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domingo, 14 de abril de 2013

A serpente e a lima


Entrando uma serpente na casa de um ferreiro picou uma lima, e como esta lhe resistisse e fosse dura, com mais força lhe aplicou as presas.
Todavia em vez de conseguir cravá-las, ficaram-lhe elas abaladas, e a boca cheia de sangue.
Então a lima lhe disse:
- O que fazes? Não vês que sou de aço e de boa têmpera! Nem todas as serpentes do mundo me podem fazer mal; inerte lhes resisto, e se persistem, em pouco tempo ficam desdentadas.

Moral da história:
Uma vida honesta e pura é como a lima: por mais que a serpente da calúnia lhe queira cravar as presas, nada consegue.

                     Esopo (Final do século VII a.C. e início do século VI a.C.)

                                                 Crédito da imagem: http://heresiascatolicas.blogspot.com.br


sábado, 13 de abril de 2013

A impossibilidade familiar



Um casal, em meio a uma dezena de hectares de terra, criou nove filhos. Uma esperança para uma velhice abonada e tranquila.
As áreas de encosta, dominadas por roças, levaram a uma penosa labuta braçal. Alguma produção de milho, mandioca e leite permitia a subsistência familiar. Os poucos reais, numas décadas de vivência, viam-se cuidadosamente contados e investidos. Quaisquer dispêndios e imprevistos levariam ao endividamento e ruína financeira.
A família, com “uma escadinha de filhos”, foi sobrevivendo as dificuldades. Esta, numa época, desdobrou-se para atender as muitas necessidades. Os rebentos, com as possibilidades mínimas de educação e formação profissional, conheceram logo a iniciação ao trabalho. Os anos escolares foram restritos a escola comunitária. Eventuais possibilidades, duma educação fundamental, secundária e superior, decorriam do esforço pessoal de cada interessado.
Os rebentos, diante das carências de toda ordem, empregaram-se nas cidades como autodidatas. Eles labutaram e trataram de namorar. A constituição de famílias foi rápida e prevista. Os pais, com a aposentadoria rural, seguiram os filhos (para o ambiente urbano). O singelo lote acabou comercializado e a maioria da área viu-se retomado pelo brejo e mato.
A velhice trouxe a triste sina da realidade da sociedade contemporânea. Os filhos, com seus próprios rebentos, não possuem tempo. Eles necessitam dedicar-se a profissão e ganhar a sobrevivência.  Estes tem carência de tempo para cuidar dos idosos pais. Os genitores, agora anciões, não tem como serem cuidados por algum herdeiro.
 Os familiares obrigam-se a pagar estranhos para cuidar dos genitores. Eles, aos trancos e barrancos, criaram nove. Pai e mãe esperavam de algum descendente cuidá-los na penúria da existência. A alternativa consistiu em improvisar até a chegada do derradeiro!
O indivíduo nunca sabe do infortúnio no aguardo da esquina. Certos exemplos falam por si só como ensinamentos. Os fracassos familiares, com as preocupações excessivas em ganhar dinheiro, tem sido uma realidade social.

Guido Lang
“Singelas da Existência”

Crédito da imagem:http://www.turismo.rs.gov.br

As pombas e o gavião


Perseguidas pelas aves de rapina, as pombas julgaram conveniente valer-se do gavião. Generoso, outorgou-lhes este a sua proteção, e as foi matando e comendo que era um regalo. Entregues sem defesa a impiedoso inimigo: Com, razão padecemos, disseram as pombas; quem nos mandou querer protetores?

Moral da história:
Fujamos de protetores de ofício, especialmente quando são de conhecida avidez e perversidade; caro custa-nos tal proteção.


                              Esopo (Final do século VII a.C. e início do século VI a.C.)

