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sábado, 1 de março de 2014

O bucólico roubo


A mulher afligia-se no detalhe. Peças de roupa, no espaço cercado e fechado do prédio, sumiam da varanda do apartamento. Um enigma atribuído a algum fantasma!
As hipóteses foram variadas nos palpites. As aspirações visavam decifrar a charada. Olhos atentos abrangeram os quadrantes. Algum chamariz serviu de tentação!
O curioso: as peças, escolhidas a dedo, sumiam misteriosamente no varal estacionário. As queixas, a imobiliária, relacionavam a dupla chave. A empresa abdicava do argumento!
Um assalariado, no serviço da fábrica, viu-se liberado no imprevisto. O fulano, na casualidade, achegou-se antes do normal à moradia. O panorama via-se de mão na botija!
O espetáculo exprimiu-se prodigioso. A habilidade e ousadia saltavam aos olhos. O gênio humano direcionava-se a esperteza e estrago. A escolha recaía nos exemplares íntimos!
A vizinha, no andar de cima, fisgava com anzol as unidades. O caniço, com manivela, permitia excepcional pesca. O segredo, no súbito, despontou a realidade dos acontecimentos!
Uns, por ninharia, cunham inadequada fama. A inadequação, aos quatro ventos, propaga-se nas conversas. Artifícios, até no velório, veem-se relembrados nas histórias!
O ladrão, no imprevisto, denuncia-se na vadiação. A generalizada roubalheira dissemina-se na impunidade!
                                                                     
        Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: http://mueller.ind.br/

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Os indiscretos latidos


O criador, filho das colônias, encontra-se cansado e dolorido da jornada. A subsistência impunha obrigações e trabalhos. A fadiga domava o velho corpo. A cama era o remédio!
O cidadão, na possibilidade de descanso, encontrava-se feliz. O leito, nas noturnas horas, trazia especial aconchego e alento. O amparo, no suado dia, delineava-se no organismo!
A letargia via-se como bálsamo no revigoramento. O cochilo entendia-se como soneira. O beneficiário, na viagem pela profundeza do íntimo, desatou do mundo!
A algazarra no exterior, de aferrados latidos, rompeu o encanto e silêncio. A cachorrada, no ininterrupto, inferniza o ambiente. A letargia assiste-se censurável!
O jeito, no incômodo, consistiu em tomar atitude. O foque (lanterna) foi contraído com razão de apurar a ocasião. Os caninos, de guardas, haviam enfurnado o gambá!
O animal, na altura da árvore, encontrava-se entocado. O alvejado, na luta pela sobrevivência, dirigia-se ao galinheiro. A probabilidade de caça viu-se irrealizável!
O proprietário, nas auroras, obriga-se a zelar pelas criações e instalações. Os cães, no impulso de selvagens nos pátios, acostumaram-se a detectar aberrações e impróprios!
As visitas inconvenientes fazem parte dos ocorridos. Os despossuídos abdicam unicamente de cuidados. As dificuldades verificam-se em quaisquer atividades!
A sobrevivência, na luta pelo alimento, vê-se um duradouro duelo. Animais domésticos, pelos responsáveis, exigem contínuos reparos e tratos!

Guido Lang
“Crônicas das Colônias”

Crédito da imagem: http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/cao_policial.htm

