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sábado, 23 de março de 2013

O urso e as abelhas

Urso e Abelhas

Um urso procurava por entre as árvores, pequenos frutos silvestres para sua refeição matinal, quando deu de cara com uma árvore caída, dentro da qual, um enxame de abelhas guardava seu precioso favo de mel.
O urso, com bastante cuidado, começou a farejar em volta do tronco tentando descobrir se as abelhas estavam em casa.
Nesse exato momento, uma das abelhas estava voltando do campo, onde fora coletar néctar das flores, para levar à colmeia, e deu de cara com o matreiro e curioso visitante.
Receosa do que pretendia o urso fazer em seguida, ela voou até ele, deu-lhe uma ferroada e desapareceu no oco da árvore caída.
O urso, tomado pela dor pela ferroada, ficou furioso e incontrolável, pulou em cima do tronco com unhas e dentes, disposto a destruir o ninho das abelhas. Mas, isso apenas o fez provocar uma reação de toda a colmeia.
Assim, ao pobre urso, só restou fugir o mais depressa que pode em direção a um pequeno lago, onde, depois de nele mergulhar e permanecer imerso, finalmente se pôs à salvo.
              
Moral da História:
É mais sábio suportar uma simples provocação em silêncio, que despertar a fúria incontrolável de um inimigo mais poderoso.

                     Esopo (Final do século VII a.C. e início do século VI a.C.)

                                            Crédito da imagem: http://sitededicas.ne10.uol.com.br

sexta-feira, 22 de março de 2013

Um mimo escolar


Um professor, durante décadas, atuou nas escolas das periferias urbanas. Este, como filho das colônias, adorava trabalhar com o pessoal carente e modesto. Ele, com os milhares de alunos passados em suas mãos, pode aprender muito da experiência e vivência. Os alunos, do cotidiano dos lares e ruas, traziam os acontecimentos, informações e malandragens.
O profissional, em termos gerais, descobriu a desmotivação de inúmeras crianças (em precisar ocupar-se com os conteúdos teóricos). Os estudantes, com raras exceções, careciam de atrativos com a arte de calcular, escrever, ler, interpretar, refletir, transcrever...  A esperteza como paliativo de solução foi dar-lhes algum mimo.
Aqueles ágeis e interessados, na proporção de concretizar as tarefas propostas (de cada dupla de períodos), ganhavam um tempo (de cinco a dez minutos) à de prática de esportes. Uma forma de exercitar os músculos (do muito sentar).  Os concluintes, depois de acompanhados e avaliado na qualidade das tarefas, podiam ocupar-se dum esporte (futebol ou vôlei).
Os resultados, em dias e semanas, viram-se magníficos. As choradeiras e lamúrias, do “de novo professor”, foram suprimidas. O alunado vira-se atento e predisposto a iniciar os estudos da disciplina. Os tradicionais desinteressados e morosos obrigaram-se a estudar e trabalhar nos conteúdos. Eles ambicionavam os idênticos benefícios e vantagens dos colegas (dedicados e esforçados).
O rendimento, em função duma modesta estratégia, mudou toda uma metodologia e rotina. O ensino, do valor do estudo como trabalho, foi primordial assim como “primeiros os encargos e depois os prazeres”. A prática foi possível unicamente com o aval da coordenação e direção escolar. O profissional, em momentos, obriga-se a fazer aquilo que nem sempre bem concorda.
Singelos mimos fazem muita diferença no geral e produzem magníficos frutos. Os resultados medíocres exigem mudanças de enfoque e prática. Os paliativos nem sempre são adequada solução, porém são caminhos para suavizar ônus. Sábio é aquele que consegue extrair água de pedra! Cavoucar ouro em meio à terra seca!

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano Urbano”

Crédito da imagem: http://www.educacaoassis.com.br

O mosquito e o touro

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Um mosquito que estava voando, a zunir em volta da cabeça de um touro, depois de um longo tempo, pousou em seu chifre, e pedindo perdão pelo incômodo que supostamente lhe causava, disse: "Mas, se, no entanto, meu peso incomoda o senhor, por favor, é só dizer, e eu irei imediatamente embora!"
Ao que lhe respondeu o touro: "Oh, nenhum incômodo há para mim! Tanto faz você ir ou ficar, e, para falar a verdade, nem sabia que você estava em meu chifre".

Moral da história:
Com frequência, diante de nossos olhos, julgamo-nos o centro das atenções e deveras importantes, bem mais do que realmente somos diante dos olhos do outros. Quanto menor a mente, maior a presunção.

                  Esopo (Final do século VII a.C. e início do século VI a.C.)