                                                             Crédito da imagem: http://portaldoprofessor.mec.gov.br

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A experiência alheia


Um morador, no interior duma chácara, mantinha uma paixão. Esta relacionava-se a criação de aves. Estas, com ampla liberdade, incursionaram por brejos, lavouras e matos.
O dilema adveio com o elevado número de sumiços. Os graxains e eraras degustavam-se com as presas (de forma desenfreada). A caçada, em função da excessiva astúcia animal, tornara-se uma impossibilidade. Como dar um jeito naqueles inimigos naturais?
O criador, tendo um amigo da terra, valeu-se da experiência e sabedoria alheia. O parceiro, como exímio conhecedor da fauna silvestre, deu-lhe uma modesta solução. Esta encontrar-se-ia numa fácil construção.
A sugestão consistiria em construir uma gaiola. Esta, no seu interior, teria dois compartimentos! Uma para prender algum chamarisco. Outro compartimento seria próprio ao inimigo. A caça, nalguma madeira ou tela (como divisão), não podia consumir a isca.
O artefato, de uns oitenta centímetros quadrados, via-se instalado nas cercarias dos brejos e matos. Algum galo, como chamariz noturno, seria enjaulado como presa. Este, nalguma altura, daria o seu tradicional cocoricó da matina. Um prato cheio aos inimigos!
O procedimento, após a construção, foi efetuada na primeira oportunidade. Um alçapão, com alguma isca instalada, levou ao fechamento (na proporção de mexidas num ferro semi-prendido). A portinhola/tampa caiu e cerrou o bicho no interior. O caçador, de imediato, acabou sendo a caça!
O sucesso foi completo. Algum vizinho cedo pedir a construção por empréstimo. Outro inspirou-se no exemplo para confeccionar a sua gaiola. Uma gama de esfomeados e ferozes inimigos cedo caiu na armadilha!
Esperto de quem vale-se da experiência e sabedoria alheia. O gênio humano, diante das primeiras adversidades, cedo improvisa monstrengos e inventa soluções. A morte, em função da fome, rodeia quaisquer seres!
                                                                       
Guido Lang
                                          “Singelas Crônicas do Cotidiano das Existência”

Crédito da imagem: http://folhaderiachao.blogspot.com.br

O galo e o diamante


Um galo andava ciscando em um monte de lixo à cata de vermes ou migalhas para comer. Encontrou um diamante, e exclamou:
- Ah! Se eu encontrasse um lapidador!  Porém, isso não me vale nada. Antes um grão de milho ou algum bichinho…
 Disse isso e continuou buscando seu parco e escasso alimento.

Moral da história:
As oportunidades de fazer riqueza às vezes nos passam despercebidas. A riqueza só tem valor para quem sabe aproveitar.

                  Esopo (Final do século VII a.C. e início do século VI a.C.)

                                                    Crédito da imagem: http://www.usinadeletras.com.br

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Os sentimentos alheios



Um cidadão, recém separado, conheceu a companhia e os mimos duma enamorada. Uma bonita e elegante jovem moça, porém ingênua e inexperiente.
As esperanças e sonhos tomaram conta dum mágico namoro. A ideia, de lá adiante, consistiu em constituir nova família. A preocupação e sensação, no momento, era de vivenciar um tempo ímpar e único!
O convite, como recém enamorados, foi passar uma estada na praia. Os passos, para o casal constituir-se num “namorido” (namoro), foram tomados ao sabor da água do mar e calor do sol de verão. Momentos mágicos, num final de semana, viram-se apreciados e degustados. A vontade, na prática, seria “fazer o tempo parar nessa magnífica convivência”.
O domingo, na parte da noite, achegou-se. O retorno infelizmente tornou-se uma necessidade. O trabalho, na segunda, encontrava-se num compasso de espera. O casal, numa altura, precisou despedir-se e separar-se! Um momento doloroso!
O parceiro, após o descarregamento da bagagem das núpcias, falou o inimaginável. Este, num comunicado ímpar, falou: “- O namoro termina por aqui! Eu vou fazer as pazes com a minha esposa e voltar à família!”
A jovem moça, por momentos, “viu o chão ruir debaixo dos pés!” O desmaio parecia iminente! Ficou estática e sem reação! Uma ilusão investir afeto, dinheiro e tempo em quem não merece! As felicidades e sonhos haviam ruído como um castelo de areia!
Uma realidade comum, nos grandes centros urbanos, consiste em brincar com as emoções e sentimentos alheios. Uns utilizam os próximos como se fossem banal mercadoria! As pessoas, com os seus muitos interesses e necessidades, revelam-se uma constante e frequente caixa de surpresas.
                                                                                                
Guido Lang
“Singelas Crônicas do Cotidiano da Existência”

Crédito da imagem: http://ambientalsustentavel.org 

O velho perdigueiro e seu dono


Um velho cachorro perdigueiro fora bom caçador outrora. Seu dono enchia-o de afagos e carinhos. Mas, para os perdigueiros, assim como para as pessoas, passam-se os anos, chega à velhice.
O pobre cão perdeu o faro, perdeu os dentes, e já não levantava a presa; e se a descobria, não conseguia pegá-la. Certa vez, uma perdiz, que ele conseguira apanhar, safou-se de sua boca desdentada. O dono chega, e irado o açoita.
- Senhor! - Disse-lhe chorando o velho cachorro. - Não mereço, em atenção aos serviços passados, alguma compaixão?

Moral da história:
A lição deste velho perdigueiro lhes diz como sereis tratados na velhice por aqueles a quem já não mais puderes servir.

                 Esopo (Final do século VII a.C. e início do século VI a.C.)

                                                    Crédito da imagem: http://www.racascachorro.com