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O arrojado regresso


Os ratos, na ausência dos gatos, viam-se praga. Os venenos careciam de dar conta do extermínio. Odores e porcarias, nos arestas e retiros, viram-se criados e empilhados!
O morador, ao longínquo amigo, encomendou os peculiares gatos. Os animais, na proporção de cinco, foram encaixotados. O carregamento acabou aliviado no pedido!
Os animais, muito crescidos, foram encarcerados dias. O novo possuidor, certa hora, abriu compartimentos. A bicharada, na direção de brejos e matos, volveu disparada!
Os felinos, na semelhança de raio, sumiram na vegetação. A moradia viu-se completa inviabilidade. A cachorrada, na curiosidade (diante de estranhos), acentuou corridas e fobias!
Os gatos, por semanas, conservaram-se refugiados em estranhas terras. A surpresa ocorreu certo dia. Os animais, desorientados na viagem, regressaram a residência original!
A orientação solar guiou certamente os caminhos de retorno. O bom filho a casa retorna. Os gatos apegam-se as casas na proporção dos cachorros aos donos!
As pessoas, na real, subestimam a astúcia animal. Os gatescos, na sabedoria popular, detectam de antemão os amigos ou inimigos. A esperteza felina serve de inspiração humana!
Os animais, em ocasiões e situações, deslumbram os donos. Os bichos, nas afinidades e dedicações, escolhem os patrões!

Guido Lang
“Crônicas das Colônias”

Crédito da imagem:  http://entretenimento.r7.com/blogs/carmen-farao/gato-na-moda-26092013/

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O fiel companheiro


O morador, afoito caçador, perdeu o peculiar amigo. O animal, nas perseguições, assistia-se inseparável nas jornadas. As incursões ostentavam-se ímpar brincadeira!
O companheirismo entendeu-se por uma dúzia de anos. O apego, cachorro-dono, concluía-se em conhecimentos e habilidades. A relação ostentava-se alegórica!
O primeiro, nas atitudes e tempo, vivia para o proprietário. O dono, na atenção e tratamento, tinha o cão na condição de distinto filho. A simbiose entendia-se perfeita!
As peripécias, na circunstância da caça, foram atraentes. Brejos e matos, campos e lavouras, córregos e poços foram esquadrinhados na busca das desatentas presas!
A astúcia, na junção de interesses, instalara analogia e ternura. As partes avaliaram-se a partir de modestos chamados e olhares. O animal, em síntese, carecia unicamente discorrer!
O infortúnio, na idade, separou amigos. O cão antecipou-se na partida. A morte, na ocasião própria, achegou-se ao batido corpo. O velho Fiel dirigiu-se a outra instância!
O funeral, na tradicional jabuticabeira (junto ao pátio), foi dolorido. O afastamento, no desgosto, igualava-se a falecido filho. Lágrimas e soluços escorriam no semblante!
A especial e singela pedra, na alusão, sinalava o exato lugar. As peripécias, das coexistências, resguardavam-se nas lembranças. Parceiros afastam-se e lembranças ficam!
Animais e pessoas, de mútua forma, afeiçoam-se na convivência. Amigos verdadeiros, no literal da palavra, veem-se parcos na existência!

Guido Lang
“Crônicas das Colônias”

Crédito da imagem: http://canillfoxhoundamericano.blogspot.com.br/

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A inovada pescaria


O reservatório estendia-se sobre o cenário colonial. A água, sinônimo de vida, atraía as espécies. As presas, no convite, atiçavam primitivas aptidões e instintos de coleta!
A fauna silvestre, no imenso açude, multiplicava-se estabanada. A reserva alimentar, ao esfomeado residente, palpitava nos olhares. Os inovados pratos assistiam-se possibilidades!
A ambição humana, originária dos impulsos selvagens, adveio no desejo de degustar o diverso. A exótica carne, no cardápio, via-se convite ao variável no paladar!
A cobiça abrangia as arredias rãs-das-moitas. A caçada, na paciência, despontava um ardil de profissional. Os sapos boi, no exemplo, revelaram-se dificílimos de pegar!
O morador, nos apurados instintos, inovou no conhecimento. O estudo do artifício, na acirrada observação, revelou o caminho. O alimento, na preferência, eram as minhocas!
O rural, na alongada taquara, adicionou anzol ao náilon. A cobra-cega viva, na ponta de ferro, via-se espetada. A fura-terra, na agonia e instinto, mexia-se abalada na água e artefato!
As esfomeadas e precipitadas pererecas engoliam anzol e isca. O segredo, no silêncio, consistia em atirar o artifício nas águas e charcos. O fruto assistia-se abundante e corriqueiro!
As esdrúxulas, no peculiar preparado e tempero, atraíam apreciadores e despertavam afrodisíacas crenças.  Os homens, nas necessidades, inovam na finura do amparo animal!
O astuto, no chamarisco, descobre esperta saída. A esperteza reside em descobrir a solução mais viável aos dilemas!