                                            Crédito da imagem: http://sitededicas.ne10.uol.com.br

quinta-feira, 21 de março de 2013

A deficiência


Um senhor, com deficiência física (paralítico), tornou-se importante referência comunitária. Este, na proporção dos ditos normais passearem nos finais de semana, ocupava-se em criar ideias e instruir-se nas leituras. Ele, em décadas, tornou-se excepcional liderança regional. As dificuldades foram canalizadas na direção do aprimorar e inovar o espírito.
O cidadão, em poucos anos, tomou o caminho da política. A preocupação restringia-se as querelas municipais (nada de maior ascensão nas esferas do Estado e União). Ele, nestas décadas de atuação, conseguiu os cargos de vereador e prefeito. Este, nas derrotas e vitórias, pode conquistar muitos adversários e partidários. O sabor, da empolgação e rejeição, fazia parte das querelas partidárias.
Um determinado morador, numa “dessas espécies raras da inadequada formação cultural”, externou sua pérola. O indivíduo, nas conversas informais, dizia: “- Quê o fulano quer como político? Um inválido desses deveria viver no aconchego da casa! Nada de correr pelas estradas e pernoitar tarde nas noites em reuniões políticas!” Ele era um desses ferrenhos adversários e opositores. Uma referência ao nome do fulano, na sua presença, era uma espécie de implicância e ofensa pessoal.
O político, no calor duma campanha, ouviu falar dos comentários impróprios do sicrano. Ele, num encontro ocasional das partes adversas, ouviu da própria boca do morador a indigesta alusão. O senhor, de forma educada, escutou a conversa. Este, na sua esperteza e malícia, rebateu: “- O cidadão encontra-se mais abençoado com uma deficiência física do que ser um dito normal tendo uma mente do tamanho dum grão de milho”. O ouvinte caiu na real da sua burrice e o “chapéu bem lhe serviu”. Adeus alusão posterior à deficiência alheia!
Alguns empecilhos servem como trampolim as realizações maiores. A força de vontade de uns é digna das maiores conquistas e realizações. “Certos momentos é bem mais sábio silenciar do que falar”. “Quem fala o que quer, ouve o que não quer”.

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Existência”

Crédito da imagem:http://produto.mercadolivre.com.br 

Os viajantes e o plátano

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Dois viajantes, exaustos, depois caminharem sob o escaldante sol do meio dia, decidiram descansar à sombra de uma frondosa árvore.
Após deitarem-se debaixo daquela refrescante e oportuna sombra, um dos viajantes, ao reconhecer que tipo de árvore era aquela, disse para o outro:
"- Como é inútil esse Plátano! Não produz nenhum fruto, e apenas serve para sujar o chão com suas folhas."
"- Criaturas ingratas!" Disse uma voz vinda da árvore. "Vocês estão aqui sob minha refrescante e acolhedora sombra, e ainda dizem que sou inútil e improdutiva?"

Moral da História:
Alguns homens menosprezam os melhores benefícios que recebem apenas porque nada tiveram que pagar por estes.

                  Esopo (Final do século VII a.C. e início do século VI a.C.)

                                  Crédito da imagem: http://sitededicas.ne10.uol.com.br

quarta-feira, 20 de março de 2013

As histórias familiares


Um senhor, pelos anos de experiência e vivência, tinha adquirido e ouvido muitas histórias e relatos. Elas, na sua compreensão particular, constituem-se numa pérola familiar (desperdiçada diante do desinteresse alheio).
A descendência, como filhos e netos, faziam descaso e indiferença. A imaturidade e preocupações variadas permitiam escasso tempo para narrações e relatos. Estas, em menos ou mais anos, acabariam carregadas para sepultura. Algum descendente, lá na idade madura, acabaria lamentando o fato do desleixo e perda desse patrimônio oral.
O cidadão, diante da apatia das atuais gerações, procurou um paliativo. Este, dentro das reminiscências, dava-se a nobre tarefa e tempo de redigi-las. Ele, a cada dia, apontava algumas histórias (com o objetivo de manter viva as memórias). Os rebentos, na sua ausência física, poderiam lê-las e relê-las (como uma espécie de curiosidade e diálogo). A redação permitiria a constituição de livros.
O interessante, com relação aos estudiosos das ciências sociais, relaciona-se aos estranhos. Estes, a título de estudos de épocas e temas, poderiam valer-se desse conhecimento e registros às pesquisas. A história comunitária e familiar via-se postergada no espaço e tempo.  A singela preocupação, como legado da cultura imaterial, levou a produção duma valiosa contribuição literária. O material, depois de escrito e impresso, sempre encontraria eventuais interessados numa variada leitura.
As pessoas, de alguma forma duradoura e esperta, precisam encontrar uma maneira de deixar seu legado. O inverno da vida aconchega-se antes do imaginado, portanto nunca é demais alguns registros. Astutos aqueles que chegam à velhice na proporção de tantos abandonarem a vida na juventude. Aqueles que encontram soluções simples para problemas sérios ostentam-se indivíduos inteligentes e sábios. Quem de nós não gosta de ouvir uma interessante e pitoresca história?

Guido Lang
“Singelas Histórias do Cotidiano da Existência”

Crédito da imagem: http://poetaeliasakhenaton.blogspot.com.br

Assembleia dos ratos


Era uma vez uma colônia de ratos, que viviam com medo de um gato. Resolveram fazer uma assembléia para encontrar um jeito de acabar com aquele transtorno. Muitos planos foram discutidos e abandonados. No fim, um jovem e esperto rato levantou-se e deu uma excelente ideia:
- Vamos pendurar uma sineta no pescoço do gato e assim, sempre que ele estiver por perto ouviremos a sineta tocar e poderemos fugir correndo.
Todos os ratos bateram palmas; o problema estava resolvido. Vendo aquilo, um velho rato que tinha permanecido calado, levantou-se de seu canto e disse:
- O plano é inteligente e muito bom. Isto com certeza porá fim às nossas preocupações. Só falta uma coisa: quem vai pendurar a sineta no pescoço do gato?

Moral da história:
Falar é fácil, fazer é que é difícil.

Esopo (Final do século VII a.C. e início do século VI a.C.)

Crédito da imagem: http://quartarepublica.blogspot.com.br/2011/05/os-gatos-e-os-guizos.html