se da bússola natural, no qual o eucalipto segue a sua imitação e a história uma pérola das vivências coloniais.

Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”

Crédito da imagem: http://www.panoramio.com/photo/20107843

sábado, 11 de agosto de 2012

Os singelos sinais



Os dias frios, nublados e úmidos, no sabor do inverno, são flagelos para animais, humanos e plantas. A falta dos divinos raios do Astro-Rei, coloca a prova as condições de vida, quando a natureza, num testemunho de fogo, encarrega-se de fazer uma seleção natural (“procura testar a eficiência do velho para abrir espaço ao novo”). A realidade, na situação dos fatos, mostra a “ausência de dó e piedade”, quando somente os fortes tem o contrato da vida renovado.
O Sol, na proporção do solstício de inverno, começa a aquecer e ampliar a luminosidade no Hemisfério Sul, quando paulatinamente singelos sinais de mudança brotam no contexto dos dias tenebrosos. Olhos atentos, na direção da fauna e da flora, vislumbram sopros de vida, quando os “entocados saem à superfície”.
Os antigos, a gerações, degustiam os singelos sinais, que, no desfecho de julho e início de agosto de cada jornada, vislumbram os suspiros da natureza. Os coloniais no contexto das lidas diárias das propriedades, apreciam-nas com afinco, quando muitos dizem “este inverno já deu o que deu”. O vislumbre, no alento, sucede-se no florido das árvores (corticeiras, ipês, pereiras, pessegueiros...) que, das baixadas na direção das encostas, “ostentam possibilidades de plantar”. As ações das coiviras no cantar e saltitar começam a procurar lugares de ninho. Amoreiras cobrem-se de folhas e flores. Enxames de abelhas ousados tomam o rumo do vôo nupcial das rainhas. Sabiás cantam melodias divinas. A brotação dos vegetais aflora aos quatro ventos...
Os humanos vêem acirrado o instinto primitivo de mexer com a terra e plantas. Trabalho nas propriedades não falta e tarefas acumulam-se em todos os cantos e recantos. Espécies, há semanas entocadas ou migradas, afluem às paragens. A vida em um bailado majestoso ruma a multiplicação e renovação, com razão de eternizar-se no tempo. O Criador, aos olhos das suas criaturas, revela a sua real face, quando nas entrelinhas predomina o amor e os propósitos da sobrevivência.

Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”

Crédito da imagem: http://mauriciomiele.blogspot.com.br/2012/07/agosto-pra-tudo-1-ipe-roxo.html 

A fábula da galinha e do pombo



            Conta, a tradição colonial oral, numa propriedade rural havia dezenas de aves, que nos diversos cochos, comiam a ração em conjunto. Galinhas e pombos relacionavam-se bem no criatório, quando cada qual respeitava os devidos espaços. Aconteceu em uma época das galinhas estarem cansadas de pôr ovos e “almejarem alguma folga/férias”.
            Estas, certo dia, ficaram conversando com alguns pombos quando pediram conselhos. Elas conhecendo a realidade do bom conselho (de não custar nada), foram falando: “-Amigas galinhas! Finjam estarem adoentadas com os piolhos das quais o dono não dá um jeito de exterminar/limpar!” As ingênuas galinhas procuraram seguir a risca a recomendação, quando desleixaram na nobre tarefa de pôr ovos. O patrão, ao anoitecer, recolheu os frutos do dia, quando se admirou do escasso resultado da colheita: “uns poucos ovos”. Ele, para sua senhora, disse: “-Ó companhia e parceria de inúmeras tarefas! Vamos esta noite dar um jeito nestes pombos que defecam tudo e trazem piolhos as galinhas.” Os pombos, conhecidos como “ratos de asas”, foram apanhados e levados ao armazém/venda, quando como pombos brancos foram utilizados em ritos religiosos (nas cidades).
            Cuidado! Muito cuidado com os conselhos! Estes, nalgum momento, podem ser a tua própria desgraça. Tarefas atrasadas, inúmeras vezes postergadas, nalgum momento, tomam vulto.
           

Guido Lang
Livro “Histórias das Colônias”


Crédito da imagem: http://eudesalencar.blogspot.com.br/2010/05/pomba-da-paz-uma-pinoia.html