Guido Lang
“Crônicas das Colônias”

Crédito da imagem: http://www.trilhaape.com.br/

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A extrema satisfação


O habitante, no cortiço e favela da periferia, nasceu, cresceu e viveu os dias. As carências e improvisações saltavam aos olhos. Aromas impróprios difundiam-se no ambiente!
O amontoado de prédios esqueceu-se das áreas de distração e lazer. Educação e segurança verificaram-se em baixa conta. O ente público ostentou-se na extrema deficiência!
O local, em resumo, habituou-se a realidade de milhões. O instituto de pesquisa, de autarquia/órgão estatal, achegou-se a residência. O pesquisador interrogou o constituído!
A enquete, a domicílio, tornou-se fonte de caráter oficial. A dúvida, do questionário, perguntava: O morador adora ou desagrada em morar naquele ambiente urbano?
O residente, desconhecedor de aprimoradas realidades, afirmou: “gostar ao extremo”. As deficiências, de toda ordem, faziam imperceptível diferença na essência das vivências!
O consultado, na fonte, via-se de baixa conta. A realidade reforçou: A confiança das pesquisas anda em baixa conta. Os dados retratam interesses de coberturas e patrocinadores!
As pessoas, em geral, amam os ambientes de subsistência. O indivíduo reflete as satisfações dos lugares de experiências. Pesquisas são representações parciais e relativas!
Os ambicionados resultados definem os subsídios. “Ninguém ama o desconhecido e ignorado”!

Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: www.panoramatricolor.com

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A trompa d’água


As nuvens escuras vislumbraram-se no firmamento. A chuva desabaria em minutos. A ventania prenunciou os perigos. As correrias tomaram vulto. A proteção via-se necessária!
As pessoas buscavam amparo. Os motoristas, nos veículos, dirigiam adoidados. A ansiedade era chegar aos destinos. A jornada, no horário próprio, possuía prazo determinado!
O desejo incidia em safar-se dos contratempos. A história, no delírio dos horários, via-se imprópria nas intempéries. Os redemoinhos, com fios e materiais, ofereciam riscos!
O aguaceiro, na semelhança de água de balde, caiu no baque. O caos, na interrupção da energia, instalou-se em avenidas e ruas. O deus nos acuda assombrou o meio urbano!
Sinaleiras desligadas, nos cruzamentos, instalaram o caos. As filas inacabáveis desdobraram-se nos sentidos. A chuvarada, em instantes nas vias, formou arroios e rios!
A aglomeração divisou bagunça e destruição. A anormalidade descreve o despreparo na cidade. O descalabro, na instabilidade do tempo, vê-se comum nos centros!
O cotidiano, nas vivências urbanas, tornou-se acirrada disputa. As pessoas, aos milhares ou milhões, pleiteiam saturados metros. A tendência encaminha-se no adensamento!
A pergunta, no porvir, relaciona-se: Onde vamos parar na loucura das megalópoles? As probabilidades revelam-se tenebrosas. As anomalias repetem desgraças e tragédias!
A humanização, nas selvas de asfalto, concreto e pedra, revela-se desafiadora. Urbes, na excessiva proliferação humana, apresentam-se inabitáveis e ingovernáveis!
A parafernália tecnológica, com antenas, energias e ondas, parece acentuar a fúria. As nuvens, nos choques térmicos, reforçam raios e ventos. Causas originam efeitos!
A degradação de valores, nos imperativos da subsistência, produz cenas e imagens chocantes da odisseia humana. A insegurança, no contexto urbano, reside na aparente segurança!

Guido Lang
“Crônicas das Vivências”

Crédito da imagem: http://www.pedreiraitatiba.com.br/